Useless, you are mine!
9 Capítulo 9 - Ciúmes fraternal existe?
Depois daquele dia nós nunca mais comentamos sobre o acontecido. Aquele lance da minha queda no peitoral do Mason — aliás, QUE PEITORAL, HEIN — foi muito constragedor.
E eu não falo com Zack há uns dois dias. Tenho medo de ligar para ele e parecer uma oferecida. Na dúvida, vou esperar um milagre cair sobre a Terra e ele decidir me telefonar.
Estava assistindo tv quando ouço meu telefone tocar.
– Alô! — eu disse mastigando salgadinho de queijo. Era Annie no telefone.
– Mel, precisamos conversar.
– Ah, se eu estou bem? Mas é claro que sim, obrigada por se importar, querida. — eu disse com uma voz superficial — Então, o que quer dessa vez?
– Você se lembra do Becky do 3° ano?
– Ah, o garoto da esgrima? O que aconteceu?
– Acho que descobri uma paixonitezinha por ele...
– O QUÊ???? — gritei cospindo salgadinho de volta para a embalagem — Awn, que fofo! Então quer dizer que a srta. Imune ao Amor está apaixonada? Irônico, não? — completei com voz fofa.
– Deixa de ser escrota, Melina! — ela exclamou do outro lado — E eu nunca disse que era a "srta. Imune Ao Amor"! Ah, e mais uma coisa, eu ainda to BOLADÍSSIMA com você.
– O quê?! Por quê?
– Porque você me abandonou no boliche. Dã. E nem me contou os detalhes.
– Deixa de ser fresca! — a reprimi — Eu já te disse que não aconteceu nada demais.
Ficamos conversando por mais ou menos uma hora e meia, ou seja, até Mason chegar e arrancar o telefone das minhas mãos.
– Eu estava falando com a Annie. — falei, séria, com os braços cruzados
– Nossa, jura? Perdão. — disse, em tom sarcástico.
– Você é muito idiota, sabia? — eu disse olhando pra ele.
– E você não sabe o quanto eu me sinto péssimo com isso, Melina.
– Ah, me dá esse telefone aqui, otário! — exclamei tomando o aparelho de suas mãos.
– Não vou te entregar isso! Você fala demais. — ele disse puxando o telefone.
– E quando isso for problema seu você me avisa, ok?
– É problema meu sim porque EU também preciso usar.
Após ele dizer isso, o aparelho voltou a tocar
– Alô? Caralho, Annie, você e a Melina só sabem falar.
– Me dá essa merda logo! — exclamei, puxando seu braço na altura do meu ouvido e depois, arrancando o telefone da sua mão.
– Oi Ann...
– Porra, ele irrita hein?– ela disse, visivelmente brava.
– Muito.
– Tô indo pra sua casa, para evitar futuros problemas com seu irmão nojento.
– Ei! Ele não é meu... — tu, tu, tu...
A vadia desligou na minha cara! Odeio quando fazem isso. Principalmente quando não me deixam completar a frase, poxa!
Mason percebeu que nossa conversa tinha acabado e foi se aproximando da minha orelha para pegar o telefone.
– Nem vem, moleque! — eu disse me levantando do sofá e me distanciando dele. — Não vou te entregar o telefone de jeito nenhum!
– O quê? Mas você não falou o que queria com a sua amiguinha patética?
– Sim, falei! Mas isso é pra você aprender a nunca mais me interromper. — eu disse subindo as escadas correndo.
– Melina, não corre não. Você vai cair e eu não tô aí perto pra você fazer meu peitoral de encosto. — ele disse em tom de gozação.
– Seu peitoral de um garoto de 9 anos? Aquele que é mais sem graça que uma pedra? — Tudo bem que aquilo era uma mentirinha. — O do Zack é tão melhor!
– Então peça pra ELE te ajudar quando você for idiota o suficiente pra tropeçar numa rachadura de novo, ok?
– Como quiser! — retruquei, indo para o meu quarto.
Bati a porta com força, o que não era muito fora do comum. Meu pai costumava dizer para que eu parasse de socar a porta, caso contrário, a quebraria, mas ele acabou desistindo.
Mas o foco não é esse. Por que o fato de eu ter dito que o Zack era melhor que ele tinha mexido tanto com o Mason? Quer dizer, não faz sentido! Aquele garoto me odeia mais que tudo!
Depois de 45 minutos, ouvi a campainha e desci as escadas correndo. Essa minha pressa fez com que eu batesse no ombro de Mason, que ia para a sala.
Ele fingiu que não me viu e continuou caminhando.
Espera aí! Como assim? O Mason perdeu uma oportunidade de me xingar? O que eu fiz de tão ruim? Tenho sérios motivos pra acreditar que eu seja uma monstra.
– Oi, Ann! — eu disse abrindo a porta. — Entra.
– Oi! Cara, eu tô com fome. Eu vou lá na cozinha. — exclamou, jogando a bolsa no sofá (bem no colo de Mason) e saltitou até a cozinha.
Olhei para trás, e vi meu irmão de criação me encarando, sem ao menos ligar para a bolsa em seu colo.
– O que foi? — perguntei. Ele sabia que eu tinha aflição que ficassem me olhando. Nunca gostei disso. — Mason? — estalei meus dedos na frente dele, que pareceu acordar de um transe — Acorda, garoto!
– Oi?
– Olá, seja bem vindo ao planeta Terra.
– O que foi, garota? — ele perguntou jogando a bolsa da Ann no chão.
– Eu é que pergunto! Por que tava me olhando? — disse cruzando os braços.
– Ah... nada. — ele disse se virando pra frente da televisão.
– Melina, mas não tem comida nessa casa, não? Que pobreza, hein gente!
– Assim... eu acho o cúmulo da pobreza e falta de educação a pessoa sair de casa, correr pra casa da amiga e ir direto pra cozinha para procurar comida, sabe. — retruquei caminhando até a geladeira.
– Cala a boca e vem arrumar um sanduíche pra mim! — Annie gritou alto.
– Meu Deus, ela vai comer o meu estômago! Socorro, Mason! — exclamei, subindo na mesa de madeira — Seja homem e me proteja!
– Pede pro Zack! — retrucou.
Minha impressão ou ele estava com ciúmes?
– Não dá, eu tenho vergonha de ligar pra ele! — falei — Me ajuda antes que seja tarde demais e... AAAH ELA ME PEGOU! — senti a mão de Annie agarrar a minha panturrilha — AI SANTO DEUS, ME PROTEGE!
Depois disso, senti meu corpo sendo tirado da mesa e Mason me posicionando em seu ombro. Tipo, a minha barriga no ombro dele, entenderam?
– Deus lindo, é você?
– Não, é o Mason Lindo. — respondeu.
– Ás vezes nem parece que vocês se odeiam. — Annie comentou.
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