Vainglory

15 Capítulo 15


Notas iniciais
Para todas vocês, que sentiram falta de Percabeth.. vão adorar esse capítulo. E agradeçam, mais uma vez, ao nosso querido Nico! Aproveitem!! E mais avisos no final!!

serendipity
ser.en.dip.i.ty
n. serendipismo: dom de fazer descobertas felizes, por acaso.


Nico engoliu em seco antes de bater duas vezes na porta dos aposentos de Perseu. Sabia que, desde que fora lhe dada a notícia de que teria que se casar de novo, de preferência com urgência, o homem havia se trancafiado cada vez mais em seus pensamentos, muito mais reservado que nos tempos de antes, até mesmo de quando Annabeth havia desaparecido. Compreendia, afinal, Nico estava muito mais a par da situação do que Perseu sabia. E, enfim, estava na hora de contar a ele o que na realidade ele esteve fazendo enquanto hospedado em Casa do Tridente, o quanto fora responsável pela proteção de Annabeth, e a proteção de Zachary, e até mesmo a proteção de todos os funcionários ali residentes, além dos nobres que lá viviam. De qualquer forma, proteção e segurança eram duas obsessões de Nico, e era por isso que ele não queria casar-se ou ter filhos: Sabia que se o fizesse, ficaria obcecado com a ideia de protegê-los e eventualmente iria à loucura.


– Sim? – Nico enfim escutou a voz de Perseu vinda de dentro do enorme aposento. Engoliu em seco.


– É Di Ângelo. – ele informou. – Com licença? – pediu educadamente, sua mão já na maçaneta de ouro.


– Entre.


Assim que adentrou o quarto, o fôlego de Nico ficou preso em sua garganta: era certamente o maior e mais luxuoso aposento que já vira, lençóis e enfeites de seda, além das mais caras luminárias do Oeste penduradas sobre o teto, prateleiras lotadas das mais grossas enciclopédias, e ao lado da janela, até mesmo um caro telescópio de cobre. Ao lado deste, uma poltrona de veludo cor de cereja, aonde Perseu descansava a luz do sol da tarde. Seus olhos verdes, como sempre, estavam inchados, e ele não parecia se importar com o fato de que estava cercado das mais preciosas riquezas, e vestido com as mais belas e caras sedas. Nico deu um suspiro triste, sabendo que, se os sátiros não cumprissem sua tarefa e Annabeth morresse em batalha, ele se sentiria culpado pelo resto de sua vida, apesar de o assunto ser de segurança do Reino todo. Fechou a porta por trás de si e caminhou até a mesa de carvalho aonde Perseu escrevia as cartas e hesitantemente sentou-se. Pigarreou quando Perseu não olhou em seus olhos. Para ser honesto, os únicos olhos que Perseu encarava era os de seu filho. De resto, nada mais parecia importar, mesmo que Perseu ainda estivesse forte na disputa pelo poder.


– Jackson. – Nico chamou para ganhar sua atenção. – É urgente, está bem? É sobre... É sobre a Senhorita Jackson. Annabeth. – disse-lhe, com ênfase.


Pela primeira vez em seis meses, os olhos de Perseu arregalaram-se e ele virou-se completamente para encarar Nico. Após alguns segundos, contanto, expirou e inspirou, balançando a cabeça. Dentro de seu íntimo, milhares de pensamentos passavam pela sua mente. Será que, sua esposa, desaparecida há seis meses e dada como morta, mãe de seu herdeiro, amor de sua vida, razão de sua existência, pudesse estar viva? Ou, melhor, viva, e bem? Viva, e, quem sabe, a caminho de casa? Uma faísca de esperança irradiou por todo o seu corpo, fazendo-o pegar fogo em uma alegria que ele tentava conter. Seus olhos lotaram-se de lágrimas que ele segurou. Nunca choraria na frente de um oponente.


– Que tem a me dizer? – Perseu murmurou, olhando para a paisagem na janela, o enorme quintal e floresta de Casa do Tridente de frente para ele, os dálmatas brincando e rolando na grama verde. – Que ela está realmente morta? – esnobou. – Estou cansado de ouvir isso. Se for o caso, por favor, saia.


– Não. – Nico garantiu, enfiando a mão no bolso e dando um longo gole de seu compartimento para uísque. Quando o ofereceu a Perseu, este balançou a cabeça, recusando. Nunca bebera, e mesmo com a esposa desaparecida, nunca se entregaria ao vício. Era a última coisa que precisava. – Sei o paradeiro dela. – murmurou rapidamente, e depois tomou outro gole.


Após engolir em seco, Perseu sentiu a garganta torcendo-se novamente. Não queria se precipitar, mas pela primeira fez em meio ano ele possuía um bom pressentimento. Botou uma expressão dura no rosto, e virou-se para Nico com um ar superior.


– É bom isso não ser uma mentira, ou uma armadilha. – disse calmamente. – Ou eu farei certeza de que na próxima quinzena sua cabeça seja servida aos cachorros no jantar. Fale-me o que você sabe.


~~~~~


Quando Perseu saiu da Casa do Tridente naquela madrugada, tudo parecia ainda mais silencioso do que o normal. Havia deixado com Nico todas as responsabilidades a cerca de sua força política na disputa e lhe garantiu que seus funcionários saberiam o que fazer em sua ausência. Se procurassem por ele especificamente – coisa que Perseu tinha certeza que Quíron faria, agora que sabia que este era um impostor desde os tempos em que seu pai governara – Nico fora instruído a dizer que ele tinha assuntos importantes a tratar no Oeste e que voltaria no máximo em um mês. Com relação à Zachary, ele havia colocado a porta do quarto do bebê sete guardas de cada lado, e a única serva responsável pela sua alimentação, banhos e passeios ao sol seria Zola, com que confiaria sua vida se estivesse doente. Despediu-se do pequeno com um longo beijo na testa, rindo nostalgicamente enquanto o pequeno de seis meses de idade lhe oferecia um de seus marotos sorrisos, tão parecidos com os de Annabeth. Ela havia sido raptada tão cedo, que nem tivera a chance de ouvir o som da risada de Zachary, ou ao menos ver seu sorriso.


– Se algo acontecer a mim e à sua mãe, quero que seja forte. Amo você, filho. – Perseu murmurou com a garganta dolorida de lágrimas, passando a mão gentilmente pelo cabelo macio do filho, implorando que essa não fosse a última vez que o visse, e que na próxima, a esposa pudesse estar ao seu lado. Saiu do quarto rapidamente.


Agarrou-se mais uma vez à bolsa de couro que levava em seu ombro com alguns mantimentos e uma pequena arma de chumbinho para que pudesse caçar na floresta, além de uma troca de roupa e pedras de fazer fogo caso necessário. Silenciosamente andou até o estábulo nos fundos do castelo, puxando seu cavalo preto pelas rédeas e ignorando a dor no coração quando viu a égua de Annabeth a dormir.


– Vamos, garoto. – Perseu murmurou, acariciando a crina negra do cavalo antes de montá-lo. – Temos uma longa jornada pela frente.


Assim, trotou para dentro da floresta, para o sudeste, para onde os sátiros caminhavam, para onde sua esposa se encontrava.


~~~


Os primeiros dias foram difíceis. Perseu estava acostumado a caçar e cozinhar seus alimentos ao fogo, mas fazia tempo desde que seu pai o havia ensinado a viver na floresta, portanto, quase sempre se esquecia de amarrar o cavalo à árvore ou de usar cordas ou sinais com sangue para marcar as árvores onde já estivera, para que não se perdesse. Eventualmente, se acostumou, porém, sua preocupação apenas aumentava com o passar das noites. E se algo acontecesse a Zachary? E se não encontrasse Annabeth? E se tudo fosse uma maldita armadilha? Nico havia lhe dado incontáveis e racionais motivos e explicações para que ele acreditasse nas suas palavras, contudo... Depois de tantos acontecimentos terríveis, depois que soubera que havia funcionários dormindo em sua casa que eram contratados para assassinarem as pessoas que ele mais amava, tinha certeza de que ficaria traumatizado para sempre. Pensava na possibilidade de que, após encontrar Annabeth, queria discutir com ela u provável descanso longe de Casa do Tridente, ao campo; levariam Zachary, claro, mas seriam apenas os três. O pensamento fazia com que mais uma vez ele se perdesse em fantasias que poderiam nunca se realizar, por isso, interrompeu-se. Seguiu viagem.


Já fazia aproximadamente dez dias desde que começara a jornada quando o caminho no mapa foi ficando mais curto; Nico havia lhe explicado que apesar de a rota estar destacada em vermelho, nunca haveria como saber ao certo onde Annabeth e o grupo de sátiros e centauros estavam, porém, quanto mais seu destino se aproximava, mais Perseu sentia que o coração de sua amada batia perto do seu. Sabia que depois que a trouxesse de volta para casa haveria consequências, já que fora revelado que sua esposa estava envolvida no resgate do Rei Charles. Pouco sabia: Nico apenas havia dito que o rei fora sequestrado pelo chefe de uma grande casa do reino – Perseu suspeitava de Luke, naturalmente, mas não havia como ter certeza – e que Annabeth possuía informações e cultura suficiente para ajudar a libertá-lo. Perseu também desconfiara daquela informação, já que, naturalmente, Annabeth não era o único indivíduo do reino com sabedoria, mas não havia questionado. Nico não possuía muito tempo para falar, e qualquer informação a cerca de sua esposa seria considerada lucro daqui para frente.


Entre lavar as roupas em rios e córregos, comer animais semi-crus sem sal na floresta e ter as pernas doídas e fadigadas de cavalgar em seu mustangue, a única coisa que mandava Perseu para frente era Annabeth. Annabeth, Annabeth, Annabeth, Annabeth, e assim ia, seu coração batendo em ritmo com o trotar dos cascos do cavalo ao chão.


~~~~~~~


Fazia duas horas que Annabeth se encontrava de pé, silenciosa, no meio da floresta. O arco encontrava-se entre suas duas mãos, e a bolsa de flechas, sobre seu ombro. Seus cabelos loiros agora mais compridos e pesados dos cachos estavam presos, e ela tentava chamar o mínimo de atenção possível. Era uma tarde quente da jornada, e os sátiros descansavam no acampamento a alguns metros de distância; a loira deixou escapar um suspiro cansado, pendurando o arco juntamente com as flechas e esfregando os olhos.


Pelos últimos seis meses, ela havia chorado, sonhado e pensado em Zachary e Percy, quase doente da cólera da saudade e da mágoa. Ainda não entendia porque representava um papel tão fundamental nos planos dos sátiros, já que todos se recusavam a conta-la, dizendo que seria melhor esperar até que chegassem ao local aonde Charles se encontrava. De uma forma ou outra, ela fazia tudo no automático do maior desespero. Fazia seis meses desde que havia sido capturada e três desde que começaram o caminho extremamente lento e cuidadoso até seu destino, e ela nunca havia feito mais do que ajudar na caça e vigiar o acampamento enquanto seus companheiros dormiam. Sabia que sua hora chegaria, e só não fugia para tentar num ato de desespero voltar para Casa do Tridente, ou qualquer outro lugar que não fosse ali, porque os sátiros com certeza a encontrariam, e se não o fizessem, ela provavelmente acabaria morta ou capturada por um caçador de escravas sexuais. Ajudar o grupo era sua maior chance de voltar a ver o marido e o filho.


Foi puxada de seus pensamentos quando pensou ouvir o som de trotes lentos vindos de sua esquerda. Os pelos de seu pescoço se eriçaram: e se fosse um impostor? E se tivesse que matar alguém? Não, de maneira alguma, não conseguiria, não depois de quase ter tido o coração arrancado de si. De uma forma ou outra, de mãos trêmulas, agarrou o arco e posicionou uma flecha neste, respirando rapidamente. Pelo seu próprio bem, deveria e iria se defender. Contudo, quando estava em posição e os trotes ficaram mais altos e mais próximos dela, estes imediatamente pararam. Ela franziu o cenho, segurando sua respiração e mantendo-se ereta para não fazer barulho. Segundos tensos depois, ela pode ouvir o cavalo bufar e seu dono pisar com os pés ao chão, andando numa direção randômica. Ela girou seu corpo diversas vezes em 360 graus, silenciosa como uma raposa, tentando desesperadamente visualizar o inimigo no meio dos cones dos pinheiros.


Quando este apareceu, contanto, seu arco caiu ao chão juntamente da flecha, e o ar se tornou rarefeito enquanto suas pupilas imediatamente se dilataram. Tinha certeza de que não respirava ou pensava algo além de uma coisa.


Os cabelos negros e bagunçados do homem alto e forte eram inconfundíveis, além da pele azeitonada que, de certa forma, parecia levemente mais pálida por um instante. Ele olhava para o chão, mas quando levantou a cabeça para examinar o perímetro, ela viu; viu os olhos, aqueles olhos que ninguém além dele e de Zachary possuíam, olhos que sempre faziam seus joelhos tremerem e seu coração palpitar fortemente contra seu peito e a cicatriz. Pensou tratar-se de uma ilusão, uma perfeita, magnífica ilusão, pois lá estava ele, o homem de sua vida, o seu primeiro, último e único amor, o pai de seu filho, desolado e perdido, olhando para trilha com esperança e cansaço.


– Percy. – gemeu numa voz pequena, sua garganta seca, como se seu corpo quisesse ter certeza de que se tratava de quem pensava que era. Lambeu os lábios, sentindo as lágrimas se escapando dos cantos de seus olhos. – PERCY! – liberou um grito alto, desesperado e rouco, fazendo algumas aves voarem duma árvore perto daquela onde estava parada.


E então, correu. Correu por sua vida, pela de Zachary, pela de Percy. Seus pés vestidos de botas mal tocavam o chão; sentia-se como se pudesse voar, como se flutuasse na direção de seu amado que agora já havia se posto a correr em sua direção também; e ela podia sentir, sentir aquela conexão profunda e complexa entre eles, palpitando, palpitando, palpitando... A conexão extrema formada entre eles desde a primeira vez que se viram, desde a primeira vez que trocaram palavras breves, desde quando se casaram, desde quando perceberam que nada do que faziam era forçado e desde que descobriram que apenas podiam se amar mais quando Zachary nasceu. Quase como se seus corações batessem em um ritmo só e os puxassem em direção um ao outro num magnetismo fortíssimo; por fim, seu corpo chocou-se contra o dele, e, automaticamente, seus lábios se procuraram e se encontraram. Ela sentia o gosto familiar de sua boca, na maneira como elas se mexiam juntas, e sentia o sabor das lágrimas dos dois, misturadas em uma salinidade só. Os braços fortes deles estavam enroscados em sua cintura fina e os dedos dela se enroscavam no cabelo negro dele, puxando-o para mais perto, porque tudo era Percy, Percy, Percy e nada mais no mundo importava, nem mesmo o ar de seus pulmões ou o bater de seu coração. Havia sonhado com aquele momento por tantas noites, chorado por ele, rezado por ele, e agora que este finalmente era real, ela mal conseguia conter-se. Beijaram-se pelo que pareceu uma eternidade, ambos demasiado desesperados para conseguir parar até mesmo para respirar.


– Eu m-m-m-andei... – ela soluçou. – Mandei v-você não v-v-vir atrás de mim... – Murmurou entre lágrimas e pressionou seus lábios contra os dele novamente, ainda desesperada, seu coração finalmente retornando ao ritmo normal.


– Sabe que eu nunca vou lhe obedecer. – Ele respondeu com o menor dos sorrisos, e logo se voltou a beijá-la, como se fosse sua obrigação, como se fosse para isso que houvesse sido criado, para encaixar-se nela e ser parte dela pelo resto de sua vida. – Eu te amo tanto... – Ele murmurou, afastando-se um pouco dela para encarar seus olhos cinza como se não acreditasse que ela fosse real; fazia muito tempo desde que ele a tivera nos braços para que mais fosse dito. Enroscou as mãos no cabelo dela também, e mais uma vez pressionou os lábios contra os dela, desta vez sentindo mais urgência.


– Eu também. – ela conseguiu dizer entre beijos, segurando-se a ele como se sua vida dependesse da dele, e, na verdade, dependia.


Ambos compreendiam isso, agora.


Notas finais
Meninas,
Fiquei emocionada com os reviews do capítulo passado, de verdade. Não fazia ideia de que se importavam tanto assim com a fic e imediatamene tirei aquela ideia maluca de deletar a fic da cabeça. Continuarei com as minhas humildes palavras não importa quantas de vocês acompanhem!
Agora, vamos para a parte que interessa!!! Sei que as coisas estão bem confusas - como sempre - mas prometo que tudo vai ser explicado. É que eu gosto demais de suspense pra colocar tudo de uma vez ali.
Próximo capítulo vai ter bastante Luke, Rachel, e toda aquela bagunça da previsão da velha vidente do segundo capítulo. Lembra da criatura vermelha? Se preparem...
Ahmmm, e voces ja deram uma passadinha na minha fic nova, 'She Falls Asleep'? Se voces gostam dessa com certeza vão amar ela!
Palpites?
Beijos!
(Review!!!)