Useless, you are mine!

2 Capítulo 2 - Opa, adoro macarronada!


Visto meu roupão e vou saindo do banheiro. Pego alguns cremes e espalho sobre meu corpo. Ando calmamente até o guarda-roupas, onde estão minhas combinações favoritas : Uma blusa do AC/DC, um shorts com a barra rasgada e um allstar preto, velho e sujo. A minha pele estava gelada por causa do creme — será possível que toda vez eu exagero? -, então esfreguei mais, na tentativa de que atrito me aquecesse. Finalmente quentinha, vesti a roupa e peguei um casaco no meu armário. Vesti o capuz para que não notassem o desastre que o animal que mora na minha casa, também conhecido como Mason, fez no meu cabelinho louro.

Enfim, pronta! Tenho que me apressar, pois marquei de ir ao shopping com a Annie hoje à tarde. Corro para o quarto do Mason, pego um dinheiro dentro da mochila dele e vou saindo.

Chegando ao salão, sou atendida por Laure. A moça com a qual confiei meu cabelo desde pequenina. Ela é ótima pessoa, e tem uma habilidade descomunal em cortar cabelos. É uma cabeleireira super recomendada, uma das melhores de Farmington, e não faz nenhum preço absurdo! Um corte normal não passa de 10 dólares.

–Olá, querida. Não está muito cedo para a repicada mensal?

–Mais ou menos — tiro o capuz e ela forma um "O" com a boca. Seu cabelo castanho avermelhado estava preso num rabo de cavalo, seus olhos negros ficaram chocados com a visão da minha cabeça — Foi o meu irmão de criação. Ele é um... um... jegue!

–Mason, não é?

–É sim.

–Minha afilhada disse que ele é lindo — ela disse.

–Ele não é lindo. — digo, vestindo novamente o capuz — Bonitinho no máximo. — ela deu uma risadinha sarcástica e olhou a agenda de horários.

–Tem um horário livre. Vou dar um jeito nisso. — ela me guiou até a cadeira, no meio das outras, que estavam ocupadas.

Normalmente as mulheres do salão gostam de fofocar no horário de embelezamento.

–E aí, você tá caidinha pelo Mason, né Mel? — disse a do meu lado, que estava fazendo as unhas, enquanto Laure aparava as pontas de meu cabelo.

–O quê? Mas é claro que não! Aquela peste não merece o amor de ninguém! — respondi duramente.

–Tá bem, tá bem. Vou fingir que acredito só para não te deixar constrangida! — disse a megera.

Fiquei com tanta raiva, mas tanta raiva que tive vontade de tomar a tesoura da mão de Laure e furar os olhos daquela vadia! Mas, preferi não responder. Vou ignorar, mas só dessa vez! Viro-me para o espelho e finjo que não escutei sua piadinha.

O clima ficou meio tenso, todas ficaram caladas. Olhavam para mim como se eu fosse uma ameaça à humanidade. Enfim, foda-se! Estou aqui mesmo é para cortar o cabelo, e não ficar discutindo com um solteirona cheia de gatos!

Trabalho terminado! Ficou bem bonitinho, meu cabelo. Ele é — pelo menos era, antes daquele animal picotar ele todo — ondulado na raiz e fazia cachos até chegar nas pontas, e também ficava um pouco abaixo dos ombros. Agora ele está quase do mesmo jeito, porém, curto.

Peguei o dinheiro do Mason em minha carteira e paguei Laure. Me despedi e fui embora. O dinheiro que sobrou dá até pra comprar um café. Mason vai me matar quando eu chegar em casa, mas... não estou ligando pra isso agora!

Chego em casa. Entro na copa e os encontro almoçando, não param de me olhar. Como se eu tivesse feito algo de errado. Daí eu me lembro que roubei o dinheiro do Mason — o que de certa forma não foi nada errado, pois ele picotou meu cabelo!

–Olá! — digo tentando quebrar o gelo.

–Olá, queridinha! Como vai? — perguntou Glenn, com sua voz estridente.

–Bem, obrigada por se importar! — olho ligeiramente para meu pai.

–Ah, desculpa filha. É que eu estava aqui, tentando descobrir quem foi que roubou o dinheiro do Mason! — cai entre nós que meu pai não é muito bom em mandar indiretas.

–É, quem será? — digo, com um sorrisinho de satisfação no rosto. Passo por Mason e lhe dou um tapinha na cabeça, me sentando ao lado dele.

–Seu cabelo estava lindo hoje de manhã. — ele comenta, irônico, o que só me faz olhar para ele com cara de "eu vou arrancar seus pulmões e beber seu sangue com suco de uva". Ele levanta os braços em gesto de rendição e continua comendo. Meu pai me serve um prato com macarrão, exatamente como minha vó fazia.

–Melina. Não foi certo o que você fez. — meu pai comentou.

–Discordo. — disse Glenn — Se ele estragou o visual dela, ele merecia uma vingancinha. Nós caímos na risada, enquanto o garoto nos encarou, quase dizendo "Que porra é essa?".