Víveme

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Seltinho e Lelê que química é essa BRASILLLL!?????
Às vezes eu me odeio por amar casais fadados ao sofrimento ou que nunca ficam juntos e, claro, como uma sofredora que sou olha eu aqui obcecada por Pedresa T-T
Pedro e Teresa são OTP e só minha opinião importa ♥
Já quero Selton e Letícia repetindo a parceria logo,logo *-*
Eu sabia que tinha que escrever alguma coisa Pedresa para ver se eu consigo diminuir um pouco essa obsessão e então me veio a mente esse hino que é "viveme" e então eu já tinha um título e uma trilha sonora, comecei no feriado e terminei hoje a minha maior one-shot até o momento e eu espero que vcs gostem, pois foi feito com muito amor *-*

Teresa estava entretida catalogando suas descobertas quando ouve um burburinho de pessoas cumprimentando alguém, ela não se dá o trabalho de levantar a cabeça para ver quem é, já que sabe muito bem que se sua equipe está toda no local, só um certo individuo poderia estar chegando.

—Teresa. –Ela ouve ele lhe chamar, mas termina de escrever sua anotação antes que possa olhar em direção ao dono da voz.

—Teresa, incomodo? –O homem de cabelos cor de areia diz ao ser aproximar.

Non Pedro. –Ela diz com seu sotaque italiano em evidencia quando finalmente lhe encara.

—Certo... – Pedro se vê dizendo enquanto pisca desviando o olhar dos olhos penetrantes da morena a sua frente.

—Já tirou suas fotos? –Teresa o questiona enquanto começa a limpar o artefato que está em cima da mesa improvisada.

—Fotos? –Pedro devolve a pergunta, fazendo com que a italiana role os olhos.

Non me diga que se distraiu de novo... Você ao menos trouxe as encomendas do pessoal? –Teresa murmurou com certa impaciência enquanto ainda mantia a atenção em sua tarefa.

—É claro que eu trouxe Teresa, afinal de contas não podemos ficar no meio do deserto sem protetor solar. –Pedro se defende rapidamente.

—Aliás, eu não sei porque você tinha que nos trazer para o deserto africano. –Pedro resmungou.

—Eu não trouxe você, só lhe disse que estava vindo e quando vi você estava se encontrando comigo no aeroporto. –Teresa respondeu ainda muito atenta a sua tarefa, motivo pelo qual não viu o ligeiro olhar magoado cruzar o rosto do homem a sua frente.

—Da próxima vez, diga que quer vir sozinha então. –Pedro respondeu ligeiramente irritado, fazendo com que a arqueóloga erguesse o olhar para lhe encarar.

—Pedro... non foi isso que eu quis dizer, você é meu melhor amigo e eu prefiro dividir a tenda com você do que com Dumas. –Teresa disse mais baixo para que ninguém além dos dois ouvisse.

—Bom saber. –Pedro disse mais amargo do que pretendia, mas só de imaginar aquele arqueólogo perto de Teresa isso já era o bastante para desperta a fúria no homem tão sereno.

—Então, tirou as fotos? –Teresa o questionou retornando ao assunto original.

—Na verdade não. –Pedro disse lembrando-se da ligação que recebeu enquanto estava na pequena cidade que lhe fez esquecer completamente do que tinha ido fazer.

—Pensei que você aproveitaria a viagem para renovar seu portfólio. –Teresa disse franzindo o cenho, afinal de contas essa foi a desculpa que Pedro lhe deu no aeroporto para acompanha-la e não seria a primeira vez que o amigo lhe acompanharia a trabalho com a desculpa de aproveitar a oportunidade para fotografar, afinal de contas Pedro de Alcântara era um renomado fotografo, para o desgosto de seu pai.

—Em minha defesa Teresa, eu realmente estava indo tirar fotos quando meu celular surpreendentemente começou a tocar. –Pedro justificou.

Teresa o encarou intrigada antes de dizer:

—Não me diga que Luísa teve a ousadia de ligar para tu depois de tudo que aconteceu.

—Não era Luísa. –Pedro disse e sob o olhar inquisitivo da morena a sua frente ele afirmou –Era minha mãe.

—Oh que bom. –Teresa disse mais aliviada do que esperava, sendo assim ela se viu na necessidade de acrescentar rapidamente –Espero que dona Leopoldina esteja bene.

É então que Pedro lhe dirige um olhar culpado.

—Aconteceu alguma coisa Pedro? –Teresa não deixa de perguntar preocupada.

—O aniversário dela é em duas semanas e eu tinha prometido levar minha namorada, ela me ligou para não tão sutilmente me fazer lembrar disso. –Pedro confessa.

Oh Pedro non preoccuparti. –Teresa disse tranquilamente fazendo com que o homem a sua frente lhe olhasse estranhamente.

—Como não me preocupar Teresa? Eu não tenho uma namorada, como vou chegar ao aniversário de minha mãe sem o que prometi? –Pedro lhe indagou temeroso.

—Pedro... –Teresa começou seriamente, mas logo um sorriso malicioso apareceu em sua face enquanto ela acrescentava –Com a facilidade que você innamorarsi, você vai conseguir levar uma namorada para o Brasil.

—Teresa não brinque com isso, você sabe o quanto minha mãe é exigente? E isso só piorou depois do casamento de Francisca. –Pedro argumentou.

Teresa rolou os olhos, apesar de ser um homem adulto a reação de Pedro era demasiada infantil, sendo assim ela não resistiu em lhe indagar:

—Por que você não recorre a uma de suas ex-namoradas?

Pedro a olhou ofendido.

—Você está se divertindo com essa situação Teresa Cristina. –Pedro diz ligeiramente irritado antes de sair marchando para longe.

Teresa o assiste com um sorriso divertido nos lábios.

As horas passam, o entardecer vem e não demora para que o jantar seja servido religiosamente no horário.

Pedro ainda não aparenta ter a mais feliz das expressões, por isso Teresa pensa duas vezes antes de se sentar ao seu lado, mas no fim ele ainda era aquele calouro idiota da Universidade de Roma que ela conheceu há tantos anos e por isso é o bastante para que ela se sente ao lado dele.

—Eu vou com você. –A morena diz após alguns segundos em silêncio sentada ao seu lado.

Pedro instantaneamente a encara com um brilho diferente nos olhos que Teresa não consegue identificar o que seja, mas acredita ser gratidão.

—Obrigado Teresa. –Pedro diz simplesmente enquanto ainda a olha com aquele brilho diferente.

—Não é como se fosse a primeira vez que mentimos para seus pais que somos um casal. –Teresa diz lembrando-se muito bem de terem fingido um namoro para os pais de Pedro em seu último ano da faculdade, o que culminou no que Pedro descreve o fatídico evento que culminou na primeira vez que o irmão mais novo de Teresa, Luigi de Bourbon conheceu sua irmãzinha Januária, além de claro o casamento de Maria e Francisca.

—Não sei se eles acreditariam dessa vez. –Pedro reflete, mas ao perceber o olhar quase que desapontado de Teresa, ele rapidamente completa –Mas de qualquer forma minha mãe ficará feliz, ela gosta mais de você do que de mim.

Non seja ciumento Pedro. –Teresa o provoca com um meio sorriso.

—Apenas com você Teresa. –Pedro a provoca de volta.

E assim os dias passaram, Teresa se empenhou ainda mais em terminar seu trabalho o quanto antes, ao passo que Pedro alternou entre viagens à cidade para fotografar e apenas buscar um lugar não muito distante do acampamento, de onde tinha um ângulo bom o bastante para fotografar uma certa arqueóloga italiana.

Quando enfim os trabalhos estavam encerrados, faltava apenas um dia para o aniversário de dona Leopoldina, motivo pelo qual Pedro trocou suas passagens de Nápoles para o Rio de Janeiro.

O casal de amigos se despede do restante da equipe e logo Teresa está ligando para Celestina, sua melhor amiga, para informar que deverão adiar o jantar de comemoração ao retorno para casa.

Celestina por sua vez, embora estivesse morrendo de saudades da amiga, compreende bem a necessidade da morena em fazer este favor a Pedro, mesmo assim ainda a alerta “Cuidado para não se perder no faz de conta”

Não demora muito para que Pedro e Teresa estejam sentados um do lado do outro na classe econômica do voo para o Rio de Janeiro, momento de tranquilidade que não dura muito, pois logo uma criança começa a chutar a parte de trás do assento da italiana que limita-se a lançar o olhar fulminante para Pedro enquanto murmura:

—Juro que é a última vez que deixo você comprar as passagens.

Pedro por sua vez limita-se a lhe dirigir um sorriso inocente enquanto aproxima seu rosto próximo o suficiente da morena, para que apenas ela possa ouvir ele dizer:

—Você que sempre diz que adora crianças.

E se o olhar que ela lhe dirige em resposta pudesse matar, Pedro tem a certeza que estaria a sete palmos embaixo da terra nesse exato instante.

Horas depois, seguidas de uma série de palavrões italianos e olhares nada felizes da arqueóloga, o casal de amigos finalmente desembarca no Aeroporto Internacional Tom Jobim.

Sabendo que o mínimo que pode fazer para tentar apaziguar a ira de sua companheira italiana, Pedro se encarrega de levar as bagagens de Teresa enquanto transitam para fora do local.

—Devo chamar um táxi ou você vai economizar e me fazer pegar uma lotação? –Teresa o questiona com certa ironia, mas rezando que Pedro não tente repetir o terrível incidente da lotação de dois anos atrás.

No entanto, para a sorte de ambos, antes que Pedro pudesse responder, uma voz muito familiar lhes chamou:

—Pedrinho, Teresa!

Dizer que Teresa sorriu aliviada ao ver Francisca se aproximar era um eufemismo.

—Fran... que bom revê-la! –Teresa diz sorrindo sincera ao abraçar a cunhada de seu irmão caçula.

Ao se separaram, é a vez de Pedro cumprimentar a irmã mais velha.

—Mana Chica, eu disse que não precisava se preocupar. –Pedro disse sincero, mas o olhar agradecido que dirigiu à irmã dizia outra coisa.

—Se não viesse você com certeza inventaria de poupar recursos e temo que dessa vez Teresa lhe mataria. –Francisca disse trocando um olhar conhecedor do episódio da lotação que ocorreu durante o casamento de Januária e Luigi.

Finalmente os irmãos Alcântara se abraçaram e Francisca mais uma vez lembrou ao irmão que não via a meses:

—Já disse para parar de usar esse apelido seu idiota.

—Pararei no dia que parar de me chamar de Pedrinho. –Pedro disse ao separarem.

—Ninguém mandou você ter o nome de nosso pai. –Francisca justificou e antes que Pedro pudesse fazer qualquer observação, a mais velha acrescentou –Vamos logo que François já está nos esperando no carro.

Enquanto Pedro as acompanha com dificuldade em razão de toda a bagagem que carrega, Teresa e Francisca estão lado a lado quando a italiana pergunta:

—E as crianças?

—Oh você sabe o quanto minha mãe ama seus netos, não há como virmos para o Rio de Janeiro e não deixá-los em sua companhia. –Francisca responde.

—Ei esperem. –Pedro grita enquanto elas o deixam cada vez mais para trás.

—Anda logo Pedro ou nesse ritmo chegaremos a Petrópolis apenas amanhã. –Francisca diz rapidamente ao virar-se para trás e encarar a expressão de poucos amigos do irmão.

Apesar da dificuldade em manobrar toda a bagagem, Pedro não tarda em coloca-la no porta malas do Jeep Compass branco da irmã, onde, diga-se de passagem, o marido francês da irmã já lhes aguardava sentado no banco do motorista.

O percurso até a casa da família em Petrópolis é feito basicamente ao som da conversa de Francisca e Cristina combinado por uma música de fundo que Pedro não conhece, mas tem certeza tratar-se do tal sertanejo universitário, que o marido de Francisca se encantou desde que mudou para o país e Pedro, depois de ir a todos aqueles shows de Laura Pausini, Eros Ramazzotti e Andrea Bocelli com Teresa, não sabia como o cunhado podia ouvir tal coisa, claro que nenhuma voz chegaria sequer aos pés da encantadora italiana sentada ao seu lado.

Quando enfim chegaram ao destino Pedro chegou a conclusão que se tivesse que ouvir Gusttavo Lima mais uma vez durante sua breve estádia em casa, ele definitivamente iria tratar de comprar novas passagens de volta ao seu verdadeiro lar imediatamente.

Enquanto retirava as malas do bagageiro do carro com o auxílio do cunhado, Pedro ouviu o barulho conhecido das crianças saindo pela sala e virou-se para encontrar a mãe saindo de casa acompanhada dos netos e de sua irmã caçula.

—Teresa minha querida, que bom vê-la. –Dona Leopoldina disse com seus olhos azuis brilhando em alegria antes de puxar Teresa para um abraço apertado.

Percebendo então que a mãe conversava animadamente com Teresa, Pedro coçou a garganta chamando a atenção para si.

—Oi mãe, sei que ama Teresa, mas é bom vê-la. –Pedro disse fazendo-se de ofendido.

—Pedro por favor, eu estava com saudades de Teresa, pensei que não a veria, já que você havia prometido que traria sua namorada. –Leopoldina disse enquanto dirigia um olhar inquisitivo ao filho.

—Eu disse que ele não traria namorada nenhuma mãe. –Francisca disse rapidamente enquanto pegava o filho caçula no colo.

—E eu disse que ele traria Teresa. –Januária disse rolando os olhos.

—Vocês estão fingindo namorar de novo? –Dona Leopoldina indagou o casal recém chegado do continente africano.

—Claro que non dona Leopoldina. –Teresa disse rapidamente, embora ainda um pouco envergonhada por suas atitudes pretéritas.

—Então vocês estão namorando de verdade dessa vez? –A senhora de cabelos loiros encaracolados perguntou quase que esperançosa.

—Também não mamãe. –Pedro respondeu.

—Vocês dois ainda me matam... –Leopoldina diz queixosa.

—Olha só quem apareceu! –Luigi que acabava de chegar com Imperador, o fiel golden retriever da família Alcântara disse não escondendo o sorriso ao ver a irmã mais velha.

—Luigi, há quanto tempo fratello! –Teresa disse ao abraçar o irmão caçula, que havia conseguido se agregar a família Alcântara há pouco mais de dois anos.

Pensavo di essere in África Teresa. –Luigi disse depois de girar a irmã em seu abraço.

, viemos direto para o Rio. –Teresa disse ao irmão, que notou a irmã mais bronzeada do que de costume.

—Cunhado, como você conseguiu seguir minha irmã para a savana africana? –Luigi questionou Pedro enquanto se cumprimentavam.

—Era um deserto Luigi. –Pedro corrigiu o cunhado enquanto fazia uma careta ao lembrar dos dias exageradamente quentes e as noites terrivelmente frias.

—Vamos todos para dentro, antes que comece a chover. –Leopoldina disse tratando logo de levar todos para dentro assim que viu o repentino interesse dos netos na viagem dos “tios”.

Todos assentiram, ficando apenas Januária, Luigi e Pedro para trás, este último aproveitou a oportunidade para jogar as malas de Teresa no cunhado.

—Ei, não sou seu carregador de bagagem. –Luigi protestou com seu sotaque italiano em evidência.

—São as malas da sua irmã. –Pedro disse enquanto se apressava em pegar suas próprias malas e correr para dentro de casa.

Januária sorriu levemente diante da atitude do irmão e ao ver isso o marido se incomodou, não tardando em se queixar:

—Eu nunca pedi ajuda de ninguém para carregar suas malas mia cara.

—Dê um desconto ao meu irmão Luigi, sua irmã o arrastou para o deserto. –Januária disse defendendo o irmão.

—Pelo que Celestina deixou escapar para meus pais, seu irmão seguiu minha irmã de muito bom grado. –Luigi resmungou, provocando uma risadinha da esposa.

Oh amore mio, não seja ciumento a essa altura do campeonato. –Januária disse ao ver o olhar repreendedor do amado.

—Pois eu te digo uma coisa mia cara, se eu já torci para que o lento do seu irmão se declarasse para minha irmão eu já nem me lembro disso, Teresa merece un marito coraggioso e não um palerma. –Luigi diz já cansado de ver a irmã e o cunhado dançarem em torno de si há anos.

—Estamos em pleno século vinte e um Luigi, sua irmã também pode ser italiana o suficiente para se declarar para meu irmão ao invés de ficar lhe dirigindo todos aqueles olhares sedutores. –Januária protestou.

—Eles são dois idiotas. –O casal diz simultaneamente, o que provoca uma risada entre o par.

Assim que adentram a casa, Luigi que nota a ausência de Pedro no local, pergunta a sogra:

—Onde posso colocar as malas de Teresa?

—Coloque-as no quarto de Pedro, todos os demais quartos estão ocupados. –Leopoldina diz sem pensar duas vezes, afinal de contas se havia alguém que estava cansado demais dessa dança sem fim de Pedro e Teresa, esse alguém era dona Leopoldina.

Luigi saiu antes que pudesse ouvir Teresa protestar e assim que estava prestes a abrir a porta do quarto do cunhado, Pedro a abriu primeiro.

—Luigi? Não vai deixar as malas de Teresa no quarto de hospedes? –Pedro perguntou confuso.

—Os quartos estão todos ocupados, sua mãe mandou deixar aqui. –Luigi disse passando as malas da irmã para o cunhado e apressando-se em sair.

Franzindo o cenho, Pedro colocou as malas de Teresa ao lado das suas, não se preocupando com aquilo, afinal de contas não era a primeira vez que dividiriam um quarto, entretanto, para a sua infelicidade ele sabia que Teresa provavelmente insistiria em dormir no chão e isso faria com que ele fosse obrigado a ser um cavalheiro e tomasse seu lugar, quando na verdade tudo o que queria era dormir e acordar ao lado da arqueóloga.

Teresa por outro lado, conhecia o infame primo de Pedro –Joaquim, que na opinião de Pedro parecia demasiado interessado na morena.

Pedro estava ajudando a mãe a preparar o lanche da tarde, enquanto via nada feliz a interação de Teresa e Joaquim no jardim.

—Me parece que Joaquim gostou bastante de Teresa. –Leopoldina diz enquanto se ocupa em mexer a tigela já que o filho parece muito concentrado segurando uma colher de pau enquanto encara o par do lado de fora.

—Teresa é educada demais para dizer a ele para parar com aquelas cantadas sem graça. –Pedro resmungou voltando sua atenção para a mãe, que ao contrário do que ele imaginou não estampava aquele sorriso malicioso que sempre usa quando fala sobre Teresa.

—Talvez agora finalmente ela entre para a família Alcântara. –Leopoldina diz antes de desviar o olhar para a massa na tigela.

Pedro arregala os olhos diante de tais palavras, afinal de contas ele conhece Teresa há pouco mais de dez anos e durante todo esse tempo, ela só teve dois namorados dignos de lhe apresentar e ele não poderia ter ficado mais feliz do que nas ocasiões em que ela disse que havia terminado.

Ainda remoendo as palavras da mãe, Pedro não nota quando o pai e a irmã mais velha adentram a cozinha.

—Olha se não é meu filho pródigo. –O governador do Rio de Janeiro diz fazendo com que o filho note sua presença pela primeira vez.

—Oi pai, oi Maria. –Pedro diz quase que como um resmungo.

—Nossa maninho, você está tão mal-humorado. –Maria comenta e faz questão de bagunçar o cabelo do caçula que não gosta nada do ato.

—E onde está sua misteriosa namorada? –O pai de Pedro indaga.

No entanto, antes que Pedro ou Leopoldina possam dizer qualquer coisa, Teresa adentra o cômodo.

—Maria, Pedro, boa tarde! Como foi o trabalho? –Teresa diz assim que nota a presença dos recém-chegados.

—É sempre bom revê-la Teresa. –Pedro de Alcântara Sr. disse ao ver a italiana.

—Droga, devo cinquenta reais para Januária. –Maria disse antes de abraçar Teresa, já que havia visitado o irmão há dois meses e acabou por encontrar a namorada de Pedro no apartamento do jovem. No entanto, ela poderia queixar-se de ter de pagar a aposta para a irmã, mas ela decidiu que preferia Teresa do que Luísa, assim que acabou de compartilhar uma refeição com o irmão e sua namorada.

Logo, Teresa se viu sendo levada por Maria para fora da cozinha, sob o pretexto que queria a opinião de uma especialista acerca da reforma do museu nacional, já que Maria é a assessora do pai, que prometeu na campanha política trazer a glória do Museu Nacional do Brasil de volta.

Assim, Pedro se viu a tarde toda amaldiçoando sua família por sempre manter Teresa longe dele, tudo bem que ele sabia que eles preferiam Teresa a ele, ele não os culpa, já que ele também a prefere, mas de repente parece que seu primo irritante parece próximo demais de sua arqueóloga.

Finalmente chega a hora do jantar e toda a família Alcântara se reúne na mesa de jantar, com Teresa sentada entre Pedro e Joaquim, enquanto Leopoldina conta o que planejou para seu aniversário no dia seguinte.

O jantar se passa mais alegre do que de costume, a conversa dura até depois da sobremesa e Leopoldina não poderia estar mais feliz do que nesse momento, afinal de contas toda a sua família estava reunida nesse momento.

A família se reúne na sala de estar para conversar e em dado momento Francisca é quem sugere:

—Teresa, você deveria cantar para nós.

Oh non, non acho que vocês queiram me ouvir.

Maria e Francisca insistem, enquanto Januária diz:

—Espere só um minutinho que vou buscar algo que mamãe e eu encontramos na semana passada.

Alguns franzem o cenho pelas palavras da caçula da família, enquanto Teresa insiste em dizer que não quer incomodar os ouvidos de todos com sua voz.

—Pedrinho, olha o que achamos. –Januária diz enquanto adentra o cômodo segurando um violão.

—Mãe? Achei que tivesse doado esse violão. –Pedro disse enquanto a irmã caçula lhe entrega o violão que tanto tocou na adolescência.

—Oh como eu odiava esse violão. –Francisca queixou-se lembrando da época em que Pedro cismou que seria um astro.

—Pedro pode ser ótimo para tocar, mas tem uma voz horrível. –Maria explicou para Teresa.

—Você realmente toca? –Teresa não escondeu o sorriso divertido ao questionar o amigo de longa data.

—Eu te disse que era um músico. –Pedro disse orgulhoso.

—Tão modesto. –Francisca disse rolando os olhos.

—Um mentiroso na verdade. –Maria acrescentou, recebendo uma cotovelada da mãe.

—Bom, temos a cantora e o Pedro... –Januária começou franzindo o nariz levemente em desagrado antes de completar –Pode mostrar que não é tão ruim quanto eu me lembro.

—Mas faz anos que não toco Januária. –Pedro protesta.

—Nós nem ensaiamos nada. –Teresa argumenta.

—Por favor tia Teresa, cante para nós. –A filha caçula de Maria pediu a Teresa, que não poderia dizer “não” para a sobrinha de coração.

—Pedro? –Teresa chama o amigo de longa data e quando Pedro encara seus olhos tão escuros quanto a noite sem estrelas, ela indaga –Você ainda consegue tocar alguma coisa?

Em resposta, Pedro testa o violão se surpreendendo ao ver que ainda permanece afinado, mal imaginando que talvez isso fosse obra de dona Leopoldina e as filhas.

Dessa forma, não demora para que Pedro comece a traçar os primeiros acordes de uma bela melodia que Teresa lhe apresentou quando ele se viu obrigado a acompanha-la em um show de Laura Pausini, depois que Celestina se encantou com um aspirante a jornalista e cancelou os planos de última hora com a amiga.

Teresa sorri quase que instantaneamente ao reconhecer as notas musicais da canção e está prestes a entoar o primeiro verso quando vê Pedro erguer aquele par de olhos azuis celestes em sua direção que a desconcertam por breves segundos, razão pela qual ela começa a cantar a partir do segundo verso:

(...)

Ahora que

Me iluminó tu amor inmenso

Fuera y dentro

Assim que seus olhares se cruzaram Pedro fez um esforço enorme para continuar a traçar os dedos pelas cordas do violão, não sabendo exatamente o porquê, mas essa troca de olhares foi tão intensa quanto a primeira vez que se viram.

Creeme esta vez

Creeme porque

Creeme y verás

No acabará más

Ao proferir tais versos foi inevitável que Teresa não se lembrasse daquela noite naquele barzinho próximo a Universidade de Roma que Celestina havia lhe arrastado, ela havia acabado de terminar seu relacionamento com Carlo, que se não bastasse viver insistindo que ela se sairia melhor no mundo dos negócios do que na arqueologia, ainda havia pego ele no flagra beijando uma garota que ela nem sabia o nome, motivo pelo qual Celestina havia levado-a para se distrair no bar, onde ela e Pedro se encontraram pela primeira vez.

A morena nunca havia dito a Pedro, mas se não tivesse tão decepcionada com Carlo, ela não teria resistido tanto ao flerte e provavelmente teriam acabado aquela noite juntos no dormitório de Pedro, como ele tanto queria.

Tengo un deseo escrito en alto

Que vuela ya

Mi pensamiento no depende de mi cuerpo

Enquanto ouve a voz angelical de Teresa ecoar por todo o ambiente, Pedro não deixa de se questionar se naquela noite anos atrás, Teresa não tivesse resistido ao seu flerte sem demonstrar esforço algum eles estariam aqui agora, reunidos com sua família e talvez com duas ou três crianças correndo pelos cantos com os primos.

No entanto, uma voz não deixa de martelar em sua cabeça que provavelmente se a Teresa daquela época tivesse cedido, ele como o idiota que era e ainda é, provavelmente teria a ignorado depois de leva-la para a cama e nunca construiria o relacionamento que têm hoje. Pois eles podem ser amigos, mas ele tem a certeza que se almas gêmeas existem, ela é a sua.

Creeme esta vez

Creeme porque

Me haría daño ahora

Ya lo sé

Teresa faz o possível para ignorar o olhar de Pedro enquanto canta, mas parece que seus olhos estão atraídos um para o outro como imãs, ela jura que é clichê, mas se pergunta se o que vê nos olhos do loiro é amor.

Amor.

Ela não sabe se Pedro sabe que a ama, ela já lhe disse tantas vezes que ele é seu melhor amigo, claro não é uma mentira, mas Deus, ela é uma italiana que não consegue dizer um “eu te amo”, razão pela qual seus namorados sempre a deixam, principalmente quando conhecem Pedro e notam a proximidade entre os dois.

Hay

Gran espacio y tú y yo

Cielo abierto que ya

Nos encierra a los dos

Pues sabemos lo que es necesidad

Pedro sabe que embora breve seu namoro com Luísa abalou o relacionamento que ele e Teresa construíram, Luísa que era tão diferente de Teresa, mas tão parecida em alguns aspectos lhe atraiu o suficiente para ele ultrapassar a marca conhecida de três encontros.

A cada dia com Luísa seu relacionamento com Teresa parecia sofrer por algo que ele não sabia nomear, Teresa não lhe disse nada quando ele recusou os convites para sair nas sexta-feiras ou os almoços de domingo, mas ele viu algo se apagar no olhar dela toda vez que ele falava de Luísa quando levava seu café em suas visitas semanais ao museu.

No entanto, o que ele nunca disse a Teresa foi a verdadeira razão pela qual deixou Luísa – que o fez escolher entre elas.

Ele nunca poderia deixar Teresa, ele disse à loira.

Luísa recolheu as poucas coisas que deixava em seu apartamento logo depois.

Viveme sin miedo ahora

Que sea una vida o sea una hora

No me dejes libre aquí desnudo

Mi nuevo espacio que ahora es tú, yo te ruego

Teresa encara o rapaz que se transformou no homem que está a sua frente, de filhinho do papai a exilado por escolher uma profissão considerada indigna para o filho de um político.

Ela estava ao lado dele quando ele criou coragem para dizer ao pai que se tornaria um fotografo, mas agora se pergunta se teria ela coragem similar para dizer a ele que o ama, que sempre o amou e não consegue imaginar uma expedição em que ele não esteja, mesmo que ele raramente lhe mostre todas as fotos que ele tirou, pois ela não é tão concentrada no trabalho para não notar uma câmera sendo apontada em sua direção com frequência.

A italiana se questiona se algum dia Pedro lhe mostraria as fotos que tirou dela.

Teresa se pergunta se algum dia terá coragem para lhe perguntar sobre tais fotografias.

Viveme sin más verguenza

Aunque este todo el mundo en contra

Deja la apariencia y toma el sentido

Y siente lo que llevo dentro

Pedro se pergunta se seria capaz de viver sem Teresa algum dia, ele poderia suportar o fardo da amizade, mas a distância jamais.

Quando ele precisou mostrar ao pai que não estava desperdiçando dinheiro ao estudar em Roma, ele achou que pareceria responsável o suficiente se tivesse uma boa moça como namorada, por isso prometendo limpar o apartamento que Teresa e Celestina dividiam todos os sábados por dois meses, ele propôs a ela que fingisse ser sua namorada.

Ele nunca sequer pensou que ela faria isso sem que ele lhe prometesse nada.

Apenas em seus sonhos ela imaginou que ele nunca quis que fosse um “faz de conta”.

No entanto, quando o então senador do Rio de Janeiro conheceu a nora, nem mesmo o fato de Teresa ser filha de um grande empresário foi o bastante para que Pedro a aprovasse, Leopoldina por sua vez não hesitou em dizer ao filho quando ficaram a sós o quanto as mulheres italianas podem ser perigosas.

Pedro sabe que a mãe não mentiu, afinal de contas Teresa roubou seu coração há muito tempo.

Y te transformas en un cuadro

Dentro de mí

Que cubre mis paredes blancas y cansadas

Apesar de admirar pinturas, Teresa não lhes dá tanto crédito quanto seu irmão caçula, mas ela tem de admitir que se sua vida fosse um quadro branco, seria Pedro destinado a lhe dar cor.

Afinal, quantas vezes ela estava tão imersa no trabalho que Pedro não a obrigou a sair e ver a paisagem além dos acampamentos de escavação?

Quantas e quantas vezes Pedro não lhe pediu para se concentrar menos no passado e a lembrou de viver o presente?

Pedro é sua aquarela.

Creeme esta vez

Creeme porque

Me haría daño una y otra vez

Pedro se pergunta se dissesse novamente a Teresa que a ama ela acreditaria, já que no casamento de Januária e Luigi ela acreditou que ele estivesse bêbado o suficiente para estar dizendo a verdade e no dia seguinte ele fingiu não se lembrar do que havia dito.

Pedro não sabe, mas naquela tarde Teresa chorou ao contar tudo para Celestina, já que tudo o que ela queria era uma declaração, um empurrãozinho para que ela finalmente dissesse o “eu te amo”.

Si

Entre mi realidad

Hoy yo tengo algo más

Que jamás tuve ayer

Necesitas vivirme un poco más

A canção terminou, os aplausos, assobios e elogios demoraram um pouco para adentrarem aquele mundo que parecia ser apenas de Pedro e Teresa.

Teresa só voltou a si quando o irmão a rodopiou enquanto dizia uma chuva de elogios, ao passo que Pedro só percebeu tudo quando o primo inconveniente lhe deu alguns tapinhas nas costas lhe elogiando.

Francisca que adora uma desculpa para beber um bom champanhe afirmou que precisavam comemorar tamanho espetáculo e não demorou que Pedro recebesse uma taça com a bebida borbulhante.

—A Pedresa! –Januária brindou.

—É o que? –Teresa perguntou franzindo o cenho, enquanto se perguntava se era alguma palavra portuguesa que Pedro e Celestina não haviam lhe ensinado.

—O ship de vocês. –Luigi disse antes de se ocupar bebendo um grande gole.

—Pedro e Teresa, Pedresa. –Januária aponta como se fosse óbvio.

—Vocês due são tão estranhos. –Teresa disse rindo nervosamente.

Os minutos passaram a conversa era envolvente, Teresa sempre gostou da família de Pedro, mas as vezes eles eram demais e por isso quando viu a oportunidade ela discretamente saiu em direção ao jardim.

Alguns minutos sozinha, ela esvazia a sua taça de champanhe e a deixa em cima da mesinha de ardósia que sentou com Joaquim durante a tarde enquanto este lhe contava histórias do primo rabugento, vulgo Pedro de Alcântara Júnior.

—Um dos motivos de gostar de voltar é por esse céu. –Pedro diz enquanto se acomoda em pé ao lado da morena.

—São tantas estrelas. –Teresa diz.

—Não vemos isso no Rio ou em Nápoles. –Pedro diz.

Non, mas também sei que você sente falta de sua família Pedro, deveria parar com essa birra que tem com seu pai e retornar. –Teresa afirma sincera, embora lhe doa a mera possibilidade de viver longe de Pedro.

—Eu não posso. –Pedro é categórico ao dizer.

—Pedro ele é seu pai. –Teresa diz.

—Não estou falando sobre as constantes desavenças com meu pai Teresa, estou falando sobre retornar para o Rio. –Pedro diz olhando fixamente os olhos cor de ônix da italiana.

—Mas você sempre fala do Rio tão saudoso. –Teresa afirma enquanto começa a se perder no par de olhos azuis que lhe encaram.

—Mas eu não posso deixar Nápoles. –Pedro afirma enquanto se aproxima de Teresa sem quebrar o contato visual.

Tu não pode deixar Nápoles? –Teresa indaga ao mesmo tempo em que reza para que ele diga outra coisa.

Non. –Pedro diz a primeira palavra italiana que aprendeu.

—Por que? –Teresa pergunta sentindo seu coração bater tão depressa que teme ter um infarto.

Pedro engole em seco, enquanto se questiona se era o momento certo para lhe confessar, o homem de cabelos cor de areia temia estar arriscando tudo, mas a proximidade de seus corpos, o brilho quase que esperançoso nos olhos da italiana e o medo de nunca mais ter tal oportunidade lhe fazem responder:

Perché ti amo!

Teresa arregala os olhos diante de tal declaração, ela se pergunta se ouviu certo, ela precisa ter a confirmação, por isso ela suplica com receio:

Tu mi ami?

Molto. –Pedro confessa.

Pedro a encara temeroso de sua reação, pensado se havia rompido de vez os limites de seu relacionamento e colocado tudo a perder.

Teresa não consegue acreditar no que acaba de ouvir, ela quer dizer a ele que o ama também, que o ama há tempo demais, mas as palavras estão presas em sua garganta e de repente sua visão se encontra demasiada embaçada.

—Ei não chore... –Pedro diz enquanto limpa as lagrimas que escorrem dos olhos marejados da arqueóloga com pesar e assim trata logo de se desculpar por seu equivoco –Sinto muito, eu não deveria...

Teresa de repente começa a rir, Pedro ainda mantém as mãos em seu rosto, ela não consegue dizer, na verdade ela não consegue falar nada nesse momento, mas ela ainda é capaz de mostrar a ele o que sente.

Calmamente Teresa pega o rosto dele com as mãos, sente a respiração acelerada de Pedro e então o beija.

Teresa o beija com todo a paixão reprimida nos últimos anos, Pedro até tenta que seu primeiro beijo oficial seja calmo e sereno, uma promessa de uma vida de tranquilidade, mas Teresa... bem Teresa é um vulcão de sentimentos que finalmente entrou em erupção, ela sente raiva por ter demorado tanto, ódio de todas aquelas mulheres que ele ousou beijar antes dela, tristeza por tudo o que poderiam ter tido, mas nenhum desses sentimentos é maior do que o amor, ela o ama demais e isso só faz com que ela o puxe para ainda mais próximo dela e cole seus corpos enquanto o beija com ainda mais paixão.

Viveme sin miedo ahora

Que sea una vida o sea una hora

No me dejes libre aquí desnudo

Mi nuevo espacio que ahora es tu, yo te ruego

— 12 meses depois -

Um ano depois.

Uma volta completa da terra em torno do sol.

Doze meses desde que Pedro nas palavras de Luigi “enfim tornou-se um homem” e declarou seu amor por Teresa, que nunca mais deixou que passasse um dia sem lhe beijar, ambos estavam agora sentados nas cadeiras de ardósia do lado de fora da casa da família Alcântara em Petrópolis.

—Eu ainda não acredito que você demorou dez anos para dizer que me amava Pedro. –Teresa o provocou como de costume.

—Eu só disse, porque você parecia não perceber. –Pedro disse levemente mal humorado antes de lhe encarar perplexo –Por Deus Teresa, eu te segui por todos os lugares da terra, montanhas no Japão, deserto africano, selvas na américa do sul, lembra daquele nosso encontro com índios?

Teresa apenas riu do agora marido, afinal de contas eles haviam esperado tanto tempo para ficarem juntos que logo no Natal em Nápoles ele havia pedido Teresa em casamento, um casamento que para o desespero de ambas as famílias veio a ocorrer no dia vinte e cinco de janeiro e graças a generosa doação da família Bourbon e a insistência de uma católica tão ferrenha quanto dona Maria Isabel a cerimonia ocorreu na cidade da noiva, mais precisamente na Catedral de São Januário.

Obviamente Januária não pode deixar de apontar que o plano para os juntar foi dela e que São Januário já lhes abençoava.

—Teresa, desculpe incomodá-la, mas essa mocinha está com fome. –Leopoldina disse fazendo-se presente enquanto segurava a netinha caçula nos braços.

—Sem problemas dona Leopoldina. –Teresa disse enquanto pegava a bebê de três meses no colo.

—Isabel é tão esfomeada quanto Pedro. –Teresa falou enquanto amamentava a bebê que surpreendeu a todos com seu cabelo dourado.

—E tão linda quanto a mãe. –Pedro disse enquanto dirigia um olhar apaixonado para a esposa.

—Embora tenha o nome da outra avó. –Leopoldina brincou.

—Não se preocupe mãe, a próxima se chamará Leopoldina. –Pedro disse piscando para a mãe que sorriu.

—Próxima Pedro? Non haverá próxima. Você se lembra do que aconteceu no hospital? –Teresa disse quase que apavorada.

—Como eu poderia esquecer querida? Você me xingou e ameaçou em todos os idiomas que conhece. –Pedro disse se lembrando dos dolorosos momentos em que Teresa agarrava sua mão durante o trabalho de parto do bebê, que havia sido surpreendentemente concebido naquela noite há doze meses.

—Vou garantir que Januária e Luigi não matem seu pai de desgosto ao contarem que planejam um mochilão pela Europa oriental. –Leopoldina diz antes de sair.

—Aqueles dois são uma figura. –Teresa diz para Pedro rindo.

—A tampa e a panela. –Pedro diz ao pensar na irmã apaixonada pela militância que se casou com um pintor amante da vida.

Os dois riem, e ali com a filha nos braços e encarando o olhar apaixonado do marido Teresa sabe que é o seu lugar, tudo o que passaram e tudo o que viveram foi necessário para que chegassem a esse momento.

—Eu te amo. –Teresa disse enquanto ainda permanecia hipnotizada pelas orbes azuis do marido.

—Eu te amo mais dona Teresa Cristina. –Pedro disse sem pestanejar, já que não era segredo para ninguém o quanto o fotografo é apaixonado pela arqueóloga, só demorou demais para que eles notassem o amor refletido no olhar um do outro.

—Penso que nosso amor não é suficiente para uma única vida. –Teresa disse como uma verdadeira italiana apaixonada.

—Acredito que nossas almas estão destinadas a se encontrarem, do início ao fim dos tempos. –Pedro disse quase que poético.

—Espero que isso seja verdade. –Teresa diz com um sorriso apaixonado.

Viveme sin más vergüenza

Aunque este todo el mundo en contra

Deja la apariencia y toma el sentido

Y siente lo que llevo dentro

Víveme – Laura Pausini

Notas finais
E então o que acharam?
Talvez um dia eu mostre como foi os preparativos do casamento mais esperado, mas por ora fica assim, talvez o dia que eu achar uma canção adequada eu escreva, mas sem promessas ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!