Utópico.
3 Capítulo 2 – A profecia.
Alguns meses se passaram desde que os Deverpolt haviam sido expulsos de Borthen, as construções de um pequeno vilarejo já haviam começado. Com o material que eles haviam conseguido arrumar começaram a ser erguidas casas, um pequeno posto médico e a casa da família principal. Alguns materiais eles retiravam da floresta, já outros foram obrigados a comprar de cidades vizinhas, como o rumor sobre o exílio do Clã já havia se espalhados o preço dos materiais e da entrega eram absurdos.
Com a chegada de Amber o Clã entrou em festa ao saber da chegada de um novo membro, eles se casaram e a cerimônia foi presidida por Alphonse. Nikollay e Cameron estavam trabalhando na construção da vila junto aos outros membros do clã, eles ficavam mais do que felizes em poderem ajudar seu povo. Diariamente Amber, Nikollay e Cameron se encontravam em um dos quartos da casa principal para planejar a vingança. Amber havia prometido a Nikollay que o ajudaria, pois, ela também sentia raiva de tudo aquilo, afinal aquele agora era o povo dela. E se não fosse aqueles que os prejudicaram ela estaria na vila no nível 1 com sua família por perto. Seu bebê cresceria na cidade com tudo do bom e do melhor e cercado de amor por ambas das famílias. Claro que os Deverpolt amariam e cuidariam daquela criança, mas ela sentia falta de seus pais e seus irmãos.
— Eu só peço que você deixe minha família fora disso, por favor. — Disse Amber soltando um leve suspiro.
Amber deslizava a mão sobre a barriga que já estava enorme. Ela fitava Nikollay com seus doces olhos esverdeados. Era bem difícil para ele conseguir negar algo a ela. Soltando um leve suspiro ele assentiu, já haviam tido aquela conversa várias vezes e não gostava ter a mesma conversa repetidamente.
— Eu já disse que não farei nada a seus irmãos e seus pais, não se preocupe minha flor.— Disse Nikollay soltando um leve suspiro.
Ele se inclinou e deu um leve beijo no topo da cabeça da mulher, Amber acabou sorrindo mediante ao gesto carinhoso do marido. Cameron suspirou e começou a mexer nas plantas da cidade, era uma das coisas que eles haviam conseguido esconder e trazer quando foram expulsos.
— Não sei por onde podemos atacar, quem realmente fez algo mora no nível 1 e no 2. Antes de chegar até eles têm o povo que vive no 3 e no 4 e essas pessoas, nós sabemos que não passam de marionete. Se tentarmos atacar eles de frente muita gente do nosso povo vai morrer e muito inocentes do deles. Não adianta atacarmos assim, só vai dar o direito deles nos chamarem de monstros. Não podemos sair matando todo mundo que cruzar nosso caminho. — Cameron disse visivelmente chateado.
Com irritação ele se levantou e jogou as plantas sobre a mesa. Cameron estava nervoso, ele ainda estava achando que o irmão atacaria de frente, na verdade ele não fazia ideia das reais intenções de Nikollay, porquê se fizesse não estaria tão nervoso.
— Pessoas vão morrer sim, mas não as marionetes, quem eu realmente quero são os verdadeiros culpados. Travis, Albert e alguns membros do conselho.— Disse Nikollay com calma — E quem te disse que eu pretendo atacar de frente? Claro que não! Eu vou atacar e destruir todos de dentro para fora, eles nem saberão o que os atingiu.
Nikollay soltou uma gargalhada e deu ombros, ele ainda não sabia como iria colocar alguém infiltrado lá, já que eles conheciam o rosto de todos. Só que ele tinha paciência, sabia que em algum momento apareceria uma oportunidade para eles fazerem isso. Toda semana as irmãs de Amber junto com um outro grupo de mulheres vinha até a beira da floresta para pegar algumas ervas e flores, com isso Amber via as irmãs e ficava sabendo das notícias da cidade. Nikollay estava bem informado, sabia que Albert estava morando sozinho na vila de sua família, sabia que Travis havia ficado mais forte e que a mulher dele estava prestes a dar a luz a um menino.
— Senhores!! Senhora! Sr. Alphonse os chama imediatamente para a sala de reunião, chegou uma mulher estranha e ele mandou chamar vocês três. — Disse um dos guardas.
O guarda havia entrado correndo, mal deu tempo de Amber jogar as cobertas que estavam em seu colo por cima das plantas da cidade, ninguém sabia o que eles estavam planejando e ninguém poderia saber que eles tinham aquilo escondido. Eles assentiram entendendo o recado e o guarda se retirou. Rapidamente começaram a juntar todos os papeis com todas as informações que haviam conseguido e colocaram tudo em uma bolsa, não demoraram para entregarem a bolsa a Cameron que a escondeu em cima do armário do quarto. Os três então começaram a caminhar para a sala de reunião onde Alphonse já os aguardava.
— Minhas crianças, venham! Essa é Madame Seraphine, esses são meus filhos e minha nora! — Respondeu Alphonse animado.
Alphonse era um homem alto, com os cabelos já grisalho caiam sobre seus ombros, os olhos eram negros assim como os de seus filhos. Rugas haviam se formado pelo rosto dele deixando claro os sinas de envelhecimento. Conforme entravam na sala observaram a mulher que estava sentada em uma das cadeiras, ela se levantou com um sorriso. Agora ele entendia o que o guarda queria dizer com estranha, ela não era feia. Muito pelo contrário, mas tinha algo que Nikollay não conseguia explicar, ela o fazia sentir de uma forma estranha, o que sabia é que ela poderia ser perigosa, caso ela quisesse.
— Não sou mulher de rodeios, então irei direto ao ponto. Eu sou uma das últimas do Coven de Borthen, além de mim só tenho mais duas irmãs. E a muitos anos nós abandonamos essa cidade para nos escondermos. Hoje você e seu povo entendem o porquê. — Disse a mulher sem enrolação.
Amber sentou na cadeira do meio com uma expressão confusa, então Nikollay e Cameron sentaram cada um em uma cadeira ao lado da dela. Cameron estava com o corpo rígido e a expressão séria e Nikollay também. Quando ela fez menção ao seu povo ele respirou fundo e assentiu entendendo um pouco mais a situação.
— Você é uma das poucas usuárias da magia que resta neste mundo, é uma bruxa. — Respondeu Nikollay com casualidade.
Amber o fitou com os olhos arregalados, ao perceber a reação de sua amada conteve uma risada. Ele levou sua mão até a dela e a segurou, deslizou levemente seus dedos sobre os dela para que ela se sentisse segura, ele nunca deixaria ninguém fazer mal a ela.
— Exatamente, uma vez no ano eu e minhas irmãs nos encontramos. E dessa vez tivemos a revelação de uma profecia que vai interessar a todos vocês, principalmente você. — Disse a Madame Seraphine. — A profecia se refere a sua família e também a sua vingança.
A mulher apontou para Nikollay, o mesmo continuou com uma expressão fechada não queria demonstrar emoção, não sabia qual era o jogo dela. Mas ele sabia que profecias deveriam ser levadas a sério, era uma coisa que havia aprendido desde pequeno. Nesse momento Amber, Cameron e Nikollay congelaram nas cadeiras, lentamente um olhou para o outro, mas ninguém se atreveu a dizer nada.
— Meus filhos já desistiram da vingança, o melhor para o meu povo é deixar tudo como está. Não podemos matar inocentes para chegar aos culpados e os culpados estão bem protegidos, teríamos que exterminar a cidade inteira e isso no final das contas só daria razão a eles por terem nos expulsados. — Proferiu o mais velho. — Desculpe, continue.
Alphonse parecia irritado naquele momento, ele olhou para Nikollay e Cameron como se esperasse que eles negassem. Mas quando percebeu que eles não negaram a decepção tomou a sua face. Com um longo suspiro ele se virou para mulher e deixou que ela concluísse o que falava antes.
— Uma criança nascida do amor entre um filho da lua e uma mortal trará o desespero aos inimigos de seu povo e retomará a sua antiga glória. Essa criança será filha da lua como seu pai, mas a lua não terá comando sobre ela. Essa criança irá governar com justiça e firmeza, aqueles que propagarem o mal receberão o mal sem piedade e os que propagarem o bem, receberão o bem em abundância pelas mãos dela. — Disse a mulher com uma voz um tanto quanto estranha, na opinião de Nikollay.
Um silêncio absoluto tinha tomado conta da sala, ninguém se mova ou falava, provavelmente nem respiravam. Algum tempo depois os membros da família se entre olharam confusos e assustados. Cameron foi o primeiro a se recuperar do choque da revelação e se questionar.
— E como tem total certeza que é sobre a nossa família? — Questionou o rapaz. Ele estava encarando a mulher com o cenho franzido, de todos ele era o mais cético.
— Bom na minha visão apareceu a cidade de Borthen e o portão da vila de vocês com um brasão imenso de um lobo. Então foi bem fácil chegar a essa conclusão, ainda mais depois de voltar a cidade e descobrir o que tinha acontecido. Então, eu tive certeza. — Concluiu a bruxa.
A mulher falava de uma forma tão confiante que nem Cameron ousou discutir, se o que ela estava dizendo era verdade Nikolay já sabia o que fazer, mas ninguém gostaria do seu plano. Até ele estava receoso em usar sua própria criança para executar sua vingança. Só que ninguém de fora conhecer os rostos de seus filhos era um belo trunfo, então seria fácil colocá-los dentro da cidade. Os dedos livres de Nikolay tamborilavam no braço da cadeira, suas ideias estavam martelando sua mente naquele momento. Todos estavam em silencio, quando ele ergueu seus olhos na direção das pessoas que estavam naquela sala percebeu que todos estavam encarando ele, isso fez com que ele franzisse o cenho.
— Você não pode estar levando em consideração usar seu próprio filho para ir atrás dessa vingança estúpida!— Exclamou Alphonse exaltado.
Alphonse estava visivelmente alterado, Nikollay simplesmente o ignorou. Todos ali o conheciam o suficiente para saber que ele era capaz daquilo sim. Mas a única pessoa que poderia convencê-lo do contrário séria sua mulher, pois, o filho não é somente dele. Os olhos esverdeados de Amber se cruzaram com os dele, o jovem permanecia em silencio e somente fitava sua esposa.
— Pelo que você me explicou a primeira transformação ocorre aos 12 anos certo? Até lá se tivermos mais de um filho não teremos como saber qual é o da profecia. — Começou a falar com um pouco de receio em sua voz.
Todos que estavam no local assentiram confirmando o que Amber estava falando. Os dedos dela apertaram um pouco mais a mão de Nikollay, ele ainda a fitava em silencio. A mão que não estava entrelaçada a de Nikollay deslizou pela barriga. Ela já estava perto de dar a luz e sabia o quanto aquilo era importante para o seu marido e o povo deles e também o quanto aquilo era importante para ela.
— Bom sabendo dessa profecia podemos ficar mais tranquilos, sabemos que coisas ruins podem acontecer, mas no final tudo vai dar certo. E se nós os treinarmos de forma adequada, assim eles conseguirão exceder até mesmo as nossas expectativas. — Concluiu Amber soltando um pequeno suspiro.
Alphonse estava vermelho e prestes a explodir de tanta raiva ao ouvir aquelas palavras. Nikollay e Cameron encaravam Amber sem acreditar no que ela havia dito. Tudo bem, que eles haviam pensado de forma bem parecida com a dela, mas nenhum deles teve a audácia de dizer aquilo na frente de Alphonse. Antes mesmo que o velho conseguisse dizer alguma coisa Amber desembestou a falar novamente.
— Meu sogro, eu sei que essa ideia não lhe agrada nenhum pouco. Acredite que eu também não sou muito fã, afinal serão os meus filhos. Mas eles têm que pagar pelo que eles fizeram sim e se nós começarmos uma guerra direta iremos perder, iremos morrer antes mesmo de chegarmos ao nível 2. Então nossa melhor chance é colocar alguém lá dentro e uma pessoa que possa se transformar somente quando quiser vai ser indetectável, não vai ser escravo da lua cheia como vocês são! Com o treinamento adequado podemos fazer com que eles se passem por qualquer pessoa e nenhum deles, nem minhas irmãs devem conhecer os rostos deles. Até pelo menos sabermos que não é a criança da profecia. — Disse com bastante segurança de suas palavras.
Nikollay conhecia sua mulher o suficiente para saber que a decisão estava tomada e ele não pretendia discordar. Alphonse se levantou e saiu furioso da sala, ele sabia que já havia perdido a discussão, ele sabia que poderia proibi-los de fazer algo enquanto ele fosse o Alpha, mas depois disso ele não poderia fazer nada.
— E você vai ajudar a gente ou vai simplesmente largar a bomba e ir embora? — Perguntou Cameron a Madame Seraphine.
Cameron havia se levantado e ido até o canto da sala onde se encontrava um mini bar com algumas bebidas. Pelo visto o irmão ia precisar de algo mais forte para toda aquela conversa, talvez ele também. Cameron encheu u copo com água e dois copos com bourbon.
— Aceita algo? — Perguntou olhando para o bar e depois para a mulher.
A mulher simplesmente negou com a cabeça respondendo sobre a bebida, mas estava pensativa sobre o que deveria fazer. Ele voltou trazendo os três copos, o de água ele entregou a Amber que o bebeu em poucos goles e o outro a Nikollay, levemente ele ergueu o copo aos lábios e deu um grande gole.
— Tecnicamente eu não deveria ajudá-los, mas seu Clã sempre protegeu meu coven e sempre nos deu abrigo quando estávamos na cidade. Eu estaria mentido se dissesse que não desejo ajudá-los. Só que ninguém poderia saber, nem minhas irmãs. Não poderei viver aqui com vocês, mas posso voltar de tempos em tempos para lançar proteções as crianças que nascerem, posso lançar proteções ao redor da clareira para que se eles mandarem alguém não consigam encontrá-los. E toda vez que eu voltasse aqui eu reforçaria os feitiços, quando a criança da profecia finalmente fosse descoberta eu poderia sim ficar usando a desculpa de protegê-la. Mas até descobrir se é essa que está no ventre de sua esposa agora ou se é a próxima que virá, eu não posso fazer muita coisa. — Concluiu Madame Seraphine.
—Com um suspiro a mulher ficou de pé e caminhou lentamente até a janela, ficou olhando para fora observando o movimento das árvores em silencio. Por um tempo todos ficaram em silêncio, pensando e absorvendo todas as informações que haviam aparecido em um único dia.
— Cam, vá com ela para fazer a proteção, eu vou conversar com Amber a sós e depois falarei com nosso pai. — Disse Nik quebrando o silêncio.
Cameron rapidamente ficou de pé e assentiu. Levou o copo aos lábios bebendo o liquido que restava de uma única vez e foi até a porta, não demorou muito para Seraphine segui-lo. Quando isso aconteceu Nikollay ficou de pé e se abaixou de frente para sua esposa. Ele se inclinou e deu um beijo em sua barriga, uma mão ele acariciou a barriga dela, já a outra ele ergueu até a face de sua amada e a acariciou levemente.
— Eu realmente quero trazer justiça ao nosso povo, mas estou preocupado se é realmente certo fazer isso. — Confessou Nikollay.
Ele até poderia procurar uma outra forma de se vingar ou de infiltrar alguém lá, só que ele sabia que aquela era a melhor forma. Principalmente, por ter uma profecia quase que garantido seu sucesso. Ele sabia que uma profecia não era 100% confiável, a maioria dependia da forma de interpretação daquele que a teve e daqueles que escutaram.
— Também não gosto muito da ideia, mas isso aumentaria nossas chances. É só ele ou ela se fazer de sonso e manipulá-los da mesma forma que eles fizeram com nosso povo e com as pessoas da cidade. A gente ensinando a eles esse tipo de coisa, vai tornar as coisas mais fáceis. E teremos tempo suficiente para nos preparamos. Porque se desestabilizarmos o governo, a reputação deles e levantarmos uma revolta contra eles, nós ganhamos essa guerra. Só precisamos destruir a confiança do povo para eles, o número de pessoas no três e quatro são muito maiores que no dois e um. Depois é só plantar a semente de que seria melhor trazer os Deverpolt de volta para cidade. Ou melhor, pelo que sabemos das minhas irmãs essa semente já está plantada. Porque depois que fomos embora a qualidade de vida nos níveis inferiores diminuiu drasticamente. Afinal, não tinha mais todos aqueles projetos sociais criados pela sua mãe que vocês continuaram mantendo mesmo depois dela ir. Não tem mais médicos que saem de suas casas no meio da noite a mando de seu pai para ajudar os mais pobres, não tem mais a distribuição de alimentos e de roupas. Muitos já cochicharam sobre como foi errado vocês terem ido, mas Travis criou uma lei que quem fosse pego apoiando nosso clã seria preso e muitos agora estão com medo de falar. Mas se desestabilizarmos o poder dele, a credibilidade. — Disse Amber com um pequeno sorriso nos lábios.
Nikollay ficou um pouco assustado, pois, não esperava ouvir aquilo de Amber e ela estava rindo com suas próprias ideias. Pelo visto ela realmente havia criado amor e lealdade pelo clã e isso o deixava imensamente feliz. Ela estava certa essa era a melhor maneira de retomar o que lhe foi tirado, era a melhor maneira de destruir todos aqueles que tramaram contra eles. Soltando uma risada ele se levantou e se inclinou dando um leve beijo nos lábios de sua esposa.
— Você é bem mais inteligente que eu pelo visto, conseguiu pensar nisso tudo em tão pouco tempo. E concordo com você, quer saber. Vamos nessa, vamos destruir esses bastardos! — Disse Nikollay bastante animado.
Amber começou a rir e ficou de pé, envolveu seus braços ao redor do pescoço de Nikollay e se esticou para desferir um beijo em seus lábios. Eles teriam que ser pacientes, mas nenhum dos dois teriam problemas com isso. Ele se afastou de Amber e acariciou seu rosto e em seguida falou.
— Vou tentar ir conversar com meu pai, mesmo que ele não concorde eu posso esperar ele não ser mais o Alpha para agir. Afinal temos que esperar a criança nascer, crescer, ser arduamente treinada. Então, algo me diz que teremos bastante tempo. — Disse o jovem com um pequeno sorriso.
Ele soltou uma risada e entrelaçou a mão de Amber a sua e começou a caminhar para fora daquela sala. Naquele mesmo dia ele pretendia se sentar com Cameron e Amber novamente para começar a planejar como eles colocariam sua criança lá dentro, como eles treinariam aquela criança e como eles destruiriam cada um que ajudou de alguma forma na humilhação de seu clã.
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Alphonse já era um senhor de idade em poucos anos já estaria chegando na casa dos 80 anos e sabia que em breve não conseguiria mais cuidar de seu povo, também sabia que o cargo seria passado para Nikollay. Como Alphonse tinha um bom coração, às vezes ele tinha compaixão até quando não deveria e era isso que estava acontecendo naquele momento. Ele sabia que os culpados pela morte de Elena era Albert e Travis, pois, eles sabiam que com a morte dela conseguiriam desestabilizar a ele e talvez os seus filhos. Ele nunca havia contado aquilo aos rapazes, pois, só provocaria mais ódio, revolta e a sede de vingança aumentaria ainda mais. Mas ele pretendia fazê-lo antes de sua morte. Com um longo suspiro ele deslizou as mãos enrugadas pelos cabelos brancos conforme caminhava na parte de trás da tenda em direção a floresta. Não demorou muito para escutar passos atrás de si, não precisou olhar para saber quem era.
— Pai. — A voz de Nikollay soou a suas costas.
Nikollay e Cameron estavam parados atrás dele. Alphonse parou ao lado de uma árvore e se virou. Pela expressão de seus filhos ele já sabia que a decisão estava tomada, sua esperança era Amber não concordar com aquilo e dissuadir Nikolay, que por sua vez faria o mesmo com Cameron. Mas sua nora o surpreendeu quando deu a ideia de infiltrar a própria criança na cidade.
— Sei que o senhor não gosta desse plano, também não sou fã numero um. Mas é nossa melhor chance de voltar para casa. E o senhor sabe que isso aqui não é a nossa casa, o senhor mesmo sempre contou orgulhoso como nossos antepassados ajudaram na construção da cidade, na criação das leis. Não podemos permitir que nos reduzam a escória! — Disse Nikollay com tristeza em sua voz.
Nenhuma palavra saiu dos lábios de Alphonse, ele sabia que não adiantava contestar, gritar ou brigar com seus filhos. E também sabia que se aquilo chegasse ao ouvido de seu povo eles mesmo concordariam e aplaudiriam a Nikolay, Amber e Cam. O único que parecia estar conformado com aquela situação era Alphonse, ele estava assim porque sabia que a culpa era dele de certa forma.
— Tudo bem, vou ajudá-los. Mas com uma condição, ninguém além de nós três, Amber e Madame Seraphine pode ficar sabendo do plano. Não até chegar a hora de infiltrar a criança na cidade e mesmo quando chegar nessa hora só alguns ficarão sabendo do plano. Essa é a minha condição. — Disse Alphonse depois de um tempo em silêncio.
Seus filhos o fitaram com os olhos arregalados, não esperavam que fosse fácil convencer Alphonse, mas ele sabia que era uma batalha perdida. Então, se não tinha jeito se juntar a eles aumentavam as chances de seu povo. Ele com passos lentos se aproximou dos filhos e os abraçou.
— Me perdoem por não ter sido um líder e um pai melhor. Se eu tivesse percebido as coisas antes nada disso teria acontecido e nós ainda estaríamos em casa. — Disse o mais velho.
Ambos se assustaram, sabiam que Alphonse não era esse tipo de homem. Resolveram que era melhor não estragar aquele momento familiar com palavras desnecessárias. Então tudo que os dois fizeram, foi retribuir o abraço de Alphonse.
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