Vagalumes.
1 Prólogo
Notas iniciais
Vendo o sol se pôr uma última vez da varanda...
É meu último dia de férias, logo, logo irei voltar a escola e reencontrar meus amigos.
- Alice! Volte para dentro, a janta está quase pronta.
Diz minha mãe aproximando-se.
- Está bem.
A garota suspira e dá um largo sorriso. Prende seus longos cabelos negros em um rabo de cavalo e entra em casa, indo diretamente para a cozinha.
- Breno! Sabe que não pode desenhar nas paredes.
Repreendo meu irmão mais novo.
Ruivinho natural e cheio de sardas, seus olhos castanhos são animadores, mas como toda criança, sempre há de aprontar uma ou outra.
- Puque não posso?
Pergunta ele com seu jeitinho doce.
- A fada da natureza irá chorar e perder sua magia, assim ela não poderá mais deixar aromas deliciosos nas flores, as abelhas ficarão tristes... por isso, não pode machucar a Dona Parede, ok?
- Não queo que a fada se machuqui.
Diz ele com gotículas de lágrimas nos olhos.
Como toda criança, Breno ainda não consegue falar as palavras corretamente, mas é fofo quando ele se esforça.
- Não chore, ok? Se nós dois limparmos, a fada irá lhe trazer um maravilhoso presente!
Me pergunto até quando esta linda inocência irá acabar.
Breno, correu para a lavanderia me puxando junto a ele. Peguei duas esponjas e um balde com água e sabão.
Assim que limpamos, fomos guardar as coisas e lavar as mãos, pois já estava na hora de jantar.
A irmã mais velha, Lorena, chegara de seu trabalho. Lucas, desceu de seu quarto um pouco sonolento. Possuímos a mesma idade.
A janta foi animada, Lô — é assim que a chamo — contou seu dia no trabalho. Já Lucas, não teve o que contar, passou todas as férias dormindo e jogando vídeo-game. Eu já passei a contar as travessuras de Breno de quando passeávamos.
Após a janta, lavo os pratos e coloco o mais novo para dormir. Assim que adormece, levanto-me sorrateiramente e vou ao jardim e pego um tulipa branca e coloco em um vazo.
- O que significa esta?
Pergunta minha mãe com brilho nos olhos.
- Perdão, paz, inocência, pureza e lealdade... espero que ele não fique triste por ganhar uma flor.
- Claro que não, Breno irá ficar contente.
No dia seguinte, o mesmo levantou alegremente mostrando-me a pequena flor.
- Lice, Lice! Olha o que ganhei! A fada da natureza deve estar muito melhor!
- Oh! É verdade, tudo isso por causa da sua boa ação!
Então, ele coloca na mesa de centro da sala e sai correndo para se arrumar para ir a escola. Eu faço o mesmo.
Assim que terminamos, esperamos dez minutos para Lucas descer. Assim que acontece, deixamos Breno na sua escola e fomos para a nossa.
- Até quando acha que irá funcionar suas histórias?
Diz meu irmão mexendo em seus cabelos castanhos. Encaro-o, olhando fixamente em seus olhos azuis e digo:
- O tempo que for preciso. E pelo céus, arrume este cabelo!
Sempre tenho que cuidar dele, parece que nunca vira um pente! Mas eu digo o mesmo de mim. Então, Lucas pega o pente de minhas mãos e passa nos meus cabelos...
- Pare, vão achar estranho!
Digo relutante.
- O que? Eu estou cuidando da minha irmã.
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