Us

3 Decisão


Notas iniciais
✖ Capítulo 3 de Us /o/ Um dia atrasado porque ontem passei o dia todo fora de casa ;3; ✖ Espero que gostem! E aviso que, neste capítulo, o assunto é um pouco mais pesado. (ou tentei torná-lo)

— Senhor! Chegou o relatório que pediu. – Um dos guardas da grande mansão do nobre bateu duas vezes na porta antes de entrar, um vício que teve que adquirir ao começar a trabalhar com aquele homem.

O homem forte virou-se, com uma expressão que os próprios empregados pouco viam: uma expressão de felicidade. Pegou rapidamente nos papéis quase como se os quisesse rasgar. Os seus olhos percorreram as folhas a uma velocidade enorme, assustando o seu subordinado.

— Muito bem, quero que façam mais uma coisa! – Depois de ler rapidamente todo o relatório que lhe tinha sido entregue, colocou-o levemente em cima da sua secretária. Com gula, retira uma perna de frango que se encontrava ao pé. – Qelo qle me tlagaum tlodos os sluspetos dos cliumes males recuentes.

A imagem era um tanto nojenta: um homem rico mas gordo, a falar de boca cheia e a besuntar as mãos sujas no seu vestuário. Possivelmente, se não pagassem tão bem ao guarda, ele já tinha desistido do seu emprego. Revirou os olhos com nojo, pedindo a Deus que o livrasse daquele cómodo. – Como bem entender, senhor. – Proferiu com um certo tipo de nojo pela cena e pelo homem. Caminhou em direção à porta e a fez atrás de si.

— Óplitimo! Eistol estla a coller blem! – Continuava a comer com ansiedade e orgulho, a sua gorda perna de frango, enquanto observava o povo a morrer de fome pela janela do seu escritório. Como a pequena nobreza era cruel para o grande povo. Limpou as mãos, novamente, à camisa que possuía e girou a cadeira para conseguir trabalhar na secretária. – Hm… O meu objetivo seria acabar com estes heróis mas reconheço que será uma tarefa difícil. – Sorriu perversamente, com um plano na mente e uma intenção demoníaca. – Senhor Dubois, não o irei dececionar.

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Uma janela a entrar muito pouca luz, um ambiente húmido e perfeitos para pequenas ratazanas. De longe conseguia se ouvir alguns pingos de recentes chuvas a cair nas pedras fortes. O local era assustador. O vento, que conseguia fugir entre as fendas das paredes, mexia levemente o ferro que se encontrava estendido no chão.

No meio dessa sala, a jovem mulher assustada, temia pela sua vida. Com os braços atados e os olhos vendados, tudo o que conseguia fazer era ouvir e esperar. Ouvir os sons que a assustavam cada vez mais e esperar por, possivelmente, a sua morte. Engoliu um seco ao ouvir passos. As costas que tocavam nas pedras húmidas das masmorras não lhe davam qualquer tipo de conforto para se levantar. Correção: Nada naquele espaço dava-lhe conforto.

A grande porta abre-se e ela encolhe-se, em modo de defesa, desejando com todas as suas forças que a sua filha esteja em segurança. Preferia morrer do que ver a sua Elienor ferida….

— Primeira testemunha, senhor! – A voz do homem suou por todas as paredes a ponto de tremelicar as correntes e algemas. Passos ainda mais pesados aproximavam-se de Odete, mandando-a encolher como forma para a proteger. – Retirem-lhe a venda. – Os seus olhos, que ao longo do tempo, iam se destapando, arregalaram-se no momento em que ela conhece aquela voz.

— Senhor Dubois! – Depois daquela chocante revelação, não teve mais palavras para lhe dirigir: ou era o nojo, ou era o medo que lhe impossibilitara de tal. Ficou aterrorizada ao perceber que, o homem que ordenou libertá-la, era o mesmo homem que ela confiava (apesar do seu mau-feitio).

— Surpreendeu-me a sua rapidez, Roger. – Expressa a sua gratidão ao chefe dos guardas. – Passou uma hora que lhe dei a ordem e já têm uma testemunha. Estou surpreendido. – Facilita-o, com o seu olhar maquiavélico.

— Mas é claro, senhor Dubois! Com isto, conseguimos tudo! – Ao dizer esta frase, o nobre gordo esfrega o polegar e o indicador. – Além do mais, é necessário pensamentos rápidos! – Ri dos seus atos, feliz pela captura e pela apreciação que o seu chefe lhe deu. – O plano HawkMoth vai correr como p-!!! – Naquele momento, a sua boca é abafada pela forte mão de Dubois. A expressão que lhe mostrava não era das melhores, e muito menos das mais famosas.

— Não mencione esse nome em frente da testemunha, PALERMA! – Num ato de raiva e espontaneidade, arremessa-o à parede. Os guardas ficaram preocupados com o seu chefe, mas caso interviessem, iriam acabar como o nobre.

— Plano HawkMoth…? – Uma voz fina e masculina retira os pensamentos raivosos da cara de Eric. Aproxima-se levemente da mulher, com cautela e carinho. Traça um leve fio pelo seu rosto, tocando-o levemente enquanto a mulher se encolhia de pavor. No entanto, a expressão de Dubois era neutra, pacífica, era o seu oposto.

— Minha pobre Odete. Envolvida nestes planos de vingança. – A voz sussurrou na sua orelha como veneno. O som que saia da voz daquele grisalho parecia ser produzido por uma cobra, uma víbora. – Infelizmente, vamos precisar da sua ajuda. Qual é a identidade verdadeira de LadyBug? – Disse em surdina, a ponto dos guardas que estavam a guardar a porta, não conseguissem ouvir. – É a única coisa que precisamos de saber. Conhece LadyBug?

Os olhos da morena arregalaram-se ao ouvir aquele nome. Porém, não iria dizer nada sobre o assunto porque pouco sabia dele.

— Conheço a heroína que salvou o povo inúmeras vezes mas não sei quem é por detrás da máscara. – Os seus olhos marejavam com medo do que pudesse acontecer àquela jovem. Proteger, tinha que a proteger a qualquer custo…

— Hm… Têm a certeza, Odete?!

— SIM!

A mulher deu um salto com o seu próprio tom de voz. Nunca tinha levantado a voz tanto assim e especialmente aquele homem. Naquela vez, ela realmente chorou. Lágrimas desesperadas de uma mãe que pode perder um filho. – Por favor, não! Tudo menos isso…! – Chorava em pânico, olhando fixamente para os olhos azuis daquele que se encontrava à sua frente. Não havia um pingo de piedade neles.

— Entendi… É alguém que você conhece. – O desespero atingiu o limite, ao vê-lo se afastar gradualmente. Debatia-se imensas vezes para se desprender mas era inútil resistir contra as suas amarras.

— Dubois! Por favor…! Por favor…! A minha… – Honra? Filha? Heroína? Nunca se soube quais foram as últimas palavras que foram abafadas pelo choro.

Antes de sair da masmorra em que se encontrava a morena, Eric olhou-a de ombro e deixou um leve sorriso sair.

— Desculpa, Odete. Tu e esse teu povo são como uma pedra no meu sapato. – Dito isto olha para um dos guardas. – Já sei tudo o que devia saber. Levem-na daqui e façam aquilo. – Ordenou e ambos os guardas se espantaram com tamanha crueldade. – Mas senhor! É uma mul- – Foi impossível acabar a frase. Ninguém se podia opor ao burguês que tudo controlava. Paris, França e em breve, ChatNoir e LadyBug.

O nobre levantou-se com dificuldade e dirigiu-se ao local onde estava o altivo e sangrento burguês. Conseguia-se perceber cada vez mais, o porquê de todas as classes sociais terem medo dele. Ele era frio e impiedoso para qualquer um: homens, mulheres e crianças. Não havia ninguém que pudesse se dirigir à frente e lutar contra ele. Tinham medo do seu poder físico e psicológico.

Os guardas arrastavam o corpo derrotado da mulher ao longo da masmorra, seguindo depois o corredor. Uma última vez, como forma de piedade, os guardas que a transportavam, olhavam para Eric Dubois. No entanto era inútil, esse homem tinha-lhes virado as costas. Eles sabiam que morriam se não cumprissem o que deviam de cumprir, mas os seus ideais falavam mais alto.

— Hey… O que acha? Seguimos ordens? – Um deles pergunta ao outro, com pena por terem que executar tal trabalho. O outro, apreensivo, abanou a cabeça num ato inocente e sem saber o que escolher. A sua sobrevivência ou os seus ideais?

—------------- Casa de Maya —-------------

A rapariga entrou sem fôlego na casa da sua melhor amiga. Sabia que era rude entrar na casa das outras pessoas daquela maneira mas era uma emergência. Não sabia da mãe, onde ela estava ou se estava bem, e necessitava de apoio da sua melhor amiga. Ela sabia o que fazer naquelas situações (muitas vezes era só necessário manter a calma). No entanto, mesmo que sejam só as mesmas palavras de sempre, querias as ouvir de alguém. Queria ouvir alguém lhe dizer que estava tudo bem. Que tudo iria correr bem. Era isso o que ela precisava de ouvir naquele momento.

— Elienor? O que se passa? – Ao ver a figura da amiga, a morena sentiu-se mais aliviada. A preocupação que sentia pela mãe ainda era a mesma mas agora tinha o apoio de quem mais confiava. E isso, naquele preciso momento, era o que mais importava.

— Maya..! Eu perdi a minha mãe! – Dizia com certa dificuldade em respirar. Se não tivesse uma cara tão preocupada, de certeza que a sua amiga iria fazer alguma piada, como sempre fazia. Todavia, era algo sério. Odete tinha realmente desaparecido sem deixar rasto. Elienor então tentou arranjar uma história, a ponto de não revelar ser LadyBug, em que tinha perdido a mãe de vista no mercado e nunca mais a viu. Não estava em casa e muito menos no local de comércio, onde ela passou a pente fino antes de se encontrar com a sua melhor amiga.

À medida que contava a versão do sucedido, as suas esperanças continuavam a desaparecer gradualmente. Não havia quase nada que a pudesse animar a não ser ver a sua adorada mãe. Ela adorava-a com todo o seu coração, era a pessoa que mais importava para ela e não gostava mesmo nada por onde as coisas estavam a chegar.

— Calma Eli. Provavelmente foi dar almoço a teu pai, certo? – Fez o máximo que podia para a acalmar, mas era difícil quando a rapariga se encontrava naquele estado. Os seus dedos passeavam pelos cabelos longos e finos da morena, dando-lhe uma sensação mais de segurança. Elienor continuou a chorar no ombro de Maya a ponto de fazer com que todo o peso que sentia no seu peito desaparecesse. Continuou e continuou… E eram poucas as probabilidades que ela iria parar.

Elienor adormecera na casa de Maya, mais propriamente na sua cama. Sempre que a morena se encontrava em sarilhos, era aquela jovem que a ajudava. Todas as vezes. Porém, naquela situação, nem mesmo ela podia ajudar.

— Maya, está se fazendo tarde. – Avisou a senhora Bion, mãe da jovem mais escura. – Não seria melhor ela ir para casa? – Perguntou à filha, mostrando a mesma preocupação que as mais jovens sentiam.

Maya suspirou ao pensar numa forma para resolver aquela situação. No entanto, eram poucas que surgiam.

— O que posso fazer, minha mãe? – Perguntou-lhe com esperança nos olhos que a mais adulta lhe conseguisse dar uma resposta.

— Bem, ela pode ficar por esta noite mas têm que avisar os seus pais. – Explicou dando a autorização prévia para que pudesse passar a noite num sítio confortável e que pudesse confiar.

— Eu vou, minha mãe! Não se preocupe! – Disse com entusiasmo.

“Aproveito e explico a situação ao seu pai. Não deve ser fácil”

A nobre jovem abre a porta da cozinha, a que dará à rua principal de Paris. Já se tinha passado algumas horas depois do pôr-do-sol e então já estava um tanto escuro. Naquela altura da noite era perigoso andar por aí mas, com a ajuda de LadyBug, não tinha nada a temer. Era pelo menos o que pensava esta pequena jovem aventureira. O povo podia ter pouco poder mas possuía outro poder que não se podia igualar às outras classes sociais. Era isso que fortalecia a força de todos, e deixavam-nos com força para trabalhar. Depois de um tempo, ouvem-se passos rápidos e longos a percorrer a rua principal.

Elienor tentava acordar aos poucos mas o cansaço atingia-lhe em todos os músculos. Sentiu algo tocar-lhe na cara, a fazer-lhe festas e por momentos pensou que seria Maya. Abriu levemente os olhos e ao ver quem era, assustou-se durante alguns segundos.

— Tikki. – Respirou fundo, acalmando o coração que batia fortemente. – Assustaste-me um pouco… – disse com pouca vontade para sorrisos.

A pequena companheira não conseguiu arranjar palavras para a animar. Sabia o quanto a sua amiga estava a sofrer e queria ao máximo apaziguar a dor. Mas até mesmo ela não conseguiria fazer, o que a deixava ligeiramente destroçada.

— Não te preocupes Tikki. Eu ficarei bem… – diz com motivação. Já era o suficiente ela estar naquela forma, não queria deixar o pequeno ser igualmente preocupado. A bolinha rosa sorriu levemente e escondeu-se no cabelo de Elienor, confortando-a aos poucos com o que podia. Suspirou fundo, desejando com todas as suas forças que todo aquele período de dor acabasse e pudesse surgir uma era nova. Todavia não era assim que funcionava. Infelizmente não era…

Antes de adormecer outra vez, Elienor deixou cair uma lágrima como símbolo de uma morte inesperada. A grande corda que segurava duas vidas iria as destruir, naquele preciso momento. Naquele momento, as lágrimas de Elienor nunca iriam parar e não havia quase nada que pudesse abafar o choro da rapariga e do povo. A corda balançava-se com o peso que tinha em cima, peso morto que podia ter sido salvo.

Infelizmente, nem LadyBug poderia ajudar a retirar aquele peso da corda.

Notas finais
✖ Obrigada a todos que leram e especialmente àqueles que continuam a me apoiar!! ✖ Para quem não percebeu, Odete foi capturada ao mesmo tempo que Elienor procurava pela mãe. Ou seja, passou mais ou menos uma hora com o Chat -q ✖ Os próprios capítulos tentarei me centrar mais no nosso casal LadyNoir '3'