Vai um sorvete ai?
8 Capítulo 7 - O beijo de um peixe
Notas iniciais
Sim, esse é um post no meio da semana. E sim, é um caso urgente.
Okay, não exatamente urgente, mas de domingo até hoje (Quarta feira) aconteceram mais coisas do que eu poderia imaginar, então vou começar do começo (PLEONASMOOOOO).
O último post do site foi no sábado então vou começar pelo domingo sem muitos rodeios. Pela manhã eu saí para fazer algumas compras no mercado e enquanto estava lá, Weasley me ligou. Ele não estava bem, a voz estava estranha demais e ele estava dizendo coisas meio desconexas, me pediu para ir até sua casa e eu confirmei, pagando apenas o que já tinha pego e indo embora, afinal meu amigo precisava de ajuda.
Cheguei em sua casa vinte minutos depois e ele me recebeu com os olhos vermelhos. Drogas. Entrei no apê e ele me levou sem dizer nada até a sacada, me surpreendendo em seguida com uma pergunta que nunca tinha feito:
— Por que chifre dói?
Talvez eu tenha rido um pouco, Weasley não costumava ser do tipo sentimental.
— Eu to falando sério, porra! Não gostava tanto dela assim, mas foi na frente de todo mundo... Por que ela simplesmente não terminou antes de sair se esfregando nos moleques?
— Não sei, W... Vai ver ela queria se vingar de todas as meninas que se jogam em cima de você na faculdade.
— Não põe a culpa em mim, beleza?! Eu dei uns vacilos, mas não botei chifre. Pelo menos isso eu não fiz...
Ele ia pegar um pacote estranho na mesinha, mas eu não permiti, peguei antes dele e guardei no bolso, recebendo um olhar enfurecido.
— Já chega okay? Você já atingiu a cota, já chega... —Falo encarando-o e o vendo revirar os olhos. Ele estava chateado, mas ia aceitar o que eu disse. —Quer desabafar?
— Não, é muito estranho "desabafar" sobre um assunto de merda.
— Tudo bem então... —Me encostei na grade da sacada, vendo a rua sem grandes objetivos.
Nós ficamos lá, olhando para os carros passando até que ele me abraçou, sem dizer muita coisa, lhe abracei de volta, até ai tudo bem. Mas quando nos separamos ele me beijou. Foi. Muito. ESTRANHO. Não que ele beije mal ou algo assim, mas somos praticamente irmãos, aquilo pareceu muuuuuito errado e ainda bem que terminou logo.
Quando realmente acabou nos olhamos em silêncio por três segundos, depois começou um acesso de risos vindo dos dois.
— Isso foi muito bizarro! —Ele diz entre gargalhadas.
— Foi como beijar um peixe morto, sei lá! —Comento com a barriga doendo pelas risadas.
Quando nos recuperamos do riso descontrolado prometemos de dedinho nunca mais fazer aquilo, porque a experiência foi realmente traumática. Ainda fiquei mais um tempo na casa dele conversando sobre bobagens para distraí-lo e evitar que ele usasse mais alguma coisa. Confesso que um pouco antes de ir embora, na hora em que ele foi no banheiro, juntei o máximo de droga que consegui e joguei pela janela. Ele deve ter gastado muito dinheiro por aquilo, mas eu sinceramente prefiro vê-lo limpo.
Quando voltei pra casa, recebi mensagens do Lanterna Verde, nos falamos todos os dias ultimamente, ele me arranca boas risadas sempre, é bom conversar com ele... Dessa vez ele me perguntou se eu tinha alguma amiga que toparia ser entrevistada pra um trabalho que ele tinha que fazer, acabei passando o número de Branca de Herves, ela geralmente estava livre pra esse tipo de coisa então... Ele agradeceu e depois ficou offline, deve ter ido vender sorvete ou resolver tudo para a entrevista ou algo assim.
Olha, eu devia estar estudando agora, ou então fazendo hora extra no estágio, planejando meu tcc ou alguma coisa assim, mas eu estou aqui. Escrevendo pro site, isso me faz bem mesmo que provavelmente possa atrapalhar meu desempenho final. Mas eu também não iria conseguir muito caso tentasse, afinal desde o rodízio meu celular simplesmente não para!
The Wanted deve ter feito oferenda com o meu número, porque surgiram pessoas que eu nem sei quem são falando comigo e chamando para festas, eu simplesmente ignoro, já até desativei a confirmação de leitura, não nasci pra isso, não tenho o dom de pessoas como Jay. Por falar nele, andamos conversando desde aquele dia e ele se revelou alguém muito além do que,a pele de festeiro popular que ele usa todos os dias, indica.
Ele cursa ciências forenses e enquanto conversávamos ele me contou seus planos mirabolantes para o futuro, apesar de todos os problemas no nosso país e os prováveis empecilhos que atrasem seus sonhos ele ainda se permite sonhar. Eu admiro isso. A capacidade dele de acreditar que mesmo que as coisas estejam ruins, se cada um fizer a sua parte, elas podem ficar boas.
Em teoria esse conceito é muito correto, mas a sociedade está tão corrompida e narcisista que qualquer tentativa de melhora já está fadada ao fracasso. Apesar de poder vir a fazer bem para a pessoa no futuro, ela se nega a priorizar momentaneamente ideais humanitários e que sejam de benefício social, mesmo que sejam pequenas ações, as mais bobas possíveis, a sociedade está regredindo no quesito comiseração e benevolência. Muitas vezes negam até sorrisos àqueles que não sabem mais o significado de alegria. É triste admitir a que ponto chegamos para com nós mesmos, seres humanos como um todo.
Me pergunto como ainda é possível sonhar em uma terra em que seres aeróbios se matam por ganância, uma terra em que o próprio solo é desprezado para que se deite sobre ele uma capa escura que lhe mata sem ar e causa enchentes. Como é possível sonhar em um lugar em que o rei é um pedaço maquinofaturado das folhas, algodão e linho sendo que a cada dia derrubam-se milhares de árvores para construção de novos arranha céus? Como é possível crer em um bom futuro se todos planejam e prometem tomar medidas ecologicamente corretas, mas todos os planos nunca são alcançados e todas as promessas são quebradas?
Muitos pais e mães trabalham muito tentando dar uma boa base e bom futuro para os filhos, mas de que isso vai adiantar se o futuro estiver fadado a destruição? O homem atual culpa a poluição, mas ele não se dá conta de que quem a provoca é ele mesmo. Existem carros elétricos, mas o preço ainda é elevadíssimo devido a falta de incentivo e divulgação, e muitos países ainda utilizam veículos movidos a petróleo. Existem outros meios de geração de energia, energia limpa! Como por exemplo a energia solar, que mesmo sendo um meio bom e ecológico, não é amplamente divulgada e o custo ainda é elevado para possuir esse tipo de tecnologia.
Vou mostrar algumas estatísticas aqui. Perda de florestas esse ano em hectares: 4.393.641; Emissões de gás carbônico esse ano aproximadamente em toneladas: 31.744.900.000 (lembrando que esse número está crescendo bastante apenas enquanto você lê isso); Substâncias tóxicas liberadas no meio-ambiente esse ano em toneladas: 8.273.102; Pessoas sem acesso a água potável: 632.490.831;Mortes por doenças relacionadas à água esse ano: 711.411;Energia extraída de fontes não renováveis (MWh) aproximadamente: 123.500.000; Dias para o fim do petróleo: 13.544;
Caso vocês não tenham notado, isso não está nos levando a um futuro promissor, está nos levando direto para o caos total e fim dos dias terrestres. Tudo isso que eu estou dizendo pode parecer besteira de alguém hippie ou sei lá, mas se não nos cuidarmos, é o que vai acontecer.
Sinceramente nem sei como cheguei nesse assunto então acho que vou acabar terminando esse post por aqui...
A.Sales — 2016 — ArroteiTocade.com
*****************
Sherbet's notes: Todas essas estatísticas foram extraídas de um site chamado Worldometers, que calcula em tempo real algumas coisas relacionadas ao mundo, e provavelmente quando você estiver lendo isso os dados expostos nesse capítulo já estarão desatualizados, então caso você deseje dar uma olhada esse é o link: http://www.worldometers.info/br/
Esse capítulo não foi voltado apenas a conscientização, mas é sempre bom reforçar aquilo que é muitas vezes escondido por trás de promessas de melhora e projetos que nunca são concretizados, então caso esteja lendo isso, mesmo que ache que não pode fazer a diferença, você pode. Comece com pequenas ações, tudo depende de nós como sociedade para salvar nosso próprio mundo. Divulgue essa ideia, talvez se cada um se empenhar um pouco em preservar talvez as coisas possam melhorar com o tempo...
Xx, Sherbet
Fale com o autor