Utopia
6 Amor nada poético
Notas iniciais
Os corações nunca se partem nunca se dividem nunca se fecham. Por que eles só batem. E esse bater faz o sangue correr, e apenas isso. O cérebro é que é o grande vilão. Ele que projeta todas nossas ilusões como se fossem coisas naturais ou aceitáveis. Ele que libera os malditos hormônios que fazem a gente escrever poesias e ouvir músicas idiotas. É por causa desses hormônios que tantos panacas se mataram, e por eles viveram. Por que um ser humano filha-da-puta fez esses hormônios escorrerem por nossas veias. E nossos instintos, é claro. Com certeza esse é uma das piores características do corpo humano. O instinto de procriar. Infelizmente nossa sociedade é do mal e faz esse instinto bugar e passar dos limites. Esses malditos hormônios são os culpados de eu ter que escrever tanto. Os culpados pelas artes e filosofias. E finalmente, os culpados por fazerem do concreto amor algo tão abstrato. Sim, o amor é sobrenatural, ainda que seja vindouro das causas mais naturais existentes nos seres. Mas ninguém nunca trata amor como uma coisa natural ou instintiva. A gente sempre vê o amor como sobrenatural, divino. E a nossa realidade é exatamente como nós a vemos. Por isso não importa o quanto a ciência provar que o amor é apenas químico. Não importa os níveis de ocitocina, serotonina, dopamina e adrenalina no nosso corpo. Quando estas substâncias passam, o que sobra é o amor. O verdadeiro e puro amor. Que talvez não passe de apenas um costume com alguém... Uma pequena área confortável em meio ao caos. A ciência pode provar qualquer coisa que não vai mudar o fato do amor ser sobrenatural. Por que a própria ciência é sobrenatural. Assim como as ciências exatas são humanas. E as humanas são tão exatas.
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