Vício e Sedução Se Misturam em Paixão
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Ele corria na minha frente me puxando pelo braço por mais ou menos duas quadras até entrarmos em um lugar pequeno, escuro e caindo aos pedaços até que reconheci ser um restaurante.
Estávamos ambos sem fôlego pela corrida. Depois de um tempo recuperando o fôlego Nate puxa a cadeira de uma mesinha no canto e me convida para sentar.
—Quer falar sobre o que acabou de acontecer? –Ele me pergunta com cautela depois de falar com uma garçonete e pedir dois pratos da casa (ninguém falou para ela vir trabalhar com mais roupas?).
Nesse momento as lágrimas não pediram permissão, apenas deixaram meus olhos, estar na presença dele também não colaborou um pingo.
—Okay, deve ser um pouco pessoal demais, eu entendo. –Ele parecia realmente compreender. Assim que nossos pratos chegaram ele me garantiu. –O lugar não é dos melhores, mas a comida é. Você deve estar morrendo de fome.
E com um sorriso amigável e incentivador ele começou a comer, eu engoli o choro e fiz o mesmo, aquela comida era realmente a melhor que já comi na minha vida. Quando acabamos de comer seu telefone tocou. Aparentemente eram seus amigos preocupados.
Terminamos e ele insistiu em pagar. Quando saiamos ele me levou até uma praça deserta e sentamos à sombra de uma árvore e ficamos em silêncio por um tempo. Mas que tempo torturante, meu coração estava tão acelerado.
—Muito obrigada por tudo, de verdade. –Digo para quebrar o silêncio. Ele se aproxima mais, se sentando colado a mim, o que ele queria com aquilo? – Não sei nem como te agradecer.
—Não esquenta sei bem como é isso. – ele puxou seu celular e seu fone de ouvido, colocando uma música, ofereceu um dos fones e aceitei. –Te apresento a melhor música do mundo.
Nunca a tinha ouvido, mas era muito tranquilizadora, não entendia muito de inglês, mas aparentemente era romântica.
—Stop the world I wanna get off with you… -Li baixinho olhando a tela do celular.
Ele começou a falar mais da banda, sua favorita, e assim passamos a tarde ouvindo músicas e falando de gostos musicais, era muito agradável estar com ele, me fazia esquecer todo o resto.
Quando o céu começou a ficar laranja ele me acompanhou até minha casa e foi embora, com seus típicos fones de ouvido pendurados no pescoço.
~**~
No dia seguinte ao chegar à escola estava mais sorridente do que nunca. Motivo? Ele, claro.
Antes de começar a terceira aula daquele dia fui correndo pegar o meu livro que havia esquecido no armário, o corredor estava vazio a não ser por ele.
Quando Nate notou minha presença fechou a porta do seu armário e andou em minha direção, passando reto por mim como se nunca tivesse falado comigo e foi de encontro a uma menina que eu não havia notado antes, abaixei a cabeça para tentar esconder a humilhação e voltei correndo de volta para sala.
O dia terminou sem que eu conseguisse me concentrar em uma palavra de qualquer um. Estava feliz por aquele dia em que passamos a tarde juntos, mas esse ocorrido preencheu minha mente com diversas paranóias.
Alguns dias se passaram e eu não o vi mais, Carly e Allya não paravam de me perguntar sobre ele, coisas que eu também queria saber, mas não fazia ideia de como me aproximar dele.
Foi aí que lembrei sobre sua banda favorita, fiz uma nota mental para procurar seu catálogo de shows assim que possível, estava me matando não falar com ele.
No meio da aula pedi para ir ao banheiro e jogar uma água na cara, pois meu sono já estava me vencendo a essa altura do campeonato. Enquanto me olhava no espelho viajei em pensamentos e quando vi já estava há muito tempo fora da sala. Sequei meu rosto apressadamente e sai do banheiro feminino.
—Olá –Ouvi aquela voz familiar atrás de mim que fez com que todos os pelos do meu corpo se arrepiassem e meu coração acelerasse, parei de andar no mesmo instante- Que coincidência te encontrar aqui.
—P-Pois é, escapando da aula também? – disse me virando em sua direção. Não consigo agir normalmente, me senti sobre pressão, inevitavelmente.
—Pode-se dizer que sim- Nate se aproximou, fazendo com que eu desse um passo para trás, encostando-me à parede, e murmurou algo antes de se inclinar em minha direção e depositar um suave beijo em minha bochecha. –Uma gotinha ia cair — Disse ele ao pé do meu ouvido antes de se afastar um pouco, ficando cara a cara comigo.
Minha respiração não podia estar mais desregulada, minhas pernas estavam fracas, sentia que cairia a qualquer momento e meu coração estava se agonizando no chão. Ao ver meu rosto completamente ruborizado ele sorriu vitorioso.
—Lucy!? –Aquela voz não – Está matando aula para namorar? –Com uma risadinha arrogante Angelina me encarava como se visse um banquete. Angelina e eu já havíamos sido amigas, mas atualmente nos odiávamos.
Nate nos olhava com uma expressão de quem não queria estar no meio, e sinceramente, eu também. Voltando para sala Angelina disse que não falaria nada, mas enfatizou um por enquanto no final da frase que me deu um frio na barriga.
Durante o resto do dia minha bochecha formigava onde ele havia tirado a tal gota. Ao me lembrar daquele momento e dos outros que havia compartilhado com ele me fez pensar que eu não sabia nada sobre ele, para mim ele era uma figura completamente misteriosa a qual mal podia esperar para descobrir mais.
Mas ai morava o problema, como? Allya e Carly não ajudavam em nada com as perguntas e historinhas que inventavam sobre um futuro em que nós dois estivéssemos juntos, tudo aqui fazia com que meu cérebro virasse uma fábrica de estratégias para uma aproximação.
Ao chegar em casa passei pela cozinha e preparei um generoso sanduiche de salada, atum e maionese e subi para meu quarto.
Já não esperava por meus pais, sempre chegavam tarde e quando chegava mal procuravam por um sinal de vida meu, eu era como um cômodo decorativo da casa, o qual eles raramente lembravam-se de visitar.
Abri meu computador e pus no volume máximo o melhor álbum que eu tinha de BMTH e comecei a cantar e dançar, adorava ouvir músicas no último volume, fazia com que eu esquecesse o mundo lá fora, era relaxante.
Meu show foi interrompido com o barulho da mensagem que havia chegado no meu celular, era Ally.
Ally: Você não vai acreditar! Vivian vai dar uma festa sábado.
Não imaginava como ela imaginou que eu fosse gostar, ela sabia que eu não tinha boas experiências com festas, mas a mensagem seguinte prendeu minha atenção.
Ally: Nate confirmou presença.
Ao ler a mensagem dei um pulo direto para meu guarda-roupa procurando algo que eu pudesse usar na tal festa, quando parei para pensar melhor, por que estava tão empolgada? Ele provavelmente vai fingir que eu não existo como fez no outro dia.
Com a cabeça nas nuvens fui dormir, a festa estava a dois dias de acontecer, me reservando mais tempo para decidir se eu realmente queria ir.
~**~
Para minha alegria ou infelicidade já era sábado de manhã, eu não vi os últimos dias passarem e me encontrava em uma guerra interna para decidir se eu iria ou não à droga da festa.
Decidi ligar para Ally, que logo respondeu que viria se arrumar comigo, não me dando escolha.
O dia se passou solitário até a campainha tocar, anunciando Ally que carregava seu guarda-roupa nos ombros.
—Oi, espero não ter exagerado na bagagem. –Disse com um sorriso de orelha a orelha. Incrível como essa garota adorava essas reuniões cafonas.
—Como é possível alguém se animar tanto com a merda de uma festa? — Perguntei abrindo passagem para que entrasse e subimos para o meu quarto.
—Para de reclamar, sei que no fundo você também está ansiosa. — Isso era verdade e eu não admitiria- e ai, o que vai vestir?
Olhei para ela e então para meu armário, fazendo cara de desgosto e me jogando de costas na cama, não fazia ideia.
Ally sorriu e tomou a frente, fazendo com que eu provasse várias roupas, acabamos concordando com uma calça jeans colada e rasgada nos joelhos com detalhes em lantejoulas verdes nas laterais, uma meia arrastão e uma blusa preta com escritos prateados e uma bota tratorada com um salto especialmente grosso.
Ela me ajudou também a fazer uma maquiagem mais pesada e prendendo meu cabelo em coque. Ao olhar no espelho me espantei, estava linda.
Assim que Ally finalizou a maquiagem, Carly parou à minha porta para nos levar para a festa. Estávamos muito arrumadas e lindas, esperava chamar a atenção de Nate, era minha chance de impressioná-lo.
Fale com o autor