Utopia

12 Capítulo 11


O que isso estava fazendo aqui?!!?!

Sem encontrar uma resposta, continuei encarando perplexa o envelope. E se o Hiago usasse aquilo quando se sentia só? Ou pior, e se ele fosse um usuário constante daquilo?

Engoli em seco.

Mil ideias vieram à minha mente, mas eu sabia que só iria descobrir a verdade perguntando diretamente a ele.

Tentei me recompor. Um pouco ainda em dúvida, avancei um passo, peguei o envelope e fui até meu quarto. Escolhi deixar aquilo ao lado de minha mala, bem ao encontro da parede.

Nesse momento, escutei a porta da garagem ser aberta. Corri para a sala antes que ele me visse escondendo com o envelope em mãos.

-Voltei! — Hiago disse sorrindo.

Tentei esboçar algo que lembrasse um sorriso.

-Achou algum livro legal para ler? — ele perguntou, aproximando-se de mim.

-Ah... achei sim.

-Que bom. Ah, Camila, passei numa lanchonete agora e trouxe empada e suco! Vamos pra cozinha antes que o salgado esfrie.

Lanchamos em silêncio.

A pergunta sobre o envelope martelava em minha mente, e era um nó na minha garganta que me impedia de criar coragem para perguntar.

Logo que ele terminou o lanche, deixou o prato em cima da pia e me falou que iria tomar banho. Me senti frustrada. Eu não tinha conseguido perguntar.

Respirei fundo e me levantei. Em menos de quinze minutos Hiago voltou à cozinha e me olhou um pouco sem graça.

-Camila... eu tenho que sair de novo. Tenho outro trabalho à noite e já preciso ir.

Olhei para ele pasma e reparei que, por baixo de seu casaco de moletom preto, ele escondia alguma coisa — e acho que eu podia imaginar o que era.

-Hiago... eu queria te perguntar uma coisa antes de você ir...

-Pode ser amanhã? É que... eu tenho mesmo que ir.

Encarei o chão, cerrando os punhos.

-Tudo bem.

-Amanhã você pergunta, tá?! Bom, agora já vou.

Me despedi dele e voltei, derrotada, para a sala. Não consegui perguntar de novo!

Depois de um bom banho, só tive ânimo de me deitar na cama e fechar os olhos. Pelo menos esperava me acalmar dormindo.

O dia seguinte amanheceu ensolarado.

Logo que fui escovar os dentes, vi que havia alguma coisa faltando ali. Meu remédio.

Entrei em desespero.

Não! Ele não pode ter sumido! O que vou fazer sem o remédio?!!

Procurei em todos os lugares do banheiro e do meu quarto e não o encontrei em lugar nenhum.

Fui procurar pelo Hiago, precisava saber se pelo menos ele já tinha voltado.

Segui direto para a cozinha e o vi ali.

-Bom dia, Camila.

-Bom dia... Hiago, eu não vi você chegando ontem. — Seu trabalho é até de madrugada?

Ele me olhou um pouco tristonho.

-Depende do dia.

Tentando esquecer o que poderia acontecer comigo caso eu não tomasse o remédio, me sentei em silêncio numa cadeira e bebi um copo de leite. Quando eu estava distraída com o café da manhã, Hiago virou-se e pegou alguma coisa numa gaveta. Ele a escondeu numa mão e sentou à minha frente. Com uma expressão séria, ele colocou aquilo sobre a mesa e só então vi o que era.

Meu remédio.

-Camila... achei esse remédio no banheiro. Você ainda não me falou o que é isso.