Utopia
2 Um maluco no meu quarto
Notas iniciais
Um maluco no meu quarto
Por: NoodlesDark e StrangeGirl
Quando você acorda e encontra um homem maluco revirando o seu guarda-roupas a única coisa que você consegue fazer é gritar, e foi isso que fiz. Gritei tão alto que minha mãe que já estava no final do corredor voltou correndo e perguntou preocupada:
– O que foi isso? Tá tudo bem aí?
– Ah... Sim... É só... É só... Uma barata! Isso, uma barata!
– Precisa de ajuda? – perguntou pouco convencida, dava pra perceber pelo tom de voz.
– Não... Hm... Obrigada...
Ao ouvir seus passos se distânciando, pulei na cama encarando o tal homem.
– Você grita bem alto, sabia? – depois de arremessar a minha camisa em cima do computador, o cara maluco se jogou na minha poltrona e continuou – Bem, eu não sei quem é você, nem como vim parar aqui, então poderia fazer o florinco de me explicar?
– Quem... é... você? – perguntei pausadamente, pois quase não conseguia falar.
– Eu perguntei isso, e ainda perguntei primeiro! Mas tudo bem... – ele se levantou e começou a andar pelo quarto, olhando atentamente cada objeto – Você me pareceu bem lenta mesmo. Só me surpreenda que você não conheça Clinório Claurinsher, O Guerreiro Audasioso, segundo filho do rei Granff, do reino Domincas, onde situa-se meu castelo, na Villa 15: Tomincas, que um dia será minha – ele deu uma gargalhada digna de uma criança que acabava de aprontar e me encarou.
Minha cabeça estava a mil. Clinório Claurinsher realmente era tudo que ele tinha dito, mas não na vida real. Domincas e Tomincas existiam apenas nas páginas de Utopia (e no filme que está prestes a lançar e que tá me matando de ansiedade).
– Não, não, não, não, não e não! Como...? Aí! Minha cabeça! – só consegui dizer isso.
– Eu já conheci muitas garotas na minha vida, mas você, com toda certeza, é a mais intrana!
– Você é mesmo Clinório? – perguntei de olhos arregalados.
– Sim, eu sou Clinório Claurinsher, O Guerreiro Au... – o interrompi antes que ele pudesse continuar.
– Clín...?
– Clín! – ele me confirmou já tão assustado quanto eu – Menina, faselário, qual seu problema?
Sem dar ouvidos a ultima frase, fui caminhando devafar em sua direção. Por alguns longos segundos apenas o observei. Apesar de sua arrogância, era sim muito bonito, e o mais estranho: ele era exatamente como eu o imaginava.
Retirando a coragem até das partes mais obscuras da minha alma, estiquei minha mão bem devagar. A medida que ela se aproximava do seu rosto, ele arregalava ainda mais os olhos e inclinava a cabeça para trás. Porém, chegou o momento em que ele cedeu e eu pude tocá-lo. Clinório Claurinsher, o personagem mais bobo de Utopia (na minha opinião) estava na minha frente de carne e osso, e pele ruim.
– Anabelly! Nós estamos prestes a sair e você ainda tá nesse quarto? Não vamos esperar a senhorita o dia todo!
As batidas insistentes da minha mãe me fizeram despertar do meu transe momentaneo e também ajudaram a uma pergunta nascer na minha mente: “Como ia fazer para esconder Clín?”
Minha mãe ainda tentava derrubar a porta e eu encarava Clinório. Tentei pensar em alguma coisa para que minha mãe resolvesse ir logo.
– Poxa mãe, hoje é sábado... Não vou com vocês não!
– E você acha que vou lhe deixar sozinha? – pois é, minha mãe era extra protetora (e estressada também) e não me deixava um segundo em casa só.
– Calma, olha. – larguei Clín lhe fazendo um sinal de silêncio e caminhei até a porta abrindo lentamente e pondo só a cabeça pra fora. – Chama Rebeca. O pai dela tá viajando, e a tia tá trabalhando o dia inteiro. Já que ela também não pode ficar sozinha , então pede pra ela vir pra cá!
– Hum... Ligue você pra ela e confirme se ela pode vir ou não. Se não você não tem escapatoria, vai com a gente!
– Ok... – confirmei e fechei a porta. Becka com certeza me ajudaria com esse ser no meu quarto.
– O que é Rebeca?
– Minha prima e uma de minhas melhores amigas.
– Então é o nome de uma pessoa? Como assim? Que nome mais ridículo!
– Espera! Seu nome é Clinório e você vem criticar minha prima? Era o que me faltava...
– Qual o problema de Clinório? É um nome lindo!
– Claro! Só no reino de Tomincas – falei com irônia e só depois me lembrei que ele era de Tomincas.
– E onde mais poderia ser? No meio daqueles abutres gulovianos? – ele falou o nome dos inimigos com nojo – Aliás, que villa é essa onde tudo é sem cor? Meu pai terá que dar um jeito nisso... – encarei ele e pensei um pouco “Será que é outro sonho daqueles? Bem, por conta das dúvidas...” me dirigi até a came e me joguei nela virando o corpo para a parede que tinha uma janela. Fechei o olhos e quando estava prestes a voltar para o mundo normal escutei o barulho alto de algo caindo. Voltei o rosto no mesmo segundo e vi Clín de novo. Agora ele tinha feito o grande florinco de derrubar quase todos os meus livros escolares no chão. Olhou com nojo para os livros jogados e pisou neles para chedar até a cadeira de rodinhas com estofado verde escuro. Se jogou nela e a cadeira foi pra trás fazendo com que ele pulasse e erguesse a espada, que tirou sei lá de onde, para ameaçar o estofado.
Coloquei meus olhos azuis, mentira, meus olhos são castanhos, quase pretos... Oh, vida cruel! Enfim, olhei para ele com tédio.
– Anabelly, nós já vamos! – escutei minha mãe dizer e tive certeza que ela tinha resolvido toda a história com a Becka e que minha prima logo chegaria. Respondi um “ok” a minha mãe e olhei para Clín de novo. Vi que ele ainda mirava a cadeira. Resolvi ignorar e tentar dormir de novo, mas assim que virei de costas senti um algo duro e frio me cutucar, olhei pra trás e vi Clín (N/A: Leitoras que pensaram besteira, haha) com a espada na mão e tentando me acordar com ela.
– Saía já daí sua milana! Vá para o estofado sem cor e amaldiçoado! – ele era louco!
– Ok, sua alteza! Eu faço o que você está dizendo. – falei e me levantei para logo em seguida sentar na cadeira e acariciar o “estofado amaldiçoado”. Clín, obviamente, se assustou.
– Mas o que você está fazendo? Você está com o inimigo!
– Oh meu Deus! Oh meu Deus! Clinório Claurinsher brigando com uma cadeira! – Me levantei e peguei a mesma pelo encosto – E de rodinhas!
– Isso não é só uma cadei... – Ele começa a rebater, mas logo o corto.
– Cala essa boca Clín!
Ele de tão estupefato, simplesmente não falou uma só palavra e por alguns segundos consigo o que quero. Mas quando volta a falar, já está alteradoe com ar de superioridade.
– Quem raios você pensa que é para me desafiar?!
A cada segundo que passa fico com mais raiva desse maluco. Para ser extremamente sincera, eu nunca gostei dele, nem mesmo quando ele existia apenas no livro. Sempre achei o irmão dele, Dick, mais perfeito. Não sabia como ele veio parar aqui, e estava cansada dele querer mandar em tudo, inclusive em mim. Confusão e cansaço, isso só pode resultar em uma explosão digna de uma bomba nuclear.
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