Useless, you are mine!

14 Capítulo 14 - Minha mãe é unica, ok?


Depois da escola Ann foi pra minha casa, juntamente com a peste do Mason.

Lá conversamos muito, passamos trotes na pastelaria da esquina, rabiscamos o Mason Lindo de caneta enquanto ele cochilava, depilei o bigode da Annie — sério. Isso porque meu "irmão" é insuportável — Enfim, Ann teve de ir embora por causa dos enjoos de Mason.

Já eram 19h e eu estava sentada no sofá da sala fazendo as unhas.

– Melina, quantos segundos eu deixo aqui aqui no microondas pra estourar a pipoca? — meu pai perguntou da cozinha.

Mason riu baixinho do meu lado mas continuou a assistir televisão.

– Tem uma opção bem ai no microondas, pai. É só apertar o botão com desenho de pipoca.

– Ah, achei! — ele exclamou. — Obrigado, Mel.

– Por nada. — eu disse fuçando em uma bolsa à procura de cores legais para pintar as unhas.

– Quem é o anjinho mais inteligente do papai? — Mason perguntou balançando meus ombros e fazendo voz fina e irritante.

– Cala a boca, seu escroto! — exclamei, dando um tapa no seu braço.

– Santo Deus! Que TPM, Melina!

– EU NÃO ESTOU DE TPM! — gritei — Porra! — ou talvez esteja... — Espera, que dia é hoje?

– 7. — respondeu, com o rosto neutro

Fiz a conta de 28 dias e concluí que sim, eu estava de TPM.

– Porra, eu to de TPM mesmo... Que merda!

– Você tá falando muito palavrão, mocinha. — Mason me repreendeu, fingindo que era um santo protetor.

– É mesmo? Foda-se. — me levantei do sofá, peguei os meus materiais de manicure e subi para o meu quarto.

– Mas, Melina. Não quer pipoca? — Meu pai gritou da escada com cara de desentendido.

– Não quero não. — eu disse fechando a porta vagarosamente, senão eu levaria uma bronca.

Depois de entrar no quarto, me sentei em minha poltrona, liguei a tv no canal de músicas e continuei fuçando à procura de esmaltes.

Pintei minhas unhas de cor branca e colei adesivos de bigode preto em todas as unhas das mãos. No pé eu fiz francesinhas brancas.

Assisti um pouco de televisão enquando o esmalte secava. Depois de seco, me despi e entrei debaixo da ducha.

Depois de lavar o rosto, o cabelo e o corpo, vesti meu roupão e saí do banheiro. Fiz aquela cerimônia toda de passar cremes e blá blá blá, afinal, eu preciso ficar com a pele macia.

Enfim, vesti um shorts e uma blusa bem simples, eu não estava afim de vestir o pijama, pelo menos, não agora.

Desliguei a TV e peguei um livro na estante. Era "O Hobbit". Comecei a ler e fui até a página 52, até o meu celular começar a tocar. Atendi a ligação, mas não parei de ler.

– Alô? — falei, distraída.

– Oi, amiguinha! — reconheci a voz da Annie.

– Oi, o que você quer?

– Nada, eu só tava intediada. O que estava fazendo antes de atender esse telefone?

– Lendo um livro qualquer aqui da estante... — eu disse com voz sonolenta.

– Nossa, Melina! Quanta animação, hein. — ela comentou sarcasticamente.

– A única que coisa que eu estou animada nesse momento é pra ir dormir, srta Annie McPhee. — retruquei fechando o livro.

– Essa minha amiguinha é muito grossa mesmo. — Ann indagou. — Você não está animada para o encontro de amanhã?

– Não sei, na verdade não. O Zack nem deu sinal de vida, acho que ele não está com a mínima vontade de ir ao shopping conosco. Mas, a que horas devemos nos encontrar?

– Sei lá, umas 15h tá bom pra você? — sugeriu.

– Pode ser...

– Olha, Melina. Vou ir dormir agora. Tchau, bê! — ela disse se despedindo.

– Tchau, amorzinho. Beijo pra você.

Desliguei o celular e fui até a estante para guardar O Hobbit. Depois de o colocar em seu devido lugar eu decidi ir até a cozinha.

Desci as escadas e dei de cara com Mason comendo um bauru estranhamente sentando de frente ao balcão da cozinha.

– Pode comer mais devagar, guri. O fim do mundo é só dia 21 de dezembro. De acordo com meus cálculos ainda faltam hmm... 44 dias. — eu disse sorrindo.

– Melina! Vá a merda. — Mason disse engolindo o sanduíche.

– O que foi, Mason? Tá estressadinho, é isso? — eu disse levantando as mãos em gesto de rendição.

Fui até o porta copos e peguei um deles. Me dirigi a geladeira e coloquei um pouco de água no copo. Estava morrendo de sede.

– Melzinha, linda...

– O que foi, seu peste?

– Pega um copo de água pra mim? — ele disse fazendo carinha fofa.

– Mas, nem morta. Você tem mãos, não tem?

– Tenho, mas... — o interrompi.

– Então venha buscar sua água. — eu disse subindo as escadas de volta.

– Puxa, Melina! Como você é meiga...

– Sou mesmo! — gritei do andar de cima.

Subi até meu quarto. E me direcionei ao banheiro. Lá escovei meus dentes e prendi minhas madeixas com a mesma liguinha de cabelos que achei no quarto de Mason.

Olhei no relógio, faltavam cinco minutos para as onze e eu estava morrendo de sono. Portanto, fui até minha cama e cai no sono.

Quando acordei, percebi que não era a hora de acordar. Olhei o relógio do meu celular e vi que eram 3h da manhã. Continuei deitada, mas senti como se todo o sono que havia dentro de mim tivesse sido arrancado do meu ser.

Fiquei me revirando na cama até desistir de pegar no sono. Me sentei no colchão e cacei minhas pantufas com os pés. As calcei e desci até a sala.

Todas as luzes estavam apagadas, então, para evitar que eu, com toda a minha genialidade, levasse um tombo, acendi a luz da sala de tv. Me joguei no sofá e peguei o controle na mesinha de centro.

Estava passando The Big Band Theory, e eu assistia sem muita atenção, até meu estômago roncar.

– Hm... Lanchinho da madruga... — falei, comigo mesma, enquanto ia até a cozinha.

Fui até o armário porta condimentos e tirei de lá um pacote de cookies. Depois fui até a geladeira e peguei um pouco de suco de maracujá.

Me sentei novamente no sofá para fazer meu "lanchinho da madruga" assistindo seriados. The Big Bang Theory havia acabado e estava passando Two And a Half Men.

Fiquei algum tempo assistindo televisão, no máximo quinze minutos! Quando de repente vejo meu pai descendo as escadas.

– O que anda fazendo acordada à essa hora? — meu pai perguntou coçando os olhos e vindo em minha direção.

– Perdi o sono. — respondi mordendo um biscoito — Aceita? — perguntei apontando o pacote de cookies para ele.

– Aham, valeu... — ele disse pegando um — é assim que vocês dizem, não é? — completou com um sorrisinho meio bobo.

– Não fala assim não, pai... — falei, meio rindo.

– Tá bom.

– Mas e ai... Porque você tá acordado? — perguntei. Ele se sentou ao meu lado — Achou que tinha um estuprador aqui? E obviamente, a Glenn e eu precisamos da proteção de um homem maduro e másculo como você, certo?

– É, por ai. — concordou — Mas e então, você não tinha uma apresentação hoje?

– É, não deu tempo de fazer hoje. — respondi, olhando fixamente para a tv enquanto levava outro biscoito a boca. — Eu não sei falar em público, pai, e você sabe, que saco! — meu pai dava algumas palestras pelo estado. Nada muito grande, mas eram palestras boas.

– Sua mãe também não sabia. — pousei minha cabeça no seu ombro — Você me lembra muito ela. Quer dizer, seu jeito de ser. Ela também tinha essa personalidade forte, era muito inteligente, séria...

– Eu nem me lembro bem da aparência dela... — senti uma lágrima teimosa nascer no meu olho — Sinto saudade. — sequei a lágrima chata.

– Eu também. Mas a Glenn é muito boa com você. Ela gosta bastante de você, Melina.

– Eu sei! E eu também gosto dela! — Glenn me irritava um pouco, mas tudo bem. — Mas ela não é minha mãe.

– Eu sei, Mel. Mas ela te ama como se você fosse filha dela. — ele disse calmamente, me dando um beijo no topo da cabeça — Agora vou voltar para a cama. Você devia fazer o mesmo.

– Vou daqui a pouco. — coloquei meus pés na mesinha e sorri.

Falar sobre a Glenn e minha mãe no mesmo assunto é meio complicado. Nunca sei bem o que dizer. Porque... cara, como assim? A Glenn não é minha mãe! Tá bem longe de ser! Só porque ela é mulher do pai não quer dizer que ela seja... enfim. É que... comparar qualquer outra pessoa com a minha mãe é idiota! Nunca ninguém vai ser o que ela foi pra mim.

Esses assuntos sempre me deixam nervosa, triste e frustrada. Tudo ao mesmo tempo.

Fiquei um tempo pensando e logo desliguei a tv. Estava cansada e finalmente o sono havia chegado.

Retornei até a cozinha, guardei os cookies que ainda sobraram e lavei o copo sujo de suco de fruta.

Fui caminhando novamente até o meu quarto. Olhei no relógio e já eram quase 5h da manhã. Bem, de qualquer forma eu ainda teria umas duas horas para dar um cochilo. Portanto, deitei na cama e peguei no sono.

Acordei com o sol batendo na minha cara. Pisquei umas três vezes, até meu despertador começar a apitar que já era hora de acordar. Dei um tapa no relógio, que parou com o "pi pi pi" irritante na mesma hora.

Me levantei e mexi no cabelo, desfazendo o rabo de cavalo de sempre. Fui meio que me arrastando até o banheiro, onde joguei muita água no rosto, numa tentativa de acordar.

Nossa! Eu estava tão "linda"... meu rosto estava semelhante ao rosto do Coisa do filme Quarteto Fantástico. Ok, eu exagerei. Meu rosto só tava inchado.

Lavei meu rosto e passei uma série de produtos para hidratação e cuidado. Depois escovei meus dentes e prendi meu cabelo em um coque.

Fui até meu guarda-roupas e tirei de lá uma regata preta e uma calça da mesma cor. As vesti e tirei do mesmo um moletom cinza do Mickey Mouse — parece infantil mas ele é lindo e confortável -. Peguei duas meias sortidas porque nunca acho pares iguais das minhas meias e um tênis branco que evito usar porque as pessoas tem a bobeira de querer "batizá-lo".

Fui até a caixa de bijuterias do meu criado mudo e peguei meu anel de cruz e uma pulseira de prata com vários pingentes em volta. Por fim, passei um batom rosa bebê, peguei minha mochila e saí do meu quarto em direção à copa.

– Bom dia. — eu disse descendo as escadas.

– Bom dia! — meu pai e Glenn responderam em coro.

Mason estava debruçado na mesa, isso é meio raro de acontecer. Sentei do seu lado na mesa e disse batendo em seus ombros.

– Quem foi que te deu o fora dessa vez?

– Aqui pra você ó: — ele se levantou da mesa e saiu me mostrando o dedo do meio.

Eu ri enquanto meu pai e Glenn me olhavam assustados.