A primeira vista o lugar parecia um velho casarão envolvido pela neblina que também envolvia o velho carro em que me encontrava. Era tudo tão patético que chegava ser engraçado, desde o modo como eu vim parar nesse maldito lugar até a redonda e alegre face da senhora que me acompanhava. Apesar de ter um rosto cheio e redondo ela tinha traços finos, com um nariz um pouco angular, alguns fios brancos juntos aos seus loiros cachos presos num coque. Ela parecia um tanto desconfortável sentada há 3 horas naquele banco um tanto quanto apertado e desconfortável. Tinha que segurar o riso a cada expressão de desconforto feita por ela.
Tudo acontecera tão rápido... Eu ainda mal podia acreditar que os havia perdido...
_Flash Back_ O garoto andava pelo longo e estreito corredor quando uma pequena silhueta lhe atravessa o caminho parando a sua frente. Era sua diretora. Com os lábios comprimidos e os olhos atenciosos ela falou:
-Senhor uchiha, gostaria que me acompanhasse até minha sala. Uchiha logo fez menção de sim com a cabeça e acompanhou-a em passos rápidos e silenciosos. Ao chegar à sala da diretora o jovem logo viu dois homens bem vestidos; um ele reconheceu, era o advogado da família, Ren. Com uma expressão confusa ele balbuciou algumas palavras:
-Ren?...o..q..o que está acontecendo aqui?-disse, elevando sua voz
O outro homem rapidamente se pos de pé esticando a mão em direção ao garoto.
-Sou Ashiro Aida, do conselho tutelar. Creio que já lhe avisaram sobre o acidente? – vendo a face enrubescida e confusa do garoto, o jovem Ashiro pôs-se a explica-lhe o que havia ocorrido. _ Flash Back_
Podia sentir o gosto salgado de minhas lágrimas enquanto saía do carro e caminhava em direção àquele casarão.

Algumas das crianças lá no jardim presentes pareciam nem notar a tristeza que se passava em minha vida, outras simplesmente paravam e ficavam olhando, curiosas. Patéticas, eu diria.
A velha senhora, após um longo esforço para levantar-se do carro, colocou sua pesada e calejada mão em um dos meus ombros, e seguiu ao meu lado, mesmo com certa dificuldade em mover as pequenas e grossas pernas, até adentrarmos o grande salão de entrada.

Era uma casa grande, um certo ar medieval pairava sobre aquele local. Havia pouca iluminação, o que decididamente não era um problema para as crianças que ali viviam, que corriam e pulavam em direção à porta, com exceção de uma garota...

...Uma garota pequena, suas longas madeixas rosa brincavam com o vento que entrava pelas grandes portas da entrada, que então tinham sido abertas por um grupo de crianças inquietas. Sua pele, tão branquinha e rosada, contrastava com seus grandes orbes esmeraldinos. Estes pareciam perdidos, miravam o nada, brilhantes, enquanto suas pequenas e delicadas mãozinhas apalpavam as gélidas paredes esbranquiçadas.

Não sei o porquê, mas, naquela hora tive vontade de protegê-la, mas... Do que?
Meus pensamentos logo foram interrompidos por uma rouca voz que chegou ao topo de meu ouvido.
-Oh!-exclamou comovida – Posso imaginar pelo que deve estar passando, perder seus pais, assim tão jovem, você é apenas uma criança, não é mesmo?! — disse ela pousando a mão sobre o peito e esboçando um sorriso piedoso. Todo esse teatrinho era totalmente irritante. Todos se comportando como se realmente soubessem ou se importassem com o que eu estava sentindo, quando na verdade o que importava era apenas suas contas bancárias repletas de dinheiro no final de todo mês.
- É, posso imaginar mesmo... Aliás, é tão fácil saber o que estamos sentindo sem passar pela mesma situação... – disse com um olhar um tanto enfurecido, observando a cara desconcertada daquela senhora.
- Ah, eu.. Bom, não posso saber, mas posso imaginar. Afinal, também já perdi os meus – disse a senhora olhando para o chão, e depois novamente para o garoto. Fez menção de dizer mais alguma coisa, mas pelo jeito desistiu, apenas dando um sorriso amargurado e respirando fundo.
Passado alguns segundos intermináveis de silêncio e constrangimento, finalmente ela se ofereceu para levar-me até meu dormitório. Achei a idéia ótima, afinal eu estava um tanto quanto exausto.

Fiquei extremamente feliz, se é que tenho o direito de ser irônico, de saber que eu dividiria meu quarto com mais três pessoas. O quarto era relativamente grande, mas se todas as crianças que ali morassem fossem tão barulhentas e cansativas como as que eu havia visto a pouco, queria sumir o mais rápido possível daquele lugar. Assim que me mostrou minha cama e meu armário, a jovem senhora passou-me minha lista de horários e obrigações. Após isso saiu, ainda constrangida, creio eu, deixando-me sozinho, apenas a ouvir o barulho dos pássaros no jardim. Fiquei encostado na janela, pensando, por longas horas. Já estava anoitecendo quando decidi dar uma volta pelo lugar.
Após andar por um extenso corredor, todo repleto de portas com números, me deparei com uma porta, no final do corredor, que chamou minha atenção. Nela não havia um número, como nas outras, mas sim algo em prata gravado em uma plaqueta. Ao me aproximar, pude ler: “Sala de Música”. Uma emoção se apoderou de mim, como uma saída pra todo aquele tédio. Ainda faltavam algumas horas para o jantar, e a sala ficava afastada das demais, de forma que eu não atrapalharia ninguém.
Abri a porta sem fazer algum barulho sequer. Era uma sala comum, um azul claro recobria as paredes, e no meio da sala havia um piano, iluminado apenas por algumas brechas de luz que atravessavam a cortina, que, aliás, parecia não ser limpa há um bom tempo. Havia muitos instrumentos na sala, todos empoeirados.
Encostei a porta, e movi-me rapidamente em direção ao piano, sentando-me diante dele e passando meus longos dedos por suas teclas empoeiradas.
Quando comecei a tocar, sentir a música na minha alma, o mundo pareceu desaparecer. Só ouvia aquela doce e calma melodia, como se nada mais importasse.

Nossa, como você toca bem! – sua doce voz ecoava em meus ouvidos, e aturdia meus sentidos. Descompassei, me perdi totalmente na música.
– Ah! Eu só...só estava, só queria...- eu ia completar a frase. Mas quando olhei pra trás e a vi, tropecei em todas as minhas palavras, já não podia dizer mais nada. Lá estava ela: doce, com seu olhar perdido e um suave sorriso brotando em seu rostinho angelical. Suas pequenas mãozinhas, antes apoiadas na lateral da porta, agora tateavam vários locais, em busca de um assento. Ela sentou-se em uma velha poltrona, no canto da sala.
Levantei-me, trêmulo, indo em sua direção. Mais uma vez sua voz ecoou pela sala, brincando com meus sentidos. Não consigo dizer como, nem o porquê, mas apenas o seu perfume, suave, floral, era o suficiente para me tirar os sentidos.
- Qual o seu nome? – articulou sorridente – O meu é Sakura, Haruno Sakura ! — exclamou feliz.
- Hm...e...Sasuke, Uchiha Sasuke! – balbuciei, creio que engolindo metade do meu nome, enquanto sentava-se sobre um tapete, em sua frente, com a face toda enrubescida.
- Por que você está nervoso? Está com medo de mim, Sasuke-kun? – o sorriso em seu rosto desapareceu completamente, dando lugar a uma expressão triste – é sempre assim, já estou acostumada com as pessoas fugindo de mim...
- Não! É, mas é claro que não!! Eu jamais faria isso! – falei elevando a voz, e levantando-me novamente. – Eu só....
- Hm...mesmo?! – o sorriso voltou a transparecer em sua face, iluminando seu rosto e todo o quarto a seu redor – Hmm, então você é tímido? Está com vergonha de mim? Tudo bem, eu entendo!
- Nãããão! Não sou não! – gritei enrubescido – Ah, você é irritante!
Ao contrário do que esperava, Sakura começou a rir.
- É claro que é! – disse rindo ainda mais.
E tudo o que eu mais queria era irritá-la, mas sua risada me contagiava, e acabei me juntando a ela, rindo como dois idiotas, por motivo algum.

Enfim, ela parou de rir, os olhos perdidos no nada. Estendeu suas mãozinhas e disse, suavemente:
- Deixe-me ver como você é, Sasuke-kun? – disse esperançosa.
- Eu..hm..claro! – gaguejei, enquanto segurava suas mãos e colocava-as sobre meu rosto.
Suas mãos passearam por minha face, explorando cada mínimo detalhe. Era como se uma corrente elétrica atravessasse nossos corpos naquele instante.
- Você tem traços de anjo... – afirmou sorridente, enquanto voltava a tatear até aconchegar-se na poltrona. Ela abriu a boca, e quando ia dizer alguma coisa, o sinal ecoou pelo quarto, interrompendo-a. Então saímos juntos em direção ao refeitório. Comíamos em silêncio, sobre os olhares curiosos e preconceituosos de todos ali. Ela não podia ver, mas tenho certeza de que ela os sentia sobre ela.
- EEEEEEI, VOCÊ AÍ, DE CABELO PRETO!! – uma voz repercutiu pelo refeitório, atraindo todos os olhares em sua direção. Virei-me involuntariamente, seguindo o barulho. Eram três garotos, o loiro apontava inquieto em minha direção, gritando. – É, você mesmo!! – disse, ofegante, arrastando os outros dois em minha direção. – Você...hm...é Uchiha Sasuke, certo? – disse, ajeitando-se em uma cadeira a meu lado. Após ver meu gesto afirmativo com a cabeça, segurou a minha mão, apertando-a vigorosamente, em um gesto de comprimento – Sou Uzumaki Naruto, seu companheiro de quarto. Estes são Hyuuga neji e Sabaku no Gaara – apontando os dois garotos, que acenaram timidamente.

- Ah, prazer! – respondi sem muita empolgação, Sakura parecendo meio confusa.
Apesar de viver implicando com Naruto, acabamos nos tornando grandes amigos com o tempo. Naruto veio a ser como um verdadeiro irmão pra mim.
Após o jantar, Sakura e eu fomos ao jardim, demos uma volta, e sentamos em um banco, onde conversamos por um bom tempo. Sakura ia pedindo para que eu descrevesse a paisagem pra ela: um lindo luar, refletido nas águas do belo rio que passava pelo orfanato. A noite, além de iluminada pelo majestoso brilho, iluminava-se também por pequeninas criaturas fosforescentes, vaga-lumes, que voavam pelo rio. Sakura emocionava-se enquanto eu descrevia pra ela. Ela prometeu ali, pra mim, a noite e as pequenas criaturinhas como testemunhas, de que um dia ela iria enxergar, e iria passar ali muitas noites em sua companhia, apenas olhando aquela incrível paisagem. Após longos minutos de silêncio e reflexão, ouvimos o estrondoso barulho do sinal, que indicava horário de dormir. Subimos, ainda em silêncio, e assim que paramos na porta de seu dormitório, Sakura me deu um abraço.
- Obrigada, por deixar eu me aproximar de você. Você é um ótimo amigo! – disse, face corada e olhos brilhando. – Boa noite, Sasuke. – deu-me um beijinho na face, e saiu quarto adentro. Eu ainda fiquei ali, parado, por alguns minutos, com a mão no lugar em que ela havia beijado.
Meu silêncio foi interrompido pelo desastroso Naruto, que berrava no fim do corredor. Como acordando de um sonho, fui em direção ao quarto, onde dormi como não o havia feito há dias.

- Você devia convidá-la ! – afirmei, apanhando um livro.
- Eu só...A Hinata..ela é diferente – falou Naruto enrubescido – Além do que, se o Neji desobrir ...
- Se eu descobrisse o que, Naruto? – gritou Neji surgindo no fim do corredor. Gargalhei alto com a expressão apavorada do Naruto. Enquanto os dois conversavam, saí em direção ao jardim.
Lá estava ela, com os cabelos esvoaçados. Sorriu ao perceber minha presença a seu lado.
- Sasuke? – disse.
- Como... hm... Como você sabe que sou eu? – disse, sentando-me ao seu lado.
- Ah, eu sempre sei. Senti que era você. Hm.. Bom dia! – disse sorridente e animada.
- Bom dia...- respondi fitando-a. Ela estava linda, em um vestido rodado azul turquesa até os joelhos. Seus cabelos dançavam soltos com o doce vento de primavera que nos envolvia. Em minha cabeça, uma melodia começou a surgir, ela era suave e agradável, como aquela manhã ensolarada de primavera. A melodia continuava a tocar em meus ouvidos, até que a voz de Sakura alcançou meus ouvidos, ansiosa:
- Em que você está pensando? – disse.
- Na sua música – respondi involuntariamente, corando inteiro após perceber o que havia dito. Ela corou, e um sorriso brotou em sua face.
- Uma música? Pra mim? – sorrindo – Toque-a pra mim então, Sasuke-kun – pediu ela, estendendo-me a mão. Então eu a guiei pelo jardim, corredores, até que chegamos na sala de música.

Conduzi-a até o parapeito da janela, e ela ficou ali, encostada, enquanto me sentei no piano e comecei a tocar. Era como se eu tivesse ouvido e treinado aquela melodia a minha vida toda. A música me envolvia de tal maneira, que eu não conseguia mais parar. E era pra ela, era ela quem havia me inspirado.
- Ela é tão...doce, Sasuke-kun! – a sua pequena mão pousava suavemente sobre meu ombro.
- Ela é tão doce quanto você...Afinal, foi para você que ela foi criada... – Virei e fitei-a. Lágrimas escorriam pelo seu rosto angelical. Levantei-me, ficando em sua frente e limpei suas lágrimas, enquanto sorria.
- Você gostou Sakura? – perguntei um tanto ansioso e envergonhado. Estávamos muito próximos agora, podia sentir sua respiração.
Seus lábios se abriram, esboçando um sorriso que eu nunca havia visto antes:
- Adorei – disse, dando-me um abraço. Após o abraço, ficou segurando minha mão, e com um sorriso sapeca perguntou – eu sou tão inspiradora assim?
Arqueei minhas sobrancelhas, olhei-a e comecei a rir. Logo, os dois bobos estavam rindo, novamente sem motivo.
Se ela é inspiradora? Ela nem imagina o quanto me inspira... Pensei antes de dormir, suspirando e fechando os olhos. Nesta noite ela inspirou meus sonhos também...

Semanas depois...

- Ainda acho que você devia convidá-la! – disse, atirando-me em minha cama. – Larga de ser covarde, Naruto! Faltam apenas duas semanas para o festival e você ainda não convidou ninguém! – gargalhei.
- Cala a boca! Se eu sou covarde, eu não sou o único. Você ainda não chamou a Sakura! – boquejou Naruto, em tom de desafio.
- A Sakura é minha amiga! Apenas isso! – rosnei envergonhado.
- Ah, sei! E eu sou o Papai Noel! – Naruto berrou do banheiro.
- Então faça a barba antes de chamar a Hinata para o festival, ouviu bom velhinho? – disse batendo a porta.
Eu precisava de ar, estava tudo tão confuso! Havia até tentado me afastar de Sakura, havia dias que não a procurava. Mas mesmo assim, seu rostinho lindo não saía do meu pensamento. Além do que eu gostaria muito de convidá-la para o festival, mas faltava coragem. Acostei-me no beiral da janela e fechei meus olhos, pensando nela, em como ela era meiga, gentil...
Estava tão absorto em meus pensamentos, que nem pude observar que Sakura se aproximava.
- Sasuke-kun? Você está aí? – demorou até que eu percebesse que eu era Sasuke e estava sendo chamado. Ela estava ali, perto de mim, mesmo não se dando conta disso, afinal ela não podia enxergar onde eu estava.
- Ah, eu..Sakura! Tudo bem!? – disse, segurando em suas mãozinhas perdidas entre os móveis do quarto e conduzindo-a até um sofá, sentando-me ao seu lado. Ao me sentar ao seu lado, pude perceber que ela estava chorando. – Sakura! O que aconteceu? – e quanto mais eu perguntava, mais ela chorava. Chegava a soluçar, e eu ali, sem saber o que fazer.
- Sasuke-kun, você não vai me ver há dias. O que está acontecendo? – ela perguntou aflita, comprimindo os lábios. As lágrimas escorriam por seu rosto. – Eu fiz alguma coisa de errado? Você não gosta mais de mim?

- Sakura, eu não fiz por mal, me desculpe! Não queria te magoar, era a última coisa que eu queria. Eu sou um idiota mesmo! – disse limpando suas lágrima e dando um abraço bem apertado. – Eu gosto muito de você. Aliás, você não faz idéia do quanto!
Soltei-a e olhei-a nos olhos. Ela tinha os olhos perdidos, porém profundos. Era incrível como a proximidade a deixava ainda mais bonita, mais doce. Nossos rostos estavam bem próximos, podíamos sentir nossa respiração, ambas quentes e descompassadas, talvez pela ocasião, ou por estarmos ali, tão próximos um do outro. Ela colocou sua mão em meu rosto, acariciando-o. Abriu a boca, ia dizer algo, mas aquele silêncio era tão precioso que se pudesse eu o guardaria pela minha vida toda. Involuntariamente, aproximei meu rosto do dela, até selar meus lábios nos dela, em um beijo doce, apaixonado. Uma corrente percorria nossos corpos. Aquele momento era mágico, e não sei o porquê, mas eu sabia que devia guardá-lo com o máximo de carinho.
Como um estalo, eu abri os olhos e me afastei. O que eu estava fazendo? Ela devia estar me odiando por isso!
- Sakura, eu...Hm.. me desculpe! Eu não deveria ter feito isso. Você deve estar morrendo de raiva de mim. – desesperado, levantando-me bruscamente. – Entendo se não quiser mais falar comigo... – não podia agüentar ela me xingar, dizer coisas horríveis pra mim, o que com certeza era o que ela iria fazer por meus atos. Saí correndo dali, deixando-a sozinha, sem dizer nada.
Sakura sentia-se emocionada.
- Sasuke-kun! – gritou em um ato desesperado. – Sasuke-kun, não vá! – disse, segurando entre suas mãos ema almofada que ali estava, jogada. – Ah, Sasuke-kun...
Sakura esperou por alguns minutos, mas como ninguém vinha decidiu sair. Foi até o refeitório, era horário de almoço. Sentou-se sozinha, como sempre o fazia antes da chegada de Sasuke no orfanato.

Eu estava arrependido, o que deveria fazer? Não devia tê-la deixado ali, sozinha, mas havia ficado com tanto medo. E se ela me batesse? E se ela não quisesse mais falar comigo? Eu não poderia viver assim! Sakura havia se tornado uma das pessoas mais importantes pra mim. Já havia perdido meus pais, não poderia perdê-la também!
- Idiota! – gritou Naruto. Neji olhou pra mim sério.
- Você tem que falar com ela, já pensou como ela deve estar se sentindo? – ele falou calmamente – Eu entendo como são essas coisas...Também foi difícil eu me abrir com a Tentei, mas se você realmente gosta dela, você tem que correr antes que seja tarde.
- Além do gosto horrível do seu beijo, ela deve estar se perguntando por que você deixou ela sozinha! Seu baka! – disse Naruto, dando uma grande mordida em um sanduíche que havia pegado na cozinha.
- Ah, eu... Eu falo com ela amanhã, ok? Agora... Bom, agora eu vou dormir. Estou morrendo de sono! Boa noite – disse, saindo de perto deles e indo para o dormitório.
“Amanhã eu falo com ela! Está decidido!”
Enquanto ia para o quarto, do jardim mesmo, olhei em direção ao quarto dela. A luz estava acesa, e pude vê-la encostada na janela, ainda aberta, sentindo o ar passar pelo seu rosto e cabelos. Andei decididamente até meu quarto, me troquei, e fui dormir. Mas foi tudo em vão. Dormi mal, sonhava com ela a noite toda. Ora me abraçando, dizendo que gosta muito de mim, ora dizendo que me odeia que não me quer mais na frente dela.

No dia seguinte acordei bem cedo. Após fazer a barba, fui correndo para o seu quarto. Queria resolver logo essa história, estava me sentindo péssimo. Bati incansavelmente na porta, até que uma de suas colegas de quarto a abriu.
- Você já viu que horas são agora? – resmungou, sonolenta.
- Ah, bom...Perdão.. Mas eu precisava muito falar com a Sakura. Ela está? – disse, olhando para o que podia ver no quarto, para ver se conseguia ver algum relance de seus cabelos.
- A Sakura? Ela não está mais aqui, ela foi adotada! – disse ela mal humorada. – Sorte dela, saiu dessa merda de orfanato.
- O que? Ahh, eu não posso acreditar!! — disse, abismado com o que havia acabado de ouvir.
- Hm.. Sasuke!? É você, certo? – uma voz tímida se atrevia a sair por detrás da porta.
- Sim, hm..Sou eu. – disse, segurando a vontade de gritar e mandar todos pro inferno.
- Bom, a Sakura deixou esse envelope e me pediu para lhe entregar – disse a garotinha, entregando-me o envelope nas mãos.
Eu agradeci, e sai desolado. Fui correndo até a janela mais próxima, e pude vê-la entrando em um carro. Tentei alcançá-lo, mas foi em vão.
Fui até o jardim, onde passamos várias tardes e noites juntos. Sentei-me no mesmo banco e olhei o envelope. Com muito cuidado o abri. Havia um papel de carta, muito bem dobrado. Abri com cuidado e comecei a lê-lo. Era uma carta de Sakura, a letra bem miudinha e caprichada. A carta dizia:

“ Sasuke

Bom, não sei ao certo o que dizer, nem por onde começar...
Gostaria de ter conversado mais, me despedido... Mas, bom...Acabou não sobrando oportunidade, né?
Uma família me adotou, eu conheci meus futuros “pais” há uns dias, mas como você não tinha me procurado mais, acabei não te contando. Eles são muito legais, acho que vão cuidar bem de mim...
Só não sei pra onde eu vou agora, eles iam mudar aqui de Londres.
Mas eu prometo a você que nossas promessas ainda valem, viu?
E prometo que ainda vamos nos vem...Em breve!
O beijo que você me deu... Foi inesquecível! A sua atitude foi imatura, mas você é tímido (disse isso desde nosso primeiro encontro, você lembra?!) então eu até compreendo. Só não gosto do fato de não poder lhe dar um abraço de tchau.
Você foi a pessoa mais importante que já passou pela minha vida... NUNCA vou te esquecer!
No envelope, deixei uma correntinha minha.. Aquela que você sempre disse que era linda, que combinava com meus olhos..
Quero que ela fique com você..Prometo que um dia virei buscá-la.

Gosto muito de você!
Seja feliz, meu doce anjo.
Sakura”

Enquanto lia a carta lágrimas escorriam sobre minha face. Peguei a correntinha de dentro do envelope, fiquei olhando ela durante alguns minutos, estava com o cheirinho dela ainda. Coloquei-a no meu pescoço.
“Eu te prometo, Sakura, que eu ainda vou te encontrar, nem que seja a última coisa que eu faça!” Disse a mim mesmo, guardando a cartinha em meu bolso, e indo para o meu quarto.
Contei aos meninos, que me deram uma força, do jeito deles. Agora os dias seriam mais longos. Onde você está, Sakura?

Notas finais
Espero que gostem ;)

Logo, logo tem mais :D