Vai um sorvete ai?

4 Capítulo 3 - Relatos hiperbólicos de alguém cansado


Notas iniciais
Cá estou novamente! Nos vemos nas finais.

Complete a frase: Acho que nada faz tão bem a uma pessoa quanto um dia de .........

Se você pensou em sexo, ah caro(a) moçoilo(a), você está tão equivocado(a)! Para ser sincera não acho que exista alguma palavra que possa completar essa frase de maneira adequada, para mim existe um conjunto de coisas que podem (juntas) fazer uma pessoa muito bem. Coisas como filmes, séries, livros e muita comida. Comida pra valer. Comida que engorda mesmo, sem essas coisas de light e diet!

Até mesmo os mais simples prazeres da vida, como rir e sorrir. Sempre acreditei que entre duas pessoas, um sorriso verdadeiro pode trazer felicidade para os dois envolvidos. O emissor e o receptor.

Enfim, todas essas coisas maravilhosas foram as que eu não tive nesse fim de semana. O mais caótico, conturbado, trabalhoso e enfadonho findi EVEEEEEEERRRR. As horas praticamente se arrastavam pelo relógio como se os ponteiros estivessem sob ameaça de morte e enquanto isso eu montava meus móveis com ferramentas que nem ao menos sei o nome correto, só sei que eu apelidei elas de nomes de balas. Tem a Chiclete, tem a Trident, tem a Fini, tem a... Só agora me toquei que esses não são nomes de balas, são marcas de balas... Mas vocês entenderam. Voltando, usando as balamentas (Balas-ferramentas) eu montei de volta todos os móveis que antes ocupavam espaço na antiga casa. Como só peguei a minha parte de tudo, ficou meio vazio o apê, mas com o tempo eu sei que posso preencher as lacunas que a ausência de outra pessoa deixam no espaço que alugo agora.

Devo ter recebido no mínimo umas quinze mensagens de pessoinhas da faculdade convidando para festas, minha resposta poderia ter muito bem sido "Não queridos, hoje eu tenho que fazer uma geral na casa nova e milhares de compromissos adultos e blábláblá", mas o que eu enviei como resposta foi mais o menos assim: "Eu susseguei, semana passada foi a despedida (emoji de músiquinha que tem no whatsapp)", sim, eu usei tal clichê. Mas foi por uma boa causa, senão iam me mandar mais mensagens ainda me dizendo para desencanar e viver.

Assim que terminei de montar minha linda, maravilhosa, fofinha e acolhedora cama (Todos esses elogios só porque eu fiquei extremamente cansada e era o único local realmente confortável que eu tinha para me jogar), tomei um banho e me joguei ainda de toalha no colchão de molas que já devia ter uns dois anos. Meus músculos disputando quem gritava mais alto por uma massagem ou um descanso. De sexta para sábado e deste para domingo eu não tive as melhores noites que alguém pode ter. E pra variar ainda tive um sonho super estranho, ele era mais o menos assim:

Puf, estamos dentro do universo do meu sonho. Se passava por volta do século XIX e eu vestia aqueles vestidos estranhos e gigantes que duvido muito que usaria hoje em dia. Tinha em meus cabelos uma trança bem bonita até, deve ter dado bastante trabalho para os cabeleireiros dos meus sonhos. Eu, como um ser super sábio e animador, estava distribuindo rosas para as pessoas que passavam na rua. No entanto, a felicidade da minha cover é pouca e acaba logo que vê uma versão mais velha da Branca de Herpes (Gostei do apelido, vai ficar esse forever), ela usava um maldito espartilho que realçava o que não devia e literalmente brotava do chão debaixo de meus pés, soltando uma risada estridente de fazer meus tímpanos clamarem por socorro e murchar as delicadas flores que antes eu distribuía. Surge então de uma das vielas paralelas a em que estávamos, Lanterna Verde, que arranca de minhas mãos as partículas deterioradas das pobres rosas, esmagando-as entre seus dedos e fazendo um pó cinzento colorir o vento de mágoas. A visão dele para mim não era clara, sua imagem oscilava junto da luz ineficiente e eu não conseguia entender se o via como um jovem ou um idoso nível hard. Contudo, quando as últimas esperanças de ser uma pessoa felizinha estavam sendo levadas pelo vento assim como os pequenos restos das flores aparece Weasley, em um cavalo negro de crina prateada reluzente e asas gg (Grandiosas e graciosas), o que acontece a seguir é mais bizarro ainda (Se é que isso é possível), Weasley galopa em alta velocidade em nossa direção e atropela LV como alguém amassa um pudim com uma colher. Simples assim. Ai eu acordo. Sonho inspirador não?!

Você já parou para pensar sobre os sonhos? Eu andei pensando a respeito e cheguei a uma conclusão bem correta de que: Eu não os entendo! A palavra em si, "sonho" tem alguns diversos significados, mas todos com uma certa ligação: aquilo que se sonha (dããããã!), fantasia, ilusão, desejo, aspiração, ou, se você for esfomeado como eu, "sonho" também pode significar aquele bolinho com recheio cremoso cheio de açúcar que é realmente uma delícia, vale ressaltar. Enfim, segundo a ciência, os sonhos que temos durante o sono, são na realidade espécies de lembranças ou pensamentos liberados por nosso subconsciente, que enquanto dormimos solta a franga e "cria" situações que as vezes nunca aconteceriam na vida real. Boa parte dos sonhos nem mesmo somos capazes de relembrar, mas eles sempre vem, alguns deles também são como um replay de algum momento em especial. Mas muitos afirmam que eles possuem mensagens, lições de vida, profecias e etc... Não sei se eu acredito nisso, principalmente porque é meio difícil que o que eu sonhei se realize... Mas já imaginou? Se todos os sonhos fossem premonições? Fico imaginando quantas loucuras iriam se realizar, o mundo realmente seria um caos... Ou não, também existem sonhos utópicos... Está vendo? É tudo muito confuso!

De qualquer maneira peguei-me pensando sobre isso durante o fim de semana, mas agora que estou dando real atenção ao assunto, já que antes esses pensamentos estavam meio perdidos em meio a outros como "quatro parafusos para essa gaveta, mas ainda faltam mais duas gavetas e só tenho cinco aqui... CADÊ OS PARAFUSOS DESSA CASA?!" e coisas assim. Minha única opção saudável foi sair de casa, já que se eu ficasse mais um pouco na cama dedicando minhas horas integralmente ao netflix acho que daqui a pouco não existiria ser humano capaz de distinguir o que era colchão e o que era eu, porque claramente viraríamos um só. Eu vesti o bom e velho jeans desbotado modinha (Mentira, foi que eu troquei os potes na hora de lavar e joguei água sanitária sem querer, mas ninguém precisa saber. Ou seja, três leitores, por favor, guardem meu segredo ~risos~), uma regata com um desenho na frente que eu costumava dizer que era um infinito enfeitadinho, mas olhando bem, ta mais pra oito deitado de tão deformada que está a imagem. Calcei meus patins e sai do apartamento pensando aonde iria.

Ah, e não meu caro, você não leu errado. Eu sai de patins, uns de meus passatempos/meio de transporte favoritos. De qualquer forma, ao chegar a rua coloquei meus fones com Sia em reprodução em meu celular e comecei a patinar. É engraçado sair na rua assim, não sei se já experimentou, mas é engraçado como o tempo passa rápido e as músicas mudam sem você notar, engatando-se as próximas e criando uma certa trilha sonora contínua enquanto você se movimenta rápido demais em relação as outras pessoas, só que lenta demais em relação os veículos. E assim chego a uma praça, não é como se fosse a mais famosa ou bonita de todo o estado, mas é boa, "tranquila" poderia ser a palavra certa, mas nos dias de hoje não sei se esse termo pode ser apropriado para algo.

Assim que chego, tiro um dos fones para absorver a aura do lugar. Caso digo que não tinha o que se absorver, você ainda tem muito o que aprender com a vida, caro(a) moçoilo(a). Tantos humanos inspirando oxigênio e exalando gás carbônico unidos no mesmo lugar, gerando uma trilha sonora única que é a mistura dos sons da cidade e risadas, vozes, gritos, choros, passos, giros, emoções... Não, eu não fumei maconha nem nada assim, mas eu estaria mentindo se dissesse que não aprecio a vida. Sequências em cadeia de atos incríveis que a ciência aos poucos tenta desvendar. Contudo, entenda uma coisa, a beleza não está no resultado que se obtém, e sim no processo que gerou um resultado. A beleza está no esforço, no anseio, na busca, no querer. A beleza está em como estamos aqui, quem somos, de onde viemos, por que viemos, para onde vamos... A beleza está em todos os porquês e todos os como que você já usou na vida. A beleza está em você, mas não é você. Consegue entender isso?

Talvez não. E é por isso que eu encerro meu discurso de TCC de humanas por aqui (Pessoas de humanas que possam vir a ler isso um dia, não me matem, i'm just kidding!).

Sei que de alguma forma inconsciente durante esse processo de absorção, eu sorri, ou talvez gargalhei. Não tinha nada de realmente engraçado por ali, todavia, se você olhar atentamente pode ver a felicidade de algumas pessoas viajando pelo ar e contagiando outras. E eu só te digo uma coisa. É algo indescritível. Mas o que eu realmente notei é que, apesar de a praça ter várias pessoas fazendo várias coisas diferentes e provavelmente ocupadas com seus próprios interesses e objetivos (Em tese), eu me sentia observada. Tive de olhar novamente ao redor para perceber o que estava tão claro quanto um quarto com a luz acesa de repente enquanto você está dormindo (Admita, isso dá muita raiva). Na direção que eu tinha olhado a poucos segundos havia uma garotinha tomando um sorvete de morango e logo atrás dela, um carrinho de sorvete que me parecia muito familiar.

Estreito os olhos, tirando o outro lado do fone e encontro o par de olhos que estava voltado em minha direção. Esse par estava colado em uma cabeça que estava pendida levemente para o lado junto de um corpo em pose junto do carrinho. Pois é, friends, acho que era uma demonstração do produto ou sei lá, mas o sorveteiro que também conhecemos aqui com lanterna verde estava com um sorrisinho de lado enquanto entregava o troco a mãe da criança (Assim suponho), só que com os olhar voltado para mim. Resolvo ser uma pessoa legal e sorrio, fazendo um leve aceno de quem diz "Oi, e ai?", pelo menos na minha cabeça é isso que significa. Ele acena de volta e faz um sinal com a mão, acho que me chamava, então da minha maneira lerda, vou até lá, o vendo preparar um sorvete de chocolate.

— Hey, Prior.

— oi, LV.

— Toma. — Ele me entrega o sorvete e fico meio sem graça, eu não tinha como pagar já que só estava com o celular em mãos.

— Eu to sem dinheiro aqui... Quem sabe em uma próxima.

— Eu não disse que precisava pagar. — Ele sorri e me impede de devolver. Eu poderia ser aquelas pessoas meigas e clichês que negariam mais um pouco para serem fofas, mas eu sou gulosa, se quiser me dar comida, aceito mesmo.

— uh, okay, valeu! — Começo a tomar o sorvete e resolvo puxar assunto. Qual é, ele me deu um sorvete, tenho que ser legal. — Você vende aqui na pracinha também?

— É, nada fixo, venho em alguns fins de semana quando realmente preciso da grana, caso contrário, continuo com meu "estágio" nas ruas. — Ele ri baixo do próprio comentário e eu sei que devo estar parecendo meio bugada.

— Estágio? É esse o seu estágio? Não entendi... — Comento pensando o quão mais incrível seria se eu tivesse essa oportunidade. Enquanto ele usava o poder de persuasão nas ruas para vender sorvetes eu estagiava atrás de um computador com a bunda esquentando uma cadeira de plástico por algumas horas enquanto fazia algumas contas e levantava dados.

— É que como eu faço publicidade o estágio não é obrigatório, mas eu bolei meu próprio negócio pra meio que treinar. Claro que eu não vou vender sorvetes no futuro, mas pelo menos ajuda a comprar miojo, sacou?

E então nós dois rimos. Começamos aquele típico papo de universitário (COF COF COF) sobre projetos futuros e aspirações, além das festas. Festas não podem faltar. O assunto foi fluindo e eu quase não notei o anoitecer. Entre uma venda e outra dos sorvetes dele, conversamos sobres muitas coisas, muitas irrelevantes e idiotas, mas também coisas sobre nós. Acho que isso é o início de uma amizade com alguém de linguagens, o que é um ótimo sinal. Vai que ele me ajuda a corrigir os erros ortográficos do meu site né?! (Brinks) Só sei que agora tenho um novo número em minha agenda telefônica e que, por mera coincidência, está nomeado de "Lanterna Verde sem poderes"...

A.Sales — 2016 — ArroteiTocade.com

Notas finais
E então? Comentem! Sherbet manda beijão de algodão.