Upside Down - Seddie

54 Capitulo 54- Healing


A casa de Carly parecia mais viva do que nunca. Luz natural invadia todos os cômodos, misturando-se ao aroma de café recém-passado e bolo de limão, enquanto uma playlist suave tocava ao fundo. Era o primeiro domingo tranquilo depois de semanas turbulentas, e todos ali sabiam: aquela era uma celebração silenciosa da sobrevivência.

Sam chegou por último, os cabelos presos num coque despretensioso, com um sorriso discreto no rosto. Ela não precisava mais fingir força — ela a tinha, e todos sabiam disso.

Freddie, que já estava na sala com Cat, Spencer e Carly, foi ao seu encontro e segurou sua mão como se aquilo fosse o mais natural do mundo. Porque era. Porque agora eles podiam.

— Finalmente — disse Carly, se aproximando com uma taça de suco. — A família está completa.

Sam sorriu. Não precisava dizer nada. O olhar dela entregava tudo: alívio, gratidão, esperança.

— Tô gostando de ver esse clima de sitcom feliz — comentou Spencer, fingindo secar uma lágrima. — Mas cadê os efeitos sonoros? Eu esperava ao menos um "ooooh" quando vocês dois se abraçaram.

Todos riram. Sam se aconchegou no sofá, entre Carly e Freddie, observando os rostos tão familiares ao seu redor. Era como se tudo tivesse voltado ao lugar certo, mas com novas camadas, amadurecidas pela dor e pelo amor.

Missy já não era mais um nome que causava tensão. Após o acidente trágico — que todos ainda processavam em silêncio —, a verdade sobre a manipulação do vídeo e suas motivações invejosas tinham vindo à tona. A organização que a vigiava silenciosamente desde a exposição do leilão a fez desaparecer de cena, de forma tão cruel quanto calculada. Para o público, foi apenas mais um acidente. Para os que sabiam da história, era o fim de um ciclo sombrio. E Freddie ter feito Brad fazer parecer que o vídeo era manipulado na verdade havia salvo a vida deles, no mesmo dia da morte de Missy ele recebeu uma ligação anônima elogiando seu feito.

Sam sabia que jamais celebraria a morte de alguém, mas também não sentia culpa por seguir em frente.

— A Melanie mandou vídeo — anunciou Cat, com o celular na mão. — Ela tá com as bochechas coradas! Tá até reclamando da comida do hospital!

Todos se reuniram ao redor do aparelho, assistindo à gravação. Melanie, de pijama azul claro, sorria para a câmera.

— Eu tô bem, sério. Meus últimos exames foram incríveis. Os médicos falaram em "remissão completa do câncer ". E eu tô com muita saudade de vocês... especialmente da minha irmã marrenta aí do lado da Carly.

Sam colocou a mão no rosto, emocionada. Freddie passou o braço por seus ombros, apertando-a de leve.

— Ela vai ficar boa — disse ele, com a convicção de quem sabia disso no coração. — E você também.

— Eu tô tentando — respondeu Sam, a voz embargada. — Mas agora... parece que dá pra respirar.

Carly observou a amiga por um instante, depois sorriu.

— Você vai casar, Sam. E sua irmã vai estar lá, saudável. E a gente vai dançar a noite inteira. Não tem como isso não ser o final feliz que você merece.

Spencer ergueu a taça.

— Ao amor, à cura e aos domingos de paz.

Todos brindaram com suco, chá e refrigerante — com o mesmo entusiasmo de quem brinda com champanhe. Porque naquele momento, ali, tudo era suficiente.

oOo

O sol começava a se pôr sobre o litoral francês, tingindo o horizonte com tons de laranja, rosa e dourado. Sam respirou fundo, sentindo o aroma salgado do mar misturado ao perfume suave das flores que cresciam nas encostas. Era o mesmo mirante que ela havia visitado sozinha, tempos atrás, quando achou que o amor entre ela e Freddie tinha chegado ao fim. Mas então Freddie havia sugerido uma viagem para que a ajudasse a melhorar e bem e ela sugeriu a França dessa vez com ele, sem Melanie, mas ela gostava da cidade para ela significava independência e foi quando ela e Freddie começaram a se reconciliar antes de se conciliar de vez após o incidente causado por Missy.

Mas agora ele estava ali. Ao lado dela.

Freddie parou alguns passos atrás, observando-a em silêncio por alguns segundos antes de se aproximar. Estendia uma cesta de piquenique simples, mas cuidadosamente preparada.

— Não acredito como eu posso ser tão sortuda? — Perguntou ela com um meio sorriso, enquanto ele tirava a toalha xadrez e a estendia sobre o chão.

— Você merecia voltar a este lugar com outra lembrança. — respondeu, sem hesitar.

Eles se sentaram, dividindo frutas cobertas de chocolate e goles de vinho branco gelado. O vento suave fazia o cabelo de Sam dançar, e Freddie achou que nunca tinha visto nada tão bonito. Por um momento, nenhum dos dois disse nada — apenas escutaram o barulho das ondas quebrando lá embaixo.

Até que ele quebrou o silêncio.

— Quando você veio aqui com a Melanie, depois daquela briga... — começou, hesitante. — Eu achei que tinha perdido tudo. Que você não queria mais nem ouvir meu nome.

Sam mordeu o lábio, lembrando da solidão que havia sentido naquela viagem.

— Eu também achei. — admitiu. — Mas, de algum jeito, nós dois voltamos.

Freddie respirou fundo e, antes que pudesse perder a coragem, puxou do bolso uma pequena caixa de veludo. Quando abriu, revelou um anel de prata elegante, com um diamante que refletia a luz do pôr do sol.

— Você quer... ficar comigo pra sempre?

Ela encarou o anel. Depois, os olhos dele. E foi como se todo o caos do mundo silenciasse.

— Quero — sussurrou. — Mesmo nos dias em que eu quiser fugir do planeta.

— A gente pode fugir juntos — ele respondeu, encaixando o anel em seu dedo.

E então se beijaram, sob um céu que parecia abençoar aquela promessa.

Depois que o anel deslizou no dedo de Sam, o silêncio entre eles não era vazio — era pesado, carregado de sentimentos contidos por meses. Freddie segurou a mão dela, entrelaçando os dedos com firmeza, como se a presença dele pudesse apagar todas as inseguranças do passado.

Sam olhou para ele, os olhos brilhando de emoção, e Freddie sentiu seu coração disparar. Ele se inclinou devagar, e seus lábios se encontraram num beijo longo e profundo, carregado de tudo o que palavras jamais poderiam expressar. Cada toque parecia dizer: “Eu te quero, eu te escolho, eu não vou te deixar ir.”

O beijo escalou rápido e Sam se questionou se tudo bem estarem ali naquele lugar se beijando daquela forma. Freddie pareceu ler seus pensamentos e se afastou somente o suficiente para falar.

— Tudo bem ninguém vai nos incomodar aqui... — Ele disse suas mãos pelo vestido dela quase levantando.

— Adoro seu espírito aventureiro e por mais que ache romântico, não quero ser presa por atentado ao pudor, podemos voltar ao hotel? — Ela perguntou ofegante.

— Pensei que gostasse de viver perigosamente... — Freddie disse abraçado com ela.

— Eu adoro, mas ser presa por algo assim estragaria minha reputação. — Ela disse mordendo a boca dele.

— Tudo bem amor, como você quiser... Só vamos aproveitar o pôr do sol mais um pouco e ai depois disso sou todo seu.

— Não espero menos que isso Benson. — Sam sorriu sentando ao lado dele para aproveitarem o resto do pôr do sol.

Já no quarto de hotel, enquanto a noite caía lentamente, os beijos e carícias suaves continuaram, cada vez mais intensos, até que o tempo deixou de existir, e só restou o desejo, a emoção e a certeza de que aquele amor era irremediavelmente deles.

Sam se inclinou para beijá-lo com todo o desejo que se acumulou desde o momento do pedido de casamento. Sua boca se moveu com força contra a dele e ela passou a língua pelo lado de fora de seus lábios. Ela podia ouvi-lo gemer e quase engasgou quando ele a empurrou para a cama, cobrindo seu corpo com o dele. Não foi nada lento desta vez, apenas as mãos se tocando e sentindo, tirando as roupas do caminho até que o destino desejado fosse alcançado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.