Vítimas Das Circunstâncias
15 Hospital II
17/02/2016
Quarta-Feira
01:00
Mateus
Alguns pedestres se juntaram na calçada, uma senhora veio me perguntar se estava tudo bem, mas nada daquilo importava, tudo o que conseguia pensar era nos dois assassinos. Aquilo não fazia sentido. Assassinos, se Souza estava morto isso queria dizer que um terceiro poderia estar no hospital. Guilherme e os outros.
— Merda — Corri para dentro.
O penúltimo andar dava acesso as duas escadas, não sabia qual ele iria escolher, não sabia se ele iria ficar escondido. Assim que passei pela porta, várias enfermeiras e médicos estavam correndo para fora e atrás deles estavam Marcelo e Thainara.
— O que aconteceu? — Perguntei.
— Assim que escutamos os tiros decidimos que era melhor sair do hospital, no meio do caminho encontramos todos os empregados presos em uma das salas, eles falaram que dois caras vestidos de assassinos trancaram eles lá. — Thainara respondeu.
— Eu encontrei com esses dois, acho que eram só adolescentes. Precisamos ir para o quarto do Guilherme. Souza está morto.
Assim que entramos no quarto, trancamos a porta, Guilherme ainda estava dormindo, Thainara parecia que iria chorar a qualquer momento e Marcelo parecia que iria vomitar a qualquer momento.
— Não consigo entender os seguidores desse cara, porque alguém faria isso? — Me sentei na cadeira próxima a cama.
— Qualquer pessoa consegue apoio, se usar as palavras certas. — Thainara apontou.
— Ligue para o Giovane, ele deve saber algo sobre isso.
01:15
Ana
“Ana: aconteceu alguma coisa no hospital, estou indo lá”
“Lucas: me dá uma carona?”
‘’Ana: já passo aí”
“Vinicius: encontro vcs lá”
‘’Giovane: eles acabaram de me ligar, estão bem, mas souza morreu.”
Quando chegamos no hospital, Vinicius e Detetive kauan já estava lá, Giovane chegou logo em seguida. A ambulância estava retirando o corpo do Policial da calçada.
— Ele virou geléia. — Lucas falou.
— Tenha respeito com os mortos.
— Foi mal.
Era estranho voltar aquele lugar em menos de 24 horas, e cada ocasião tão diferente da outra.
— Vocês estão bem? — Perguntei.
— Estamos. — Os três responderam.
— Temos um problema. — Mateus começou a falar — O assassino meio que começou um culto.
— O que?
— Dois caras o ajudaram hoje, trancaram os empregados e me atacaram.
— Era isso que queria falar com vocês, mas depois do ataque ao Guilherme não sabia se era um bom momento. — Giovane falou.
— Sabe de algo que nos ajude?
— No parque, ele chamou as pessoas através de um anuncio em um site normal, tentei localizar o IP. Foi de um notebook roubado.
— E dessa vez é diferente? — Lucas perguntou.
— Nas redes sociais existem contas que mostram apoio ao assassino, não sei vocês, mas tenho recebido mensagens torcendo para que ele me mate.
Todos concordaram, talvez ninguém quisesse ter trazido o assunto antes.
— Mas na darkweb eles são mais sérios, acho que ele selecionou as pessoas de lá.
— Mas para que?
— Não sei exatamente, mas acho que ele está planejando algo grande.
— Preciso cuidar de algumas coisas — Detetive Kauan que estava calado até agora se levantou. — Vou colocar mais policias na porta, vocês podem ir para casa.
— Não vamos para casa — Respondi enquanto olhava para os outros, que me deram sinal de que também não iriam.
—Tudo bem, ainda sim preciso colocar mais policias na porta.
01:30
Kauan
Após sair do hospital, dirigi até uma rua deserta, parei o carro e comecei a socar o volante. Até que meu telefone tocou, achei que era ele, no fundo torci para ser ele, mas era o Delegado Carlos.
— Senhor — Falei.
— Onde está?
— A caminho da delegacia.
— Ótimo, passe aqui e pegue suas coisas, vou te afastar desse caso.
— O senhor não pode fazer isso!
— Primeiro: Não me diga o que posso ou não posso fazer, segundo: dois policiais morreram, vou passar isso para alguém mais responsável.
— Mas senhor.
— Ordens são ordens, ou quer sair de licença?
— Entendido.
Desliguei o telefone e dei a partida no carro, é a última coisa que me lembro antes de acordar em uma sala, algemado.
01:40
Lucas
Estava sentado com Ana no corredor do hospital, tínhamos desenvolvido um tipo de amizade nos últimos dias. E pensar que cheguei nessa cidade sem saber da existência dela.
— Você acha que começou, ou vai começar? — Perguntei.
— Começar o que?
— O confronto final, o último ataque do mascarado.
— Não sei dizer, espero que não.
— Não é como se tivesse sobrado muita gente.
— Falando assim parece que você é o assassino.
— É muito trabalho. — Rimos, mesmo sabendo que era errado. — Vai parecer errado, mas uma parte de mim quer que seja o final.
— Porque?
— Sabe quando você tira o band-aid, tem que ser de uma vez, para a dor ser menor.
— Acho que te entendo, a tensão de atender o telefone e ser ele do outro lado é horrível.
— Posso te pedir uma coisa? — Olhei no fundo dos olhos dela.
— Claro.
— Se morrer, promete que não vai deixar um ator feio me interpretar.
Ela começou a rir, e eu também.
— É sério — Falei entre risos — Te mando uma lista de atores aceitáveis.
— Combinado.
08:15
Fernanda
Acordei e vi as mensagens.
— Merda.
— Liguei para Marcelo.
— Alô? — Ele atendeu — Não está muito cedo?
— Oi, desculpa o horário, acabei de ver as mensagens, vocês estão bem?
— Estamos. Não se preocupe.
— Ótimo — Me sentei na cama — Desculpa por não ter estado aí.
— Fica tranquila, eu durmo mais tranquilo sabendo que você estava na sua casa segura, isso e os remédios que eles estão me dando.
— Ainda no hospital?
— Sim, eu e Thainara já recebemos alta, e agora estamos esperando o Gui acordar.
— Ainda nada?
— Não.
— Depois do trabalho vou aí.
— Tudo bem.
Quando estava saindo de casa vi um pacote na porta, não podia ser do correio, eles deixam no portão, com muito cuidado cheguei perto, parecia ser uma caixa embalada e em cima tinha um cartão.
“Não abra até eu mandar as instruções. PS: se contar para alguém eu mato todos eles”
09:38
Alecssandra
Meu telefone tocou, era Ana.
— Oi — Falei quando atendi.
— Tudo bem, não respondeu as mensagens e comecei a ficar preocupada.
— Estou bem, é que acabei esquecendo de verificar as notificações, aconteceu alguma coisa?
— O assassino matou o Policial Souza, mas estamos bem.
— Que horror! Onde vocês estão?
— No hospital com o Guilherme.
— Estou indo aí agora.
— Te espero.
Assim que Ana desligou comecei a chorar, não pela morte do policial e sim por ter mentido para minha amiga, tinha visto as mensagens na última noite, mas não tive coragem de ir até lá. Apenas fiquei deitada na minha cama chorando e esperando que as mortes terminassem.
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