Vício M(eu)

8 Capítulo 7 - Eu não preciso de um pai.


Notas iniciais
Gente, deculpaaaaa pela eterna demora, mas minha vida tá uma confusão, tô cheia de coisas, mil compromissos e o tempo para escrever acaba ficando apertado. Bem, mesmo achando que todos os leitores da fic devem ter decidido abandoná-la, aqui estou eu, quero ver se ainda tem alguém! haha Ah, recebi algumas "reclamações" de algumas leitoras que estavam confusas quanto a Emily-Emi, pensei várias vezes em tirar a Emi da história, mas daí pensei outra vez e percebi que a ideia para escrever essa fic surgiu justamente por causa da Emi, é ela que vai justificar o título, é ela que justifica a mensagem que quero passar com tudo isso, então seria meio injusto eu tirá-la. Respondendo os comentários, eu tentei esclarecer o máximo que consegui toda essa questão da Emi, queria agradecer a todas vocês que foram honestas comigo e a todas que comentaram de uma forma geral. Enfim, se ainda tem alguém, boa leitura e nos vemos lá em baixo! (Desculpem os milhares possíveis erros, dei uma revisada, mas foi bem rápida, pois como disse, tô lotada de coisas!)

Capítulo 7 – Eu não preciso de um pai.

O fracasso dói. O fracasso dói como uma estaca de aço sendo fincada no teu crânio, te atravessando até a próxima saída. O que num passado, quase presente, estava me pregando sorrisos meigos, agora, no presente de fato, me finca objetos pontudos. A dor é tamanha que até minhas lágrimas resolvem me abandonar. Elas se atiram a Deus dará e sentem o vento, que a força da gravidade produz, bater contra seus cabelos líquidos e salgados.

Eu tentava parar de pensar em Zack. Eu olhava para John e implorava para ele me ajudar. Contudo, só o que ele fazia era se aninhar em meu colo com o olhar tristonho. Eu já sabia onde tudo aquilo ia parar. É o ciclo natural da vida de qualquer pessoa como eu. É carma, destino e sina. É apenas como tem e deve ser. É minha obrigação eu me apaixonar por alguém popular, ele é meu oposto. E isso não se trata apenas de um ditado popular, é uma lei da física. E quem é petulante o suficiente para desafiar as leis da física? Ah, eu sou.

Se eu me apaixonasse – mais – por Zack, a única coisa que iria acontecer é que eu seria lindamente chutada por ele. Na verdade não, pois eu nunca teria coragem de me declarar, mas com certeza nós íamos nos afastar — se é que temos alguma relação para haver um afastamento – e então nem a sua amizade eu teria.

Olho para os lados a procura de Emi, mas não a encontro. Não sei se é porque ela de fato não está, ou se minhas lágrimas embaçam tanto minha visão que não consigo enxergá-la.

Lembro do jantar de minha mãe, tiro John de meu colo e vou ver a hora, faltava apenas meia hora. Eu não estaria pronta no horário. Ainda fungando vou pro banheiro. Faço tudo ao mesmo tempo, tomando um banho rápido, breve e atrapalhado.

Saio do chuveiro correndo de pés de descalços, mais ou menos enrolada numa toalha qualquer. Apressadamente me dirijo a meu roupeiro, mas no caminho resvalo. Caio meio nua, de bunda na lajota branca de meu quarto. A água empoçada no chão ri de mim. Ela pausa suas risadas para o barulho da campainha se destacar. Encara meu semblante de pavor e volta as suas gargalhadas.

Eu ainda não sabia quem eram os convidados.

Coloco metade de minhas roupas para o chão, até encontra meu vestido. Quando o acho, o arremesso para cima de minha cama. Seco meu cabelo mal e porcamente, o deixando solto por não saber o que fazer. Reparo como meus cachos úmidos caem sobre meus ombros nus. Estranhamente, a imagem que estava aparecendo no espelho a minha frente não me desagravada tanto assim.

Faço o vestido de renda preta que vai até dois dedos acima de meus joelhos com um pequeno decote em “v” envolver o meu corpo. Recorro ao meu precário estojo de maquiagens e um delineador negro e um batom rosa meigo flertam comigo.

Meu traço é fino e estável no olho esquerdo, mas um desastre no direito, o que me faz repetir o ato algumas vezes. O batom pincela meus lábios, os deixando mais vivos. Calço meu salto baixo preto e pelo que parece, estou pronta.

Olho-me no espelho e arregalo os olhos. Naquele momento eu estava bonita, eu achava que estava bonita e aceitava a minha beleza.

Olho para John que está deitado em minha cama, ele me dá coragem para abrir a porta e descer os degraus. Nunca ninguém me viu arrumada. Eu nunca havia me arrumado.

A escada se põe a minha frente e me oferece a sua mão para me ajudar a descê-la. Quanto menos degraus, mais batimentos cardíacos e mais acelerados são os mesmos. Ouço um murmúrio alegre vindo da sala de estar.

Como um fantasma eu cruzo da escada para a cozinha. Meu coração acelera um pouco mais e acho que vou enfartar. Minhas mãos tremem descontroladamente. Pego um copo d’água com o intuito de me acalmar, o líquido salta dentro da louça de vidro devido ao chacoalhar de minhas pequenas mãos.

Tento domá-las, mas o desespero me agarra pelos braços e deixo o copo ir de encontro ao chão. Os caquinhos de vidro dizem suas últimas palavras em gritos agudos, daqueles que perfuram nossos tímpanos e se instalam em nossa mente, ecoando antes de dormirmos.

Minha mãe aparece com uma maquiagem leve e perfeita, um vestido vermelho até os joelhos, decotado em seus seios fartos e em suas costas alinhadas, destacava as suas curvas, nos pés uma sandália preta de um salto que eu jamais usaria. Ela está com uma taça de vinho em sua mão direta, sua postura, parada na porta e sua expressão de pasmada, entregam que ela não está compreendendo o porquê de meus olhos esbugalhados, minha respiração ofegante e os meus braços apoiados para trás, no balcão da pia. Entendo mamãe, eu também não sabia por que eu estava daquele jeito.

–– Emily, –– ela diz com um riso nervoso –– está tudo bem?

–– Está sim mamãe, o copo só escapou de minha mão. –– minha mentira era pipoca e eu tentava acertá-la dentro da boca de minha mãe, mas ela não a engoliu.

–– Ora, então venha. Quero te apresentar duas pessoas. –– ela passa a taça para sua mão esquerda e com a direita me guia até a sala de estar. –– Você está linda. –– ela cochicha ao pé de minha orelha.

A cada passo, mais um batimento, acelerado em câmera lenta, enfatizando o seu impacto a cada vez que ia de encontro à parede de meu peito instável.

Há um homem, meio grisalho, de olhos verdes apagados, de idade próxima a de minha mãe sentado na poltrona, e um garoto, sentando de costas para mim no sofá de três lugares. Ambos estavam formalmente vestidos com um terno negro.

“Eu distraio eles e você corre. Ainda há tempo!” –– nosso conjunto de sofás branco sussurrava para mim. Eu apenas engulo em seco.

–– Rapazes, essa é minha filha mais nova, Emily. –– minha mãe anuncia.

–– Tão linda quanto a mãe, muito prazer, sou Sr. Backer, mas pode me chamar de Dilan. –– o homem aperta minha mão. Então esse que é o Sr. Backer, vulgo chefe de minha mãe, mas por que diabos minha mãe daria um jantar em nossa casa para o seu patrão?

–– O prazer é todo meu. –– as palavras saltam de minha boca sem pedir e eu dou um sorriso simpático.

O garoto se vira bruscamente, sinto meu coração parar.

–– E esse é meu filho, Zack. –– Dilan apresenta o menino. Fico estática. Os olhos de Zack se arregalam.

“Agora não há mais tempo.” –– os sofás falam com um ar de pesar.

–– Nós já nos conhecemos, estudamos na mesma escola. –– ele diz depois de recuperar a si próprio.

Eu dou um leve sorriso de “pois é” e minha mãe e seu pai sorriem exageradamente.

Vinte minutos de conversa, risos e olhares alegres compartilhados entre um certo chefe e uma certa secretária se passam antes de minha mãe declarar que já estava na hora da comida. Suspiro aliviada, por saber que agora teria um prato, para olhar e disfarçar quando Zack e eu resolvermos olharmos um ao outro ao mesmo tempo, antes eu só tinha minhas unhas curtas.

Um silêncio ensurdecedor se estabelece em meio ao mastigar de todos nós. Zack muda de semblante a todo o momento. Algumas vezes me lançando olhares risonhos, em outras está visivelmente espantado e ainda, no espaço de tempo que usa para mudar expressão, assume uma cara de bunda terrível.

–– Bem, eu acho que nós já podemos dar a notícia, o que você acha, querido? –– Sheron fala acariciando a mãe de seu chefe.

Quase engasgo ao perceber a intimidade com que minha mãe trata o Sr. Backer.

–– É, acho que sim. –– ele diz passando levemente o guardanapo em volta de seus lábios.

–– Filha... Zack... nós resolvemos fazer esse jantar hoje, porque eu e Dilan, nós... –– minha mãe começa sua fala

–– Nós estamos assumindo o nosso relacionamento. –– Sr. Backer termina a frase de minha mãe, lançando suas palavras como bombas.

Bombas foram feitas para atingirem a mim, mas dessa vez quem fora atingido era Zack. Ele bate com os punhos fechados na mesa, se levanta e vai embora. Seus olhos castanhos brilham de ódio.

Seu pai entrega um pedido de desculpas mudo a minha mãe e quase faz o mesmo comigo, mas resolve ir atrás de seu filho. Ouço a porta bater uma, duas vezes. O silêncio se estabelece novamente.

Ele chega de fininho, senta-se onde Zack estava sentado e naturalmente, come o que ainda estava no prato.

–– Mãe, o que isso significa? –– pergunto. Honestamente, não estava entendendo nada.

–– Que o filho de Dilan é um descontrolado, talvez.

–– Não estou perguntando da reação de Zack, mas... assumir relacionamento? Como assim? –– faço uma careta ao falar.

–– Eu e Dilan estamos juntos, Emily. Acontece que ele acabou de se divorciar, então achamos melhor esperar um tempo para assumirmos o nosso amor.

–– Você estava namorando escondido? –– levanto da mesa automaticamente. Silêncio assistia a cena como se nem estivesse ali.

–– Emi, calma! –– minha mãe diz. –– Tem mais uma coisa que você precisa saber.

Meu coração acelera. Oh Deus, minha mãe estava grávida. Olho de relance para sua barriga. Não, não podia ser.

–– Dilan nos convidou para ir morarmos com ele, eu aceitei. Já está tudo combinado, vamos na segunda, assim que você chegar da escola.

–– O quê? Como assim, você decide que eu vou ir morar com um cara que eu vi uma vez na vida e nem pergunta minha opinião?

–– Emily, ele é um home bom, honesto e nós nos amamos. Queremos nos casar.

–– Ah, agora só falta você dizer que ganhei um pai! Não quero um pai, não preciso de um pai! Você achou um cara legal e está namorando, tudo bem! Fico feliz pela senhora, mamãe! Mas... você não pode simplesmente jogar tudo assim! E a Anne? Ela já sabe que agora vai ter um “pai”? –– falo fazendo aspas no ar. Minha mãe está com um semblante de pavor.

–– Não, eu ainda não contei a Anne. Emi, não quero que você o chame de pai. Eu sou o seu pai e a sua mãe! Entendeu? Eu apenas quero ser feliz, e quero que minha felicidade seja livre! Livre para ir ao cinema com o homem que eu amo e livre para morar com minha filha e com o homem que amo. Todos na mesma casa, Emily! Nós já estamos juntos há um ano e meio. E antes disso, éramos amigos! Eu o conheço perfeitamente bem e posso garantir que vai ser melhor para nós duas! Apenas, tente não sentir raiva de mim. –– vejo uma lágrima escorrer em seu rosto. Ainda não digeri tudo. Estou confusa. Ela pensa em me abraçar, até começa o gesto, mas parece rever seus atos e segue para o seu quarto. Não digo mais nada.

Silêncio me consola, gritando que está tudo bem. Mas como poderia algo estar bem, se nem uma expressão para vestir eu tenho?

Tiro os sapatos e os deixo jogados no chão, em baixo da mesa de madeira rústica. De pés descalços me dirijo ao meu quarto. Passo reto pelo espelho, não me preocupo em acender a luz, jogo meu corpo em minha cama e ali fico. Sem emitir nenhum som, nenhum pensamento, nenhuma vontade.

Alheio-me de mim mesma. E acho que esqueço até de respirar.

Na segunda-feira eu iria me mudar para a casa de Zack.

Eu sentia que nada poderia mudar esse fato.

E eu não sabia se isso era bom ou ruim.

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Ouço um rangido indicando que a porta de meu quarto estava sendo aberta. Abro os olhos. A luz se acende e invade a minha alma, enxergo manchas roxas e um borrão negro. Ah, é Emi. Ela está com um vestido curto e justo preto, um salto fechado também preto e a sua maquiagem delineador-batom-vermelho, seus cachos loiros se movimentam em minha direção.

–– Emily, está tudo bem? –– ela pergunta se sentando em minha cama. Eu me rastejo, colocando minha cabeça para cima de seu colo, no começo tenho o objetivo de contar tudo a ela, mas conforme sinto o seu cafuné, me conformo em apenas soluçar. –– Meu Deus, pare de chorar, está me assustando!

Tiro minha cabeça de seu colo e sento-me em cima de meus joelhos.

–– Você não pode simplesmente ler meu pensamentos para que eu não tenha que falar nada? –– digo em meio a umas engolidas de choro e soluços.

–– Na verdade, não. Mas posso sentir seus sentimentos e decifrar os seus desejos. –– ela me joga de costas na cama, seus braços voam para as minhas costas, os dois, num belo trabalho em dupla, começam a abrir o zíper de meu vestido.

Agora ela não poderia realmente ver nada do que estava se passando em minha mente, não por não ter tal capacidade, mas porque não havia nada.

Eu estava me sentindo, livre, desprotegida, despudorada e totalmente entregue à Emi.

Totalmente entregue a mim mesma.

Notas finais
Hei, quero fazer um pedido, ok? Vocês bem que poderiam me ajudar a escolher um "mascote" para a escola da Emily, né? E também podem me dizer o que acharam desse capítulo? E principalmente, gostariam que eu continuasse a cena entre Emily e Emi no próximo ou seria melhor "deixar estar"? Me digam, por favor, vou enlouquecer, socorroo!