VSM-02
11 Capitulo 11 - Bônus
Notas iniciais
Visão: Percy
A luz vai se esvaindo do céu, e as primeiras estrelas despontam na imensidão azul-anil que se fundi com o turquesa. É um cenário digno de uma pintura dos tempos passados.
A não ser pelos restos humanos espalhados ao chão.
Trato de pegar o Colar de Identificação, onde letras desgastadas informam: Octavian Redphort, 2072 — New Hampshire.
Então ele tinha 23 anos, e também não era francês? Assim como eu, Hazel, Frank, Leo e...
Annabeth.
Giro nos calcanhares e me preparo para correr, porém noto a cabeleira ruiva à minha esquerda. Calipso me olha com curiosidade, seu vestido, antes limpo, sujo de sangue. Coloco um dos dedos nos lábios e depois o deslizo pela garganta. Ao fundo da minha mente, ouço sua voz fina e doce:
"Não me mataria, certo?"
Não é necessário muito esforço e concentração para que eu consiga responder:
"Certo. Mas nada impede Chase de fazer isso. Se quiser continuar com sua vida normal, sem virar objeto de experiências dos nossos cientistas, sugiro que fique com sua boca fechada."
"Nossos cientistas?"
Ela apenas ri. A menina correu comigo até o meio desta floresta, enquanto perseguimos Octavian. Calipso viu tudo, além de devorá-lo também.
Ela sabe como é difícil esperar um momento como esse.
Disparo de volta para a área morta onde estão os outros, a garota logo atrás. Mesmo à distância, o cheiro de sangue fresco paira no ar, sentimos. Encontro os soldados tentando socorrer Annabeth. Alguns se afastam quando chego, me dando passagem, e me pergunto o que eles acreditam que há entre nós.
Quando olho para seu corpo, percebo a mancha vermelha nas costelas, ainda mais escura que a primeira, no ombro. Reyna está ajoelhada ao seu lado, e tenta terminar o segundo curativo, envolto por faixas de tecido branco.
Os tenentes tem expressões de temor no rosto. Vários inclinam a cabeça e posicionam as mãos nas costas, em sinal de respeito.
Mas ela não pode estar morta.
Me agacho também e toco seu rosto pálido, moldado pelos cachos louros, sussurrando em curtas preces: -Não, não, não, não...
–Jackson...- alguém toca meu ombro.
É uma soldado da tropa 1 que conheci faz um tempo. Tem a cabeça raspada e olhos claros. Seus companheiros me encaram com pena. O rosto está à mercê de certas lágrimas teimosas.
Antes que eu possa me controlar, empurro-a para longe, com força, voltando o foco para Annie. Reyna se surpreende e vira o rosto úmido para mim, movendo os lábios sem emitir som: ela se foi.
Eu sorrio com escárnio:
–Ela não é humilde o suficiente para isso.
O que eles não sabem é que estou depositando toda a minha fé no orgulho da minha comandante.
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