Vainglory

16 Capítulo 16


Notas iniciais
Se segurem que a montanha russa vai virar. whoaaaaaaaa

espetáculo
es.pe.tá.cu.lo
sm (lat spectaculu) 1 Tudo o que atrai a vista ou prende a atenção.2 Vista grandiosa ou notável.3 Qualquer representação pública que impressiona ou é destinada a impressionar a vista por sua grandeza, cores ou outras qualidades.

Percy e Annabeth amaram-se nos cantos da floresta gelada e silenciosa, ambos demasiado cegos de paixão e amor para se importarem com a possibilidade de serem pegos por um dos faunos ou sátiros. Horas depois, encontravam-se encostados sobre o tronco de uma grossa árvore, cobertos pela pele de urso branco que Percy trazia consigo e enroscados um nos outros, ambos ainda sem acreditar que os acontecimentos ocorridos fossem reais. Percy com frequência apalpava o corpo da mulher, e sentia seus olhos e peito se encherem de emoção ao sentir da pele macia e familiar dela contra a dele. Seu cheiro era o mesmo, os olhos, o cabelo, ela, e principalmente, a fortíssima conexão entre os dois também, que mais uma vez confirmava as suspeitas de Percy: não importa onde estivessem, ele sempre saberia se ela estava viva ou não. Todos os meses em que passara ouvindo todos a sua volta afirmando com certeza que Annabeth, sua doce, perfeita Annabeth estava morta haviam sumido de sua mente, pois sua esposa estava ali, viva, e era tudo que importava. Durante o tempo que passaram sobre a árvore, depois que se cansaram, Percy contou tudo sobre Zachary, como ele havia crescido e como seu sorriso parecia com o dela, como sua pele havia se bronzeado levemente e como era saudável e amado.

Deixou que Annabeth chorasse contra o seu ombro até que parte da saudade passasse, já que seis meses longe do filho havia feito com que ela se desesperasse. Agora, contudo, saberia que em breve teria o pequeno em seus braços, para sempre. Após conversas sobre Casa do Tridente, Annabeth finalmente explicou a traição de Silena, deixando que Percy gentilmente acariciasse a cicatriz sobre seu osso externo, onde teria sido arrancado seu coração. As informações fizeram com que o homem queimasse em raiva: sabia que Luke Castellan estava por trás de tudo aquilo, e que só não caçaria Silena até a morte, pois sabia que possuía uma causa nobre, afinal, o filho estava doente, e, por outro lado, sabia também que Castellan havia manipulado a pobre moça. Queria mata-lo, estrangulá-lo e mandar que cortassem seu pescoço à facadas de lâminas cegas por querer assassinar a sangue frio sua pobre Annabeth e o inocente Zachary, que não havia feito mal a ninguém, diabos, era apenas um bebê, na época ainda recém nascido. Bilhões de perguntas explodiam em sua mente, contudo, concentrou-se no fato de que a esposa estava ali ao seu lado, e que tudo, lentamente, voltaria ao normal.

- Voltaremos a Casa do Tridente hoje mesmo. – Percy a informou. – Vamos esperar a neve derreter um pouco.

Percebeu que Annabeth hesitara, mordendo em seu lábio rosado antes de falar.

- Não podemos, Percy. – ela protestou. – Quero voltar para casa, para o nosso Zachary, você sabe mais disso do que ninguém, todavia... Os sátiros, eles... Eles me salvaram. Se não fosse por Grover e o carinho, zelo e cuidado médico dos outros, eu estaria morta, comida pelos vermes na floresta. Não sei por que tanto precisam de minha ajuda, mas não importa. Preciso retribuir o favor. Não fosse por eles, não estaria em seus braços agora! – exclamou, os olhos cinza lotando-se de lágrimas de desespero. Percy fez uma pequena careta, detestando o fato de que demoraria mais do que pensou para que finalmente tivessem a vida dos dois de volta. De forma ou outra, Annabeth estava certa: ele estava eternamente em dívida com os sátiros, e com Nico Di Ângelo.

- Mas... – Percy protestou. – Não posso. Não posso deixa-la novamente, não vou, não –

- Fique comigo. – Annabeth lançou-lhe um enorme sorriso, beijando seus lábios rapidamente e ainda sorrindo quando falou. – Terminemos isto de uma vez por todas, querido, de uma vez por todas! – disse. – Nossa vida pode finalmente ajustar-se com o retorno de Charles, nossa casa será nossa casa, sem a companhia de seus inimigos políticos, sem Luke, sem nenhum destes! Podemos ser enfim marido e mulher, criar Zachary, ter mais filhos, quantos filhos quisermos... Mas terminemos isso. Por favor.

Por um instante, Percy ponderou as palavras de Annabeth com certa tentação. Realmente, sua esposa tinha toda a razão: uma vez que Charles fosse resgatado, legitimado e voltasse ao poder, poderiam facilmente ter uma vida calma em Casa do Tridente, vendo Zachary crescer e tendo mais filhos com o passar dos anos. Relutante, fez que sim. Apesar de não aprovar a ideia completamente, sabia que, no final das contas, a decisão tomada por Annabeth naquele momento beneficiaria a todos.

~~~~~

- Nasceu? – Luke perguntou, metade ansioso, metade nervoso, quando o médico saíra do aposento escuro em que Rachel se encontrava em Casa do Tridente.

Naquela manhã, Rachel havia acordado a silenciosos prantos; quando Luke chegou ao quarto, ela lhe informou que sentia uma dor extrema em seu abdômen e que o bebê estava para nascer. De imediato, Luke chamara o médico de Casa do Tridente, sabendo que o destino político da Casa do Elmo dependia daquele esperado momento. Havia demorado a que a prostituta engravidasse, e os sete meses de gravidez – aparentemente o bebê planejava sair mais cedo – foram de uma espera terrível. Luke não se importava com a saúde da descartável garota de programa, contudo, o nascimento de seu primeiro filho era uma coisa pela qual ele havia rezado pelo zelo dos deuses – e, que, pela misericórdia deles, fosse um menino. Uma menina seria apenas mais uma boca para alimentar, mais uma mulher descartável em sua vida. Invejava Perseu por ter Annabeth, e também por ter Zachary, que certamente não seria inútil quando crescesse e ficasse forte e inteligente. Agora que as vigias em Casa do Tridente haviam triplicado, a única maneira de competir contra a existência de Zachary seria rebater com outro herdeiro, coisa que Luke tinha certeza absoluta que funcionaria.

- Sim. – o médico idoso murmurou, fechando sua maleta de couro.

- E então? – Luke exigiu saber, mas a porta do quarto estava fechada.

- A moça está morta, Senhor Castellan. Sinto muitíssimo. – o médico informou. – Um parto normal a esta altura do campeonato, num corpo frágil e violado como da Senhorita Dare... Seria dificílimo, quase impossível, que ela aguentasse...

- Mas e a criança? – Luke interrompeu, pouco se importando com a morte de Rachel. Não pretendia em fazê-la sua esposa, já que era uma prostituta. Claro, havia lhe custado muito dinheiro, mas agora isto não importava mais.

- Uma menina. – O médico sorriu, mas o sorriso não lhe chegou aos olhos, sabendo que homens como Castellan só queriam herdeiros homens. – Saudável, apesar de pequena. Tem os cabelos da mãe.

Luke imediatamente sentiu a raiva construir-se dentro de si, sólida e sempre presente. Não bastava sua fonte de fertilidade ter morrido, a única coisa que havia conseguido lhe dar era uma maldita menina. Uma menina. Inútil, frágil, e, como previra, mais uma boca para alimentar. Xingou mentalmente, mordendo os interiores da boca até que sentisse o gosto de sangue.

- Leve ela embora. – murmurou. – Mate-a, cuide dela, não ligo. Mas livre-se dela.

~~~~~

Era ao redor das cinco da tarde quando os sátiros, centauros, Annabeth e Perseu chegaram até o esconderijo onde Charles estava escondido. Nevava, e se camuflavam entre os pinheiros com capas de pele de urso negras, Annabeth com os cabelos loiros cobertos para que a coloração não chamasse atenção. As patas dos sátiros e centauros, escondidas sobre roupas da melhor maneira possível. O local não era muito vigiado; pelo contrário: surpreendentemente, tratava-se de uma espécie de mercado negro, o que confirmava as suspeitas de Grover. Seja lá quem fosse que havia capturado Charles, esperava que algum mercador rico do Oeste, que não se importava com política, comprasse o rei que estava supostamente falecido e o levasse para fora do Reino, já que se tratava de um vasto porto.

Ao sinal de Grover, o grupo se dividiu em três. Annabeth e Perseu foram acompanhados por três centauros até a parte central do mercado negro, onde os três tentavam ao máximo ignorar o cheiro insuportável de peixe e de mercadorias de magia negra. Por algumas horas, disfarçaram-se e fingiram-se de compradores, esperando a neve derreter de suas roupas um pouco para que pudessem misturar-se com o resto da população e não parecerem diferentes. O coração de Annabeth palpitava por baixo de sua cicatriz; ela finalmente saberia por que os sátiros tanto precisavam dela, já que desde o início do plano lhe diziam que ela era a chave mestra para que conseguissem resgatar Charles em segurança.

Quando o sol do meio dia já aparecia por entre as nuvens e o movimento havia diminuído um pouco, os três grupos da trupe se locomoveram para a parte mais afastada do local, mais próximo dos barcos mais ricos do mercado, onde senhores vendiam escravos para que os ricos de outras terras pudessem leva-los embora rapidamente, já que ninguém queria ter problemas com a fiscalização. Passaram por entre outros consumidores como tanto haviam ensaiado meses atrás, e parte dos sátiros e centauros fingiram conversar com alguns vendedores de escravos até que, quando só uma pequena parte do grupo restante chegou até um conjunto de gaiolas de ferro maciço. Grover colocou-se atrás de Annabeth e sussurrou.

- Agora é sua parte. – murmurou. – Passe por dentre aquela gaiola maior ali, há uma vala ao canto que leva até um pequeno esconderijo na floresta, uma clareira, e vai encontrar uma gaiola coberta de um pano cor de berinjela. O dono estará provavelmente na frente dela junto aos guardas. Ali estará Charles, talvez hajam alguns comerciantes, ou compradores. Chegaremos em segundos, como ensaiamos, prometo. – assegurou-a.

- Não deixarei que ela vá, se eu não puder ir junto. – Perseu protestou, e Grover deu de ombros.

- Contanto que não atrapalhe o plano, e solte a mão dela. Seja discreto, Perseu Jackson. Não podemos deixar que tudo dê errado agora, ou descobrirão. Esta é nossa única chance. – Grover sussurrou para o homem, que fez que sim nervosamente. Um último favor, pensou. E então Annabeth e eu poderemos ir para casa.

- Certo. – Annabeth concordou. – Mas... O que farei?

- Confie em mim. – Grover disse pela milésima vez desde quando ele a havia resgatado. – Quando você o vir, saberá o que fazer. Boa sorte. – disse, e desapareceu dentre os outros sátiros para preparar a munição caso houvesse algum conflito logo.

Annabeth olhou para o rosto do marido, e ambos trocaram um sorriso. Um último favor, ambos pensavam enquanto a moça colocou-se na frente de Perseu, andando lentamente, contornando a gaiola gigante para encontrar, escondida muito bem entre as árvores, a gaiola coberta com o pano roxo escuro que Grover havia mencionado. Havia três compradores, todos sussurrando muito baixo entre si e os funcionários. É claro, Annabeth pensou. Não acreditam que o suposto Rei Charles esteja à venda.

Um funcionário logo se aproximou, enxergando Annabeth e Perseu como potenciais compradores. Ótimo, Annabeth pensara. Nosso disfarce está funcionando.

- Olá, bela moça. – o funcionário com cara de fuinha disse com um sorriso malicioso, mas parou logo que Perseu lhe enviou um olhar maléfico por trás do ombro da esposa. – E caro senhor.

- Bom dia. – Annabeth cumprimentou, sentindo a raiva do marido atrás de si. – Estamos aqui para... – aproximou-se para cochichar. – Examinar a mercadoria?

- Ah, sim, certamente. – O funcionário fez que sim repetidas vezes. – Temos outros compradores na fila, mas –

- Não há problema. – Annabeth o cortou. – Gostaria de falar com o proprietário, se possível.

O funcionário fez uma pequena reverência.

- Como desejar, cara senhorita. – Disse, com o mesmo sorriso e apontou para um homem alto, vestido de azul marinho perto da gaiola, de costas. Annabeth não conseguia ver seu rosto, mas havia algo incrivelmente familiar em seus cabelos grisalhos –

Não. Não. Não podia ser. Claro que não. Estava equivocada! Estuprava-se mentalmente por um pensamento tão horrível e impossível passar pela sua cabeça, estava obviamente delirando. Esperou pacientemente pelo funcionário que fora chamar o chefe, o coração acelerado novamente. É agora, pensou. Só mais um favor.

Quando o homem virou-se para ela, Annabeth sentiu seu coração parar por alguns instantes, sua breve suspeita fora confirmada.

Ela olhava para Frederick Chase: seu pai, e o homem que havia capturado o Rei.

Notas finais
CHOQUE CHOQUE CHOQUE TODAS CHOCADAS E CHORANDO
Ok, chorando não, mas, enfim.
Espero que tenham gostado do capítulo. A fic já está chegando ao fim, só faltam uns 5 ou 8 capítulos.
REVIEW!
Beijos,
Ju.