Víctimas Del Pecado
34 Poncho - 19
Ele abriu a porta para o irmão de bom grado pensando realmente que conseguiria o que ele desejava naquele momento, ter a casa de praia dos pais, mesmo vendo a expressão de Alfonso séria sabendo que para seu desejo ser cumprido ele teria que passar pelo irmão mais novo ainda.
:- Vim resolver isso o quanto antes. – Alfonso disse sério ainda e Gonzalo pode ver como ele olhava a casa, ainda tinha pertences de quando o irmão mais novo morava ali, antes de sua prisão.
:- É o que eu também espero. – Gonzalo falou com uma repugnante calma, até Alfonso que estava concentrado em ver sua antiga casa notou como o seu tom de voz exaltava uma confiança total. Mal ele sabia. – Senta, a casa não mudou muito desde que você saiu daqui.
Não por vontade própria. Alfonso pensou depois de sentar, Gonzalo estava tão de bom humor como fazia tempo que ele não o via assim, parece que até o ódio que sentia por ele tinha desaparecido.
Gonzalo também sentou do lado oposto ao de Alfonso, na sala estavam os dois irmãos depois de tanto tempo mesmo que eles não quisessem e se odiassem como verdadeiros inimigos era inevitável não lembrar do passado. Até mesmo Gonzalo que sempre viveu naquela casa com o tempo se acostumou até por que viajava com frequência mais com o irmão ali na sua frente em carne e osso, era impossível não lembrar dos seus pais.
Querendo afastar essa lembrança ele voltou a falar, se sentindo mais lúcido.
:- Aqui esta a procuração para que você me dê minha parte da casa, eu já deixei tudo pronto com meu advogado. – Gonzalo pegou o papel e entregou a Alfonso que mesmo ao pegar sequer olhou para a folha. Encarando o irmão mais novo. – Leia e só basta assinar.
Por que para Gonzalo era simples, era isso, ler e assinar e tudo ficaria resolvido a maior parte da casa era dele se Alfonso assinasse a casa de Acapulco seria dele por fim.
:- Quem disse que seria fácil Gonzalo? Eu não vou assinar. – Alfonso disse e colocou o papel na mesa com segurança do que estava fazendo.
Gonzalo viu o gesto e o encarou com ofensa, era sempre assim ele tinha que querer complicar tudo. Antes que ele protestasse o seu celular tocou e os irmãos juntos encaram o aparelho eletrônico. Demorou até que Gonzalo atendesse, mesmo assim o fez.
:- Alô? – ele perguntou irritado pela atitude do irmão. E Alfonso viu ele mudar de expressão de repente afastou o telefone da boca e olhou para ele. – É uma ligação de trabalho eu vou no meu escritório atender melhor, espero que esse tempo sozinho faça com que você reflita melhor e assine. – Com uma seriedade que Alfonso tinha antes passou para Gonzalo, que se levantou e foi para o seu escritório e como se escutasse o pedido silencioso de Alfonso.
E Gonzalo entrou e fechou a porta.
:- Nem se eu tivesse a vida inteira para pensar não assinaria, caçador.
Alfonso resmungou e começou a agir, deixou sua maleta na mesa e a abriu de lá retirou alguns papéis assim que colocou na mesa ele olhou para a porta que tinha sido fechada, tinha que tomar uma decisão ou tentaria escutar a ligação de Gonzalo e tentar descobrir o que ele não queria que fosse escutado ou faria o que tinha mais vontade.
E assim o fez afrouxou o nó da gravata e se levantou se aquela casa ainda continuava a mesma ele saberia andar ali como ninguém. Buscou sempre assim como desde garoto, andar com leveza fazendo com que seus passos não fossem escutados, passou pela cozinha e pegou um copo o encheu de água. E assim se encaminhou para o verdadeiro destino desejado.
Subiu as escadas e as lembranças ficaram mais fortes ele conseguiria até escutar as voz de seus pais. Foi até o final do corredor e forçou a porta e abriu com cuidado, estava depois de anos novamente no seu antigo quarto.
Que já não era mais o mesmo, negando com a cabeça ele fechou a porta, agora só tinha poeira e obscuridade, assim como o seu passado, ele seguiria novamente para a sala a fim de esperar o irmão, mas viu uma porta aberta e sua curiosidade foi maior. Entrou no que deveria ser o antigo quarto dos pais quando entrou ali o seu olho bateu num lugar em específico.
Isso explicava a calma dele.
Ele não sabia o nome, mas tinha certeza do que era.
Drogas.
Várias delas, Alfonso se aproximou para tentar identificar, porém eram várias delas. Heroína, LCD, Craque eram algumas que ele conseguiu reconhecer e eram das mais antigas, quando ele era adolescente essas drogas já estavam ultrapassadas as outras mais recentes ele não conseguia reconhecer, então o irmão era usuário sentiu por aquele momento nojo de ter no sangue o mesmo que o irmão.
Olhando para trás, pensou rápido e tirou o celular do bolso da calça social e tirou algumas fotos e logo guardou o celular se retirando dali. Com cautela voltou pelo mesmo caminho e notou que Gonzalo ainda não tinha saído, a porta estava fechada ainda chegou no final da escada e esperou escutou o barulho da porta ser aberta e então ele foi até a cozinha novamente.
:- Alfonso? – Gonzalo chamou alto desconfiado. Não teve respostas. – Alfonso? – ele chamou mais alto começando a imaginar onde estaria o irmão quando ele estava decidido a subir.
Poncho saiu da cozinha com o copo de água na mão desde o começo de sua descoberta. Alfonso olhou o irmão ficar apreensivo e ele deu um sorriso fechado.
:- O que foi Gonzalo?
:- Nada. Eu pensei.. – o irmão negou com a cabeça e logo se entregou quando olhou rapidamente para o topo da escada, imaginando se Alfonso tivesse subido ele não tinha trancado o seu quarto.
:- Eu tive sede e você estava demorando para sair, resolvi vir a cozinha.
:- Entendo agora eu já terminei minha ligação vamos terminar logo com isso?! – ele foi até o lugar onde antes estava sentado no sofá.
Alfonso teve vontade rir do irmão, ele estava em suas mãos pensou.
:- Não tem muito o que fazer Gonzalo. Vai ser tudo muito rápido. – Alfonso também voltou para o lugar que antes ele estava sentado. – Como pode ver eu tenho aqui também as minhas artimanhas.
Gonzalo logo estranhou dessa vez quem estava com a segurança nas atitudes era Alfonso.
:- O que é isso?
:- Simples, Gonzalo, talvez não saiba mais eu advogado e fui atrás dos meus direitos.- Alfonso terminou o resto de sua água e pegou um dos papeis. – Aqui, esse é o testamento de nossos pais, aqui diz que quando eles morressem como ficaria os nossos bens distribuídos.
Gonzalo logo fechou a cara com o que Alfonso dizia.
:- Infelizmente eles foram embora cedo, assim também como eu fui preso e você se aproveitou desse afastamento para usufruir de propriedades que eram minhas, como pude notar. – Gonzalo sabia o que ele se referia, ele tinha alugado se não vendidos, claro que na ausência do irmão ele era responsável por tudo. – Esse documento prova que como você abusou até demais da herança de nossos pais, eu ficarei com o resto. – Alfonso sorriu.
:- Mais isso é um absurdo, eu vou perder além da casa de praia em Acapulco como as outras duas também? – Gonzalo perguntou irritado.
:- É o justo, Gonzalo, é o meu direito. Sugiro que você destrua os planos que você tinha para a casa de Acapulco, assim como também as outras duas casas nossas alugadas por que elas são minhas.
:- Você não pode fazer isso!
:- Posso, eu vou fazer, espero que não se oponha por que hoje eu estou de bom humor e não vou abrir um processo contra você pelas ações que você tomou. Ou você quer conhecer a prisão, Gonzalo?
Ambos sabiam que isso era possível bastava Alfonso querer cumprir sua ameaça. Gonzalo sabia também que o irmão faria isso sem olhar para trás, ele não pouparia ainda mais depois do último encontro que tiveram. Não tinha saída para ele, teria não só ceder a casa de Acapulco como também as outras que ele investiu ainda mais em seus negócios particulares.
A família dos homens que se encaravam duramente naquele instante, nunca foi rica, porém tinham alguns bens sobreviviam com algumas propriedades que foram herdadas dos parentes das duas partes da família.
Alfonso tinha a língua coçando para acusar ele de ter sequestrado Nicole, sabia que tinha sido ele. Só poderia ser, tinha o inimigo cara a cara prender o irmão por roubar sua parte da herança era pouco, poderia acusar de sequestro.
:- Não! – Gonzalo disse derrotado e irritado pela derrota para o irmão. – Antes que você tome posse eu tenho que avisar os meus inquilinos do acontecido.
:- Ótimo, depois me mande quando você ganhava de aluguel acredito que ainda é justo você me dar ao menos a metade, por que hoje estou generoso, do que você lucrou a minhas custas. Minha visita como advogado está terminada. – ele se levantou e fechou sua maleta deixando os papeis com o irmão como prova legítima e principalmente legal do que disse.
Alfonso se dirigiu até a porta para ir embora quando abriu a porta ainda escutou Gonzalo dizer.
:- Papai e mamãe teriam vergonha do que você fez agora, Alfonso.
:- Eles teriam além de vergonha e desprezo pelo que você fez, Gonzalo.
Alfonso respondeu na mesma altura dele e por fim saiu, ele precisava entrar em seu carro o quanto antes, não sabia por quanto tempo aguentaria ficar a frente do irmão sem lhe dar uma surra.
‘●’
:- Eu pensei que ele fosse usuário, Maite! – Exclamei para ela indignado.
Andando pela sala da mais nova casa de Maite, quando ela voltou de viagem e eu fui buscá-la no aeroporto me surpreendi quando ela me deu esse endereço. Tinha saído do seu hotel desde que recebeu uma visita indesejada e comprou uma casa logo se mudando para esta.
:- Ele também é Alfonso. – ela me disse desviando o olhar do meu celular quando eu mostrei as fotos para ela somente agora, já que não nos tínhamos nos visto desde que ela viajou.
:- O que você quer dizer com isso?
:- Veja aqui, está vendo esse comprimido rosa solto. – ela deu um zoom e me mostrou de longe mesmo e eu observei. – Essa aqui não é uma droga específica é um disfarce, é conhecida como leveza não só pelo efeito dela, mas ela serve como um corte, você pode usar qualquer droga se usar depois a leveza, ela corta fisicamente o efeito das outras drogas, por exemplo, olhos vermelhos. Mas, internamente ela intensifica.
Depois de sua explicação eu comecei a entender, Gonzalo estava sob o efeito das drogas que usou quando abriu a porta para que eu entrasse, porém não dava para notar fisicamente porque ele tinha ingerido essa.
:- Ela foi criada a mando dos traficantes que são usuários também, ela tem uma eficácia maior para aqueles que não se tornam viciados assim além de vender também pode usar.
:- O que é o caso do Gonzalo. – conclui revoltado comigo mesmo por não perceber algo assim antes.
Quando eu era criança ficava com muita raiva quando Gonzalo se trancava em seu quarto, ele tinha fechadura potente e até cadeado desde sempre o único lugar que ele fazia questão de arrumar era apenas o seu quarto, só entravam ali quem ele permitia e sempre com ele presente.
Uma vez enquanto ele tomava banho eu roubei a chave do cadeado de seu quarto e entrei lá. Era um quarto estranho, porém bem organizado, tinha uma decoração com o tema de alienígenas, espaço e planetas. Tinha uma caixa grande e estranha quando me aproximei para tentar abrir vi que não só tinha cadeado como correntes de ferro em volta.
Não tive tempo de fazer nada Gonzalo voltou do banho e me pegou ali, eu tomei uma surra dele por ser menor e meus pais não estarem em casa. Depois disso ele trocou o cadeado, nunca mais se descuidou da chave e ainda colocou uma espécie de código num alarme. Mamãe no começo estranhava essas atitudes dele, mas ela tinha mais livre acesso.
Eu tenho certeza que desde que ele ficou adolescente alegando privacidade se reforçou em seu quarto e ali naquela caixa guardava as drogas para consumir e traficar.
:- Eles são parceiros, Alfonso. – Maite disse me fazendo voltar a realidade. – Rodrigo e Gonzalo são parceiros, são traficantes de drogas.
Foi isso que ela descobriu em sua viagem a Mérida. Maite tinha certos negócios com um traficante, ele fornecia alguns homens para Maite, ela nunca foi traficante apesar das ofertas, mas esta conhecia esse meio. Algum tempo atrás Rodrigo foi atrás dela e a ameaçou, ele acreditava que ela trabalhava para o inimigo dele também traficante. Maite não deixou por menos não ligou para a ameaça como foi investigar Rodrigo.
Eu sempre soube que ele não prestava, isso explicava ele ser tão popular, ele promover as festas na Universidade, ele viajar tanto. Era traficante.
:- E ainda tem mais, Gonzalo é procurado pela polícia de Mérida.
:- Meu irmão é foragido?
:- Sim.
Eu tinha que conversar com Dalton para comprovar aquela informação, tinha que saber como usá-la. Como é que algo tão grande estava escondido debaixo do meu nariz há tanto tempo?
:- O que eu quero descobrir agora é como Gonzalo e Rodrigo se conhecem. – eu disse sentando perto dela.
:- Não apenas isso Poncho, só descobrimos o segredo principal. Se eles se conhecem, Gonzalo mentiu para você, ele deveria conhecer seus amigos na época da Universidade, também até Felipe.
:- Temos que descobrir algo ainda, Gonzalo é o caçador, Maite teria ele algo com a morte de Felipe? Rodrigo o ajudou? Por quê? – perguntei em voz alta ao me lembrar de algo importante. – Acabo de me lembrar que Rodrigo conversava muito com Laura, talvez ele fosse o verdadeiro traficante e ela fosse apenas uma usuária.
:- Não tenha dúvida que eles têm alguma ligação, quem sabe até na morte dela. – ela disse.
:- Tudo começa a ficar mais claro quando você sabe da verdade, agora eu tenho como dar razão a várias coisas estranhas que presenciei no passado e que eu não me importei por que não faziam sentido. Eu tinha uma visão muito fechada.
:- Não só Rodrigo, mas Gonzalo é um mistério para mim.
Ela tinha razão, nós só tínhamos descoberto uma pista muito forte, mas tínhamos encontrado mais mistérios e segredos que precisavam ser revelados. A morte de Felipe escondia atrás de si muitas surpresas, boas ou más.
E tudo tinha que ser revelado.
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