Utopia
7 Capítulo 6
-Onde você estava!? Estamos te procurando há quase uma hora!
-Desculpe... eu me perdi.
Os dois me fitaram duvidosos.
-Vamos embora? — falei, tentando acabar logo com aquele assunto — eu estou tremendo de frio.
Os dois só me encararam em silêncio enquanto voltávamos para o carro.
Depois de um demorado banho, decidi ver um pouco de TV. Me lembrei contente de Hiago e do que aconteceu no zoológico enquanto assistia ao clipe de uma música punk em inglês. Não sei como, mas conversar com ele (mesmo com toda aquela chuva e o vento) havia sido divertido e extremamente relaxante. Por alguns poucos minutos, eu experimentei o que era ser uma garota normal.
Ainda vendo TV, tomei meu remédio diário acompanhado com um chá de camomila. A chuva já tinha parado, embora o céu continuasse cinzento e repleto de nuvens escuras.
Quando fui dormir, eu sentia meu corpo pesado, como se eu estivesse carregando mais de 100 quilos naquele meu pequeno corpo. Somente depois de parar de tossir foi que peguei no sono.
O que não durou muito.
Antes de amanhecer acordei com falta de ar. Uma sensação sufocante me corroía por dentro. Eu estava tremendo e suando frio quando finalmente liguei o som do despertador — que servia para emergências como aquela. Só consegui ver meus pais abrindo a porta antes de desmaiar.
-Mas Dr. Antônio, isso nunca aconteceu assim. Nunca!
Uma voz estridente me tirou do transe. Eu permaneci imóvel, deixando que apenas aquele som viesse até mim.
-Eu sei... de qualquer jeito, teremos que fazer um novo exame.
A voz que me acordou pareceu distante quando abri os olhos.
-Camila! — meus pais disseram juntos.
-O que aconteceu...? — murmurei aos sussurros.
-Você tem que fazer um novo exame agora, tudo bem? — o médico perguntou atencioso.
-Sim...
Um nó prendeu minha garganta. Mais um exame.
Ainda naquela madrugada, um residente do hospital juntamente com uma enfermeira me prepararam para a cirurgia. Iriam apenas ver como estava meu pulmão então simplesmente disseram para eu não me preocupar — como se isso fosse possível.
Injetaram a seringa no meu braço e, mais rápido do que imaginei, mergulhei num mundo de sonhos, bem distante de tudo que acontecia à minha volta. Não sonhei com nada e, quando comecei a recuperar a consciência, me arrependi de ter aberto os olhos.
Fale com o autor