Vítima.

15 Quem Matou Ângela Machado?


Após o suicídio de Laura, Fabrício obrigou Carolina ir ao hospital para tomar um calmante e descansar, afinal fazia mais de uma semana que ela não dormia direito, então devido a sua exaustão, ela aceitou. Ela foi medicada e dormiu por aproximadamente 12 horas e quando ela acordou, Fabrício estava ao seu lado, ele havia ficado ali a noite toda a seu lado, e ele estava eufórico, ele tinha ótimas notícias.

— oi meu amor, que bom que você acordou – Fabrício abriu um sorriso para a amada – está bem, descansou?

— sim, meu corpo está descansado, mas a cabeça está a mil. Laura sobreviveu?

— não meu amor, as chances eram praticamente nulas dela sobreviver a uma queda tão alta – mas Fabrício sorriu novamente para ela – mas não vamos falar sobre isso, eu tenho uma notícia ótima pra te dar!

— então fala, fala que eu estou precisando!

— Marcela acordou do coma.

— ai meu Deus, mas isso é perfeito! — Carolina tirou o soro de sua veia e o medidor das batidas cardíacas de seu dedo e levantou-se da cama.

— onde a senhora pensa que vai? — disse Fabrício.

— eu não penso meu amor, eu estou indo nesse exato momento falar com ela antes que o maníaco a solta entre aqui novamente e dessa vez consiga matá-la.

Fabrício nem perdeu tempo tentando impedi-la pois ele conhecia o gênio da namorada, ele apenas foi atrás dela. Quando chegaram em seu quarto, o segurança estava na porta, então Fabrício ficou conversando com ele, para ver se havia notado alguma movimentação estranha ou algo do tipo e Carolina foi conversar com Marcela.

— Marcela, como você está? — Carolina não simpatizava nenhum pouco com ela, mas realmente estava preocupada.

— viva né Carolina, por hora isso me basta.

— preciso que você me conte quem foi que fez isso contigo, eu tenho certeza que quem o fez foi a mesma pessoa que matou minha mãe.

— pois é Carolina, eu também acho que foi, mas para você entender tudo isso, eu preciso te contar desde o início…

***

Marcela havia visto Letícia sair da casa de Branca e foi atrás dela. Quando ela chegou no hotel onde Letícia estava hospedada. Ela deu alguns minutos após a entrada de Letícia e foi até a recepção tentar alguma informação sobre ela. Ela sabia que Letícia era uma ex-modelo decadente que tinha problemas com drogas, sua carreira teve um apogeu e um final muito rápidos, ela imaginou que Letícia havia ido a casa de Branca pedir alguma ajuda, mas achou estranho em demais Branca receber uma junkie decadente em sua casa.

— boa tarde – sorriu Marcela para a moça da recepção – eu sei que tem uma amiga minha hospedada aqui, eu gostaria de saber em que quarto ela está.

— desculpe-me senhora, mas as informações sobre nossos hóspedes são totalmente confidenciais.

— a, mas somos amiga de tanto tempo! Olha só, o nome dela é Letícia, na verdade eu nem sabia que ela estava de volta à cidade. Faz muito tempo que ela está aqui? — Marcela tentava colher qualquer informação.

— olá minha querida – Letícia apareceu por trás de Marcela e a cumprimentou – quanto tempo. Está tudo bem – disse ela dirigindo-se a recepcionista – vamos ao bar tomar um drink? — dirigindo-se novamente a Marcela .

Marcela estranhou, mas a seguiu.

— algum motivo em especial para você estar me seguindo desde que saí da casa da Branca, hã, como é mesmo seu nome?

— Marcela. Então, o que acontece, eu estou atrás de um furo sobre Branca, ela é um nome forte que vende revistas nesse país sabe. Você é amiga dela?

— amiga? Somos praticamente irmãs! — Letícia de uma gargalhada – temos um passado juntas. Você sabe que ela me ajudou demais na minha juventude, éramos grande amigas, porém em determinado ponto, que nem eu sei o porque, ela virou outra pessoa.

— a é? — Marcela estava gostando demais da história – ela sabia que vinha coisa boa por aí.

— eu te conto tudo Marcela, mas o que eu ganho com isso?

— eu sou jornalista, eu posso te trazer fama e prestígio, é isso que você quer?

— mas e como eu sei que posso confiar em você?

— Letícia, eu vou ser bem franca com você, eu não gosto da Branca, nunca gostei. Se você me der material para que eu possa sujar a carreira dela, eu serei grata a você pro resto da vida.

— eu quero que você escreva um livro – Letícia mudou o semblante e mostrou uma face que deixou Marcela um pouco assustada – você vai escrever um livro contando toda a minha história com a Branca, você vai escrever a minha biografia.

— um livro? Sua vida tem material para uma biografia Letícia?

— isso você vai descobrir logo, logo. Eu quero fazer uma parceria com você, se você odeia tanto assim a Branca, nós vamos destruí-la juntas.

Marcela topou, as duas continuaram bebendo no bar juntas e conversando, Letícia contou sobre sua vida, o abuso às drogas e foi muito reticente quanto a Branca, então Marcela com o passar do tempo começou a ficar impaciente.

— mas então, e a sua relação com a Branca, desenvolve um pouco melhor isso aí – ela questionava.

— então minha mais nova amiga, eu vou te contar tudinho, mas antes eu tenho uns assuntos pra revolver – ela deu mais um gole no seu drink – por falar em livro, você tem interesse por ficção? Tenho uma ideia ótima para um livro de ficção sabe, a história de duas mulheres poderosas, duas mulheres poderosas que se odeiam e usam tudo e todos a seu redor a bel prazer, para se darem bem na vida sabe, mas ela duas se odeiam e um dia, no passado delas, elas mexem com a pessoa errada sabe…

ela deu mais um gole e Marcela estava de saco cheio já, porém por educação e por imaginar que Letícia poderia ser útil no futuro, ela continuou ali.

— e essa pessoa volta para acabar com uma delas e colocar a culpa na outra sabe. Imagina como venderia esse livro? Uma terceira pessoa que foi manipulada por essas duas mata uma delas e incrimina a outra? — ela deu o último gole em seu drink – bom, o papo está ótimo e vamos continuar ele. Eu tenho umas coisas pra resolver antes, mas a gente vai voltar a conversar, me dê seu cartão.

Marcela assim o fez, despediu-se e saiu.

***

— você aqui, o que você quer? — Marcela disse ao abrir a porta

— preciso falar com você – disse Letícia forçando a entrada, ela estava visivelmente alterada, ela provavelmente estava drogada.

— Letícia, eu não posso agora, preciso ir fazer a cobertura de uma bomba que caiu sobre essa cidade, podemos conversar mais tarde?

— você acha que eu sou idiota? — Letícia puxou Marcela pelo braço, a empurrou para longe e fechou a porta do apartamento – você foi conversar com a infeliz da Ângela na noite da festa? Você contou alguma coisa pra ela sua cadela?

Marcela percebeu o que estava acontecendo e tentou correr, mas Letícia sacou uma tesoura de sua bolsa e apontou para Marcela, a mesma tesoura que ela havia usado para matar Ângela Machado.

— pensei melhor sobre o meu livro e decidi que vou colocar dois assassinatos nas costas da Branca, assim ela ficará mais acabada ainda. Ela matou a rival e a jornalista que queria saber demais, lindo né? Poético!

Marcela tentou correr para a porta de seu quarto e Letícia foi atrás dela e conseguiu pegá-la pelos cabelos antes que ela fechasse a porta e as duas caíram e uma luta começou no chão. Marcela debatia-se tentando se soltar mas Letícia era forte, Marcela conseguiu soltar uma das mãos e arranhou o rosto de Letícia, que ficou com tanto ódio que cravou a tesoura no ombro dela com toda a força que tinha fazendo Marcela gritar tão alto que os vizinhos que estavam no corredor estranharam, então um deles tocou a campainha. Letícia ficou apavorada com o risco, porém ela olhou para Marcela e teve certeza que ela havia morrido, ela estava jogada no chão, desacordada se esvaindo em sangue e perdendo a respiração, ela pegou a tesoura, enrolou ela em um lenço e colocou novamente em sua bolsa.

***

Carolina estava em choque após ouvir todo o relato de Marcela.

— sabe, no começo quando ela falou em livro eu nem dei bola, achei que era delírio de uma bêbada sonhadora, mas depois eu caí na real, ela havia confessado o que faria para me testar ver se eu apoiaria e ajudaria ela depois disso tudo – Marcela estava apática em com medo que Letícia pudesse entrar por aquela porta a qualquer momento e matá-la – eu vou te dizer bem a verdade Carolina, eu gosto de dinheiro, eu quero ficar famosa e rica, mas numa loucura dessas eu não iria me meter.

— qual você acha que é o próximo passo dela? — Carolina ao momento em que fez a pergunta, achou a resposta – ela vai culpar a Branca!

— claro, ela vai implantar a tesoura na casa da Branca e dar um jeito dessa informação chegar na polícia – completou Marcela – vocês precisam deter essa maluca antes que ela faça mais alguma vítima!

Carolina se virou e foi correndo ao encontro de Fabrício.

— o que foi meu amor, você está pálida. Está tudo bem?

— precisamos ir pra sua casa imediatamente, sua mãe está correndo perigo – ela pegou Fabrício pelo braço – eu te explico no caminho!

Era uma tarde ensolarada de domingo, longe dali de onde Carolina e Fabrício saíram correndo, na mansão de Branca, acontecia uma briga na sala entre ela e Antenor.

— divórcio? — Branca estava consumida de raiva – você quer o divórcio depois de tudo o que eu aguentei de você, depois de todos esses anos que eu mantive você e essa família, você vem me falar em divórcio?

— aguentou o que Branca? — Antenor pela primeira vez na vida havia tido coragem de enfrentar a mulher – quem te aguenta calado a vida toda sou eu sua infeliz! Você me controlando, me sufocando, eu não aguento mais Branca, chega!

— depois de tudo o que eu fiz pra conseguir casar com você, seu maldito, eu vou destruir você, eu vou acabar com você se você ousar sair dessa casa!

— tudo o que você fez, de que Diabos você está falando? — Antenor ficou chocado ao ouvir aquilo.

— interessante que você perguntou Antenor – disse Letícia entrando pela porta do escritório onde os dois conversavam – cheguei na hora certa de acabar com esse casamento que fui eu quem construiu e acabar de vez com a tua vida Branca, sua cadela maldita!

— mas o que diabos está acontecendo aqui, como é que você entrou na minha casa? — Branca foi em direção ao telefone – eu vou chamar a polícia sua maluca, como é que você invade a casa de alguém dessa maneira?

— invadir? Como assim querida – Letícia sacou um revólver da bolsa e apontou para Branca – o porteiro me conhece, ele até interfonou para avisar que eu estava entrando, mas como hoje não tem nenhum dos seus empregados que você escraviza nesse mausoléu estão aqui, a dondoca inútil não deve nem saber atender um interfone.

— mas o que é isso, quem é essa maluca Branca? — Antenor não reconheceu Letícia.

— vai dizer que não se lembra de mim benzinho, depois daquela nossa noite maravilhosa, aquela noite em que eu fiquei grávida do teu filho?

Todos na sala ficaram chocados, Branca ficou apavorada com o risco iminente de Antenor descobrir seu segredo.

— pensa bem no que você vai fazer Letícia, pelo amor de Deus, pensa bem, você só tem a perder com isso! — Branca usava, pela primeira vez na vida, um tom de voz de alguém que implora algo.

— já pensei sabe, fiquei alguns minutos ouvindo atrás da porta e pelo que notei vocês estão se divorciando, é perfeito! Eu vou meter uma bala na cara dele e depois vou dar um tiro na tua perna, pra você não poder fugir, então quem vai até àquele telefone chamar a polícia sou eu. Eu é quem vou chamar a polícia pra vir prender a mulher que matou o marido porquê descobriu que ele tem um caso a anos com a mãe do filho dele e depois tentou matá-la, mas ela sobreviveu!

No portão, Fabrício chegou e o porteiro o viu e cumprimentou.

— minha mãe está aí? — ele perguntou

— está sim seu Fabrício, ela e o seu Antenor estão lá dentro conversando com a moça que veio, parece que para uma entrevista de emprego.

— moça? Que moça? — perguntou Carolina.

— uma ruiva – respondeu o porteiro – eu achei estranho também a mulher vir num domingo pra uma entrevista, mas vai saber né, e também, é uma que já esteve aqui antes, talvez ela veio visitar também.

— chama a polícia, chama a polícia agora e diz que a casa foi invadida – gritou Fabrício.

Ele e Carolina saíram correndo em direção a porta da casa, eles sabiam que a mulher ruiva era Letícia. Dentro da casa, Antenor não havia entendido muito bem o que estava acontecendo, Branca chorava descontrolada.

— tendo um caso com a mãe do meu filho, que história é essa? Branca, do que essa mulher está falando?

— pelo amor de Deus Letícia, não fala nada! Eu te arrumo o que você quiser, faço o que for preciso mas não fale mais nada – Branca implorava.

— você é retardado ou o que? — Letícia nem deu ouvidos a Branca e continuou dirigindo-se a Antenor – você é pai do Fabrício, mas a Branca não é mãe dele – ela sorriu diabolicamente.

— não, sua cadela maldita! — Branca gritou e nesse exato momento, a porta do escritório abriu e Carolina e Fabrício.

— a mas agora a festa está completa! — Letícia ficou com mais ódio ainda quando viu os dois. Ela sabia que com testemunhas, o que ela havia planejado até agora daria errado – como é que esses malditos vieram parar aqui?

— você matou a minha mãe sua viciada maldita? — Carolina gritou.

— olha lá em moça, não é uma boa ideia ofender alguém que tem uma arma na mão – respondeu Letícia.

— Letícia, pelo amor de Deus, deixa meu filho fora disso, deixa ele ir embora, não faça mal nenhum a ele! — Branca implorava.

— seu filho não, meu filho – Letícia voltou-se para Fabrício – que orgulho de saber que eu tenho um filho médico.

— cala a boca sua maldita! — Branca gritou.

— conta essa história direito sua louca! — Antenor interveio e Fabrício completou:

— seu filho? — do que essa maluca está falando?

— deixa que eu conto então Branca, acho que você não está muito bem para dar seu testemunho – disse Letícia. Branca continuava chorando e viu que não adiantaria pedir para que Letícia não contasse nada – na mesma noite em que a sessão de fotos da Branca foi arruinada e eu e você fomos dar uma no banheiro, lembra Antenor?

Antenor lembrou-se da noite em questão e agora lembrava-se quem era Letícia.

— naquela noite, a infeliz da Ângela quem me jogou pra cima de ti, ela se aproveitou que eu não estava muito bem para arruinar a vida dessa daí. Perdemos a sessão de fotos e eu precisava demais daquela grana na época, tanto que depois eu procurei a Branca desesperada e contei pra ela tudo o que havia acontecido. Contei que havia engravidado, mas não contei quem era o pai, então ela teve a brilhante ideia de me dar uma pequena fortuna em troca de ficar com o bebê. Bebê esse que virou esse lindo homem aqui presente – disse ela apontando para Fabrício.

— isso é verdade mãe? — Fabrício estava em choque, Carolina o abraçou.

— meu filho, me perdoa, eu fiz isso para salvar a todos nós! — Branca ainda estava aos prantos – eu salvei você de ser criado por um demônio desses, salvei seu pai que era um canalha decadente que acabaria com a fortuna da família dele se continuasse vivendo daquele jeito e salvei a mim, forçando o casamento com o homem que eu amava. Eu errei sim, mas errei pelo bem de todos nós!

— e a minha mãe, porque você matou a minha mãe, ela nunca te fez nada! — Carolina gritou.

— nunca me fez nada? — Letícia ficou irritada – sua mãe era igual a essa daqui, uma vadia que manipulava tudo e todos para conseguir chegar onde quisesse! Ela nunca se importou com ninguém. Eu matei a sua mãe por dois motivos minha querida, pra limpar o mundo de um tipo de gente feito ela e pra colocar a culpa nessa outra porca aqui! Disse ela apontando o revólver para Branca, porém ela ouviu uma sirene ao fundo e um policial no megafone gritar que a casa estava cercada e que ela não tinha como fugir – você chamaram a polícia? Você quer me tirar a minha liberdade? Então está na hora de acabar com a festa, eu vou tirar de você a única pessoa que realmente é de seu sangue – ela apontou o revólver para Antenor e disparou, o tiro acertou Antenor no peito e ele foi arremessado para trás.

Branca gritou e Carolina e Fabrício correram em direção a Letícia, derrubando-a. A arma caiu nos pés de Branca.

— vai socorrer teu pai – disse Carolina – com essa aqui eu vou acertar as contas agora — Ela sentou-se em cima de Letícia prendendo os braços dela embaixo de suas pernas e começou a esbofeteá-la – você vai apodrecer na cadeia pelo mal que você causou a todos nós! — Carolina batia nela com tanta força que logo ela começou a sangrar.

— me solta sua desgraçada, me solta e vamos no mano a mano que você vai ver o que eu faço com essa tua linda carinha – esbravejou Letícia, em resposta, Carolina deu-lhe mais bofetadas.

— cala a boca, você a partir de agora só tem o direito de falar dentro do tribunal!

Os policiais arrombaram a porta e tiraram Carolina de cima de Letícia que estava no chão, praticamente inconsciente. Ela foi algemada a uma maca e levada, assim como Antenor que também fora levado de maca.