Usuários elementais.
1 Capítulo 1.1(Introdução): Viagem
Notas iniciais
Rodovia federal, 22 de janeiro de 2010.
Era uma noite mais fria que de costume. Não sei se pelo fato de eu estar indo à minha futura casa em Vanhaast ou pela chuva incomum que caía durante a viagem. Só sei que aquele barulho das gotas no carro me fez encostar a cabeça no banco e pensar sobre meu passado, já que minha infância fora confusa.
Eu sempre fui diferente das demais crianças. Sempre tive uma repulsa ao convívio com outras pessoas, mas me sentia feliz quando me juntava à água. O mar, os lagos, os rios, o orvalho, o vapor e o gelo. Tudo isso me tranquilizava.
Nada daquilo parecia anormal. Pelo menos até aquele dia. Minha mãe havia me levado à uma casa que ficava à beira de uma lagoa, na pequena cidade me que morávamos, Timoris. Naquela casa, moravam minha tia e sua filha. Minha mãe sabia do meu apego à água, então me proibira a entrar antecipadamente na lagoa, pois sabia que eu me recusaria a sair tão facilmente. Fomos todos para fora, numa área onde havia algumas cadeiras, e nós poderíamos avistar minha prima brincando. Eu a vi nadando, brincando com uns patos, mas me sentia descontente e resmungava enquanto ela se divertia. De repente senti um frio que tomou todo o meu corpo, mas que me fazia bem. Eu senti meu corpo esfriar a uma temperatura quase nula. No mesmo momento, percebemos que minha prima havia se afastado das margens da lagoa. Ela estava numa parte afastada e gritava dizendo que estava com muito frio. Sua mãe a chamava para a terra quando percebeu que havia ondas incomuns na lagoa. Eram ondas altas, impossíveis de acontecer em um espaço tão pequeno. Minha mãe, que estava deitada numa cadeira para de praia quando me viu e gritou desesperadamente. Eu estava muito pálido, meu corpo havia esfriado ao ponto de ganhar uma fina camada de gelo e meus olhos estavam completamente brancos. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas parecia que cordões saíam de minhas mãos e se juntavam à água. Olhei para a água e vi algo fantástico. Havia um redemoinho de água, mas sem nenhum sinal de minha tia e minha prima. Minha mãe estava paralisada na cadeira, me olhando. Ela disse que fui eu quem fez aquilo. Eu não sabia como, mas eu sentia que era mesmo culpa minha. O que aconteceu depois? Não me lembro bem. Na verdade nem quero lembrar.
Minha mãe resolveu que quando completasse os estudos fundamentais, eu moraria em Vanhaast, pois lá há um Instituto de pesquisas científicas que funciona como colégio para jovens "especiais".
Depois de me lembrar dessa ocorrência, fechei os olhos e adormeci, mas logo percebi que estávamos chegando a Vanhaast.
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