Notas iniciais
05/02/2016
Sexta-feira
20:50
Kauan
Toda aquela situação parecia errada, mas ainda não conseguia entender como.
— A gente vai morrer, certo? — Vinicius falou.
— Ninguém vai morrer hoje — Respondi.
— Claro que vamos, é como nos filmes, estamos presos na casa e agora o assassino vai matar um por um.
— Isso aqui não é um filme.
— Você tem certeza? — Lucas entrou na conversa — Perseguição da garota, confere. Ligações esquisitas, confere. Explosão, confere.
— O que importa é a gente sair daqui, algo não está certo.
— O que não está certo — Marcelo perguntou.
— Não parece uma armadilha.
— Com o que se parece então — Lucas perguntou.
— Ainda não sei.
20:55
Guilherme
Eu e Mateus estávamos esperando o Gustavo ficar pronto para podermos ir na festa, o detetive sugeriu que a gente fosse acompanhado de um policial, mas falamos que podíamos cuidar da gente, mandei uma mensagem para Marcelo, mas até agora nenhuma resposta.
— Pensando em que? — Mateus perguntou.
Antes que pudesse responder, Gustavo apareceu no portão gritando.
— Vamos festejar!
— Vamos! — Respondemos
20:52
Thainara
Meu celular vibrou, era uma mensagem do Marcelo.
“O detetive sugeriu que a gente tenha um momento de descontração, vamos na festa hoje, compra o ingresso lá depois te dou o dinheiro”
“Não estou no clima, desculpa. ”
“ Todo mundo vai, se não for vai parecer suspeita”
“Tudo bem. “
21:00
Mike
No meio da aula, Fernanda cutucou meu braço.
— Fala
— Olha isso. — Ela mostrou uma mensagem no celular
“Vocês parecem legais, querem ir na festa hoje? ”
— Quer ir?
— Claro!
— Tudo bem.
“Vamos estar lá” Ela respondeu.
22:40
Kauan
— Estamos aqui faz tempo e até agora nada. — Marcelo falou.
— Olha, desculpa perguntar isso agora, mas tem uma coisa que não entendo — Lucas se levantou.
— O que é?
— Eu entendo a Ana odiar o Marcelo pelo lance da mãe e tal, mas ainda não vejo como o barracão entra nessa história.
— Bom, como vocês já sabem da minha mãe não faz mais sentido esconder — Ana começou a falar — Depois que ela morreu, Daniel passou por uns momentos difíceis até que um dia ele surtou e desapareceu, só fui encontrar ele dias depois naquele barracão então pensei já que o assassino parece saber tudo sobre o nosso passado, talvez ele saiba do barracão.
— Você está falando que seu irmão é surtado e culpa o Marcelo pela morte da sua mãe, acho que temos nosso assassino.
— Não fala assim do meu irmão, você não conhece ele!
— Todo mundo se acalma, brigar não vai tirar a gente daqui — Falei
— Só esse imbecil não falar de coisas que não sabe.
— Desculpa, só estou tentando entender tudo para impedir que seus amigos morram.
— Engraçado que você chega aqui ao mesmo tempo dos assassinatos.
— Quer me colocar na lista de suspeitos?
— Você já está na minha lista desde a primeira vez que te vi!
— Calados! — Gritei — Alguém está lá fora esperando o momento certo para atacar e matar todos aqui dentro e vocês gritando só deixam o trabalho dele mais fácil.
— E se ele não estiver esperando. — Vinicius entrou na conversa.
— Como assim?
— Quando você falou que alguma coisa estava errada comecei a pensar e cheguei à conclusão de que talvez ele esteja mantendo a gente aqui de propósito.
— Por que ele faria isso?
— A gente sabe que o Marcelo tem que viver até o final, certo, mas a bomba estava no carro da Ana, primeiro ele não esperou até a gente entrar no carro e segundo se ele fosse explodir com a intensão de matar todos acabariam morrendo o que me fez pensar: talvez ele explodiu o carro para nos impedir de sair daqui.
— E assim nos matar? — Lucas perguntou.
— Não. — Tudo começou a fazer sentido na minha cabeça — Ele queria a gente aqui, olha os moveis que estão segurando a porta, são muito novos e pelo que soube essa fazenda está abandonada a anos.
— Ela também é local de usuários de drogas, mas cadê eles?
— Alguém mandou eles saírem daqui.
— Exato
— Ele quer a gente aqui enquanto faz alguma coisa com seus amigos.
— Temos que sair daqui então! — Marcelo já estava indo na direção da porta.
— Claro que é só uma hipótese — Vinicius falou em tom mórbido — Ele ainda pode estar nos esperando aí fora
— Temos, não, tenho que correr esse risco, falei que ia salvar todo mundo.
22:50
Marcelo
Abri a porta, achei que ele estaria parado ali na frente segurando uma faca pronto para me atacar, mas não tinha ninguém, tudo estava quieto.
— Alguém vai comigo? — Perguntei
— Eu vou — Lucas falou
— Eu também — Ana veio até meu lado.
— Eu não tenho forças para isso — Vinicius falou.
— Podemos te carregar — Falei
— Se me carregarem não vão poder correr caso ele esteja aí fora.
— Eu fico com ele — Kauan falou — Vamos esperar a polícia chegar.
— Acha que eles vão vir?
— Acho.
— Tudo bem, feche a porta e espere, nos vemos depois.
— Tudo bem. — Ele fechou a porta.
Começamos a correr na estrada sem olhar para trás.
— Qual é o plano? — Lucas perguntou
— Vamos chegar na pista e pedir carona.
— Ninguém vai parar para três pessoas sujas de terra na frente de uma fazenda conhecida por ser local de usuários de drogas
— Vamos correr até a cidade, não fica tão longe.
— Eu te odeio.
— Cuidado com o chão, talvez tenha mais bombas aqui
— Tem certeza sobre deixar os dois ali? — Ana falou
— Não temos outra opção.
Chegando perto da pista vimos um carro parado na entrada da estrada, quando chegamos nele a porta estava aberta, a chave e um celular no banco do motorista, o celular começou a tocar.
— Alô
— Demorou para perceber meu plano, achei que era mais esperto
— Cadê você?
— Isso não interessa.
— Vamos buscar os dois que ficaram lá — Ana sugeriu
— Não! — A casa está cheia de explosivos, se voltarem eu explodo os dois
— Não podemos — Respondi.
— Agora entrem no carro e saiam daqui
— Prometa que não vai matar os dois
— Sem promessas.
Ele desligou.
— Temos que sair daqui. A casa está cheia de explosivos e se voltarmos ele explode tudo.
— Onde vamos então? — Lucas perguntou.
— Primeiro vamos para minha casa e depois pensamos no resto.
22:30
Mike
A festa era em uma chácara, nos perdemos algumas vezes até chegar lá, nos detalhes era uma festa de três dias.
— Quem festeja por três dias na primeira semana da faculdade? — Fernanda perguntou.
— Quem não quer um futuro, acho, e o Marcelo deu alguma resposta?
— Perguntei onde a gente encontrava ele na festa e ele respondeu para ir se divertindo que ele ia nos encontrar.
— Tudo bem.
23:10
Marcelo
Chegamos em casa, Lucas foi lavar o rosto e trocar de roupa, fui até meu celular que tinha esquecido em casa na correria, tinha uma mensagem do Guilherme falando que estava indo para a festa, mas que ia tomar cuidado e não deixar os outros beberem tanto.
— É isso!
— O que? — Ana saiu do seu transe andando de um lado para o outro na sala.
— Ele vai atacar naquela festa que o Mateus estava falando.
— Então vamos. — Lucas falou entrando na sala.
— Vamos.
23:15
Guilherme
Meu plano de não deixar eles beberem tanto já tinha falhado, Matheus estava bêbado beijando uma garota que ninguém sabia o nome, Gustavo já fazia um tempo que não via e eu estava propositalmente parado perto do bar flertando com um cara sentado alguns metros dali, senti o celular vibrar, quando ia pegar o cara veio na minha direção e acabei ignorando.
23:00
Kauan
Alguns minutos depois que os três saíram as luzes da viatura iluminou a casa, corri para fora.
— Que demora foi essa?
— Desculpa, senhor alguma coisa estava impedindo a gente de ver a última localização.
— Tudo bem, me ajude a pegar o menino ali dentro e vamos sair daqui o mais rápido possível.
23:40
Marcelo
Conhecia o local da festa e para chegar foi bem fácil, mas tivemos que estacionar bem longe da entrada.
— Como vamos achar seus amigos, deve ter centenas de pessoas aqui. — Ana perguntou
— Estou tentando ligar para eles, mas nenhum atende.
— Será que ele bloqueou o sinal?
— Vamos torcer que não.
O celular que estava no banco do carro vibrou com uma mensagem escrita Bar.
— Temos uma pista — Mostrei a mensagem para eles.
— Ótimo.
Quase não conseguimos comprar os ingressos de última hora além de saírem uma fortuna, andamos um pouco até encontrarmos o Bar e à primeira vista não tinha ninguém conhecido até que uma garota começou a acenar loucamente, era aquela menina da minha sala.
— Oi! — Ela apertou minha mão.
— O que estão fazendo aqui, sem ofensa, mas vocês não parecem do tipo que curtem festas.
— Que engraçado — Ela riu sozinha — Você nos convidou para a festa.
— Não convidei.
— Claro que convidou — Ela me mostrou as mensagens.
— Merda!
— Será que ele está tão bêbado que não se lembra de ter chamado? Isso explica o rosto sujo — Ela estava falando com o outro garoto, Mike
— Olha, não fui eu que chamei vocês aqui, foi a pessoa que está atrás de mim
— A garota loira? — Ela apontou para Ana
— O assassino — Os dois ficaram sem expressão
— N-não pode ser — Mike falou
— Desculpa que vocês acabaram caindo nessa coisa, mas agora a gente precisa de ajuda
— Com o que? — Ela perguntou
— Meus três amigos estão aqui e a gente precisa achar eles antes que seja tarde.
— Tudo bem, me mostre uma foto deles.
Desconhecido
Mateus
A garota queria ir para um lugar mais privado e como não tinha quartos na chácara acabei levando ela para o carro do Guilherme, mas me perdi e ficamos nos beijando encostados no muro ao lado de um grande terreno abandonado.
— Escutou isso? — Ela falou enquanto beijava o pescoço dela.
— Não.
— Acho que tem alguém observando a gente.
— Deixe que observem. — Ela gemeu, mas não foi por prazer olhei para ela sua boca estava cheia de sangue, me afastei e quando ela caiu no chão vi alguém com uma máscara segurando um facão, tentei sair correndo, mas acabei caindo por causa da bebida.
00:01
Marcelo
Conseguimos encontrar o Guilherme que felizmente não estava bêbado, ele não sabia onde o Gustavo estava, mas sabia onde o Mateus estava, mas quando chegamos no suposto local ele não estava mais lá.
— E agora? — Guilherme perguntou
— Temos que continuar procurando, é a única coisa que podemos fazer.
— Pode acontecer alguma coisa até a gente encontrar eles, tem muitos lugares desertos aqui.
— Eu tenho uma ideia, pode não funcionar — Fernanda falou.
— O que é?
— E se a gente mostrar a foto deles perguntando para as pessoas se alguém viu eles?
— Vamos tentar.
— Ei! Marcelo você apareceu! — Era Gustavo que tinha um copo vazio na mão.
— Viu o Mateus?
— Sim, ele estava com uma garota, acho que estava indo para o carro do Gui.
— É ele!
— Ele o que?
— O assassino nos trouxe até aqui, ele estava atrás de vocês.
— Da gente?
— Vamos atrás dele, depois debatemos sobre isso
— Ótimo, vamos acabar com isso — Lucas puxou uma arma da cintura.
— Ei! — Guilherme gritou.
— Que merda é essa, abaixa isso, onde você conseguiu isso? — Perguntei.
— Peguei do detetive quando saímos da viatura
— Qual seu plano, sair atirando? Você sabe atirar?
— Não, mas é melhor que sentar e esperar ele matar todos seus amigos.
— Eu sei atirar — Mike falou — Meu pai é militar.
— Não temos tempo para discutir, dê a arma para o Mike e vamos atrás do Mateus.
Demoramos para conseguir sair com toda aquela multidão na nossa frente, depois tivemos que esperar Ana, Guilherme e Fernanda que acabaram ficando para trás.
— Onde está seu carro?
— Descendo a rua, lá no final.
Fomos correndo até o carro e antes de chegar todos vimos. Mateus caído no chão e o assassino que eu, Ana, e Lucas sabíamos que poderia ser o Daniel em cima dele pronto para dar um golpe.
— Atira! — Guilherme Gritou.
Mike ergueu a arma.
— Não! — Ana gritou.
— Atira! — Guilherme gritou outra vez.
Mike atirou e acertou bem no peito dele fazendo o facão cair, um segundo disparo e um terceiro. Ana começou a chorar, percebi que Mike estava tremendo, Fernanda não sabia muito bem o que fazer, Guilherme e Gustavo foram até o Mateus e eu em algum momento percebi que estava agachado ao lado do corpo do assassino.
— Tire a máscara. — Lucas falou.
Tirei a máscara torcendo para que fosse qualquer outra pessoa, até uma pessoa que nunca vimos na vida, mas quando tirei era ele, seus olhos ainda estavam abertos o rosto sem expressão, Ana se aproximou e quando viu que era mesmo seu irmão desabou ao lado dele e chorou.
— Acabou, Marcelo, vai ficar tudo bem. — Lucas colocou a mão no meu ombro.
— Sim.
Em algum momento as pessoas da festa apareceram, provavelmente por causa dos tiros, estavam tirando fotos, vídeos e de algum jeito aquilo não era uma cena triste e sim algo interessante para as pessoas.
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