Vírus
43 Ameaça Humana Iminente
Notas iniciais
Vírus
Capítulo 43 : Ameaça Humana Iminente
Anteriormente em Vírus : Hector começa a mostrar seus comportamentos mais amadurecidos, a equipe que foi em busca de mantimentos retorna, várias pessoas morrem, inclusive Lancey . Sam, o líder da comunidade de Charleston chega para a entrega de mantimentos, Weaver junto a Hector e outros homens, vão até Charleston, mas lá, acabam sendo vítimas de uma armadilha ...
Pov. Hector
Os barulhos de armas sacadas ecoaram-se pelo local, isso despertou algo em mim, imediatamente olhei para o Weaver, ele também reconhece o barulho, nos viramos imediatamente mas o que só podia se escutar era o barulho dos tiros vindo em nossa direção, todos .. exatamente todos os homens que veio conosco foram assassinados friamente, e o pior, vários deles receberam mais de cinco tiros, eles eram cruéis, eu e o Weaver rapidamente largamos os caixotes com os mantimentos, eram ladas e mais coisas caindo no chão, cheguei até em tropeçar em algumas, o Weaver voltou para tentar me ajudar, porém foi atingindo no ombro por uma bala, o sangue começa a transbordar, corremos até vários troços de ferros, enferrujados, não sabia ao certo o que era, apenas serviu como escudo diante dos tiros . Fiquei trémulo, o Weaver esta lá, todo escancarado no chão, colocando sua mão no ombro, ao qual o sangue saia sem parar, ele gemia muito, e seu rosto demonstrava tudo, o barulho do choque dos tiros com o ferro era bastante angustiante, sabia que uma hora sairíamos dali, dentre uma brecha, vi o Sam se aproximando, o loiro chegou perto de um dos nossos homens que estavam no chão, ele já estava morto, mas mesmo assim ele atirou na cabeça do falecido .
Fechei meus olhos, dei um suspiro, retornei a abri-los, botei na minha cabeça que eu deveria fazer algo, não podíamos morrer, não ali, justo agora que meu pai acordou, e temos a resistência que finalmente pareceu ser um lugar seguro, pego a minha arma a qual estava na minha cintura, retiro ela vagarosamente, espio perante as brechas dos ferros, me levanto rapidamente e dou três tiros, atingindo um dos homens que vinham com Sam em minha direção, logo depois, diversos tiros começaram a ser disparados, e só escutava o choque novamente com a proteção, mas do nada, os tiros pararam, escuto passos, começo a ficar cauteloso, minha respiração arfante, até que Sam aparece na minha frente, miro nele mas sou impossibilitado de continuar com o ato, já que seus homens aprecem mirando suas armas para mim e o Weaver que estava muito ferido, eu não me importei com todas as armas voltadas para mim, apenas queria atirar nele que ironicamente falou :
– Parece que o garotinho aqui é corajoso, mas vejamos, Weaver está em um péssimo estado, temos médicos aqui, e poderemos ajuda-lo, você realmente teve bastante coragem jovenzinho, e por causa disso você não morrerá . – Indaga ele chutando minha arma que caí longe, logo depois ele me pega pelo braço, o mesmo acontece com o Weaver, ales abrem os portões do abrigo, lá, estavam várias pessoas, e principalmente idosos, nos olhando, e bastante assustados diante de vários disparos de tiros, eu não sei o que irá acontecer conosco , mas tenho a certeza que não vai ser nada bom .
Sam, com a ajuda de dois homens nos amarra com uma corrente, ficamos apoiados na parede, Weaver respirava com dificuldades, não tinha mais força para colocar sua mão sobre o ombro, vi o qual ele estava sofrendo e exclamei :
– Você falou que iria leva-lo ao médico ! O ferimento está profundo, deve ser tratado logo !
– Nem sempre o que eu falo é verdade . – Responde ele dando um longo sorriso sarcástico e se afastando um pouco, sussurrando com seus comparsas .
– Preparem todos os homens, vamos destruir a resistência .
[ ... ]
Pov. Henry
Meu coração estava apertado, o Henry saiu, não está protegido pela resistência, lá fora o mundo é cruel e traiçoeiro e eu não poderia perder ele . Somos só eu e ele, de todas as pessoas, de todos os grupos que passaram por nós, apenas eu e ele sobrevivemos. Não conheço esse tal de Sam, e acho que isso colabora com minha preocupação, as pessoas mudam conforme o Apocalipse também muda, no caos, as ações étnicas e morais não existem, o homem quer apenas sobreviver, independente do que isso significa . Estou no pátio, observando o céu estrelado e as crianças brincando, mais que alegres .
– A Resistência trouxe a infância, tomada pelo apocalipse, de volta . – Afirma Jessie, sentando-se ao meu lado, em um banco de madeira onde cabe três pessoas .
– Como eu queria que o Hector fosse assim também . – Indago .
– Henry, você tem que perceber, o Hector sofreu muito, você mesmo falou isso, ele passou por coisas terríveis e ainda era um garotinho indefeso, mas agora é tarde para tentar trazer aquela criança que existia, ele amadureceu, e já aprendeu a se defender, você não tem ideia do que ele fez enquanto você estava inconsciente, ele cresceu .
– Eu entendo isso Jessie, mas eu não consigo evitar, não quero que ele se torne um adulto sem infância, quero que ele seja como eles . – Respondo olhando para as crianças brincando no grande pátio da resistência .
– Eu sei como é isso, pois é o que eu quero para o Ron, e quando ele for maior, eu vou entender sua mudança e a necessidade de fazer coisas arriscadas, mas veja, lá está ele, brincando e aproveitando o que tem, como se nada estivesse acontecendo no mundo, é isso que eu quero . – Completa Jessie .
Nos entreolhamos várias vezes, até que finalmente senti a necessidade de beija-la, a companhia dela era confortante e agradável, e possuía uma grande carisma, a beijei, pelo visto, ela não demonstrou força contrária, pelo contrário, entrou no clima, Beth ficou nos observando junto a algumas amigas, creio que ela gostou de ver sua mãe se relacionando com alguém . Amanheceu, o dia parecia calmo, até que percebi a ausência do Hector e dos outros, fui até John e perguntei sobre os mesmo .
– Eles ainda não voltaram ?
– Não, e isso é muito estranho, na maioria das vezes eles retornam ainda no mesmo dia.
– Henry !!! – Escuto Jessie gritando por mim, fico procurando-a com meu olhar, até que ela se aproxima de mim, parece estar bastante triste e preocupada .
– As vacinas .. estão acabando !
Ela me leva até o local onde a suposta cura era guardada, só existia mais dois pacotes com 10 seringas cada, o que poderia ser usado em muito menos da metade dos habitantes, e o pior, era que se eles morressem, o caos vai surgir dentro da própria resistência .
– Temos que ficar calmos e achar uma solução ! Weaver e os outros devem voltar logo, não podemos deixar que todas essas pessoas saibam disto, ou esse lugar vai fica totalmente um ..
– Socorro !!! Aaaaaaaaah ! – Minha fala foi interrompida por gritos, a voz era feminina, e a Jessie parecia conhecer a dona do grito agonizante, a loira sai correndo, deixa cair até um cordão, ela vai ao encontro do espaço onde os feridos eram guardados, eu pego o pingente, coloco-o no bolso, corro atrás dela, ao adentrar no local, vejo três pessoas que infelizmente, retornaram a vida como errantes, o homem mordia Luiza, a médica que pelo visto era amiga de Jessie .
– Meu Deus !! Luizaaaaaaaa !! – Grita ela, a loira pega um machado que estava pendurado na parede, justamente para ocasiões como essa, corre em direção a garota que estava sendo mordida no braço por um errante, enquanto que o outro, a segurava com os braços, Jessie apunhala o machado, batendo o mesmo, no crânio do errante que mordia Luiza, o sangue fora espirado, manchando a linda pele clara dela, o machado fica preso, e o outro errante que segurava Luiza, foi em direção a Jessie, ela entra em desespero, pois a ferramenta ficara presa no membro do errante, saco minha pistola, e imediatamente dou um disparo ao qual atinge o errante antes que o pior seja feito .
– Você está bem ??- Questiono, bastante apreensivo, ela responde um sim sinalizando com uma cabeça bastante assustada e preocupada com a situação de sua amiga, Luiza.
– Aaaaaaaaah ! – Escuto gritos vindo do fundo do local, viramos nosso rosto, e nos deparamos com algo que passou despercebido, o último errante, um dos três que se transformaram, mordia uma mulher, na verdade uma idosa, que estava em uma maca, em cuidados médicos . Quando tento pegar minha arma para atirar naquele monstro, John chega e atira, derrubando o mesmo, porém, a idosa foi mordida na barriga, e não resistiu .
– O que aconteceu aqui ? Vocês estão bem ? – Indaga John bastante nervoso .
– Três viraram errantes, não tomaram a vacina . – Responde Jessie abaixando a cabeça.
Depois de um tempo, vejo ela saindo do recinto, aproximo-me e pergunto a situação de sua amiga, Luiza .
– Ela não resistiu e .. – Diz ela, porém, sua afirmação é interrompida por suas lágrimas que escorrem por sua face, percebo o quão profundo é a sua tristeza, fico triste junto a ela, aquilo me comoveu de certo modo, evolvo-lhe em meus braços, tento acalma-la, enquanto ela molha minha camisa de lágrimas, ela pega ar e diz :
– Eu sou a culpada por tudo isso !! Eu fiquei tão preocupada com a questão das vacinas estarem quase esgotadas, que esqueci de que as duas semanas para algumas pessoas já chegaram , por minha culpa cinco pessoas morreram ! Inclusive a Luiza .. me sinto um lixo .
– Não se sinta assim, pelo que sei, você já salvou a vida de tantas pessoas, sempre vive ocupando seu tempo para proteger os outros, mas uma coisa você tem que colocar na sua cabeça, você não pode salvar todo mundo . – Tento ameniza-la, ela enxugar suas lágrimas, dá um leve e simples sorriso, mas sinto que continua triste, volta a me abraçar, e diz :
– Tenho que ir ver o Ron e a Beth .
– Espere ! – Digo tentando achar algo no meu bolso, e quando finalmente acho, completo : — Você deixou cair isto no chão, quando foi atrás da Luiza .
Entrego-lhe um pingente prateado, com um coração no centro, seus olhos começam a brilhar, ela pega o mesmo, e o envolve perante suas mãos, fica olhando para ele, e finalmente, o coloca em seu peito dando um longo suspiro, ela me olha, e diz :
– Foi a Beth e o Ron que me deu de presente no dia das mães . Eu estava passando por um momento difícil em relação ao meu ex-marido, e eles, com um simples presente me tornaram alegre novamente, desde então, levo ele comigo .
[ ... ]
Pov. Sam
O dia foi bastante puxado, mas ocorreu tudo certo, o líder da resistência foi preso e está prestes a morrer, fora aquele garotinho que não serve para nada, amanhã finalmente, os habitantes daqui terão um local mais do que seguro, junto com aquelas vacinas que garantem suas vidas, irei acabar com tudo que aparecer na minha frente, sem dó nem piedade, amanhã uma verdadeira chacina irá começar .
– Weaver ... como está se sentindo ? – Questiono irônico .
– Vá a merda seu filha da puta !! – Exclama ele, gemendo bastante, com seu ferimento visível, e perdendo muito sangue, logo ele morrerá, e matará essa criança ao seu lado, não posso deixar que ele saia impune, afinal, matou um dos meus .
– Vocês ficarão sem a minha presença, tenho que resolver algumas coisas . – Indago, dando um sorriso sarcástico, me viro e andejo em direção a saída do deposito, enquanto eu caminhava, escutei o jovem dizer :
– Weaver .. o que você acha que ele vai fazer ? – Pobre coitado .
Ao chegar no lado de fora, reparo várias pessoas armadas, homens e mulheres, e adolescentes também, precisamos de todas as pessoas possíveis para acabar com aquela bosta da resistência, precisamos matar todos eles, crianças, idosos, todos !
– Preparem-se pessoal ... vamos acabar com a resistência ! Vamos exterminar todos eles, e finalmente .. teremos a cura !!! – Exclamo enquanto escuto os gritos extasiados de todos eles, levantando suas armas, agora, definitivamente, irei mostrar o quanto o apocalipse me mudou .
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