Vainglory

20 Capítulo 20


Notas iniciais
Esse capítulo foi MUITO, muito difícil de escrever. Espero que gostem, e me desculpo pela demora, mas esse aqui era muito intenso pra eu me apressar!!

clímax
clí.max
(cs)sm (gr klîmax)1. Figura na qual um número de frases ou sentenças são arranjadas em ordem ascendente de força ou intensidade retóricas.2.Último e mais alto membro de um clímax retórico.3. O ponto mais alto ou período de maior intensidade em qualquer coisa ou sucesso concebidos como crescentes ou em desenvolvimento; culminância, acme.


A execução de Frederick Chase e seus comparsas ocorreu numa tarde de verão.


Os guardas da Cavalaria Real transportaram os prisioneiros da masmorra até a praça pública mais próxima do palácio, onde se reuniam grande parte da população que residia próxima à cidadela particular em que os nobres e o Rei viviam. Charles nunca havia visto o povo tão silenciosamente ansioso; sabia que a morte de Frederick Chase por traição e conspiração causaria curiosidade e certa movimentação popular, mas não tanta, apesar de ser compreensível. Os Chase da Casa da Coruja, uma das mais antigas e respeitadas casas, e sempre em paz com as outras, eram conhecidos por sua extrema bondade e generosidade, fama que Frederick Chase havia quebrado pela primeira vez em séculos de tradição. Se Maura Chase, a filha mais velha de Frederick, não fosse casada e não tivesse filhos, já teria sido caçada e queimada; felizmente, esta conseguiu tomar as rédeas da casa e lentamente refazia sua ordem. Annabeth fora poupada de bom grado, já que era casada com o segundo homem mais poderoso do reino, e, além de tudo, todo o ser vivo presente, desde uma mosca a o mais forte cavaleiro sabiam que ela era a mais doce e bondosa das donzelas.


Quando chegaram à praça, os prisioneiros foram puxados pela corrente de aço que os interligava até o altar de madeira onde seriam executados, e o carniceiro, homem de máscara preta encarregado do fardo de ceifá-los ou de pendurá-los nas cordas que os degolariam até o impiedoso Deus da Morte. Até o farfalhar das árvores parecia diferente naquele dia, no entanto, como se os pássaros soubessem que a execução que aconteceria diferia de todas as outras, o aroma da traição tão forte que nem mesmo pelos animais ou mendigos poderia ser ignorado.


A seu bel prazer, Charles mandou que as cabeças dos comparsas fossem cortadas primeiro, para poder divertir-se com o medo nos olhos cinza de Frederick, temendo quando sua hora chegasse. Em seu primeiro veredicto, Charles havia declarado a prisão perpétua a Frederick e os comparsas, mas, com o passar dos dias, percebeu que nunca sofreriam tanto como ele havia sofrido sem pagar com sua própria vida; cheio de ira e raiva, mudou sua sentença, anunciando que deveriam pagar com suas cabeças, em praça pública. Quando os crânios dos traidores rolaram no chão do altar de madeira, no entanto, Charles não sentiu prazer algum: seus interiores permaneceram gelados e sem expectativa como estiveram logo que recebera notícias sobre o óbito de um bebê nomeado Peter, Peter Beckendorf, no sul do Reino numa pequena vila perto do bordel do Sultão Oslo. Durante seus dezenove anos de vida e seus apenas três anos de reinado, Charles controlara suas tentações quando lhe era oferecido prostitutas ou até mesmo belas mulheres, já que não queria gerar bastardos e sim apenas herdeiros legítimos quando se casasse e tomasse uma moça como sua Rainha, e concretizou seu plano, recusando a atenção das mais diversas garotas de programa e nobres moças em termos de casamento, já que nenhuma chamara sua atenção. Isto foi, pelo menos, até o dia que vira Silena Beauregard pela primeira vez; não podia acreditar que tamanha beleza estava presa a um corpo de serva, e que a lindíssima moça trocaria seus lençóis ao invés de deitar-se neles. Por semanas sonhara em poder beijá-la, tocá-la e a ter para si, e muitas vezes tais pensamentos lhe tiraram o sono e a atenção de seus deveres reais. No entanto, ele era o Rei, tinha um dever como monarca, e não se deixaria levar pelas tentações da carne, ou, pelo menos, seu plano inicial era este.


Não demorou, contudo, a que Charles lentamente se entregasse à tentação; Silena era diferente de qualquer moça que ele já houvesse conhecido, tímida, amável, solitária e belíssima, e tais características o intrigavam mais do que palavras pudessem expressar. Facilmente uma coisa levou a outra, e como num passe de mágica, Charles Beckendorf, o Terceiro de seu nome, havia arrumado sua primeira amante. Encontravam-se em segredo sempre que podiam e procuravam ser o mais discretos o possível: Depois de ardentes encontros nos aposentos do monarca, Silena saía pela porta dos fundos do quarto, passagem até as cozinhas de que poucos sabiam sobre, e, dessa forma, nenhuma alma desconfiara do pequeno caso passageiro. Era óbvio que nunca soubera da gravidez de Silena, que provavelmente percebera que ficara prenha dele logo depois que ele fora raptado em seu jardim partícula; se soubesse, temia que a situação ficasse ainda mais complicada: Amava Silena Beauregard, isso havia ficado claro fazia certo tempo, e se houvesse descoberto da existência de Peter antes de ter nascido, iria ficar louco de dúvida e numa verdadeira armadilha: Sendo Rei, não poderia assumir o filho de uma serva ou mesmo querer casar-se com ela. Tamanho escândalo seria de proporções tão estratosféricas que nobres revoltados o tirariam do poder.


Agora, suspeitava nunca mais ver Silena, e esperava que não tivesse que fazê-lo. Enxergar seu belo, tenro rosto, imaginá-la como a mãe de seu único filho já gerado, e agora morto, seria muito para o jovem Rei suportar, o jovem Rei que havia amado e cortejado uma serva e que logo haveria de casar-se com uma nobre para tentar esquecê-la e dar ao seu Reino herdeiros legítimos.


Quando a cabeça de Frederick Chase, a última, rolou ao chão de madeira junto das outras, o povo rugiu, mas os interiores de Charles Beckendorf continuaram cinza de tristeza ao invés de vermelhos de palpitante vingança.


~~~~~


– Agora você está passando dos limites. – Annabeth riu quando Percy ordenou que os servos carregassem mais uma mala de roupas dentro do veículo de carga, o mais pesado, certamente, e puxado pela maior quantidade de cavalos.


– Não há limites nessa situação, querida, veja bem. – Percy serpeou as sobrancelhas enquanto sapateava brincalhão em direção à esposa, fazendo-a rir. – Estamos indo para o castelo de campo de Casa do Tridente. Temos que procurar ficar confortáveis. Já não estou contente com você viajando assim, nessas condições –


Percy foi interrompido com um lúdico tapa de Annabeth em seu braço, a outra mão da moça repousada na barriga inchada de oito meses de gravidez, e ela com o cenho franzido em protesto.


– Já falei que estar prenha não é estar doente. – Annabeth amuou. – Além do mais, sou perfeitamente capaz de passar por essa viagem sem ao menos... ZACHARY JACKSON DESÇA DAÍ! Imediatamente! – Sua sentença foi cortada quando seus olhos encontraram a imagem do filho de quase três anos de idade escalando uma árvore na frente do castelo-cede de Casa do Tridente. Zachary Frederick Jackson, o herdeiro de Casa do Tridente ainda era idêntico ao seu pai, e também muito travesso. As amas e Annabeth mal podiam tirar o olho do moleque e ele já estava arrumando confusão com os cachorros, os cavalos, e até mesmo os filhos das servas. Era realmente uma figura, um malandro disfarçado de presente dos deuses, e, ainda sim, não havia ninguém que o conhecesse que não o amasse, sendo ele cativante como a mãe e gentil como o pai.


– Deixa o pequeno brincar. – Percy retrucou como sempre fazia, constantemente defendendo o filho tão parecido com ele. – E se ele botar alguma coisa na boca é mais proteína. Faz bem para o osso. – Riu quando Annabeth lhe tascou outro tapa no braço e apontou para a árvore em que o menino continuava escalando.


– Vá buscar seu filho, faça o favor. – Annabeth suspirou, e com a ajuda de uma serva, sentou-se num pequeno assento na frente da enorme linha de carruagens que se formava na frente de sua residência.


Viajar até a casa de campo dos Jackson havia sido ideia de Perseu, é claro, e Annabeth concordou, apenas pelo fato de que tinha que ambos tinham que reconhecer: a vida como representantes da segunda casa mais poderosa do reino não era exatamente fácil, e como desde que casaram nunca haviam tirado uma pausa de sua rotina pesada, decidiram escapar com alguns servos e muitos de seus pertences para o castelo de campo por apenas algumas semanas. O caminho não era longo, as estradas, calmas, e Annabeth já havia lido em diversos livros que fazia bem ao bebê ficar em localizações mais afastadas e pacíficas durante a gestação. A segunda gravidez de Annabeth havia sido bem mais conturbada do que quando ela estava prenha com Zachary: vomitava muito, quase todas as manhãs, e o bebê chutava muito à noite, a sensação desconfortável quando repetida, permanecendo então a pobre moça acordada a noite toda. Perguntava-se por que a criança era tão inquieta quando cercada de amor, e só podia rezar aos deuses para que ela nascesse saudável.


Além de tudo, ela e seu amado Perseu já haviam passado por tanto, ela ainda desconfiava da vida por tê-los deixado serem felizes após a volta de Annabeth para Casa do Tridente; os dois anos que passaram desde então (agora, quase três) foram abençoados com tanta paz e ternura que lhe era estranha.


Foi puxada de seus pensamentos ao escutar a risada infantil e doce de Zachary a alguns metros de distância, o menino balançando-se nos braços fortes de Percy enquanto esse lhe enchia de cócegas, e Annabeth foi lembrada mais uma vez do motivo pelo qual continuava agradecendo aos deuses todos os dias.


~~~~


Enfim, a hora que Luke Castellan tanto esperava chegou.


Focus, o dragão gigante vermelho, ficava maior e mais forte a cada dia que passava, mas ele, de certa maneira, conseguia pacientemente aguardar pelo momento certo. Uma cobra que quer desjejum sempre espera pelo bote, Luke repetia mentalmente a cada vez que sentia o fogo da ansiedade queimar dentro de si. Estava perto, tão perto de conseguir sua amarga vingança sobre todos aqueles que reinavam sobre ele, sobre aqueles que zombavam de sua existência sendo tão felizes quanto malditos pintos no lixo enquanto lá estava ele, Luke Castellan, o herdeiro legítimo da Casa do Elmo, exilado, foragido da sociedade, vivendo em uma pradaria, num verdadeiro esconderijo, treinando uma gigante máquina de matar.


Algumas vezes, enquanto dormia, Luke lembrava-se de Rachel, a prostituta, seus cabelos ruivos, seus interiores apertados e o seu constante cheiro de rosas. Lembrava-se de como a pele da moça ficara pálida na medida em que o período em que ficara trancada em seus aposentos aumentava, e como ela chorava em agonia quando ele a estuprava quando desesperado por um herdeiro... E o que havia conseguido? Uma menina. Uma menina com os mesmos cabelos ruivos de Rachel, uma menina que provavelmente viraria prostituta como a mãe e teria seu corpo vendido a homens todas as noites. Ela deveria ter pouco mais que dois anos, a menina, e Luke imaginava onde estaria ela, o sangue de seu sangue... Estaria sendo cuidada por outra prostituta? Pelo médico de Casa do Tridente que a havia tirado do corpo da mãe? Teria ela sido vendida?


Para interromper seus pensamentos emotivos, um corvo mensageiro trouxe as notícias de um de seus espiões que ele precisava, notícias do jogo da vida, notícias da floresta lotada de bichos aonde ele daria o bote em breve.


Perseu, Annabeth, o primogênito e mais alguns criados chegaram ao seu castelo de campo na semana passada, algumas milhas ao sul de Casa do Tridente. Curandeiros comentam sobre a data do parto da mulher Jackson, que parece ocorrer em um mês e algumas semanas.

Haverá uma festa na próxima quinzena, para celebrar a Lua Crescente e a prosperidade dos negócios e longevidade do rei.


Luke releu a mensagem cuidadosamente, absorvendo as informações da melhor maneira que pode. Não sabia se conseguiria esperar um mês e mais algumas semanas para que Annabeth Chase parisse a maldita segunda criança, mas com certeza a festa da Lua Crescente era o momento perfeito para uma aparição. Seria uma comemoração familiar, discreta, e com o voo silencioso de Focus, poderia chegar horas antes e se preparar na floresta densa perto do castelo de campo da influente família.


A cobra, enfim, daria o seu bote.


~~~~


– Qual vestido irá usar, minha senhora?


Annabeth levantou a cabeça do livro que lia, suspirando com a pergunta da criada. Há dias estivera com uma impressão incomum sobre a festa da Lua Crescente, como se sentisse em seu coração que esta não deveria ocorrer. Não havia comunicado suas aflições a Perseu, já que este ficaria desesperado e certamente cancelaria a comemoração apenas por preocupação, e não queria que seu marido se afligisse apenas pelos pressentimentos de uma jovem mulher. Ela era uma Jackson, e se a festa era tradição para os Jackson, era tradição para ela, também. Parecia que fazia séculos desde que havia se casado com Percy a força, e séculos desde que ela percebera que o amava. Agora, ela era uma mulher de 21 anos, e ele, um homem de quase 22, e eram nesses períodos de aflição em que ela se lembrava das palavras de suas servas de Casa da Coruja... “Um dia, vai amá-lo, como sua mãe amou seu pai”, e como aquelas palavras pareceram uma grande mentira quando proferidas.


– Acho que vou usar o azul. – Annabeth respondeu, um pequeno sorriso ameaçando aparecer em seus lábios cor de rosa. Só usava azul, pois sabia que era a cor preferida de Percy, e se a festa era importante para ele, ela precisava estar o mais bela possível. – O azul marinho.


Cerca de alguns minutos depois, as criadas prepararam uma larga bacia com um banho gelado para Annabeth, já que fazia muito calor no castelo de campo. A moça tentou prolongar seu contato com a água por mais tempo o possível, mas ainda tinha de se perfumar, deixar que arrumassem seus cabelos e ainda por cima passar pó de arroz e brilho no rosto para disfarçar o cansaço. Os últimos dias no castelo de campo haviam sido calmos e relaxantes, mas ainda assim, o bebê inquieto não deixava que ela dormisse. Além de tudo, mesmo a família estando afastada da rotina, Perseu ainda recebia cartas com assuntos de negócios, muitas vezes do Rei, e quando ele estava ocupado, Annabeth gostava de ajudar as amas a vigiar Zachary, o que sempre fora cansativo. De forma ou outra, ela se recusava a reclamar: fazia quase três anos desde que foram abençoados com paz, e tudo que viesse junto com ela seria lucro.


As criadas a ajudaram a entrar no vestido, perfumando-a gentilmente com pequenos toques dos dedos e trançando seus cabelos, passando pó de arroz no rosto cansado para disfarçar as olheiras que se formavam debaixo dos olhos. Belos brincos de safira enfeitaram seus lóbulos, assim como um belo colar nas clavículas em conjunto. Por baixo das sedas de suas vestimentas o bebê chutava como que em protesto e se mexia no útero, e mais uma vez Annabeth hesitou, pensando tratar-se de um mau sinal.


– Espere. – Annabeth pausou a serva antes que ela pudesse sair do quarto. – Pegue o cobertorzinho, por favor. Está na minha mala. – pediu de certa forma inocente e timidamente.


A serva fez que sim, rapidamente remexendo na mala de Annabeth antes de retirar um pequeno cobertor bordado em lã bege. Costurado belamente em linha roxo escuro, se lia o nome Claire, que Annabeth mesmo havia bordado antes que saíssem de Casa do Tridente; Ela e Percy haviam deduzido que o bebê era uma menina já fazia alguns meses, e foram rápidos em estabelecer um nome. Como fora Annabeth quem escolhera o nome de Zachary, ela insistiu que o marido desse o veredicto no quesito do nome da filha, e por fim estabeleceram Claire Gemma Jackson, que agradara ambos, e logo isto feito, Annabeth bordou com amor o cobertor de lã com o primeiro nome da criança, e sempre que ela o carregava, parecia que o enraivecido bebê se acalmava quando o tecido era pressionado contra a barriga inchada de Annabeth, ato que havia virado hábito para ela.


Levantando o vestido, ela estendeu o pequeno cobertor sobre a parte de cima da barriga onde pudesse ficar apoiado sem que caísse e deu um grande suspiro quando a criança parou de chutar quase que imediatamente.


Assim, engoliu seu mau pressentimento e foi-se para a festa.


~~~~~~


As comemorações da Lua Crescente encantaram a todos.


Casa do Tridente sempre foi conhecida pela sua grande hospitalidade, portanto, nunca economizaram esforços ou gastos em suas festas. Convidados vieram de todos os cantos do reino, todavia, todos eles eram amigos de Perseu ou velhos aliados de Casa do Tridente, que há tempos lhe juraram fidelidade. O enorme quintal do castelo estava decorado com pequenas lâmpadas amarelas e flutuantes, e extensas mesas com todos os tipos de comes e bebes tradicionais se encontravam espalhadas pelos gramados. Criados deslizavam facilmente entre os convidados servindo taças com os mais deliciosos vinhos doces do sul, e músicos tocadores de trompete e viola compunham uma animada e constante melodia.


Aproveitando o fato de que Zachary brincava animadamente com outros meninos filhos de nobres de sua idade, Annabeth pôde acompanhar o marido durante a festa, cumprimentando propriamente os convidados enquanto seu braço envolvia o do de seu amado, e os dois só pararam para um descanso quando todos foram chamados a sentar em suas mesas para o banquete. Perseu, Annabeth, Zachary e alguns outros nobres importantes de Casa do Tridente se sentaram em uma mesa de mármore mais ampla, de frente para as outras, menores e redondas. O banquete, carne assada com sementes de mostarda e molho de cebolas e alho acompanhado de uma incrementada sopa de legumes e mais taças do mesmo vinho doce do sul que todos pareciam apreciar.


Mais uma vez, Annabeth agradeceu aos deuses uma das criadas havia se atarefado da dura missão de alimentar Zachary, que frequentemente se distraía durante as refeições. Enquanto lentamente apreciava sua refeição, seus dedos brincavam com os de Perseu debaixo da mesa, já que daquela forma ninguém poderia ver. Também trocaram alguns sorrisos, e pequenas ações foram interrompidas apenas quando um grito monstruoso, escultural, medonho e desumano ecoou da floresta até cada tijolo que compunha o castelo de campo.


De imediato, os convidados todos se calaram. O susto que Annabeth tomara fora tão forte que sentiu uma náusea forte tomar conta de suas entranhas, e, simultaneamente, o bebê chutava raivosamente contra as paredes de seu útero. Era como se um deja vú constante pulsasse em sua mente, lhe tentando desesperadamente avisar que ela sabia o que estava por vir, sabia o que ameaçava a vida de casa um dos presentes naquele momento, mas o pânico tomando conta de si era tão grande que era impossível raciocinar. Por um breve segundo, agarrou a mão do marido que havia se levantado da cadeira, encarando os arredores e franzindo o cenho. Os olhos dos dois se encontraram, e era quase como o medo dentro deles os transpassasse dizendo que estavam prestes a se separar novamente...


Foi apenas quando o dragão cor de fogo cruzou o céu, tampando a lua crescente, que a lembrança a chocou como uma grande queima de seu íntimo. Era como se ela estivesse de volta a três anos, antes mesmo de ter Zachary, logo depois que se casara com Perseu... Ela usava um vestido vermelho, vermelho como sangue, e a velha havia botado a mão sobre sua barriga e dito... Oh, a velha vidente, a velha que nunca errara uma profecia, abrira a boca e falara, e ela não escutara! Quase podia enxergar a lucidez escorregar de seu corpo, o dragão ainda torcendo-se contra o céu escuro, e as palavras frescas em sua mente...


“E a criatura virá, ah virá, logo, e será vermelha como os tecidos que te embelezam, senhora.”

Notas finais
E aí? Sim ou não? ;)

Deixem seus comentários!

Beijos,

Ju