Utópica Distopia
1 Capítulo Único
Os pés já haviam sido descalços. Ao cabo de cinco minutos, pares de olhos se alojavam naquela pequena janela; as retinas brilhavam ao observá-la em seu resquício de sanidade.
As órbitas dela se encontravam coloridas. A forma do arco-íris se distinguia na parede contrária de seus olhos. Logo que se formara, as pequenas porém contorcidas mãos arranharam o chão. Seus ossos, sob um ângulo distorcido, batiam-se entre si a espera de uma tranquila paz que há tempos não se via. A respiração, outrora regulada, encontrava-se ofegante com o som que era ouvido na cabeça da garota. Forte e indistiguivel. Mandava-lhe absurdos e a assustava. Uma fina camada de tecido era passível de choques. Uma corrente que lhe percorria o corpo já deitado, quase morto. Separava-se do ar quente e abafado, contribuindo com a densidade pesada do ambiente; claustrofóbica. Ela jogou o corpo para frente, apoiando-se sobre suas mãos e joelhos desgastos. O cabelo escuro cobria-lhe parte de seu rosto, impedindo de ver seus olhos do angulo do observador. Ela se contorcia. Os braços moviam-se dobrados ao invés de possuir movimentos regulados. No desespero, ela se sucumbia. Mantinha o olhar fixo a algo que apenas ela poderia ver. A porta — única entrada do cubículo — abriu-se e de lá saiu a pequena salvação acompanhada da voz do criado. "Seus remédios, senhorita." Ao passo de que ele fechou a porta, ela jogou-se em direção a sua utopia. Não à saída, mas as drogas feitas especialmente para ela. Agora é seguro. Agora é quente. Deixou-se levar pelo efeito da morfina em seu sistema, resfalecendo-se em sua extrema felicidade. Jogada sobre seu corpo, em sua única e perfeita distopia.
Notas finais
Obrigada por ler.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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