Utopia
3 Capítulo Três
Notas iniciais
Aquela noite na cama, ela tentava estudar mas não tinha concentração.
Ela pegou o livro da biblioteca, mas ainda não era bom. Ela apenas pensava no estranho de olhos negros.
Ela particularmente não gostava de pensar nele ou em qualquer outro. A maioria das pessoas tende a desapontar depois que você realmente as conhece, e ela tinha ficado desapontada muitas vezes antes.
Ela não sabia muito o que tinha acontecido entre eles; nada importante diria.
E então...
Ela deixou o livro de lado.
Ela olhou a si mesma no espelho e desejou que ela se parecesse diferente do que ela tinha sido naquela manha.
O pai dela bateu na porta: a mãe de Sakura estava no telefone e queria falar com ela.
“Eu estou lendo,” Sakura diz. “Eu ligo para ela depois.”
Sakura decide que ela é diferente. A partir de agora, ela vai colocar o cabelo para o lado esquerdo.
.
Ela é diferente, o que significa que ela não faz as coisas que ela faria em situações como essa.
Ela não voltou à biblioteca no dia seguinte tentando achar ele.
Ele decide dar um tempo. É como ler um livro muito bom – um bom livro você quer ler correndo, mas um livro muito bom você quer ler devagar, se deliciando tentando evitar o momento quando você chega à ultima pagina, sentença, palavra. Ela acredita... Não, ele sabe que ela o verá novamente. Ou ele a veria. Ela apenas tinha de ser paciente.
Ela não perguntou as suas amigas sobre o “garoto novo”, contudo. Se ela falasse sobre ele, as outras tentariam ele e então ele não seria mais dela. Ele não queria compartilhar. Ela queria que ele fosse o segredo dela.
É adorável ter um segredo, ela pensa.
No almoço, Ino, uma das que ela chamava de melhor amiga, disse a Sakura,
“Você parece diferente.”
“É o cabelo,” outra menina disse. “Ela o colocou para esquerda.”
É adorável ter um segredo, Sakura pensa.
Ela decidiu esperar mais três dias antes de voltar à biblioteca.
A Sra. Tsunade entregou um flyer a Sakura enquanto ela passava para a mesa de livros.
“Eu estou começando um clube do livro com as meninas,” ela disse. “Diga aos seus amigos para virem, ok, Sakura?”
Sakura concordou. Ela queria perguntar a Sra Tsunade se ele estava na biblioteca, mas então Sakura se lembrou que ela não sabia o seu nome.
“O primeiro livro vai ser o que eu disse a você, Os Imortais. Eu pensei que talvez fosse legal começar com alguma coisa nova. Agora eu sei que você não é uma garota de “fantasia”, mas como eu disse a você, Sakura, eu li durante todo o fim de semana e eu não consegui parar de ler nem para comer. Eu lia ate enquanto dirigia. É muito bom. E você vai amar o garoto -”
“Sra. Tsunade, eu realmente tenho de ir.”
“Oh, ok, pegue alguns flyers quando você sair, ok?”
Sakura jogou os flyers em sua bolsa e foi para a estante de livros novos. De repente, ela se sentiu nervosa. E se ele não estivesse ali? Ou se ele estivesse ali e não se lembrasse dela? Era muito difícil esquecê-lo quanto nunca mais vê-lo novamente. E porque ela não voltou no dia seguinte? E porque ela esperou três dias e deu a ele todo esse tempo para desaparecer? E porque ela não deu o número dela logo no primeiro dia?
Atrás dos livros, a prateleira estava vazia quando ela chegou. Ela se abaixou e considerou pegar o livro em uma delas. Mas realmente o que ela queria era chorar.
Sou uma idiota, ela pensou.
Você nem sabe o nome dele, ela pensou.
E então, havia mãos em seus ombros.
“Eu quase perdi a esperança,” ele disse. “Eu vim aqui todos os dias depois que nos encontramos.”
Ela se virou e, de repente, ele estava mais bonito que ela se lembrava. Sakura mordeu seus lábios para parar de dar risadinhas — ele parecia maravilhoso, como alguém de fora das histórias.
Ele ofereceu sua mão para ajudá-la.
“Meu nome é Sasuke.”
Eles conversaram o resto do almoço. A principio, era apenas sobre livros, mas a conversa tomou outros rumos, também. Ela se pegou dizendo a ele coisas que ela nunca tinha dito a ninguém. Ela falou sobre a mãe dela.
“Ela deixou meu pai no ano passado. Ela disse que tinha se apaixonado por outro, mas eu não acredito nisso. Eu acho que ela apenas deixou de amar meu pai. Eu acho que é uma espécie de bagunça nos relacionamentos de hoje.” Ele riu.
“Todo mundo bagunça tudo.”
“Mesmo você?”
“Sim, bastante. Eu não tive muitos relacionamentos, se você quiser saber a verdade.”
Ela desejou saber a história dele.
Ela desejou que ele estivesse com ela.
E sem mesmo ela ter perguntado, ele disse a ela,
“Eu estou aqui porque você é a pessoa mais interessante de todo lugar.”
“Eu estou aqui, ao contrário de tudo, porque eu ainda acredito,” ele disse.
Ele não disse no que ele acreditava, e ela não perguntou.
O sinal tocou, e Sakura ficou parada – uma boa garota Pavloviano* 21 para seu código.
21 Ficou meio estranho, mas pelo que compreendi o estudo Pavloviano tem a ver com pensar nas conseqüências para cada ato, principalmente relativo ao medo.
“Eu acredito que se ficarmos bem imóveis, ninguém vai perceber a gente aqui,” ele disse.
Sakura pensa, Ele tem razão. Ninguém nunca me notou antes.
Ele leu a mente dela.
“Eles apenas não olharam o suficientemente perto.”
“Eu sou tão fácil para você ler?” ela perguntou um pouco embaraçada.
“Sim, mas somente porque eu realmente presto muita atenção.”
O sinal continuava tocando, mas desta vez ela se sentou de volta com Sasukee e os livros.
“Eu estou feliz de você ter vindo,” Sakura disse.
“Eu estou feliz, também.”
Ele pegou as mãos dela na dele. O que ela tinha escrito na palma dela era completamente diferente do que ela sentia.
Eles se esconderam na biblioteca o dia todo, mesmo que Sakura não fosse o tipo de garota que se esconde. Mas a Sra Tsunade não percebeu eles, ou a Sra. Tsunade fingiu que não percebeu. A Sra. Tsunade, como você vê, gosta de Sakura. Ela gosta de Sakura porque ela já foi Sakura. Ela costumava usar o cabelo repartido no meio, também.
Sem saber na verdade como eles escaparam de lá, eles acabaram na casa dela depois da escola.
No quarto dela.
A primeira coisa que ele fez foi ver a estante dela enquanto ele observava todos os títulos dela.
“Você realmente é uma leitora,” ele disse, maravilhado. Sakura corou – ler nunca tinha sido nada extraordinário em sua vida, exceto talvez, um divertimento pessoal. Isso certamente nunca trouxe um namorado a ela.
“Eu às vezes prefiro os livros as pessoas,” ela admitiu.
“Eu também,” ele disse.
Quando o pai dela voltou do trabalho, Sakura perguntou a Sasuke se ele queria conhecer o pai dela.
Sasuke balançou a cabeça.
“Numa próxima vez. Eu não sou bom com coisas de família. A minha ou das pessoas.” E então, ele pulou pela janela dela com um piscar de olhos que Sakura desejou ter algo dele.
Pavloviano: O condicionamento clássico (ou condicionamento pavloviano ou condicionamento respondente) é um processo que descreve a gênese e a modificação de alguns comportamentos com base nos efeitos do binômio estímulo-resposta sobre o sistema nervoso central dos seres vivos. Um reflexo é uma sequência estímulo-resposta e tem a função de manter o bom funcionamento biológico, garantindo sobrevivência e reprodução. Os reflexos condicionados formam novas conexões sinápticas inicialmente temporárias e a seguir duradouras, pois são reflexos "aprendidos" e podem ser exitadores ou inibidores. Sua função é preditiva, ou seja, serve para antecipar a resposta de prazer ou mesmo advertir sobre um possível perigo.
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