Vítima.
10 Quem Mataria Ângela?
Carolina tinha atingido o ponto mais alto de sua carreira: capa da Vogue, além das inúmeras revistas nacionais que haviam colocado-a na capa, ela tinha uma contrato internacional e a vida pessoal estava ótima também com Fabrício, porém ela temia a ameaça de Branca. Ela sabia que Laura não poderia fazer nada, pois Fabrício não tinha nenhum interesse nela, porém ela sabia que Branca poderia incomodar, pois Fabrício se importava muito com a opinião da mãe, se ela estivesse disposta a atrasar a vida dos dois, ela poderia fazê-lo.
Ângela estava muito feliz com a viagem da filha que seria na próxima semana, ela decidiu que faria uma festa enorme em sua mansão para homenagear a filha e estava super ocupada com os preparativos, embora ela tivesse um entourage gigantesco a seu dispor, mas para eventos em sua casa ela gostava de tratar tudo pessoalmente, apenas com a ajuda de Renato, o único funcionário que ela realmente confiava. Embora ela tivesse descoberto a questão das traições de Arnaldo, a única coisa que lhe abalava era a chantagem que Fátima lhe estava fazendo. Assim como ela havia exigido, Ângela aumentou o salário dela e continuou fingindo que não havia acontecido, pois não lhe era novidade que Arnaldo a traia, porém nunca antes ele havia feito isso com uma mulher tão perigosa. Ângela sabia que teria que dar um fim em Maria de Fátima antes que o problema ficasse maior.
— Ângela, acabei de vir de lá de fora – disse Renato, alcançando um monte de cartas para ela – isso estava lá fora na caixa.
Ângela pegou aquele monte de cartas e no meio de todas elas havia uma estranha. Um envelope em braco, sem remetente, destinatário, então ela abriu e havia um bilhete escrito à mão que dizia “Você não vai conseguir se livrar do seu passado. Todas as suas podridões viraram um monstro gigante que vai te engolir”. Ângela ficou em choque, hipnotizada olhando para o bilhete em suas mãos.
— está tudo bem? — perguntou Renato.
— preciso ir para o meu quarto resolver um assunto, tome conta de tudo.
Antes mesmo que Renato pudesse perguntar algo, Ângela virou-se e saiu. Ela foi até a revista, pois precisava ficar sozinha em seu escritório para pensar no que faria. Quem é que sabia alguma coisa sobre seu passado para ameaçá-la daquela forma? Branca! Era a única pessoa que lhe passava pela cabeça.
Ao chegar no escritório, ela viu Maria de Fátima sentada em sua mesa, ela também poderia estar ameaçando-a, então ela resolveu chamar Fátima para sua sala, ela estava apavorada.
— entre e feche a porta – ela ordenou a Fátima.
— o que aconteceu?
— eu não estou fazendo tudo o que me pediu? — Ângela olhou Fátima nos olhos, não como ameaça, mas como quem implora – por que essa palhaçada agora?
— e do que exatamente você está falando? — Fátima parecia que não fazia ideia mesmo sobre qual era a razão da pergunta.
— aquele bilhete ridículo que você me mandou!
— mas que bilhete? — Fátima olhou para Ângela com uma expressão de estranhamento – tá começando a delirar? Olha que na tua idade é meio perigoso hein.
“— não foi você?
— eu ia me dar ao trabalho de mandar carta Ângela? — Fátima colocou a mão sobre o peito e olhou para Ângela com um sorriso no rosto – francamente Ângela, as regras do nosso jogo estão bem claras, quando eu quero algo vou direto a você, não me acrescenta em nada ficar fazendo joguinhos psicológicos com você? Francamente Ângela, francamente…
— saia da minha sala.
Maria de Fátima saiu da sala de Ângela e pegou o celular, ela olhou ao redor e pegou seu celular, havia uma mensagem de Carlos “preciso de grana, te encontro no estacionamento”. Ela foi até lá apressada, com medo que alguém visse Carlos no estacionamento e se questionasse quem era aquele homem, pois se alguém começasse a se questionar e investigar, aquilo poderia virar um grande problema.
Ângela mandou chamar Branca à sala de Reuniões, pois sua intuição que lhe dizia que realmente Fátima não era seu algoz no momento, pois ela analisou e chegou a conclusão que realmente ela não tinha nada a ganhar com isso.
Quando ela chegou na sala de reuniões, Branca já estava lá.
— posso saber o que estou fazendo aqui, haja visto que essa sala está vazia, creio que não é trabalho o assunto – Branca não tinha mais paciência para Ângela.
— o que você acha que você sabe sobre o meu passado para me ameaçar? — Ângela tinha ódio no olhar.
— do que você está…
— não perca seu tempo mentindo – Ângela interrompeu Branca – você já sabe o peso que a minha mão tem!
— do que você está falando sua vadia maldita? — Branca parou na frente de Ângela, enfrentando-a.
— olha o jeito que fala comigo sua piranha, estou falando daquela maldita carta que você me mandou hoje de manhã, e baixa o tom de voz que você não é ninguém pra falar comigo desse jeito sua…
Branca deu uma bofetada na cara de Ângela, que a fez ficar atônita. Ela nunca achou que Branca iria ter coragem de enfrentá-la. Um dos piores defeitos de Ângela era a prepotência.
— você ficou louca sua desgraçada! Eu vou te matar – disse Ângela investindo contra Branca, porém ela levou outra bofetada que a fez dar alguns passos para trás se escorando sobre a mesa.
— eu nunca mais fico quieta pra você sua imunda! Você não é ninguém mais do que eu! E eu não sei de que merda de bilhete você está falando, mas respondendo a sua pergunta eu sou a única pessoa nesse país que sabe do teu passado, se eu abrir a minha boca você está acabada!
— eu vou acabar com você! Se eu descobrir que foi você que me mandou eu te mato, eu te mato com as minhas próprias mãos!
— a menos que você morra antes, sua desgraçada! — Branca virou as costas e saiu da sala de reuniões.
No estacionamento, Fátima estava no carro com Carlos.
— então, seguinte Fátima, preciso de cem mil, eu vou dar entrada num…
— você está completamente louco? — Fátima interrompeu Carlos – de onde diabos você acha que eu vou tirar cem mil? Você caiu e bateu a cabeça foi?
— não te faz de morta, eu te conheço Fátima, sei que se você quiser tirar grana do velho vai ser fácil, todo mundo tem uma avó morrendo pra pedir socorro, sei lá, n]ao me interessa Fátima, eu sei que você é criativa, mente como uma atriz.
— você é completamente louco Carlos, eu não tenho como tirar dinheiro do Arnaldo, é muito cedo. Se eu pedir cem mil reais pra ele agora ele me dá um pé na bunda e todo o meu trabalho até hoje foi em vão!
— dê um jeito Fátima. A gente podia ser cúmplices e fazer tudo junto e ir com calma, mas como você preferiu ser minha inimiga, dê teu jeito. Agora sai, antes que apareça alguém, vou te dar até final de semana.
Fátima saiu do carro, ela estava frustrada. Até agora havia dado tudo certo, porém Carlos havia ressurgido para ser uma pedra em seu caminho. Ela descartaria essa pedra.
Quando chegou novamente no escritório, Ângela já estava lá então ela sabia que a única pessoa que poderia juntar todo aquele montante de dinheiro para ela era Ângela.
— Ângela, preciso de cem mil reais até o final de semana.
— azar é o seu – disse Ângela olhando para Fátima com estranhamento – de onde você acha que vou tirar cem mil reais agora?
— não me interessa, eu preciso até o final de semana, se não você já sabe o que acontece.
— está bem, eu te arrumo até sexta, agora saia da minha frente.
Ela sabia que esse dia chegaria, porém ela começou a pensar, Fátima nunca havia pedido dinheiro dessa maneira, será que ela estava sendo chantageada ou era alguma emergência? Caso fosse chantagem, será que essa pessoa que a estava chantageando não seria o aliado perfeito para ajudá-la a se livrar de Fátima? Mas ela não iria pensa nisso, ela tinha um problema maior no momento. Ela ligou para a única pessoa em quem podia confiar para ajudá-la a resolver esse problema.
Quando Renato chegou em seu escritório, Ângela pediu o que ele achava sobre tudo isso.
— Ângela, eu não queria te jogar uma intriga dessas mas – ele olhou bem nos olhos de Ângela – você já pensou no Ricardo? Claro, quem fez isso nunca admitiria, mas se você já falou com quem acha que foi e pensa que não são eles, será que não foi o Ricardo?
Ricardo sabia de tudo o que acontecia com Ângela, ela tinha confiança completa nele, ela contou o que havia feito com Branca no passado, sobre a chantagem de Fátima, porém ela não havia parado para pensar em Ricardo, então ela pediu a ajuda de Renato para descobrir se ele havia feito isso.
***
Renato chegou no aparthotel que Ricardo morava e subiu até seu quarto.
— achei muito estranho você vir aqui Renato a essa hora da tarde. É algum recado da Ângela? Mas por que ela mandaria você aqui? Eu sei que ela confia em você mas por que mandou você aqui? Ela sabe de alguma coisa sobre...
— foi você que mandou o bilhete pra la hoje de manhã? — Renato o interrompeu.
— que bilhete? Do que você está falando?
— não foi você?
— já disse que não, que bilhete cara? Você sabe que pode confiar em mim!
— eu nunca vou te perdoar se você estiver fazendo algum mal pra Ângela, nunca! — Renato começou a chorar, então Ricardo foi em sua direção e seca suas lágrimas.
— não chora, eu prefiro te ouvir gemendo – ele começou a beijar o pescoço de Renato.
— você acha que ela sabe sobre a gente? — Ricardo beijou o pescoço de Renato e mordiscou sua orelha.
— não, ela confia em mim. Ela só me mandou aqui porque confia em mim.
— amigo como você não existe meu amor – disse Renato, olhando para Renato e sorrindo.
O choro de Renato então virou um sorriso, um sorriso sacana que Ricardo sabia muito bem o que significava, então Ricardo tirou a camisa e pegou Renato pelos braços, dominando-o do modo como Renato gostava e o jogou na cama e foi para cima dele.
Algumas horas depois, Ricardo e Renato ainda estavam deitados na cama quando a campainha tocou e Ricardo foi abrir a porta crendo tratar-se do serviço de quarto que ele havia solicitado, porém quando a porta se abriu, ele congelou ao deparar-se com Ângela.
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