Upside Down

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Começando essa fic que me deu vontade de escrever do além e roubou meu sono :) Espero que gostem

— Hoje também foi um ótimo trabalho, milady – disse Chat Noir, graciosamente beijando a mão de sua parceira sob as luzes da noite parisiense.

Mas ela bruscamente a puxa para si.

— Chat, eu já falei pra você parar com essas coisas. Já deixei bem claro pra não ter esperanças. Não quero magoar meu amigo – Ladybug respondeu, tentando ser o mais gentil possível. – Olha, acho melhor a gente voltar logo, nosso tempo está acabando – ela aponta para ambos os miraculous que haviam apitado.

— Entendido. Até amanhã, milady.

Ladybug se vai, deixando para trás um Chat Noir tão triste que até suas orelhas pareciam caídas. Não fazia muito tempo que ele fora rejeitado, mas seu amor não correspondido ainda ardia dentro de seu coração. Era uma das piores sensações do mundo: ser tão próximo de alguém que claramente não sente o mesmo e ter que vê-la jogar as emoções do herói para dentro dele todo dia. É insuportável para o gatinho e ele não está nem perto de se acostumar a isso.

Perdido em pensamentos, Adrien, que mal tinha se destransformado, decidiu que ainda é cedo demais para voltar para sua casa. Iria espairecer, limpar a mente desse turbilhão de sentimentos e, após dar um pouco de queijo para Plagg, fazer uma visitinha à única pessoa que o entenderia nesse momento: Marinette.

Ele a via diariamente no colégio, mas, por algum motivo, ela sempre agia de modo estranho quando ia falar com ele. Apesar disso, ele sabia que Marinette tinha um coração de ouro, sempre doce e meiga, ajudando os amigos o máximo que podia. Adrien a admirava. E ela, com toda sua gentileza, ouviu o desabafo de Chat em relação aos sentimentos dele por Ladybug, confortando-o. Ele sentia que podia confiar nela mais do que em qualquer outro.

De longe, ele viu que as luzes ainda estavam acesas. “Ufa”, pensou, “ainda bem”. Ao se aproximar, no entanto, tudo se apagou num instante. Mesmo assim, ele deu umas batidinhas na porta do sótão, esperando que ela escutasse. E assim aconteceu. Quando ela abriu a portinha que levava ao terraço, Chat imediatamente enfiou a cabeça no vão, encontrando uma Marinette sonolenta.

— Boa noite, princesa. Com sono? – ele sorriu para aquela visão tão incomum, mas igualmente fofa.

Marinette o encarou furiosamente, apenas para dar um bocejo – arrancando outra risada do gatinho – e perguntou: — O que é que você quer?

— Nada demais – disse, pulando para dentro após ela fazer um sinal para que entrasse. – Meio que você virou minha confidente e eu vim aqui compartilhar algumas coisas.

— Hmm – Mari resmungou já mais desperta. – Que coisas?

— Ah, o de sempre. Esses dias, a Ladybug está mais e mais longe de mim. Acho que por causa daquele dia que eu me confessei... Ela tá muito cautelosa com qualquer coisa que faço. Sempre me lembra de que ela não gosta de mim. E ser alertado assim o tempo todo dói, sabe? É quase como se ela tivesse a intenção de me machucar...

— Chat, você sabe que não é assim – Marinette, totalmente preocupada, se manifestou. Ele balançou a cabeça, concordando. – Eu aposto que a Ladybug só está fazendo isso porque pensa que é o melhor pra você. Talvez ache que isso te ajude a superar ela – depois de um tempo calada, ela continuou. – Não fica assim, Chat... Por que você não fala isso pra ela, então? Pode melhorar se vocês tiverem uma conversa de verdade. E eu até entendo um pouco a reação dela, já que você tá sempre fazendo esses seus charminhos – Mari deu uma risadinha. Mas nada de feliz veio da boca dele.

Chat havia sentado no chão sem ter olhado para Marinette uma vez sequer. Escutava tudo atentamente, mas parecia que nada surgia efeito. Dava para ver seu coração em pedaços através dos seus olhos marejados. Marinette, tomada de culpa por saber que era a causa de tudo isso, e compaixão pela dor do amigo, se levantou da cama e o abraçou. Ele retribuiu fortemente e sussurrou um “obrigado” em seu ouvido.

Ao se afastarem, Chat finalmente se pronunciou: — Obrigado, princesa. Eu realmente não sei o que faria sem você – ele olhou carinhosamente para Mari. – Mas e aí, como que andam as coisas no seu coraçãozinho também? Tudo certo com aquele rapaz?

— Eu sei que ele não gosta de mim mesmo – ela suspirou. – Nunca vou me confessar. Algum dia, eu sei que vai passar. Só ser paciente...

— Mas quem é esse, afinal? Acho que preciso ter uma conversinha com ele... Como é possível alguém não gostar de uma garota como você? – Mari riu.

— Pois é, né... O nome dele é Adrien. Adrien Agreste – Chat arregalou os olhos. – Mas nada de ir falar com ele, viu?! Eu morreria de vergonha se você fizesse isso, ainda mais porque eu já desisti dele.

“Adrien? Tipo Adrien mesmo? Meu Deus do céu. É sério que ela gosta de mim? Mas eu mal falo com ela e, quando eu falo, ela fica toda estranha. Será que é por isso que ela agia daquele jeito todo esquisito? Ai, meu Deus. E agora, o que eu faço? Nunca mais vou conseguir conversar com ela na escola normalmente. Por que ela gosta de mim, afinal? Eu nunca faço nada!”, Chat Noir pensa desesperado. Marinette somente o observa desconfiada, afinal, o gato preto passara um bom tempo em silêncio.

— Chat, tá tudo bem?

— Ah, oi, oi! Tudo ótimo e com você? – ele responde nervoso. – Sobre esse tal d-do A-a-adrien. Por que não tenta mais um pouquinho? Talvez o conquiste. Nunca desista sem tentar.

“Mas que diaboooss. Por que eu falei isso? Eu sou o Adrien. Eu tô pedindo pra ela dar em cima de mim. Qual é o meu problema? Meu Deus”.

Enquanto isso, Mari se perguntava o que estava acontecendo com Chat, que suava frio desde que ela havia mencionado o nome do rapaz. Muito estranho, mas muito complicado para pensar sobre isso naquele momento, tão tarde da noite.

— Olha, gatinho bobo, não sei o que tá acontecendo com você pra ficar assim tão transtornado, mas eu tô meio cansada. Outro dia, você passa aqui pra gente terminar a conversa, tá bom? – Mari disse, escondendo um bocejo com a mão.

Mais feliz do que contrariado, ele prontamente aceitou sair, mas não sem antes de um beijinho no ar – ele não se atreveria a chegar perto dela nesse momento – e uma piscadinha a la Chat Noir.

— Tudo bem se eu passar aqui amanhã de noite? – ele perguntou já na escada.

— Por que não vem no final da tarde? É melhor do que ficar até essa hora acordados – ela bocejou novamente.

— Ok. Até amanhã, princesa. Durma bem – e saiu noite afora, ao mesmo tempo em que Mari se deitava em sua cama, relembrando a reação do parceiro enquanto caia no sono.

Notas finais
E então, o que vocês acharam? Opineeemmm Passando pra relembrar meu pedido pra me lembrar de escrever kkk