Quando o aquecimento global chegou em seu estado crítico, muitas catástrofes aconteceram simultaneamente. Além disso, também tivemos os desastres naturais e os desastres causados pela ganância do coração humano também se fizeram presente naquele mundo.
Guerras pelo poder e por território acabaram ceifando milhões de vida. Mas quando finalmente conseguiram parar de brigar entre si e resolveram se juntar para tentar sobreviver aos desastres naturais, a população do planeta já estava abaixo dos 40%. Isso significava, que bilhões haviam morrido por conta das guerras ou por causa das catástrofes. Por fim, o que restou da humanidade se organizou da melhor forma que pode e a maioria conseguiu sobreviver se escondendo e fugindo. Quase 100 anos se passaram antes das coisas realmente começarem a se estabilizar. Como a maioria dos seres humanos estavam mais preocupados em sobreviver do que com qualquer outra coisa, muito conhecimento foi perdido ao longo dos anos. Documentos históricos, pesquisas científicas, pesquisas médicas, músicas, artes, cultuas, entre milhares de outras coisas. Muitas coisas tiveram que ser redescobertas ou começadas totalmente do zero.

Anos se passaram e a humanidade voltou a se organizar em cidades, cada cidade tinha seu próprio líder e seu próprio conselho. Geralmente era formado pelo prefeito e pelos chefes das famílias mais antigas e influentes daquela região. A cidade de Borthen havia sido construída onde a séculos atrás estava Miller River, EUA. Era uma cidade grandiosa, sua formação era circular, enormes muros os protegiam de invasores e animais selvagens. O palácio do prefeito, que por um acaso também era a prefeitura, ficava bem no meio da cidade e a cidade foi literalmente construída ao redor do palácio. Em volta do palácio estavam as casas da maioria dos membros do conselho e de outras pessoas que fosse ricas ou influentes de alguma forma, na verdade estavam mais para mansões do que para casas. No nível 1 tinha um grande prédio da força militar e o Hospital Central de Borthen, localizados na parte leste da cidade. No nível 2 se encontravam vários comércios, restaurantes, mercearias, mercados, centros de desenvolvimentos tecnológicos. A sede do corpo de bombeiro e a melhor escola da cidade também ficava no segundo nível. Assim como as casas dos comerciantes locais, de alguns médicos e as casas das pessoas que pudessem custear a vida naquele nível. No nível 3 era onde ficavam todas as fábricas, desde as de alimentos até as fábricas de produtos que eram vendidos no nível 2. E era o lugar onde estavam as casas dos empregados do centro comercial, das casas e das fábricas. Lá tinha uma pequena mercearia para que as pessoas do 3 e 4 pudessem comprar mantimentos para suas casas. Uma escola pública para os habitantes menos favorecidos, um pequeno posto militar e um hospital mais simples para a população daquele nível e do nível 4. O nível 4 não era um local muito agradável de se visitar, era onde ficavam as minas e também onde morava a maior parte da população. Os trabalhadores das minas, alguns trabalhadores dos outros níveis. Lá era onde ficava a população pobre da cidade.

Todos sempre acharam que conforme o mundo fosse evoluindo a descriminação social também iria diminuir, haveria menos fome, menos miséria naquele mundo. Porém não foi isso que aconteceu. Depois do início do extermínio em massa da população aqueles que tinham dinheiro e poder, só se agarraram ainda mais aquelas coisas sem se importar com o que acontecia com as outras pessoas. A População do 3 e do 4 podiam circular livremente entre um nível e outro. Mas para qualquer pessoa desse nível passar para o nível 2 ou para o nível 1, deveria ter um crachá ou uma carta de autorização. Se alguém dos níveis inferiores fosse chamado para um nível superior quem o convocou deveria mandar uma carta assinada e com o selo da família ou pessoa.

A via principal era chamava de Avenida Sherpman, essa via passava por todos os níveis, na troca de cada nível havia um portão. O portão do nível 4 ainda tinha uma segurança reforçada, por ser o portão principal que dava acesso a cidade, já o portão do nível 3 quase não tinha segurança. Mas os dos níveis 1 e 2, a segurança era bem treinada e reforçada. A cidade era cercada por uma enorme floresta, onde se escondiam vários tipos de animais selvagem, tinha é claro uma estrada que era utilizada como rota de comércio e usada também para entre e sair da cidade, aquela estrada dava diretamente na via principal há alguns km da floresta.

O Clã Deverpolt era uma das famílias mais antigas daquela cidade, o lugar que eles habitavam no nível 1 era enorme, eram donos de uma vila inteira. Pois dentro do Clã havia muitos membros importantes, desde membros do conselho até comerciantes, militares, bombeiros e médicos. Eles eram uma das famílias mais ricas e importantes no auge de sua glória. Eles nunca controlaram a cidade porque nunca tiveram interesse e esse foi o maior erro deles. Quando Travis Campbell assumiu o poder como prefeito ninguém imaginava o que estava por vir. Ele tinha inveja de Alphonse, o líder dos Deverpolt e ele sabia que só havia ganho as eleições por Alphonse decidir que não era interessante para o seu Clã algum deles concorrer. O Clã Deverpolt em sua maioria obedecia as leis da cidade, porque afinal eles estavam juntos quando todas as leis foram escritas e deviam exemplo ao povo. Mas uma armação feita por Travis e alguns membros do conselho fez com que o Clã Deverpolt perdesse a confiança do povo e fizeram que o povo se voltasse contra eles.

O Clã Deverpolt não era especial somente por seu cargo ou sua influencia, mas também porque na veia de alguns membros corria um sangue misturado a magia. Principalmente aqueles ligados diretamente a família principal, ninguém na cidade descobriu sobre isso por gerações. Mas Travis sim, havia feito um trato com um dos membros da família secundária oferecendo dinheiro e segurança para ele. E assim Albert revelou o segredo mais preciosos de sua família. Travis Campbell se aproveitou disso para jogar o povo da cidade contra o Clã Deverpolt, quando todos ficaram sabendo no que eles poderiam se transformar, o medo se alastrou pela cidade. Desde os primórdios a raça humana sempre temeu o desconhecido e aquilo não havia mudado. Foram expulsos da cidade que ajudaram a construir por puro medo e ganância, mas eles juraram retornar. Juraram destruir aqueles que haviam tramado contra eles. Aqueles com o coração tomado pelo ódio e pela ganância não seriam poupados, Nikollay iria garantir isso nem que fosse a última coisa que ele fizesse.

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Eles podiam ouvir os gritos de ódio da população enquanto eles caminhavam pela Avenida Sherpman, coisas foram atiradas nele e em seus familiares. Quando ele olhou para o chão viu que eram frutas e foi nesse momento que o seu sangue ferveu. O Clã inteiro caminhava para fora da cidade levando tudo aquilo que conseguiram empacotar e carregar, atrás deles estavam a força militar fortemente armada e preparados para caso eles resolvesse revidar. Ao redor deles nas extremidades da avenida estavam os habitantes de Borthen, aqueles que seu Clã havia ajudado durante todo o período que eles estiveram ali, desde a construção da cidade. Sentiu um toque em seu ombro e viu que era seu pai, Alphonse.

— Não faça nada tolo, eles são meros peões. Não são eles que merecem a nossa fúria, você sabe quem são os verdadeiros culpados disso. — Disse ao filho tentando acalmá-lo, um pequeno suspiro escapou dos lábios do homem mais velho.

Nikollay respirou fundo e assentiu, sabia que não poderia desobedecer seu pai, mesmo que quisesse. Ele era o seu Alpha e não havia anda que ele pudesse fazer. Nikollay sabia que o seu pai estava certo, mas naquele momento ele jurou a si mesmo que não descansaria enquanto não trouxesse a destruição para aqueles que causaram a desgraça de seu povo.

Eles já estavam se aproximando dos portões principais, os portões que davam diretamente para fora da cidade e foi quando ele viu Travis no momento que olhou sobre seus ombros. Ele continuou andando, mas agora com passos mais lentos. Todos já haviam atravessa do portão, menos ele. Respirando fundo ele se virou e encarou todos que estavam ali, ele sabia que a cor de seus olhos haviam mudado para um leve dourado. Pois quando ele os encarou os habitantes da cidade se encolheram, os soldados empunharam as armas nervosos esperando um movimento dele.

— Nossa família ajudou a erguer essa cidade, nossa família cuidou das suas famílias. Agora tomado pelo medo e pela ganância vocês nos retribuem dessa forma. — Disse Nikollay.

Ele sorriu e seus dentes estavam um pouco mais pontudo do que deveria de ser. Sim, ele estava confirmando os boatos, para que eles entendessem bem que tipo de monstro eles haviam irritado. Claro que ele não poderia se transformar, era dia e não era lua cheia. Mas quando estavam com raiva, pequenas mudanças ocorriam na aparência dos filhos da lua.

— Ias isso não termina hoje, isso não vai ficar dessa forma. Hoje, nós vamos nos retirar. Perdemos essa batalha, mas a guerra está longe de terminar. Depois não vai adiantar se ajoelhar e pedir misericórdia. Porque isso é algo que vocês não tiveram, então nós também não teremos. — Ele soltou uma gargalhada quando viu a cara de todos, principalmente de Travis e Albert.

Aquela risada fez com que muitos estremeceram, pois, parecia uma mistura de um som de animalesca e rouca. Ele ergueu o indicador e apontou na direção de Albert.

— O seu será o pior de todos os tormentos, traidor. — Proferiu aquelas palavras com uma calma assustadora.

Nikollay então se virou e seguiu para fora da cidade se juntando a sua família que o aguardava. Sua mente já trabalhava em um plano para a vingança de sua família. O olhar de seu pai era de desaprovação, mas ele não se importava, pois, a maioria dos membros de sua família o olhava com orgulho e esperança. Seu pai já estava velho, mesmo que ele não fosse a favor da vingança logo ele sucumbiria pela idade avançada e quem assumiria a liderança do Clã seria ele. Nikollay na verdade era um jovem muito paciente, não tinha pressa com sua vingança. Planejava fazê-la com perfeição, nada poderia dar errado. Então ele teria que pensar bem e planejar bem cada passo e era exatamente isso que ele iria fazer.

Eles andaram por um tempo dentro da floresta, Nikollay sabia para onde o pai estava levando sua família, ali perto tinha uma grande clareira que seria ótimo para eles montarem seu acampamento. E todos ali conheciam bem a floresta, todos ali estavam acostumados a caçar livremente pela floresta. A próxima lua cheia já se aproximava, seria em poucos dias e logo aquela floresta estaria ainda mais perigosa, mas não para o Clã Deverpolt. Ele sabe que deveria sentir pena dos habitantes que perambulassem por ali, mas na verdade ele não sentia nada por eles além de desprezo.

Notas finais
E ai pessoal ? Comentem o que estão achando! Aqui podemos entender um pouco melhor como é a cidade de Borthen. Podemos ver o Nik e sua sede por vingança. Não esqueçam de votar ♥ . Dura só um segundo e ajuda muito nosso livrinho ♥.