Vítimas Das Circunstâncias
16 Break a leg
Notas iniciais
17/02/2016
Quarta-Feira
10:11
Alecsandra
Quando estava pronta para sair de casa meu celular começou a tocar. Número desconhecido.
— Alô? — Falei.
— Olá. — Uma voz estranha respondeu, sabia que era ele.
— O que você quer?
— Essa é nossa primeira vez conversando, certo? — Ele riu — Muito difícil te colocar nos planos, garota ocupada.
— Vou desligar.
— Como é nova vou te explicar. Se desligar eu mato um dos seus amigos, simples assim. — Ele riu outra vez.
Percebi que meu corpo estava tremendo e em algum momento acabei m sentando no sofá sem perceber.
— O que você quer? — Repeti.
— É simples, chegou sua hora de participar, na sua porta tem um pacote, leia as instruções. Nos vemos mais tarde. — Ele desligou.
11:42
Ana
Guilherme finalmente acordou, o médico falou que ele estava bem, o corte não foi profundo. Só precisava descansar, mesmo com as boas notícias ninguém foi embora. Talvez no fundo todos pensavam que era melhor ficarmos juntos. Meu celular vibrou com uma mensagem: “vá para sua casa, não conte para ninguém ou todos morrem.”
— Preciso ir resolver umas coisas — Levantei e sai o mais rápido possível, não podia arriscar que eles desconfiassem.
Assim que sai do quarto vi o Giovane pegando o elevador, ele acenou e as portas se fecharam.
11:53
Vinicius
Ana havia saído como se sua vida dependesse disso, depois de um tempo com Guilherme fui ao quarto da minha irmã, ela e Marcelo estavam dormindo, dois policiais estavam no corredor, senti meu celular vibrar, era o Mateus; “acho que descobri quem é o assassino, me encontre no estacionamento”. Senti um arrepio pelo corpo todo, será que isso ia terminar hoje? Mal podia me conter no elevador. Assim que sai pela porta dos fundos algo me atingiu no pescoço e eu desmaiei.
15:55
Lucas
Ana, Vinicius e Giovane tinham ido embora, mas Alecsandra tinha chegado por volta das uma da tarde, estávamos apenas sentados na sala, ninguém tinha o que falar e ninguém precisava, de algum modo todos nós chegamos no nível de amizade onde o silêncio não é constrangedor. Meu telefone tocou com uma mensagem, eram apenas coordenadas logo em seguida outra mensagem: “Vá até esse local as 21:00 não se atrase e não conte para ninguém”. Merda, sussurrei, parece que o confronto final tinha começado.
18:01
Mateus
Ainda estava processando tudo o que tinha acontecido, parecia que a qualquer momento ia acordar desse pesadelo, estava aliviado por Guilherme ter acordado, mas não conseguia parar de pensar em beber alguma coisa.
— Vou até o mercado comprar algo para comer — Menti, e sai do quarto.
Na recepção vi pessoas cochichando enquanto tentavam disfarçar, quando sai do hospital alguém gritou “herói!” ignorei todos e desci a rua, peguei meu celular para buscar o local mais próximo com álcool, tinha duas mensagens não lidas, a primeira era do Guilherme pedindo por frutas e a segundo era um número desconhecido, era uma coordenada, conhecia muito bem o local e soube imediatamente que nada de bom ia acontecer quando chegasse lá.
21:38
Guilherme
— Tem algo errado. — Falei enquanto entrava no quarto da Thainara e do Marcelo.
— Você não devia estar de pé — Thainara advertiu.
— Estou bem, algo aconteceu.
— O que foi? — Marcelo perguntou.
— Mateus, ele saiu e não voltou até agora.
— Ele pode ter ido para casa, e acabou dormindo, acho que ele não fechou os olhos ainda.
— Também pensei isso, mas ele falou que ia no mercado e agora não atende o telefone.
— Sem bateria?
— Cadê os outros? Ana e Giovane saíram correndo, Vinicius sumiu também e Lucas não parava de olhar o celular até agora pouco, quando também saiu sem dar explicações.
— Talvez algo esteja acontecendo. — Marcelo se sentou na cama.
— Vamos ligar para os outros. — Thainara pegou o celular.
— Alguém? — Perguntei.
— Não.
— Qual a possibilidade de ele ter pego todo mundo? — Marcelo se levantou.
— Pouca? — Respondi incerto.
— Mais cedo, eu escutei Ana e Lucas falando sobre o confronto final com ele estar chegando — Thainara começou a falar — Pode ser isso o que está acontecendo?
— Se for isso eu deveria participar.
— Tem razão. —Respondi.
— Olha, não exatamente, até agora ele não seguiu as regras, realmente passei tempo demais perto do Giovane — Thainara falou.
— O que vamos fazer? — Marcelo olhou para nós buscando alguma resposta.
— Esperamos.
— Sério?
— Acho que sim.
22:00
A cidade
As 22:00 de uma quarta-feira a primeira de muitas ligações para as autoridades foram feitas.
“Poderiam mandar uma viatura, o assassino está na minha rua!”
“Socorro! O assassino da televisão está batendo no meu portão.”
“Me ajude, acabei de ser perseguido pelo assassino na máscara. Eu não conheço aquelas pessoas!”
Aquela noite ficaria marcada na história da cidade, várias pessoas tiveram relatos do assassino na sua rua, casa ou por ser perseguida. A informação foi espalhada rapidamente pelas redes sociais: “Assassino a solta, não saiam de casa!!!!” Delegado Carlos mandou todos seus policiais disponíveis para atender aos chamados, ocupados com esse problema não conseguiram atender os verdadeiros pedidos de socorro que ocorreriam naquela noite.
22:00
Site
Ao mesmo tempo que os ataques começaram, o site que estava desativado há algum tempo voltou a ficar online. Com apenas um vídeo que ainda não havia iniciado e no lado esquerdo uma playlist atualizada com a morte das vítimas. Em menos de cinco minutos o já estava com um grande fluxo de acessos.
Killer666: Finalmente voltou! Mal posso esperar pelo sangue e tripas!
Cutelo_01: Obrigado por colocar as mortes de quando o site estava desativado.
gArota-assasina: Tomara que vc ganhe, boa matança.
Serraeletrica: estou aqui só pra ver sangue!
Mickey02: termina hoje?
21:32
Marcelo
— Não posso mais esperar, tenho que fazer alguma coisa.
— Sair andando sem destino vai ajudar? — Thainara perguntou.
— Não sei. Talvez.
— E se... — Comecei a falar.
— Nem pense nisso, todos estão bem.
Meu celular começou a tocar. Era ele.
— Onde estão meus amigos? — Perguntei.
— Boa noite para você também.
— Chega de brincadeiras.
— Chega mesmo, hoje terminamos isso. Onze entram só um sai.
— Não vou deixar isso acontecer.
— Do mesmo jeito que você não deixou as outras mortes acontecerem? — Ele riu.
— Onde nos encontramos, vamos acabar com isso.
— Gosto dessa atitude sua, onde ela estava nas últimas semanas? Te mandei coordenadas, vá até ela, traga a Thainara. — Ele desligou.
— E então? — Guilherme perguntou.
— Precisamos ir. Acaba hoje. Ele mandou coordenadas.
— Onde fica? — Thainara perguntou.
— Um segundo — Coloquei no mapa — Não pode ser.
— O que?
— É minha antiga escola do fundamental.
— Ela não está abandonada faz alguns anos?
— Sim.
— É um lugar perfeito.
— Vou pegar meu celular. — Guilherme foi em direção a porta.
— Não, você fica aqui.
— Porque?
— Primeiro por não ter recebido alta, segundo não posso te colocar em risco.
— Mas.
— Fique aqui onde é seguro, por favor.
— Tudo bem.
— Obrigado.
— Pode me prometer uma coisa? — Ele perguntou.
— Claro.
— Se em algum momento você ficar em uma situação onde duas pessoas estão se acusando de ser o assassino, atire no pé deles e faça perguntas depois. Você não é a Sidney.
— Prometo.
Nos abraçamos e saímos.
22:12
Guilherme
Estava andando de um lado para o outro do quarto, não conseguia ficar parado, só conseguia pensar nos meus amigos e se eles ficariam bem, ouvi os dois policiais fora do quarto debatendo alguma coisa. Fui até eles.
— O que está acontecendo?
— O assassino está atacando vários locais da cidade, um de nós tem que ir para as ruas ajudar.
Depois que acordei, Mateus tinha me falado sobre o suposto culto de apoiadores dele, mas não sabia que eles estavam dispostos a aterrorizar a cidade.
— Merda.
Realmente tudo acaba essa noite.
Fale com o autor