Vagando pela chuva
1 Prólogo
Notas iniciais
Vou andando a caminho do carro enquanto minha mãe grita dizendo que estamos atrasadas para a reunião, reunião de quê? Até agora não descobri.
Ao chegarmos ao lugar da tal reunião, que se parece mais com uma casa abandonada palco de filmes clássicos de terror, uma mulher que aparenta ter uns 19 anos e se apresenta como Diana me oferece um líquido verde-escuro e diz que faz parte da cerimônia de encontro, eu aceito, desconfiada mas aceito, e bebo, o líquido tem um gosto de limão velho com Pepsi, o que não me parece muito receptivo mas agradável. Entro em uma porta preta e me deparo com pessoas, especificamente mulheres, vestidas com capas pretas com capuz, um cenário no mínimo sombrio, o que me faz ficar paralisada observando o movimento que elas fazem com os braços, que me parecem voltas. Uma mão toca em meu ombro e me oferece uma capa idêntica a das outras mulheres, visto a capa e me sento ao lado da minha mãe, que está numa arquibancada próxima até demais delas que ao meu ver estão fazendo um ritual, e eu realmente acreditava que estava a caminho de uma reunião, como eu sou inocente. Me aproximo de minha mãe dizendo:
"Você tinha me dito que estávamos indo a uma reunião. Isso que você entende como reunião mãe?" , ela me respondeu com um olhar furioso.
"Apenas preste atenção e não diga mais nenhuma palavra" , ela diz num tom de voz mais baixo que o normal.
Eu volto a observar as mulheres fazendo seus movimentos estranhos com os braços, quando um holofote para sobre minha cabeça e todos no local olham para mim, eu viro o rosto pois a luminosidade me incomoda e minha mãe se aproxima de mim e diz:
"Lea você deve ir ao centro do círculo feito por elas e depois é só se concentrar em sair viva", a última palavra faz meu corpo tremer.
Levanto e vou até o centro do círculo, e com medo me concentro no que minha mãe me falou: "sair viva", "sair viva", "sair viva", "sair viva", repito a palavra várias vezes na minha mente. Quando escuto gritos, não faço questão de olhar para ver o que está acontecendo só continuo a pensar em sair viva olhando pro teto triangular do local. Escuto a minha mãe gritando algo parecido com NÃO VOU DEIXAR ISSO ACONTECER e depois só me lembro de ter ficado tonta e de sentir o chão frio me acolhendo como um lençol.
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