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10 Respostas
Notas iniciais
Elienor arqueou as sobrancelhas à medida que o homem se aproximava com as chaves. Apesar de a estar a ajudar a fugir daquela prisão, a sua desconfiança ainda era visível. Não confiava naquele suposto “Mestre Fu” que, pelos vistos, sabia da sua verdadeira identidade. — O que está aqui a fazer? – Pergunta de uma forma grosseira. O homem não se incomodou com aquele fato e continuou a abrir as fechaduras que prendiam a rapariga. Parecia que já esperava aquele tipo de tratamento e, por esse mesmo motivo, não se mostrava afetado com as palavras bruscas de Elienor. — Vim ajudá-la, mas é claro. – Diz com toda a naturalidade do mundo. A rapariga não se mostrava satisfeita com a resposta. Será que seria uma armadilha preparada por Eric? Será que a iam levar para o seu sítio de execução? Os seus pensamentos de suspeita pararam assim que Tikki solta um pequeno barulho, demonstrando à garota que a estava a magoar. Os olhos curiosos do senhor dirigiam-se ao sítio onde a pequena criatura se encontrava escondida. Elienor tentou a proteger, encostando-a ainda mais contra si, com a intenção de o impedir que a magoa-se, coisa que ela pensava que ele iria fazer. Mas muito pelo contrário, o tal mestre soltou um pequeno riso abafado e de dentro das suas vestes retirou uma pequena bolacha para alimentar a pobre pequena. A morena mostrou-se espantada. — Como… Você sabia? – Pergunta-lhe enquanto começava a baixar a guarda e permitindo-lhe que alimentasse a sua pobre amiga esfomeada. — Venha comigo. Temos muito que falar. – As algemas que a prendiam estavam já completamente soltas e ela livre de sair daquela sua cela. Mesmo ainda um pouco desconfiada, seguiu o homem que a salvou e que sabia da existência de Tikki.
Eric Dubois observava o trabalho do povo pela janela do seu escritório. Um minúsculo sorriso permanecia na sua face assim como também um imenso orgulho. Ladybug encontrava-se à sua mercê, presa num dos piores sítios de Paris, e Chat Blanc trabalhava para si. O seu plano estava a correr como esperava mas sabia que não podia ainda festejar por vitória. Ele sabia que imprevistos podiam ocorrer, sabia que Chat Blanc podia se revoltar contra si ou Ladybug podia cometer uma loucura qualquer. A sua mente ainda continuava a construir planos. Planos que, desta vez, não envolvam Roger a intervir com os mesmos. — Aquele nobre… — Resmungava à medida que a sua raiva acumulava. Roger tinha seguido ordens que não foram dadas pelo burguês, e isso, era o que lhe enfurecia ainda mais. Os nobres agiam na maneira como eles queriam agir e nunca pensavam nas consequências que as suas ações podiam ter. Era esse tipo de comportamento impulsivo que ele mais detestava. E por isso mesmo, iria tomar medidas drásticas enquanto ao comportamento desagradável dos seus súbditos. — Senhor! Senhor! – Um criado abriu a grande porta do escritório do seu patrão muito subitamente. O empregado encontrava-se com uma face aflita enquanto esperava para notificar uma novidade desagradável. — O que eu disse sobre bater à porta…? – Eric Dubois falava muito calmamente e demonstrava não ter sido incomodado com a entrada repentina de um dos seus criados. No entanto, não era isso que o criado captava. — Peço desculpa, senhor. Mas… — o homem estava bastante nervoso. Não sabia qual seria a reação do seu amo e temia pela mesma. – LadyBug fugiu da prisão! Vários minutos de silêncio fizeram-se naquela sala. O portador da novidade ficava a cada instante mais nervoso e o silêncio não o ajudava em nada. Finalmente, depois de algum tempo, Eric Dubois suspirou. Um suspiro pesado e cansado, como se ele já espera-se que tal coisa acontecesse. “ Estamos a falar de Ladybug, não é…? “— Chame Chat Blanc e Roger, por favor. É necessário falar com eles. – Diz com toda a calma do mundo como se nada tivesse acontecido. O criado rapidamente aceita as ordens do seu mestre e corre à procura dos homens que ele tinha pedido para chamar. Se fosse demorar muito, seriam possivelmente as últimas ordens que iria receber. Preferia se despachar ao ter que planear o seu próprio funeral.
Os dois homens que se detestavam mutuamente avançam para o escritório do homem para quem trabalhavam. Durante o caminho houve muita troca de olhares pouco agradáveis, tornando óbvio a existência de uma rivalidade entre ambos. Talvez tenha sido uma consequência do caso que ocorreu com Ladybug. — Senhor Dubois, tenho que admitir que hoje está um espanto. Um encanto! – O nobre Roger não deixava de escapar um ou dois dos seus “encantos”. — Deixe um ou outro dos seus truques quando se for encontrar com o seu criador. – Diz bruscamente Eric com o fim de acabar com único paleio inútil que Roger sabia falar. O comentário do burguês deixou-o aterrorizado e não tive mais coragem de dirigir mais nenhuma das palavras. — O que quer, oh grande mestre? – Chat Blanc não tinha qualquer tipo de gosto em interagir com o seu pai e muito menos seguir as suas ordens. Todavia, com um pouco de sorte, o seu parente não se deixou levar pelas suas brincadeiras e continuou firme. — Ladybug fugiu da prisão… O que tens a dizer pela tua defesa, Roger? – O clima daquela sala rapidamente mudou com aquela simples pergunta. Nunca o nobre sentiu tanto receio por um homem e Chat Blanc nunca sentira tanta felicidade por uma única frase. Todavia, um conseguia disfarçar os seus sentimentos melhor do que outro. — E-Eu não sei, senhor Dubois. Deve ter sido um pequeno erro de segurança! ...Talvez. – O chefe dos guardas-civis tentava se justificar com palavras vazias e, claro, fracassava. Chat Blanc achava aquela situação engraçada, divertida até, pois conseguia ver um dos seus inimigos a passar um mau bocado que poderia muito bem encaminhá-lo à morte. No entanto, o nobre começava a atingir o seu limite de paciência — sabia que Roger era incompetente mas nunca pensou que seria assim tão medíocre. — Vejo que não irei mais precisar da tua ajuda, Roger. Provaste ser um homem de capacidades com total inutilidade. – Declarou com orgulho e sem qualquer tipo de empatia pelo homem. O nobre descartado caiu em si, iludido com a ideia de que fez o correto e que ainda iria ser elogiado por tal. Agora entendeu que deixou o seu amo mais frustrado. — Mas, senhor Dubois. Tenho certeza que conseguirei… — O gordo não conseguiu acabar o seu discurso pois Dubois lançou-lhe um olhar feroz, venenoso e mortal. Permaneceu, então, sossegado e calado até lhe darem ordens de ir embora (coisa que demorou pouco tempo). Eric Dubois e Chat Blanc eram agora os únicos no grande escritório. O mais novo espera, não tão impaciente e desejoso, das ordens de seu pai, que já sabia que iam ser as mais desprezíveis de sempre. Ele sabia bem que a culpa tinha sido dele ao aceitar trabalhar como o diabo. — Chat Blanc… A tua missão é eliminar Ladybug. De uma vez por todas. – A última frase foi dita o mais devagar possível e o sangue de Oliver congelou.
Elienor encontrava-se na casa do Mestre Fu com uma manta em cima dos ombros e com uma chávena de chá quente na mão. Ainda desconfiava daquele homem que a tinha salvado daquela masmorra, mas, a sua desconfiança ia diminuindo à medida que o tempo passava. Os dois permaneciam em silêncio mas a morena viu-se na obrigação de dizer alguma coisa. — Obrigada por me ter ajudado… — Responde um tanto envergonhada. O senhor acalma-a, respondendo-lhe com um simpático “De nada”.— Preciso de saber… Como você sabe de… Mim? – Elienor não queria dar mais detalhes pois já sabia que não eram necessários. — Eu acho que seria melhor explicar, sim… — Com esta declaração, o homem que se encontrava num canto da sala a preparar o chá, aproximou-se do pequeno sofá com a chaleira na mão. Suspirou fundo antes de responder a qualquer tipo de dúvidas. — Como já sabe o meu nome é Mestre Fu. Fui eu quem lhe entregou o miraculous de Ladybug. – Explicou com toda a calma do mundo – Eu próprio sou um portador de um miraculous. O da tartaruga. – Nesse momento, Wayzz aparece detrás do homem, se apresentando rapidamente. Tikki, com curiosidade, aproxima-se kwami verde. Elienor observava toda aquela situação com bastante interessante enquanto as suas dúvidas, teorias e questões acumulavam-se na sua mente. — Mas… Como? Como surgiram os kwamis e porquê? – Pergunta com a intenção de saber ainda mais sobre as criaturas que pensava conhecer. – Eles têm algum tipo de poder? O homem, paciente, esboça um sorriso calmo e tenta responder à rapariga curiosa. – Ninguém sabe de onde eles surgiram. Possivelmente de uma manifestação de um grande mal, talvez de uma praga. Ou várias! — Explica uma das suas teorias sobre o surgimento daqueles seres mágicos. – Tikki “nasceu” com o propósito de combater esse mal, de usar o seu poder para eliminá-lo. Plagg, o kwami de Chat Noir, têm o poder de… Digamos, de destruir. – Mestre Fu solta um pequeno riso abafado. Elienor ficou ainda mais confusa após saber do poder que o seu parceiro possuía. — Destruir? Chat Noir destrui? – Pergunta um tanto aflita com o que ele poderia fazer com tal informação. — Não se preocupe. O seu poder, Cataclysm, só pode ser usado uma vez. Assim como o seu. – O senhor bebe um gole do seu chá que tinha acabado de deitar para a chávena. – Não se preocupe, tenho a certeza que ele nunca o usaria para o mal. — Não teria tanta a certeza quanto a isso… — murmura a jovem enquanto olhava para o seu reflexo no líquido que bebia. As suas memórias encontravam-se dolorosamente intactas. A traição do seu parceiro vincava-lhe na mente à medida que pensava naquele rapaz que tanto a ajudou em muitas situações. Fu desviou o seu olhar para a rapariga pensativa, observando-a perdida nos seus próprios pensamentos e no próprio desespero que os mesmos lhe davam. Todavia, rapidamente despertou do seu transe. Olhou para o homem e sorriu como se nada tivesse acontecido. — Obrigada, por tudo. Por me ter ajudado e… Curado. – A rapariga olhou para o seu abdómen que já não tinha qualquer tipo de ferida ou hematoma. Era incrível o poder de cura do Mestre Fu. — Esse… É o poder do portador do miraculous da tartaruga. – Elienor dirigiu o seu olhar e atenção para Fu. – Cura e imortalidade. – O olhar do homem tornou-se mais vazio à medida que pronunciava as suas seguintes palavras. – O portador do miraculous é o guardião dos outros kwamis, é a sua função os distribuir para as pessoas certas. É também o seu dever os curar quando necessário. – A sua voz agora demonstrava um grande tom de melancolia. – É necessário estar sempre atento ao mundo. Ser se imortal… – O homem tentou fazer um sorriso forçado para esconder um pouco da sua nostalgia. Elienor sentiu que o Mestre Fu possuía um passado doloroso que não gostaria de compartilhar. Por isso, não conseguiu fazer mais qualquer tipo de perguntas sobre o mesmo. Preferia possuir aquele tipo de informação sobre os kwamis – era pouco mas o suficiente. A casa de Mestre Fu era honesta, via-se perfeitamente que o homem não possuía qualquer tipo de dificuldades em se sustentar. Podia-se dizer que era mais rico que a maioridade do povo mas mais pobre que a minoria dos burgueses. A habitação estava situada ao pé do centro da cidade, onde se podia ouvir claramente a confusão e o coração de Paris. Ao seu ver, era bom viver naquela casa e vida.
O silêncio rapidamente se quebrou com o som de uma voz grave. Elienor e Mestre Fu estremeceram ao ouvir aquela voz. A rapariga rapidamente se levantou e dirigiu-se para a janela onde conseguia ver a silhueta de um jovem com uma armadura branca. Não conseguia estabelecer contacto visual já que o mesmo encontrava-se de costas para ela. No entanto, ela sabia o que ele queria. — Chat Noir… — murmurou antes de cerrar o punho. Suspirou fundo e olhou adiante e confiante. O Mestre Fu queria impedir a rapariga de fazer algo imprudente mas sabia que o seu coração só olhava para Paris com paixão. Estava no seu sangue proteger o seu país com a sua vida, mesmo que tenha que lutar, outra vez, com o seu companheiro.
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