Dulce

Fiquei de costas para a minha mesa e para ela, ficando de frente para a janela vendo minha vista contando o que tinha acontecido ontem.

:- Você teve sorte. – ela comentou com ares de riso, imaginando o que teria acontecido se Eugênio não tivesse cancelado nosso encontro. A tragédia que surgiria.

Eu tinha combinado de me encontrar com Eugênio numa casa de shows, tudo estava ao meu favor, Poncho também sairia para algum lugar que não quis me dizer e Eugênio estava disposto a me ver. Até que tudo mudou, quando estava na casa de show escutando alguma banda do momento, me surpreendi ao ver Poncho ali.

Claro que ele também me reconheceu mesmo com todas as pessoas que estavam ali presentes, estava acompanhado de alguns funcionários que trabalhavam com a gente parece que eles estavam ali por que era o aniversário de alguém. Teve um momento que Poncho me encurralou na parede e claro que desviei ele de qualquer suspeita. Eugênio logo em seguida cancelou nosso encontro em cima da hora, minha raiva sequer veio por ele fazer isso. Desde que ficasse bem longe de Poncho tudo bem, afinal de contas eu não sei o que ele seria capaz de fazer quando descobrisse que eu tenho encontros com Eugênio ainda.

Acabei ficando ali na casa de show acompanhada de Poncho e do grupo da agência, hoje de manhã contava toda essa história toda para Maite.

:- Enfim, então vocês estão às boas novas de novo?

:- Estamos. – dei os ombros quando voltei minha cadeira para frente, olhando para ela. Por que será da pergunta, será que Poncho voltou a frequentar o quarto de hotel dela? Pensei sem me conter o que eu tinha com aquilo? Tanto Poncho quanto Maite poderia fazer o que quisesse da vida deles, não poderia interferir em nada.

Olhei para ela saindo do meu mundo, ela estava estranhando eu ficar tão distante de repente.

:- Você tem certeza? – ela me perguntou.

:- Sim. – respondi com minha língua coçando para perguntar se eles também voltaram ao caso deles.

:- Ok, antes que eu vá embora, tenho uma notícia para você. – ela mexeu no cabelo enquanto falava. – Eu soube de boatos que certas pessoas estão sofrendo muito em sua nova vida, eu tive até pena.

Ela só poderia está falando de Jorge e os outros sequestradores, tive vontade de rir, acho que pena Maite havia riscado da lista de seus sentimentos, porém aquela sim era uma notícia boa. Ótima, eu já tinha ganhado meu dia ao saber disso, bem que Poncho me disse que estava garantido que eles seriam brindados com um tratamento especial para novatos.

:- A que se faz, a que se paga. – eu falei juntando alguns papeis eu tinha que ir à sala de Poncho.

:- Bem, agora eu devo ir tenho que pensar como vou me infiltrar na Universidade.

Parei o que estava fazendo e a encarei o que Maite queria com isso, eu não confiava plenamente nela. Se ela se aproximasse de Eugênio, se veria comigo. Ela também me encarou e o ar ficou por um momento pesado até ela sorrir como se tudo fosse engraçado.

:- Eu sei o que estou fazendo. – afirmou segura de si.

:- Espero que saiba mesmo. – voltei a arrumar minha papelada, me punindo por ter chamado ela para vir até aqui, me arrependi. – Você não estava de saída?

Ela arregalou os olhos por um momento e depois soltou um riso na procura de sua bolsa, estava de saída mesmo.

:- Não precisa me expulsar da sua sala. – se levantou.

:- Não estou expulsando, também vou sair, tenho que conversar com Poncho sobre nossos próximos projetos.

:- Sendo assim, aceito sua oferta de me levar até o elevador e finalmente ir embora.

Não adianta Maite sempre foi e sempre será abusada, eu concordei qualquer coisa para não ter mais ela na minha vista. Assim que saímos da minha sala depois que eu peguei os meus papéis para minha conversa com Poncho, pegamos Joana falando alto no telefone como se estivesse na sala de sua casa.

:- Não, hoje ele está melhor do que ontem, amiga. Ele está de xadrez apenas e a camisa está dentro do seu jeans, jeans esse que...

:- Joana? – eu a chamei em alto bom som, num tom de desagrado não só com a cena que eu presenciava e por quem a protagonizava.

Estava mais que óbvio que ela falava de Poncho, sua conduta era inadmissível, porém como hoje estava de bom humor após escutar as boas notícias de Maite, decidi revelar e deixar esse incidente passar, senão seria justa causa na certa.

Joana é claro, tomou um susto pelo meu repreensão ela logo desligou a ligação na cara da pessoa do outro lado da linha e logo voltou a sua postura formal.

:- Sim, senhora Saviñon. – ela abaixou a cabeça envergonhada pelos momentos atrás.

:- Poncho está em sua sala?

Ela levantou a cabeça se surpreendendo com a minha bondade de não comentar sua falta de profissionalismo, tanto que encarou Maite e eu algumas vezes antes de me responder.

:- Sim.

:- Comunique-o que vou a sua sala assim que deixar Maite no elevador, temos uma reunião de última hora, agora mesmo.

:- Sim senhora.

Ela informou Poncho por telefone enquanto eu e Maite caminhávamos em direção do elevador, Maite fazia questão de encarar a secretária divertida com a situação.

:- Mais uma que morre de amores pelo Herrera? – ela perguntou baixo.

:- Você notou?

:- Mais claro que a água. – ela sorriu e o elevador chegou me abraçou e eu estranhei essa atitude até ela falar só para que eu escutasse. – Se eu fosse você tomava cuidado, ás vezes você rejeita Poncho e deixa-o livre para cair nos braços de outra.

:- Não sou dona de ninguém, Maite, Poncho sabe o que faz ou deixa de fazer. – fingi não me importar e ela apenas ignorou o que eu disse.

Se despediu com um aceno e a porta do elevador fechou e eu fiquei aliviada, Maite sabia como ser irritante quando queria, voltei o meu caminho atingindo Joana com um olhar cortante, espero que fique claro para ela, que se eu a pegasse de bate papo novamente, a cabeça dela rolaria.

Abri a porta do escritório de Poncho sem bater ele já sabia que seria eu. Eu parei na porta depois que a fechei e tranquei, notando a diferença, ele estava com o cabelo arrumado com todo para trás com gel e tudo mais, estava de xadrez com a camisa aberta com as mangas dobradas, abusando de um ar despojado, Joana estava terrivelmente certa. Ele estava gostoso e fazia tanto tempo que eu e ele não ficávamos juntos.

Eu odiava admitir mesmo antes, mas agora aqui somente para mim. Eu estava morrendo de saudades dele.

:- O que foi? – escutei sua voz, só então percebi que ele tinha a cabeça levantada e me questionava.

:- Nada. – balancei a cabeça, caminhando até a cadeira em frente a ele, colocando os meus papéis em sua mesa. – Precisamos discutir isso os próximos projetos.

Ele colocou a não fechada na boca suspirando, prevendo que teríamos muito o que discutir e decidir, muito trabalho a frente. Logo ele que tinha ido a uma reunião com justamente de trabalho com clientes australianos.

:- Tem que ser agora?

:- O mais rápido assim fechamos nossa agenda e começamos a focar em cada projeto com mais segurança, fazer o planejamento de cada um deles.

:- Você tem razão, posso parar um pouco o que estou fazendo, isso é mais importante. – ele se afastou do computador e começou a olhar os projetos que eu trouxe a ele. – Você encontrou com Emiliano hoje?

Emiliano, nosso gerente financeiro, que fez aniversário ontem.

:- Não porque?

:- Por nada, depois ele vai te encontrar e falar pessoalmente. – ele me olhou sabendo que eu tinha uma sobrancelha levantada, já esperando para saber o que ele queria falar. – Falar pessoalmente que ele gostou da sua presença ontem no aniversário.

:- Isso ele me disse ontem mesmo quando nos despedimos, pensei que ele fosse mais chato por lidar com números, mas até que sabe contar piadas descontraídas, faltam ser engraçadas.

Eu impliquei com ele fazendo Poncho soltar um sorriso, eu gostava de ser muito exigente dos profissionais que trabalhavam conosco na agência, não é a toa que somos os melhores no que fazemos, Poncho mesmo exigente sabia como ser simpático desde a faxineira até os gerentes, mesmo secretárias me lembrei de Joana e o quanto ela era apaixonada por ele.

:- Que bom que se divertiu ontem, pelo menos superou sua amiga ter te deixado na mão.

:- Exatamente, tudo bem que não esperava muito dela, já que conheci no hotel e além do mais é daquelas jovens que só quer diversão e não saber de nada com nada.

:- Como você antes. – ele me alfinetou.

:- Isso. – também não deixei barato.

:- Ontem eu recebi uma notificação do asilo onde Giovanni está. – comentei me lembrando da carta que me entregaram na agência.

Num dia mostrando quando Maite e eu estávamos conversando Poncho escutou que eu fui visitar senhor italiano, Giovanni, eu saberia que se negasse esse fato, Poncho saberia que estava mentindo então contei a verdade. Fui visitá-lo. E contei a Poncho o que ele já sabia, Giovanni disse que Angelique não é o que diz ser.

Ele repetiu o que Poncho e eu já sabíamos, mas eu tinha a consciência que Giovanni ainda seria de muita utilidade.

:- O que dizia?

:- Parece que jovens empreendedores querem o terreno para abrir um negócio novo, estão indecisos ainda sobre uma produtora de vídeos ou estúdio de fotografia.

Poncho negou com a cabeça sorrindo, aqueles jovens empreendedores éramos nós, eu tive essa ideia faz um tempo somente agora ela estava se concretizando, Poncho aceitou além de expandir nossa agência que está crescendo a cada dia um certo pai de uma das nossas inimigas estava na história.

:- Como eu fui à única a visitá-lo, então entraram em contato comigo. Como eu tenho um generoso coração decidi ajudar o senhor Giovanni já que ele sempre foi simpático comigo desde quando era amiga de sua filha, me certifiquei que anonimamente eu contribuiria financeiramente para que ele fosse transferido para o melhor asilo da cidade.

:- Dulce você não tem jeito. – ele riu olhando para a papelada que tínhamos pela frente.

Depois de quase uma hora tendo uma conversa descontraída conseguimos adiantar o nosso trabalho e eleger quais serão nossos próximos projetos autorizados e futuramente produzidos. Ele agora estava organizando por alguma metodologia sua que eu preferia descobrir depois, por que o que não saia da minha cabeça era a diferença do homem que estava na minha frente para o homem que dormiu comigo na casa de Ceci.

Pareciam totalmente distintos, Poncho que estava na minha frente não negaria o que eu teria proposto, mesmo que algumas vezes Poncho agisse muito estranho por motivos desconhecidos para mim.

:- Quer jogar? – ele perguntou sabendo que eu estava o encarando, sem hesitar, colocou a última pasta de lado e tudo estava organizado.

:- O que? – perguntei por que ele tinha essa mania de começar sem mais nem menos um jogo.

:- Mentaliza com os olhos fechados o que você mais quer fazer agora. – ele falou me olhando apoiado na mesa.

Eu fiz o que ele pediu, fechei meus olhos e mentalizei algo que eu queria muito naquele momento, senão o jogo não teria graça. Nem que eu negasse, seria algo relacionado a ele, ainda mais com o seu cheiro e sua voz me atingindo como fazia aquele momento.

:- Agora faça o que você está imaginando.

Cachorro. Pensei apertando meus olhos antes mesmo de fazer o que eu estava pensando, ele já sabia o que era, começou o jogo sabendo que ganharia. Eu abri meus olhos e me levantei da cadeira e também me apoiando na mesa, encostei meus lábios nos dele.

:- Eu duvido que você só tenha mentalizado isso. – me desafiou. – Aposto que quando você entrou por aquela porta e a trancou você queria fazer isso.

Me puxou para voltar como eu estava e dessa vez me deu um beijo de verdade do jeito que eu tinha imaginado e que ele também. Assim como os outros jogos que Poncho inventa tudo começava e logo incendiava como agora, quando fui me dar conta, estava do outro lado na mesa em seu colo, nos beijando.

Abracei o seu corpo desci minhas mãos para a camisa xadrez que estava dentro de sua calça, enquanto eu puxava o xadrez amassado para fora ele puxou o meu rosto mais bruto com uma mão e com a outra amassava o meu cabelo de um jeito que eu gostava, fiz o mesmo com seu cabelo dando um puxão mais forte e agindo mais no beijo que dávamos, agora que eu tinha livre acesso por debaixo do xadrez.

Mas, antes de qualquer ação minha ou dele escutamos nossa interrupção.

Um toque violento na porta.

Fizemos parar o beijo.

:- Quem é? – perguntei, me ajeitando no colo dele, se fosse Joana eu demitiria ela agora.

:- Sou eu Angelique, quero falar com você agora. – Escutei a voz do outro lado da porta, me levantei do colo de Poncho, surpresa com aquela visita indesejada e inesperada, Poncho me deu um tapa na bunda que me fez sorrir para ele.

Estava muito mais gostoso desde quando eu entrei em sua sala.

:- Gostosa. – ele sussurrou e depois mordeu os lábios.

Quase me fez ignorar quem estava batendo na porta e voltar para o seu colo, mas eu fiz melhor por que minha alto estima se elevou, ele me elogiando enquanto Angelique seu ex-caso estava lá fora, ele sabia que estava com a mulher certa. Por isso aumentei o meu sorriso.

E com uma confiança nata minha fui até a porta, joguei meu cabelo sentindo ele bagunçado por conta dos apertos de Poncho, olhei para trás para vê-lo uma última vez antes de abrir a porta, ele ser arrumou na poltrona e arrumou a camisa. Que pena que queria que Angelique nos flagrasse desarrumados numa sala trancados e sozinhos.

:- Ora, ora, ora parece que temos um reencontro de amigos. – Abri a porta para Angelique que entrou voando, demonstrando pessoalmente a irritação que dominava ela, por que as batidas na porta eram irritantes de tão altas.

Olhei rapidamente para a mesa de Joana que estava vazia, ela estava pedindo para ser demitida, anotei isso mentalmente, mesmo que fosse o horário de almoço dela, tinha que ter alguém aqui como responsável senão qualquer vagabunda entra, como esta presente na sala de Poncho.

:- Alfonso? – Perguntou num tom surpreso por ver Poncho ali. Numa sala trancado comigo mesmo que Poncho tenha se arrumado, o efeito foi o mesmo de que ele estivesse todo amassado.

:- O que foi Angelique, para que viu fantasma? Estávamos conversando eu e Dulcinha aqui. Não fique com ciúmes, eu lhe convidei para jantar semana passada e você se recusou. – ele sorriu com auto-suficiente, sabia que ele teve a cara de pau de chamá-la mesmo para sair no mesmo dia que ele cumpriu com o que prometeu para mim. Acabar com o caso dos dois mandando o dvd do vídeo para Eugênio.

:- Eu tenho nojo de você. – Olhou para ele com cara de nojo realmente, cachorra, na hora de usar e abusar não era essa a cara que ela fazia, Poncho ignorando tudo aumentou o sorriso dele e fazendo um parênteses nessa situação, isso o fez ficar mais bonito.

:- Querem um chá, café, talvez algumas bolachas para discutirem a relação? – fui até a maquina de café.

Decidida a tomar um bom e velho café expresso, ao menos ele não teria um gosto tão amargo como a visita de Angelique.

:- Vocês dois se merecem mesmo, como eu não suspeitei antes, claro que devia ser você que estava por trás dessa ação de despejo contra meu pai, o que querem com isso, é apenas um asilo. – deixei de saborear o meu delicioso café para encarar aquela fase dissimulada.

:- Oh, por favor Angelique nos poupe, como se você se preocupasse tanto com seu pai. – Revirei os olhos. – Apenas queremos o terreno, é um lugar perfeito para um novo negócio. Não concorda comigo Alfonso?

:- Claro que sim. – ele apenas balançou a cabeça, me ajudando na tortura a Angelique, que em nossa frente ficava mais horrorizada com o que falamos, com a calma que dizíamos tudo.

:- Vocês não têm coração, para o meu pai irá... – Angelique começou se lamentar. E eu a cortei.

:- Não se preocupe, eu andei conversando com o senhor Geovanni, ele é uma graça ainda. Tão gentil, olhe Angelique que maldade a sua deixar seu pai num asilo e nem visitá-lo, você o faz. Mas, não se preocupe, já cuidei para que ele vá para o melhor asilo da cidade, ele terá uma vida de rei.

:- DULCE, NÃO OUSE SE APROXIMAR DA MINHA FAMILIA, EU TE PROIBO. – Angelique deixou a máscara de lado e exibiu seu lado verdadeiro, explodindo comigo.

:- Quem é você? – Me voltei a ele a questionando, intolerante com aquele mulher que eu tinha na minha frente a secando com um olhar feroz. – Quem você pensa que é, para me proibir de algo? Tem medo do que, Angelique? – me aproximou da rival a olhando nos olhos, poderia ver em seus olhos brotar a raiva por está sendo confrontada, estava recuada. – Tem medo do que Geovanni pode revelar, sobre o passado? Sobre o assassinato.

Antes que acontecesse qualquer movimento ou qualquer palavra fosse dita, Eugênio entrou na sala de Poncho gritando. Mas, o que estava acontecendo com essa agência hoje? Parecia casa da mãe.. Joana! Por pensar nela, quando aquela secretária aparecesse escutaria poucas e boas.

:- DULCE, O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?

:- Dulcinha, não sabia que teríamos um reencontro como esse. – escutei a voz de Poncho, num tom falsamente surpreso, mesmo concentrada em Eugênio. – Se tivéssemos combinado, não teria dado certo. Que alegria.

Eugênio e Angelique, ficaram se olhando, de fato surpreso com a presença um do outro, justamente naquele lugar onde seus declarados inimigos trabalhavam, no caso Poncho e eu que presenciávamos essa cena patética.

:- Oh que lindo, olha a forma como se olham. – Me sentei na mesa de Poncho e voltei a ironizar a cena com o casal, totalmente incomodada pela forma que Eugênio olhava para Angelique, mesmo depois de tudo. – São tão tolos, que foram feitos um para o outro. – juntei minhas mãos e apoiei no meu rosto admirando o casal.

:- Angelique, quanto tempo não nos vemos, eu... – Eugênio ignorou complemente o que eu disse como se fosse surdo e cego por que não olhava outra coisa a não ser Angelique naquela sala, perdeu toda a raiva e falou com ela de um modo gentil.

:- O que faz aqui Eugênio? – ela não tinha a mesma gentileza, para minha alegria ao ver o balde de água gelada que ela deu nele.

:- Eu vim falar com Dulce.

:- Comigo, ora, mais sobre o que teríamos que conversar? – me fingi de sonsa, ignorando o olhar de Poncho em mim. Tentando esquecer que ontem quase nos encontramos.

:- Sobre isso. O que significa isso? – ele veio até onde eu estava sentada e me mostrou um papel, fazendo um sorriso nascer em meus lábios eu saberia que a qualquer momento chegaria, mas não que fosse tão rápido.

Nem cheguei a ler, apenas sorri olhando o papel e devolvendo para ele. Eugênio, estávamos no meio de uma vingança, eu realmente espero que ele não tenha esquecido disso, os orgasmos eram a parte disso tudo.

:- É um papel que me deixa imensamente feliz, e vamos realmente ver se nesse país a verdadeira justiça será feita.

:- Do que estão falando? – Angelique perguntou confusa.

:- O caso do nosso professor foi reaberto, as investigações serão reabertas, Angelique, é uma questão de tempo para você receber o seu ultimato, para ser ouvida. – eu esclareci com um imenso prazer.

:- O caso foi reaberto? – ela perguntou e era visível teve uma reação estranha ao saber disso, qualquer um que a visse no momento notaria isso. A não ser o otário do Eugênio, ele só a via com olhos apaixonados.

:- Sim. – Poncho se levantou da sua poltrona, encarando todos naquela sala, estava sério deixando todas as ironias e sarcasmo de lado. – Parece que agora quem tiver segredos, eles serão revelados. – disse caminhando para a janela e ficou olhando por ela pensativo.

Independente de tudo, do tempo, dos acontecimentos, das situações, das traições, nós quatros que estávamos ali sabíamos da veracidade das palavras de Poncho, ninguém negaria ou poderia fugir disso.

Os segredos de cada um seriam revelados.

‘– ● –’