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1 Parte I
Notas iniciais
– Você o traiu? – Ele me olhava no fundo dos olhos.
– Não. – Eu o olhava desafiadoramente.
– Não minta para mim. Sou um detetive treinado. – Ele colocou uma mão sobre a mesa e tentava me intimidar.
– Não estou mentindo. – Me levantei furiosa e bati a mão na mesa. – Diga a ele que vai acabar sozinho se continuar desse jeito. Ah! Não se esqueça de dizer para ele não me procurar mais.
Em pensar que eu nunca imaginei que as coisas fossem acabar desse jeito. Tudo era tão belo.
#Flashback — Inicio#
Era 1991, eu acaba de completar dezenove anos, linda (da minha parte), jovem e saudável. Fazia faculdade de musica e acabava de conseguir um emprego em uma gravadora. Eu era uma rodie. Groopie nunca.
As oportunidades tinham explodido como bombas. Uma rodie tinha tido um problema com vistos e não pode cobrir a turnê européia do Guns N’ Roses. Eu tive um faniquito. Era o Guns, pô.
– Marie Loise Hurt. – Eu estava explodindo por dentro e calmíssima por fora, eu entreguei meu crachá.
– Bem vinda. Agora você é a rodie da banda mais perigosa do mundo. – Uma loira, alta e com cara de enjoada me deu boas vindas.
– Obrigada. – Eu disse seca. Ela era insuportável, acredite. Claro que ser rodie não significava conhecer cada um da banda pessoalmente, isso era bem remoto.
Eu não acreditava que ia colaborar para a turnê Use Your Illusion. Num dos primeiros shows fora dos EUA eu tive meu primeiro contato com ele.
– Pode me arranjar um copo d’água? – Nenhum ser humano podia repetir aquela frase tão sensualmente quanto Axl W. Roses.
– C-c-claro. – Nenhum ser humano podia gaguejar tão estupidamente quanto eu. Pude ouvir sua risada baixa. Minhas bochechas deviam estar mais vermelhas que o batom da diva Gwen Stefani. Eu entreguei o copo.
– Obrigada. – Eu não tive coragem para encara – lo ele era duas vezes mais alto que eu, tinha que olhar para cima. – É nova no pessoal aqui da turnê? – Eu apenas consenti com a cabeça. – Poderia saber o nome desta linda dama? – Não eu não tinha ouvido direito essa era uma parte um tanto confusa.
– Loise, mas todo mundo me chama de Lô. – Só meus pais e minha amiga Genevive, mas você eu deixo.
– Lô, tenho certeza que nos veremos mais vezes. – Nisso ele me entregou o copo e saiu.
A turnê por toda Europa já estava acabando, mas eu tinha certeza que veria Axl por mais vezes. Nos tínhamos começado um romance. Eu sei que ele namorava a Stephanie Seymor.
Era ruim ser a outra, destruidora de lares, amante, concubina o que vocês preferirem. Foi uma relação maravilhosa. Durante o tempo que estivemos juntos ele pagou minha faculdade e me deu vários mimos. Mimos gigantes como um apartamento e um carro, pequenos como jóias e roupas. Nunca sofri nenhuma agressão, nem física, nem verbal.
Ele era Axl W. Roses um homem normal. É claro que eu não queria ser a outra durante toda minha vida, ele sempre dizia que ia largar a Seymor. E eu tonta acreditava.
Quando Axl rompeu com a Seymor lógico que eu fui a mulher mais feliz. Ele ficou muito triste pela perda do enteado. Isso para mim era apenas um problema temporário. Em breve formaríamos uma família e ele nem se lembraria que teve um filho postiço. Ele estava arrasado, tão arrasado que pediu um tempo em nosso relacionamento. Um tempo que eu nunca pensei ser permanente. Era lógico que o mundo desabava sobre ele: a banda com problemas, as acusações de agressão e mídia.
Eu fiquei arrasada também, mas diferente de Seymor ele não me pediu os presentes de volta. Uma esperança ou talvez pena mesmo. Minha vida estava acabada e eu ainda tinha 23 anos. Recém formada na faculdade uma vida promissora.
Tentava superar a cada dia o tempo e rezava para ele acabar. Desisti de rezar quando fui uma das coordenadoras da turnê dos Red Hot Chili Peppers. Eu conheci o amor da minha vida: Anthony Kiedis.
Eu não era promiscua, nem ficava caçando relacionamento com astros do rock. Os romances apenas aconteciam. Eu não tinha um relacionamento com Axl, havíamos dado um tempo. Acontece que Tony quis um relacionamento serio e eu não neguei. Duas semanas depois éramos a noticia de todos os jornais e eu tinha ganhado um inimigo para o resto da vida. Eu havia magoado meu primeiro amor, como todas as outras ex – namoradas dele. No fim eu não era melhor que elas.
Após uns seis meses junto de Tony, Axl conseguiu um confronto direto comigo. Eu saia de casa e ele estava lá parado.
– Você partiu meu coração. – Ele parecia um pouco alcoolizado, ou será que deveria dizer drogado.
– Eu achei que o nosso relacionamento seria serio. – Eu disse com lagrimas nos olhos um pouco por ele estar assim e por remexer em fantasmas do passado.
– Eu achei que me amasse. Te dei mundo e fundos. E você fez isso comigo. Eu não mereço amar. – Eu estava chorando quando vi uma garrafa de Jackie Daniels em sua mão.
Covarde como sempre fui eu sai correndo larguei ele lá. Eu amava muito Anthony, então eu resolvi jogar limpo com ele. Contei tudo e ele compreendeu. Realmente ele era uma alma abençoada, só faltava largar as drogas.
Passei os meses seguintes freqüentando um psicólogo para curar problemas emocionais. Minha vida estava toda resolvida tudo em perfeita paz, mas a intimação que eu recebi na quinta-feira passada abriu todos os meus piores pesadelos. Eu ainda nutria um carinho especial por Axl.
#Flashback — Fim#
Sai da delegacia sem dar uma palavra a qualquer outro policial. Lá no estacionamento eu encontrei o Kiedis.
– Você esta bem? – ele passava a mão sobre meus cabelos.
– Vou ficar bem. – Eu chorava em seu ombro por outro. Que vergonha.
– Eu sei que não é momento e nem hora, mas você quer casar comigo? – Eu sequei minhas lagrimas e olhei emocionada para ele.
– Claro, mas tem um problema. – Eu disse olhando em seus olhos.
– Que problema? – Ele me olhava assustado.
Eu entrei no carro e me sentei e esperei ele fazer o mesmo.
– O meu passado. – Eu peguei sua mão e coloquei no meu coração.
– Você aceita esse drogado como marido e acha que o problema esta em você. – Ele me olhou incrédulo, deu partida no carro.
– Eu preciso resolver meu problema com Axl. – Eu toquei meus dedos indicadores.
– Desde que você fique comigo... – Ele não terminou a frase.
– Só preciso resolver minha vida amorosa. – Dei um beijo em seu rosto.
– Ok – Ele continuou olhando a estrada.
Minha vida amorosa era pequena e complicada e se resumia a nós: Axl, eu e Anthony. Os dois amores da minha vida.
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