Víctimas Del Pecado
21 Poncho - 12
Poncho
:- Ninguém vai me alcançar!!! – dito isso o garoto com os olhos cópias perfeitas dos da mãe, saiu em disparada correndo pela casa.
:- Enzo cuidado não vá quebrar nada. – Angelique falou com o menino, mas sabia que ele não lhe daria ouvidos e no meio da sala de estar parou e olhou para trás o vendo parado próximo a porta. Sério, mantendo uma postura formal que ela muitas vezes presenciou. – Poncho, o que faz aí? Entre!
Ele fez o que ela pediu, entretanto deu uma olhada pelo cômodo guardando todos os detalhes, estava certo do que faria e ainda assim o faria. E não foi o riso do seu filho que vinha do quarto dele que o impediria disso.
Involuntariamente ela o olhou debaixo para cima, sapatos sociais marrons, calça jeans mais justa não ao ponto de incomodar, cinto preto, camisa cinza também social cinza azulada dentro da calça, para finalizar os cachos estavam sobre a testa dele. Apertou os olhos se censurando, ela não podia desejar ele. Simplesmente estava proibida.
:- Ainda parece estranho estar aqui? – perguntou tentando desviar seus pensamentos.
:- Sim para falar a verdade. – ele disse antes de sentar no sofá estofado dela. – Angelique, você tem vodka?
Ela estranhou a pergunta e logo ficou em alerta, álcool ele e ela juntos, isso não seria certo. Por isso hesitou em negar por que ela tinha em realidade.
:- Eu preciso ao menos molhar a boca com alguma bebida alcoólica. – ele disse a encarando notando que ela estava na dúvida em dizer a verdade a ele ou não.
:- Certo, eu vou pegar para você e aproveito para ver Enzo em seu quarto. – ela finalmente se decidiu.
Saiu o deixando na sala de estar sozinho e foi para a cozinha pegar alguma bebida para os dois, decidiu que não faria tão mal tomar algo junto com ele, estavam na presença do filho. Ele não tentaria nada. Era surreal ver Alfonso em sua casa, pensava nisso enquanto colocava as bebidas nos copos. Assim que colocou o líquido razoavelmente para satisfazer à sede alcoólica de ambos, ela parou no balcão americano e se apoiou respirando pesadamente e pedindo que não cometesse nenhuma besteira.
Mesmo que agora estivesse solteira, aquele homem lhe jurou vingança milhares de vezes. Não importava se tinham um filho juntos, não importava que ele estivesse terrivelmente irresistível aquele dia. Ou ao menos não deveria importar.
Balançou a cabeça tinha que ver como estava Enzo, tudo estava quieto demais.
Pegou a garrafa e os copos e numa bandeja os levou até o quarto onde encontrou Enzo brincando no chão com seu carro de bombeiro, ele fazia o som da sirene e possivelmente imaginava estar a caminho de um incêndio.
:- Enzo? – ela o chamou e logo ele levantou a cabeça, como sempre quando a mãe o chamava. – Vamos para sala, Alfonso veio para te ver e você fica apenas no seu quarto?
:- Ele vai brincar comigo? – o menino perguntou.
:- Claro. Peça a ele e leve seus brinquedos. – ela sorriu para ele que ficou animado com a ideia de brincar com alguém além da mãe dele e especialmente do sexo masculino, assim como ele.
Ela o esperou e quando chegaram na sala, Alfonso não estava mais sentado no sofá e sim numa varanda que dava acesso ao pequeno jardim, estava fumando descontroladamente. Ele viu quando dos dois chegaram e colocou apenas a cabeça dentro da casa.
:- Me desculpe, eu estou nervoso, preciso fumar nessas horas. Não queria deixar esse cheiro dentro de casa por conta do garoto. – Angelique assentiu colocando a bandeja na mesa de centro, gostava da maneira que Alfonso se portava com Enzo.
:- Alfonso. – o garoto chamou o homem ainda tímido. E logo Poncho apagou o seu cigarro e entrou novamente em casa.
:- Sim, Enzo.
:- Você quer brincar comigo?
Foi a primeira vez que Alfonso sorriu desde que entrou e Angelique reparou nisso até as rugas nos cantos dos olhos desapareceram, quando ele respondeu aquela pergunta descabida.
:- Eu vim até aqui para isso. Vai lá no seu quarto e traz seus melhores brinquedos cara. – ele se ajoelhou na frente do garoto agora sorrindo fechado.
:- Legal! – Enzo ficou feliz com o ganho de um novo companheiro e foi correndo para o quarto.
:- Aqui está! – Angelique chamou a atenção de Poncho lhe entregando a bebida que ele tanto queria. Só deu tempo dele tomar um longo e forte gole da bebida por que Enzo chegou com vários de seus brinquedos prediletos para brincarem juntos.
Assim se passaram duas horas, até que os brinquedos ficarem espalhados por diversos cantos daquela sala, até Enzo ficar completamente cansado e se deitar no colo da mãe e cair num sono profundo. Poncho e Angelique conversavam sobre o pequeno.
:- Ele desmaia assim sempre ou só das vezes que eu venho ver ele? – Poncho perguntou terminando seu copo e assim também a garrafa. Angelique não fez por menos, foi acompanhando ele em cada copo até tudo acabar literalmente.
:- Ele fica exausto mesmo quando tem alguém para brincar com ele, especialmente quando alguém tem a mesma energia como ele. Tipo, você. – ela revelou já sorrindo por tudo. Era o efeito da bebida.
Poncho devolveu o sorriso e se levantou.
:- Dá-me ele vou colocá-lo na cama. – ela não queria deixar, mas se lembrou do quanto bebeu e deixou que ele fizesse o trabalho duro, por que ela não conseguiria.
Quando ele voltou ela estava encostada no sofá de olhos fechados e risonha e ele sentou agora mais próximo dela com um sorriso torto.
:- Você não sente falta?
:- Do que? – ela perguntou ainda de olhos fechados e sentindo seu coração bater mais rápido, levemente mais rápido, provando que ele por perto ela deveria ficar alerta. Só que ela não conseguia se afastar não tinha forças.
:- Do passado?!
Só então ela abriu os olhos e ele estava perto demais, e agora estava mais relaxado a camisa estava com botões aberto expondo o que ele tem por dentro, as mangas longas estavam dobradas e o cabelo estava teimosamente grudado em sua testa, ela sentia vontade de tira-lo dali.
:- Ás vezes sim. – ela abriu melhor os olhos e se ajeitou em seu lugar, no ato, seu corpo roçou no dele, estava ainda mais perto e ela sequer notou ele se aproximando tanto.
:- Assim como eu, sente que essa falta é ainda mais nesses momentos. Digo, quando estamos com Enzo.
:- Claro que sim. – ela estava sendo sincera porque via uma franqueza nele ou estava sendo convincente demais.
:- Posso te confessar algo?! – perguntou numa voz baixa ela teve que se aproximar dele para escutar.
:- Sim.
:- São nesses momentos que eu imagino como seria a vida, se alguns fatos não tivessem acontecido, se algumas coisas não tivessem passado, talvez agora estaríamos aqui.
Ela ficou sem entender o final do que ele quis dizer, tanto que juntou as sobrancelhas perguntando silenciosamente o significado do que ele acabou de falar.
:- Estaríamos aqui e casados. – ele explicou e ela não disse nada, não tinha o que dizer ficaram se encarando em silêncio, envoltos num passado ou talvez num futuro mesmo que esse não existisse. Até que ela levantou sua mão e tirou aquele cabelo grudado na testa dele. A estava incomodando.
Ele tomou sua mão e encarou seus olhos antes de dizer.
:- Você sente tanta vontade de me beijar quando eu sinto? – ele perguntou com a voz ainda baixa, sabendo que ela estava mais caída naquele jogo de sedução do que fora.
Não seria como antes, quando ele tentou e ela o recusou sem piedade e mesmo quando ele forçava a barra ela o punia como podia, tinha perdido as contas das vezes que seus dedos estalaram na face dele. Só que agora não conseguia pensar com clareza.
Ele não deixou ela responder e logo a beijou sem deixar que nada o atrapalhasse, tomou um punhado de seu cabelo deixando seu rosto à vista e ela gostou, estava carente há muito tempo não recebia um carinho assim, algo mais violento era verdade, mas ainda assim carinho.
Poncho foi levando o beijo para algo mais rápido, foi puxando ela para que sentasse em seu colo e ela foi prontamente completamente envolvida por ele, uma perna de um lado e a outro do outro sem deixar de beijá-lo, ele por sua vez foi levantando sua blusa e logo ela estava de sutiã em sua frente ele deixou sua boca para provar seu colo e logo distinguiu a diferença era silicone. Mas, isso não importava tanto para ele.
Suas mãos foram para a saia dela numa busca cega.
:- Do lado. – Angelique disse sentindo Poncho agir. — A saia abri do lado.
Poncho logo enviou suas mãos para onde ela indicava e abriu a saia até deixar ela totalmente submissa a ele, pegou todo o cabelo de Angelique e conseguiu juntar no alto da cabeça fazendo um falso coque, enquanto ela beijava seu pescoço e abria mais sua camisa, quando o seu cinto estava aberto e seu zíper estava abaixado ele soube que tudo começaria a ficar mais divertido a parti dali.
:- Talvez não seja melhor irmos para o meu quarto? – Angelique até tentou só que nem ela mesma sairia daquele sofá naquele instante. Ele ainda tinha o mesmo gosto a mesma firmeza.
:- Não, eu quero aqui. – disse apertando suas costas.
Nenhum dos dois souberam dizer quanto durou a verdade era que isso não importava por que os dois estavam preocupados em algo mais importante, Angelique na volta do prazer que a tanto tempo não tinha e Poncho em fazer o seu plano dar certo. Ele a deixou de lado no sofá com um rosto sem expressão, talvez se desse conta do que acabou de fazer.
Ela se igualou a Eugênio naquele momento. Poncho sorriu enquanto arrumava as suas roupas e buscava seu calçado e sua camisa, dizer que ela não aproveitou seria uma grande mentira.
:- Poncho, quer dizer, Alfonso. – Angelique agora lúcida se sentou no sofá também colocando suas roupas, se sentia envergonhada de repente.
:- O que? – ele disse enquanto tranquilamente seu sapatos.
:- Isso foi errado, não deveria ter acontecido, estávamos bêbados e... Por Deus o que eu acabei de fazer? – ela pareceria falar consigo mesmo e isso levava Alfonso ao riso.
:- Foi bom para você Angelique? – ele perguntou se levantando e ela imediatamente reconheceu o Poncho ruim, não era o mesmo que brincava com seu filho horas antes. – Espero que tenha aproveitado por que infelizmente para o meu desagrado não vai se repetir. – ele fez uma expressão falsamente triste.
Angelique temeu por que estava por vir.
:- Sabe de uma coisa, acho que essa foi a primeira vez que eu vou poder rever eu fazendo uma mulher chegando ao ápice por mim. – ele sorriu maligno para ela, foi andando com uma caixa pequena nas mãos em três pontos da sala e tirou alguns pontos pretos das paredes. Só seriam vistas se focássemos bem, por que era muito discreto.
Ele veio até Angelique depois da última e mostrou para ela. Que não sabia o que sentia naquele instante, raiva, decepção, medo, vergonha. Ele gravou tudo, tinha tudo planejado desde o momento sozinho quando instalou rapidamente as câmeras, até a gentileza como deixar ela a mercê dele. Usou o filho para deixar ela de baixa guarda tudo para... Destruí-la.
Ela engoliu saliva lentamente.
:- Como você pode?
Poncho apenas olhou para ela rindo, se lembrou da vez que tinha prometido a Dulce que faria Angelique sofrer e acabaria esse envolvimento dos dois, ele só não pensava que seria tão saboroso, por mais que ela tivesse juntamente com Enzo lhe trazendo de volta a humanidade, trazendo o antigo Poncho à tona ele percebeu que se fosse para ter a Dulce para si. Ficaria como era.
:- Na verdade, eu não precisei planejar muito, tive a ideia a preparei e fiz. – ele deu os ombros ignorando as reações que via Angelique se manifestarem, sabia que logo ela surtaria quando se desse conta da gravidade de tudo. – Você acha que Eugênio ficara mais afetado quando ver as imagens minhas brincando com Enzo ou de nós dois transando? – perguntou fingindo inocência provocando Angelique.
Que logo levantou furiosa e ainda assim soltando algumas lágrimas, nunca se sentiu tão humilhada como agora, nunca sentiu seu ódio por ele tão grande.
:- EU CONFIEI EM VOCÊ! POR DEUS EU DEIXEI VOCÊ SE APROXIMAR DO MEU FILHO E VOCÊ ME TRAI!– ela gritava com ele, sem se importar com o menino que dormia no quarto, bateu em seu peito com suas mãos. Poncho só tomou o cuidado de guardar as câmeras e coloca-las no bolso. – Você não sabe o quanto está me ferindo agora, Alfonso, o quanto eu estou te odiando agora. Você não podia fazer isso comigo, me machucar dessa forma.
:- CALA A BOCA! – ele disse firme e alto segurando ela pelos braços. – Você mais do que ninguém sabe que isso é pouco! Pouco. – disse violento apertando ela. – Não se aproxima da traição que você me fez, do quanto você me machucou. Não se faça de sonsa Angelique, a pouco tempo estava me pedindo por mais.
Ela quis soltar daqueles braços dele, estava se sentindo cada vez pior, mas ele não deixou.
:- Isso mesmo se lembra de momentos atrás, você estava pedindo por mais. – ele falava bem próximo a ela. – E eu vou te dar Angelique, eu vou te dar.
Ele a ameaçou e a soltou, estava claro para ambos que ele se referia a vingança. Nada, absolutamente nada faria com que ele parasse. Foi andando até a porta para ir embora quando ela o parou.
:- Nunca mais se aproxime de Enzo. – escutou um tom sombrio e soube de alguma forma aquela era a verdadeira Angelique, essa que se escondia atrás da gentil e frágil mulher, quando mexiam com aqueles que ela a amava. A implacável mulher acordava e ele estava louco para colocá-la em seu devido lugar.
Desde quando pisou naquela casa, que até refletiu se colocaria mesmo aquele plano em prática, ele soube que agora que cumpriu com sua palavra e tudo estava feito, sabia que perdeu também Enzo.
‘●’
O barulho da porta se abrindo soou e foi como se sinos estivessem badalando na minha cabeça. Abri os olhos contra a vontade, estava com uma terrível dor de cabeça, o dia tinha sido cheio. Quando vi que as portas do elevador se fechariam, desgrudei da parede no fundo do elevador e sai dele.
Me arrependi por que só lá fora vi que não estava no meu andar. Porra! O elevador já tinha ido embora.
Talvez fosse melhor eu ir de escada mesmo, não me custaria nada, a não ser aumentar minha dor de cabeça. Essa mesma que me fez sair da festa que estava rolando no terceiro andar, custo foi sair de lá sem nenhuma mulher para eu passar o resto da noite, mas preferi assim. Do jeito que estou eu provavelmente broxaria ou dormiria antes de conseguir desabotoar qualquer peça de roupa.
Por um momento pensei em ir para o quarto de Dulce, já que por ela eu esqueceria minha dor de cabeça, mas me lembrei que ela não me queria em seu quarto por que saiu para alguma balada. Revirei os olhos, isso estava ficando cada vez mais frequente, poderia também ligar para Maite, mas saberia que ela me recusaria como desde que firmou parceria com Dulce anda fazendo. Numa espécie de fidelidade ao pacto, não sei por que me envolvo com mulheres assim.
Eu tinha que me conformar com a ideia de chegar no meu quarto tomar um banho, remédio para dor de cabeça e dormir.
Quando estava me aproximando das escadas senti alguém me puxar e me encurralar na parede brutalmente. Não dei tempo dessa pessoa achar que tinha me dominado, dei um cotovelada em sua barriga e quando senti que quem quer se fosse se abaixou a empurrei para trás, com o ante braço segurei pelo pescoço. Assim eu pude reconhecer quem era.
:- De longe eu pensei que você estivesse tão bêbado que não teria uma reação como essa. – disse com dificuldade por conta de seu pescoço esta sendo prensado pelo meu ante braço, então eu o abaixei liberando o ar. – Seus reflexos estão ótimos.
:- Dalton! – disse surpreso por ver ele no mesmo hotel que eu.
:- Poncho! – ela riu enquanto passou uma mão no pescoço. – Também é bom rever você.
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