Utopia
5 Capítulo Cinco
Ela obedeceu. Os olhos dela iam do espelho para ele e voltavam. Ela correu a mão dela no rosto dele. Sua mão era refletida. A face dele não. Isso a assustou: Ela estava sozinha. Ela parecia solitária, e havia algo que Sakura nunca tinha visto.
“Por quê?” ela perguntou. “Eu não sei. É apenas o jeito que as coisas são, o jeito que eu sou.” Ele tentou fazer uma piada com ela. “Talvez seja um pouco difícil ler pela manhã, mas eu faço o meu melhor.” Então, ele pegou o canivete suíço que estava em seu bolso. “Para que é a faca?” Sakura perguntou. A garganta dela sempre se contraia quando ela entrava em pânico. Sasuke abriu o canivete e correu pelo seu braço. Ele puniu seu braço com a arma. Por um segundo, Sakura ficou paralisada e não fez nada além de esperar.Ele começou a fazer um C em seu braço. “Não!” Sakura achou a voz. “Por favor, não! Eu acredito em você. Você não precisa provar nada para mim.” Ela tentou parar ele, no caso do C ou o D se transformarem numa palavra como “ciúmes” ou “ dar o fora”, mas ele se manteve de costas. “Porque você fez isso com você?” Sakura sussurrou. Um segundo depois, o corte estava se fechando bem na frente dela. Ela correu os dedos no braço frio e perfeito dele, então beijou o local. “Eu quero que você vá à festa, mas eu não posso ir com você,” ele disse. “Eu já estive em muitas antes.” Mas nunca comigo, ela pensou. “Você esta diferente,” ele disse, “mas a dança... são sempre as mesmas.” Ela concordou. Ela estava um pouco desapontada, mas ainda feliz que ele havia confiado nela e contado a historia dele. “Eu realmente amo você,” ele disse. “Eu realmente amo você, também.” Eles deitaram na cama dela e após um tempo, ela estava dormindo. Quando ela acordou, ele tinha ido. Se ela não estivesse tão exausta, ela provavelmente acharia que tinha sido um sonho. Sakura considerava não ir ao Baile, mas Sasuke a convenceu a ir.“Você só terá um Baile de Boas-Vindas,” ele disse. “Não é verdade no seu caso,” ela apontou. “Ou no meu. Eles acontecem todo ano, você sabe.” Ele riu um pouco. “Vá,” ele disse. “Eu não quero que você perca as coisas por minha causa.” A verdade era que ela não se importava em perder as coisas por causa dele, mas ela não podia dizer isso. Ia parecer necessidade, pegajoso, patético. Sakura odiava pessoas assim. “Você poderia vir,” Sakura insistiu. Sasuke apenas balançou a cabeça dele. O pai de Sakura bateu na porta enquanto ela lia. “Entre,” ela disse. Sasuke estava do lado de sua estante – Sakura não deveria ter meninos no quarto. “Você realmente está bonita,” seu pai disse. “Quem é o rapaz sortudo?” “Ninguém,” Sakura disse, ficando de pé em sua vaidade. “O garoto que eu quero que vá comigo não quer ir, e eu não quero ir com nenhum outro.” Ela piscou para Sasuke pelo espelho. Ela não podia vê-lo, mas ela imaginava que ela pudesse vê-la. O baile era um baile, exatamente isso, era como qualquer outro baile que Sakura tinha ido – mais diversão na teoria do que na pratica. Os pés de Sakura doíam com os sapatos, e tudo que ela desejava era passar uma noite em casa com Sasuke. Perto do final da noite, Sakura foi ate Temari. “O que aconteceu com seu namorado?” “Ele não pode vir.” “Você podia ter vindo com meu irmão, então.” Sakura estreitou seus olhos. Ela sabia que ela não podia dizer nada a Temari, mas ela não podia se segurar. “Honestamente, Temari, isso nunca vai acontecer, então para de nos envergonhar com isso.” Quando Sakura chegou em casa a noite, Sasuke esperava por ela em sua cama. Ele vestia um smooking. Ele estava lindo, ela quase morreu. “Eu penso que podemos ter nosso próprio baile aqui,” ele disse. Ele a beijou e a trouxe para perto dele. Seu corpo tremia. “Às vezes é difícil acreditar que você é real”, ela disse. “Às vezes é difícil acreditar que você é meu.” “Eu penso a mesma coisa,” ele disse. “Não. Eu falo serio. Você é tão perfeito.”Sasuke balançou a cabeça. “Eu não sou. Acredite em mim, não sou.” Sakura olhou por cima dos ombros de Sasuke e pensou ter visto o reflexo dela e de Sasuke no espelho. Aquilo a desconsertou. Sasuke, claro, não tinha reflexo, e o que ela via eram seus braços segurando o ar."Temari acha que você realmente não tem um namorado,” Ino contou a Sakura na segunda depois do baile. Sasuke ficava fora durante o dia, então Sakura deu uma carona a Ino. Sakura riu. “Ela disse isso porque eu não fui ao baile com o irmão doido dela.” Ino riu, também. “Mas sério, Sakura, você esta sendo tão secreta em relação a coisa toda. Porque todo esse segredo?” “Apenas é.” Ino balançou a cabeça dela. “Minha irmã mais velha tinha um namorado assim.” “Assim como?” “Assim tipo não queria conhecer os amigos dela ou estar com ela em público e coisas desse tipo. E depois passou a machucar ela.” “Sasuke não é assim.” “Nem o namorado da minha irmã a principio!” “Escute, Ino, você não sabe do que esta falando.” “Então me faça entender. Honestamente, eu estou preocupada com você.”
Era uma coisa boba, mas a preocupação de Ino era lisonjeira para Sakura. Ninguém nunca tinha estado interessado nela em anos. E ela estava morrendo para contar sobre Sasuke para alguém. Então, ela pediu segredo a Ino e contou a historia dele. Ino ficou quieta por um tempo, e então fez algo horrível: começou a rir. “Oh Sakura,” ela disse, “eu acho que ele esta brincando com você!” “O que você quer dize?” “Eu digo, de verdade! Serio! Uma cigana? Isso soa como algo saído de um livro. Eu acho que ele esta te contando uma historia. Ele provavelmente conta isso para todas as meninas que ele conhece. Eu acho que apenas -” “CALA A BOCA! Você não sabe de nada. Nada dele. Você apenas não quer me ver feliz!” “Sakura, não se machuque -” Sakura parou o carro algumas quadras da casa de Ino. “Saia.” Enquanto ela voltava a dirigir, as mão de Sakura tremiam e ela estava sem ar. Ela precisava ver Sasuke e tocar nele, relembrar para ela mesma que ele era real. Quando ela chegou a casa, ele estava esperando ela em sua cama. Ele devia ter entrado pela janela. “O que foi?” ele perguntou. “Eu tive uma briga com uma amiga.”“Desculpe,” ele disse, passando a mão no cabelo dela. “Porque você não foi para escola hoje?” Sakura perguntou. “Minha mãe esta doente.” “Eu pensei que sua mãe não podia ficar doente.” “Fisicamente, sim,” ele disse com um suspiro. “Mentalmente, pode...” “Eu gostaria de poder ajudar você,” Sakura disse. “Você está me ajudando.” Sakura olhou para dentro dos olhos negros — avermelhados dele. Ela decidiu que ela não ligava se ele mentia para ela. Era uma menina bonita. E ele era um bonito mentiroso. Naquela noite, Sakura teve um pesadelo: Ela estava na biblioteca da escola. Ela estava parada em frente a estante de livros novos. E no outro canto da sala, ela viu alguém beijando Sasuke – era a Sra. Tsunade! E então, Ino estava beijando ele, também. E então Temari tirava a camisa dele. E então todas as garotas que almoçavam com ela estavam com as mãos em cima dele. Ate mesmo a mãe de Sakura beijava Sasuke, era nojento aqueles sons. Sakura chamou o nome dele, mas ele não havia escutado ela o chamando na primeira vez. Ele virou para o lado de quem chamava ele e então ela percebeu que aquele não era Sasuke. Era apenas uma versão dele em cartolina. Era liso e brilhante: como uma boneca de papel.No próximo dia na escola, para qualquer lugar que ela ia, ela não tinha certeza, mas ela achava que ouvia as pessoas (principalmente as garotas) falando sobre Sasuke e olhando para ela. Ela apenas pegava uma palavra ou outra, mas o que ela ouvia era algo como: garoto novo... Biblioteca... Sasuke... Imortal... Página. Sakura mal conseguia respirar ou andar ou falar. Isso só podia ser uma coisa: Ino contou a todo mundo a história deles, a história secreta dele. Ela não queria entender o que isso podia significar. Ela foi encontrar ele no local habitual na biblioteca. Ele não estava lá, mas a Sra. Tsunade estava. “Não esqueça do clube do livro amanhã. Eu sei que muitas pessoas viram, e você já deve ter terminado Os Imor-” “Eu não ligo para seu estúpido clube do livro!” “Sakura, alguma coisa esta errada?” Sakura passou pela Sra. Tsunade e saiu da biblioteca. Ela comeu fora da escola e dirigiu de volta para casa. Ela desejou que ele estivesse no quarto esperando por ela, mas ele não estava. Sakura se ajoelhou e rezou. “Por favor Senhor deixe-me vê-lo... Por favor Senhor deixe-me vê-lo... Por favor Senhor deixe-me vê-lo...” Ela sabia que não o merecia (talvez nunca tenha merecido), mas ela queria se desculpar.Sakura não dormiu na verdade. Ela não queria ir para escola, mas ela não teve a chance de faltar. No almoço, ela foi para biblioteca para procurar por ele. O lugar estava estranhamente barulhento e cheio. Oh certo, Sakura pensou. O clube idiota do livro da Sra Tsunade. Ela viu Ino, Temari e as garotas que almoçavam com ela. Vê-las sentadas ali fez Sakura esquecer momentaneamente Sasuke. Vê-las com seus estúpidos livros em suas estúpidas capas despertou uma coisa violenta nela. Ela odiou vê-las na biblioteca. Que piada! Nenhuma delas gostava de ler nem mesmo as coisas da escola! A biblioteca era o lugar dela. E ela odiava o jeito da Sra Tsunade com sua suéter idiota apertado que parecia pedir para os idiotas ficarem parados olhando. A Sra. Tsunade deu um aceno para Sakura como se nada tivesse acontecido ontem. “Sakura, eu estou tão feliz que você veio...” Sakura disse a Sra. Tsunade que não estava ali pelo clube do livro, mas sim, para ver alguém. “Desculpe-me. Eu tentarei volta antes do fim, se eu conseguir.” Sakura disse. Pelo canto dos olhos, ela viu Temari cochichando com Ino. Ela não sabia se elas falavam dela e Sasuke. Sakura foi para as estantes de livros novos. Estava vazia como no dia anterior. Ela descansou a mão na prateleira onde ela tinha deixado Os Imortais no primeiro dia que ela havia encontrado ele. Por algum motivo, ela acreditava que se fizesse as mesmas coisas do dia em que se encontraram, seria possível conjurá-lo novamente. Mas isso não funcionou. Ela não podia fazer as mesmas coisas, como levar a copia da biblioteca sem fazer o registro. Sakura escorregou até o chão e apoiou a cabeça em seus joelhos. O único som na biblioteca era do clube do livro da Sra. Tsunade, claro. Ela desejava que eles se fossem.
Notas finais
Beijinhos, até o próximo :**
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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