Usque Ad Finem

1 Usque ad finem (Até o fim)


Prima facie (12/04/1739)

Desejava tudo que pudesse vir para meus braços

Talvez laços de uma vida vazia

Tardia seria sua vontade de desejar.

Planejar minuciosamente todos os paços vitais

Suas questões morais seriam apenas uma sórdida desculpa.

Matura essas idéias e vê teu propósito...

Omni Requiem (29/04/1739)

“Vi veri veniversum vivus vici” (Fausto)

Pensando em uma possível vida eterna

Concreta de todas as riquezas e desejos que um homem pode ter

Querer mais é um luxo mortal

Vital seria viver apenas com o que se pode carregar

Amar apenas os que lhe dão amor

Terror esse que sofri enquanto vivo

E sortido de tantas mazelas

Aquelas palavras me deixaram confuso.

Podia mesmo o homem conquistar o universo?

Em verso, requisito minha sabedoria

Alegria de viver que carregara até meu último suspiro

Um rugido da alma que hoje abraça a morte.

Encontrei nesse pequeno juramento

Meu eterno lamento, minha eterna aflição

Em vão deixei passar minhas horas

Supostas e eternas por entre meus dedos

Meus medos não representam mais do que simples fantasmas

Cascatas de sofrimento que me acolhem a alma.

Nemo auditur propriam turpitudinem allegans (08/05/1739)

E então quando finalmente compreendi a palavra

A salva de um início glorioso

Tenebrosos seria meu legado

Mensurado em sangue gritos desesperados

De tantos amaldiçoados que com minha espada condenei

E assim montei minha vívida veracidade

Jus est ars boni et aequi (17/10/1742)

Mas que direito tinha eu de condenar aqueles homens

Monges ou soldados, não interessa.

Talvez seja a pressa de alcançar minha glória

Vitória que conseguiria através do sangue derramado

E jogado aos malditos porcos de meu reino.

Fui tão imprudente em não medir meus atos

Formatos de dor e gritos que destroem minha consciência

Demência que gostaria de ter

Para ver justificar minhas más ações

Jargões esses que, infelizmente tenho que me curvar

E assim aumentar meu lamento pelos que, com violência

E usando de muita virulência mental e espiritual

Como um tal matador desalmado

Acabo matando por “pura diversão”.

Habetur pro veritate(31/12/1742)

A verdade é que nunca imaginei em vida

Uma tida vida tão banhada de sangue e seu odor

Não é necessário pudor para executar tal obra maldita

E bendita ao mesmo tempo que corrói tua carne por inteira

E vendo a beira que minha vida tornara-se

Olho para o fundo do abismo e desejo jogar-me

E afogar-me no sangue daqueles que matei tão friamente.

Ex Probatione oritur fides est amore (11/09/1744)

E foi quando pensei que toda esse agonia nunca iria findar

Eis de chegar o dia em que, por milagre me apaixonaria

E por fim, veria toda a beleza de um possível “viver”.

De doçura eram feitos seus olhos

Gloriosos de tantos amor que conseguia transmitir

E assim, consentir com sua amorosa forma de ser e compreender tudo que a envolvia.

Chovia no dia que nos conhecemos

Descemos aos pés dos mortais para então nos amar

Desejar que aquela noite chuvosa na qual nos conhecemos nunca terminasse

E continuasse sempre chuvosa, para obrigar-nos a nos abrigar

Nos afogar, um nos braços do outro

Tesouro esse que, logo eu haveria de encontrar.

Ad Salutem (24/01/1762)

E em todos esses anos que convivi com minha bela

Dela extraí as mais valiosas alegrias e ensinamentos

Que em tempos de passados acharia pura conversa fiada

Malhada das mentes liberais que desejavam que minha matança se findasse

E passasse minha “persona” pela pútrido julgamento dos homens.

Mas afinal, o que sabem os homens sobre o perdão?

Fazem questão de ensinar aquilo que nunca aprenderam

E talvez se esqueceram de, a cada dia procurar perdoar e buscar tal perdão

Ao então condenar seus iguais.

Entretanto, eu ainda não havia sido esquecido pelos que fiz mal

O tal que julgavam um “demônio” ainda caminhava livremente

Sua serpente que tanto tirava vidas ainda caminha na mesma terra dos homens que matara

E nunca perdoara por tal crime. Homens inocentes.

A verdade é que eu mudei, me arrependi e chorei por cada alma que condenei

Sepultei e arranquei deste mundo

Infortúnio que carregarei em meu legado de ódio e mortes pela eternidade

Piedade nunca terão de minha alma

E essa será minha salva de entrada, após atravessar os portões do inferno.

Mas o amor de minha amada Beatriz me fez perceber que ainda há tempo.

Que o vento sopra para os injustos e para os injustiçados, em mesma intensidade e direção.

Que o perdão virá com o tempo de aprendizado e com minhas ações, agora visões de um homem bom.

Ultima ratio (11/03/1801)

Já no leito de morte, arrependido e amargurado pelos que fiz mal

Percebi que sou sim um mortal

Como tal, eu amo, odeio, riu, choro, sangro...

E aos prantos, olho para Beatriz, a razão pela qual ainda me mantenho vivo

Ativo de esperanças, digo-lhe que, em morte, ela terá tudo que sempre quis

E vis serão ações para com o mundo

E de tudo, não terá mais minha presença carregada de sangue e amarguras

Torturas em geral para impedi-la de fazer o bem que tanto habita seu coração.

E ao chão ela me responde: “Conde, és minha última razão de viver.

Querer que tu morras é como querer meu suicídio”.

Com meu coração nas mãos, e segurando minhas últimas lágrimas

Agora fartas de chorar, olho em seus olhos e digo “Minha bela, és dela teu viver.

Pertences agora a outro propósito, negócio maior que minha simples sobrevida,

Pertences agora à Mãe Terra, pertences à minha única mãe”

E então morro

Sofro ao ver que ela chora sobre meu corpo gelado

Magoado ao vê-la chorar, parto para meu destino.

Céu ou Inferno, Paraíso ou trevas

Velas ou agonia, não sei o que me espera nesta nova vida

Mas ainda, mesmo que no sofrimento eterno, rezarei por ti, Beatriz

A mais bela mulher, que sequer considerou o monstro que havia em mim

E assim, amou-me incondicionalmente.

Notas finais
Espero que tenham gostado ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!