Upside Down
15 XV — Ruptura de memórias
Notas iniciais

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Hoje eu queria alguém que me dissesse que eu não precisava me preocupar, um ombro, uma mão. Desculpe tanta sede, tanta insatisfação. — Caio Fernando de Abreu
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XV — Ruptura de memórias
Pessoas são cruéis.
Pessoas não têm a mínima noção do poder que elas têm apenas com a força física. Alguns ousam dizer: “Não me machuco fisicamente, apenas com palavras.”
Hipocrisia! Palavras machucam mais quanto um tiro, mas se elas levassem uma surra, duvido que não se sintam machucados. Porque, palavras podem ferir seu psicológico, mas a dor física fica gravada em seus poros. Fica transcrito em sua alma, sendo incapaz de retirar aquela cicatriz de lá.
Mas voltando... Pessoas são cruéis, pessoas não tem coração. O ser humano é um dos piores seres que habitam a terra. Não só os humanos “normais” sobrenaturais também. E generalizando, eu não estou dizendo que eu sou uma exceção... Sou um ser humano também. Sou cruel também. Todos nós somos. Não adianta, não existem pessoas que não são. Se você pensa e tem uma consciência, é cruel. Primeiro começa com o significado de crueldade. É nada mais nada menos do que ver uma pessoa sofrendo e se sentir bem com isso, infligir dor á uma pessoa e se sentir confortável... Ser cruel é ser tirano, impiedoso, gostar de maltratar ou atormentar alguém.
Então, mesmo se você não é cruel nas atitudes é em pensamentos. Quantas vezes você já não viu aquela pessoa que você simplesmente despreza sofrendo de alguma maneira e se sentiu ao menos em paz com isso? Por apenas um segundo?
Pessoas que não admitem são hipócritas. Eu admito, algumas vezes fui cruel com quem não gostava, sendo falando algumas palavras que não foram agradáveis magoando essa pessoa e me senti bem com isso, porque ela merecia.
Mas mesmo que a pessoa mereça... Isso é ser cruel, devemos compadecer com os outros.
Como todos são cruéis em pensamentos, é quase que normal, agora... Em relação á agressões físicas apenas para seu bel-prazer é quase que... Que... Podre.
Mesmo que isso tenha um propósito, mesmo que isso tenha motivo. É desumano.
Pensando no que aquele homem fez com Lisanna, me sinto enojada e até mesmo pasma com tudo. E penso, até onde a humanidade vai? Será que todos que tem pensamentos cruéis irão se tornar como esse monstro que agrediu Lisanna?
Talvez. Talvez morreremos por meio de nossos entes que antes eram queridos e acima de tudo de extrema confiança porque eles cederam ao vazio, ao prazer de ver uma pessoa se ferindo sem nenhum motivo.
Vicent me encarou. Eu sei, sei de tudo. E isso me deixa enojada, me deixa imóvel e assombrada. Tenho medo de falar o que irá acontecer e isso causar um mal.
— O que esse homem pretende Lucy? — Respirei fundo contendo todo esse pânico do meu corpo para dizer exatamente o que escutei e vi.
— Ele... Ele... — Concentrei minha respiração. — Ele pretende ficar rondando o acampamento para aguardar todos estarem vulneráveis. — Cerrei os olhos. — Buscará Laxus primeiro. — Sussurrei. — E o torturará. Para ver o senhor sofrer. — Natsu me apertou. — E depois virá buscar Sting. E o matará em sua frente, se possível. — As lágrimas estavam quentes. — E me deixará por último. Para saber que ele virá, e ele me achará. — Lembrei da voz inescrupulosa. — Mas não me matará. — Encarei o homem á minha frente. — Ele precisa de mim.
— Para quê? — A voz de Natsu estava raivosa, eu podia sentir as chamas tocando em minha pele, mas não me queimava, nunca me queimaria.
— Por que... Ele precisa de mim para atrair minha mãe. — Vicent não mexeu um músculo. — Sou a única forma de atraí-la para a armadilha.
— Armadilha? — A voz dele estava entre dentes. Sua voz estava assustadoramente sombria, os olhos azuis que antes me passavam conforto estavam raivosos e não senti medo, protegida, talvez?
— Sim. — Fechei os olhos tentando me lembrar das exatas palavras. — “As provedoras da luz.” — Abri meus olhos olhando para os azuis de meu pai. — O que isso significa?
— Nada importante no momento, explicarei melhor depois. — Vi Mavis segurando-o enquanto todos estavam nos olhando, senti as energias de todos, eu parecia mais sensível que antes.
— Tudo bem. — Eu estava tão exausta que não havia tempo e eu nem queria escutar explicações. Não no momento. — Lisanna. — Sua cabeça que antes estava voltada para o chão se virou em minha direção. — Tudo bem? — Aos poucos o resto dos alunos dispersaram-se e seguiam para suas cabanas.
— Si... Sim. — A albina sussurrou fracamente. — Estou. — Seus olhos azuis avaliaram-me.
— Mira. — Vicent chamou a albina maior que estava abraçando Laxus. — Quero que reforce o sistema de segurança. — Mira assentiu enquanto sorria fracamente. Coitada, deve estar cansada também.
— Porque todos não descansam? — Todos pareceram ponderar e achar minha ideia uma boa coisa, pois assentiram.
[...]
Três dias depois
— Você está calado. — Me virei para Natsu enquanto estávamos em sua cabana. Eu não suportaria ficar no mesmo local que Lisanna, não por enquanto. Eu sei de tudo que ela passou e sei que, de certa forma, a culpa é minha.
Achei melhor deixá-la sob os cuidados de Erza e vir dormir na cabana de Natsu. Encontrei-a durante o intervalo nas aulas, eu conseguia agir normalmente. Mas ainda assim me sentia culpada.
Eu estava dando um tempo na casa de Natsu. Uns dias apenas. Até eu expulsar a culpa que ressoa em meu peito.
Estávamos em seu quarto, sentados em sua cama. Eu penteava meu cabelo depois de sair do banho e ele estava deitado na cama bem próximo de mim. Maya estava deitada num canto do quarto, chega ser estranho o tanto que ela fica relaxada quando estou perto de Natsu.
— O que você queria? — Olhei em seus olhos verdes enquanto seus dedos quentes guiaram uma parte de minha franja para detrás de minha orelha. — Minha parceira, minha namorada, está correndo perigo, estou me preparando para proteger você. — Sorri carinhosamente.
— Oh, meu cavalheiro de armadura branca. — Pus as mãos na bochecha como se estivesse encantada. — Irá me proteger de todo o mal?
— Armadura branca? — Seus olhos estavam febris enquanto ele analisava meu rosto e seu olhar desceu até meu corpo. Senti-me como um pedaço de carne exposto no açougue para um bando de cães famintos. — Quem disse que minhas intenções são boas? — Tentei não sorrir, falhando miseravelmente.
— Então suas intenções são desonrosas? — Minha voz saiu mais rouca que esperava. Vi a íris de Natsu se alargar, e se encolher, como a de um felino. Sua mão subiu pela minha perna e num passe de mágica estava sentado, de frente para mim.
— Com certeza. — Sua mão que antes estava em minha coxa agora estava em minha nuca causando um intenso arrepio ao pé de minha coluna.
Encontrei-me deitada com Natsu por cima de mim. Não sei o que está acontecendo, meu corpo inteiro está fervendo, como se clamasse por isso. E a marca estava quase que me punindo, pois ardia como o inferno. Seu beijo veio de imediato, quase que urgente, necessitado e selvagem. Minhas unhas se cravaram em suas costas que estavam desnudas até então.
Por mais que eu admita que queira isso, não sei o que é exatamente esse sentimento que toma meu peito e cresce em meu corpo. Pareço estar em chamas.
— Lucy, olha pra mim. — Abri meus olhos quase que na mesma hora em que escutei suas palavras. Seu olhar estava carinhoso, não mais abrasador como antes.
Senti-me completamente segura em seus braços. Uma de suas mãos estava em minha bochecha e a outra estava em minha cintura. Seus olhos analisaram todo meu rosto, meu cabelo estava espalhado por toda a cama e sinto que devo estar vermelha por seu olhar tão intenso para mim.
— Linda. — Sussurrou bem perto do meu rosto e beijou abaixo de minha orelha. — Você quer isso? — Arqueei as sobrancelhas olhando para sua face. Meu rosto deve estar uma confusão intensa. Eu não quero entrar num modo pensativo e ficar divagando quais são os prós e os contras do que pode ou não acontecer hoje.
Então, apenas fiz o certo: Assenti.
— Tem certeza? — Seus olhos realmente estavam cautelosos.
— Natsu, não me dê muitas oportunidades para pensar. — Segurei suas bochechas e então olhei de novo em ambos os mares verdes á minha frente. — Sim, eu tenho completa e absoluta certeza que eu quero isso. — Assenti de novo para dar ênfase. — Eu quero você.
Soltei suas bochechas e então sua feição mudou, seus olhos estavam lindos, uma mescla de verde e negro, sentia como se eu fosse entrar em chamar apenas por encarar seu olhar. Foi como se a minha última frase tivesse apertado um gatilho e outro Natsu estivesse na minha frente nesse momento.
Seu beijo virou quase abrasador, intenso e selvagem. As mãos que antes estavam em minhas coxas subiram por minhas pernas e levaram minha blusa junto.
Encontrei-me apenas de sutiã e short. Seu olhar desceu pela parte agora mais desnuda de meu corpo e então seus lábios foram descendo por meu pescoço até meu busto, fechei os olhos rapidamente contendo um intenso gemido que quase escapou.
Quando fiz isso, uma imagem me veio á cabeça. Gemidos intensos, um prazer que fez toda extensão de minha pele ficar completamente arrepiada. Abri os olhos para encontrar Natsu sorrindo travessamente para mim.
— O que foi... Isso? — Pronunciei quase sem ar.
Seus olhos ficaram na mesma posição que os meus.
— Apenas uma amostra do que irá acontecer. — Ficamos nos encarando por bastante tempo. Tenho certeza que isso não é apenas uma troca de olhares, é tão intenso que sinto meu interior se contorcer e todos meus sentimentos pareciam estar amostra, consegui sentir até mesmo emoção.
— Lucy... Ah! — Escutei a porta ser aberta com certa violência e em seguida um grito fino. Empurrei Natsu com toda minha força para encontrar Erza ficando vermelha aos poucos. Arregalei os olhos e peguei minha blusa que estava em cima da cama, vestindo rapidamente, senti meu rosto completamente rubro. — Desculpa, mas é importante.
— Ahn... É... — Perdi as palavras com a constatação de que iríamos mesmo fazer, estávamos quase lá. E eu estou frustrada.
— Já que atrapalhou. — A voz de Natsu estava grave e completamente irritada. — Fala logo.
Erza começou á ficar ainda mais vermelha. — Érh... Desculpa. Lucy, seu pai está te chamando perto do portão principal. — E então ela evaporou do quarto. Eu fiquei olhando para a porta pela qual Erza tinha acabado de sair, meu rosto estava tão quente que duvidava se as chamas de Natsu tinham passado inteiramente para meu rosto, meus pelos da nuca estavam eriçados de vergonha e eu não conseguia encará-lo.
"Meu Deus, o que eu ia fazer?"
— Você disse pra mim que tinha certeza. — Sua voz me tirou do pequeno devaneio que eu me encontrava. — Não sabia que iria ficar arrependida. — Sua voz estava quase como se tivesse sido ferido. Tomei coragem e em choque olhei para trás.
— Arrepen... Não! — Exclamei quase em pânico, os olhos de Natsu se viraram mim, estavam negros. — Meu amor. — Era a primeira vez que o chamava assim e por incrível que pareça eu gostei da forma que foi pronunciado, me arrastei do local que eu estava até ele. Sentei-me sobre os calcanhares e pus as mãos sobre as coxas. —… Eu não fiquei arrependida. De forma alguma. Só meio assustada com a intensidade que foi.
Olhei em seus olhos e apesar de estarem ainda negros, eram dóceis. Sua mão veio até meu rosto e inclinei-me até seus dedos quentes que me afagavam.
— Eu entendo. — Sua voz ainda estava rouca. — Também senti essa intensidade. — Ele abriu os braços e eu me inclinei entrando em seu abraço. Apertei-me contra seu peito, sentindo seu aroma e senti meu corpo inteiro ficar eriçado, estava me sentindo em frenesi.
— Natsu, é mais fácil você me soltar, tenho que ir lá falar com meu pai. — Minha voz estava rouca novamente e num sussurro. — Eu não sei o que está acontecendo comigo. — Escutei uma risada contida em seu peito, como se ele soubesse o motivo. Tentei vasculhar sua mente, mas nada. Tínhamos aprendido á bloquear todos os pensamentos, se tornava mais emocionante não saber o que estávamos pensando.
Seus braços me soltaram e então eu respirei fundo me levantando da cama. — Essa roupa está boa? — Analisei meu short curto e a blusa que aparecia o início da minha barriga.
— Está ótima se você quer que eu carbonize alguém. — Levantei minha sobrancelha e então peguei um casaco que cobria o short.
— Melhor? — Ele continuou me encarando como se aquilo fosse óbvio. Cacei minha calça jeans e a vesti. — Então, sem mortes?
— Não garanto nada. — Disse sorrindo minimamente enquanto vestia uma blusa por cima de sua calça de moletom. — Agora vamos logo.
— Calma. — Calcei meus chinelos e o segui para fora do quarto encontrando Erza ao lado da porta com uma expressão culpada olhando para o chão. — Erza, para, pelo amor de Deus.
Ri fraco e Natsu segurou em minha mão enquanto seguíamos para fora, estava frio. Mesmo com o casaco e com a calça senti meus pêlos se arrepiarem.
Senti seus braços ao meu redor e então todo o frio foi embora.
[...]
Não demorou muito quando eu avistei o portão principal abarrotado de gente, porém ninguém se aproximava do centro.
— Me deixe vê-la! — Uma voz desconhecida para mim estava falando. — Eu quero ver com meus olhos!
— Ela está bem, acalme-se. — Mira quem disse? Aproximei-me rapidamente sendo seguida por Natsu de perto, mas as pessoas não saiam de perto.
— Você prometeu que a protegeria, seu idiota, mas eu senti, ela quase... Quase... DEIXEM-ME VÊ-LA! — A voz parecia raivosa e lotada de tristeza, por mais que fosse perceptível notar o tom de angústia, tal voz teve o poder de me acalmar.
Apertei o passo, acotovelando quem se atrevesse entrar no meu caminho. Tropecei e Natsu segurou em minha cintura, foi quando eu notei que ficou tudo em silêncio e vi que tínhamos chegado ao centro de tudo.
Havia uma mulher loira, como se fosse ouro, ali. Seus cabelos estavam presos no alto da cabeça, porém se dava para notar que eram grandes. Sua pele era num tom tão claro quanto o meu. Seus olhos, levemente puxados, aparentavam um castanho claro familiar á mim. Era a mesma cor que eu via no espelho de manhã.
Sua boca estava contraída numa linha e tremeu quando ela me encarou. Olhei suas roupas, eram negras, uma calça colada e uma blusa também colada e que corpo, ela aparentava ter tudo no lugar.
Vi Mavis nos olhando surpresa, meu pai parecia tentar conter a mulher que antes gritava, assim como Mira.
O silêncio permaneceu por um longo tempo o único som que eu era capaz de escutar era a respiração de Natsu que estava colado ás minhas costas.
— Hum. — Abri a boca e ergui um dedo. — O que está acontecendo aqui? — Arqueei minhas sobrancelhas e por algum motivo a mulher começou á chorar.
Tipo, muito.
Arregalei os olhos quando ela veio correndo em minha direção e não me assustei quando uma parede de fogo se ergueu em minha frente.
— Longe. — A voz dele estava horripilante. Apertei seus braços que estavam ao meu redor.
— Eu... Eu... — A mulher nem conseguia falar. — Só... Quero falar com a minha... Minha... — Meu peito ardeu em compreensão, por isso ela me parecia tão familiar.
— Michelle. — Seus olhos arderam ainda mais. — Por isso a semelhança. — Sussurrei mais para mim do que disse para ela.
— Pronto Michelle. — Vincent irrompeu o silêncio. — Ela está sã e salva, como pode ver.
— Quero dar um abraço nela. — Ela olhou raivosa na direção de Natsu. — Mas tem uma parede de fogo na minha frente! Eu não ofereço perigo.
— Lucy? — Ele disse em minha direção. Neguei.
— Um abraço? — Respirei fundo a acariciei minhas têmporas, ri no maior tom de deboche que eu conseguia. — Para quê? — Meus olhos se tornaram raivosos. — Para suprir esses anos todos nos quais eu precisei de uma verdadeira mãe e você não estava lá? — Inclinei a cabeça para a direita. — Me poupe.
— Eu... Sempre estive lá. — Seu sussurro se tornara inaudível. Estávamos numa distância de mais ou menos meio metro.
— Estava, é? Onde? — Senti meus olhos arderem. — ONDE?
— Eu sempre estive te vigiando! — Sua voz se tornou carinhosa. — Seus primeiros passos, seu primeiro "mamãe" direcionado á uma pessoa que não fosse eu. — Seus olhos se viraram para mim, olhei no fundo deles e senti tudo que ela sentiu. Arrepiei-me e fechei os meus olhos fortemente. — Você sente a ligação, não sente?
— Não... Não importa. Você não estava lá! Você saiu pelo mundo ignorando o fato de que tinha uma filha com uma pessoa que não era você e eu sempre precisei de carinho.
— Sempre zelei por você. Sempre estive lá. Arrependi-me de minha decisão uns dois anos depois de que havia partido. Você tinha crescido, sempre se mostrou inteligente, já reconhecia Layla como mãe, seria um choque retirá-la daquela realidade para pôr em outra, e você estava á salvo.
— Á salvo? — Debochei, apesar de lágrimas ainda caírem por meu rosto. — Eu estava á salvo?
— Naquele dia quando Maya se soltou, você acha que quem poderia ter sido á romper a corrente que ela estava presa? — Fiquei calada. — Eu experimentei a dor longe da minha filha. Porém selei algo que é mais preciso em mim em você. — Seus olhos ainda eram carinhosos em minha direção. Senti meu pulso queimar, o olhei e vi uma marca, eu já tinha visto esse símbolo. Era algo celta?
— O que é isso? — Era algo que nunca tinha visto, porém quando ela ficou aparente pareceu tão certo.
— Um selo de proteção. — Apesar de tudo ela sorriu carinhosa. — É uma das marcas que descendentes podem fazer. Além da que você tem no ombro que esse rapaz colocou, aliais... — Ela se virou para Vincent e Jude, eles estavam lado á lado. — Vocês permitiram isso? — Observei sua postura, parecia superior, e eu reparei que sua pose era praticamente a mesma que a minha.
Natsu rangeu os dentes atrás de mim e eu senti as chamas em minhas costas.
— Ela é muito jovem, eles são jovens demais para isso. — Ela falava todos os contra da marca como se não estivéssemos ali. Meu sangue começou a borbulhar e eu pude sentir a energia de Natsu se impondo junto com a minha. — Vocês não deveriam deixar...
— Ah, cala a sua boca! — Arregalei os olhos assim que as palavras saíram da minha boca, ela interrompeu seu discurso e olhou em minha direção.
— Olha como fala comigo.
— Por quê? — Arqueei as sobrancelhas. — Porque você é minha mãe? Desculpe-me dizer, mas você só me pôs no mundo. Agora, pare de tentar controlar esse quesito na minha vida que parece o mais certo até agora.
— Lucy, calma. — Senti os braços de Natsu ao meu redor e meus músculos relaxaram.
Os olhos castanhos de Michelle me analisaram de cima á baixo e então a pose de superioridade dela pareceu desmanchar.
— Certo, você tem razão. Perdoe-me. — Todo mundo do acampamento parecia me analisar. Depois que eu entrei esse lugar ficou bem animado, sem dúvidas.
— Vincent, você me chamou? — Me virei na direção dele.
— Sim, era para ela olhar você. Ela não ia descansar enquanto não fizesse isso. — Assenti levemente.
— Está satisfeita agora? — Perguntei enquanto me virava em sua direção. Não era a intenção minha voz sair de um modo tão agressivo.
— Eu decidi ficar por aqui. — Arregalei os olhos. — Não vou embora até me certificar que está tudo bem. — Eu gargalhei alto.
— Pelo amor de Deus. — A dúvida se fez presente em seus olhos. — Mira, ela pode fazer isso?
— Se seu pai permitir. Ele é um dos sócios daqui. — Olhei para Jude e então entendi qual dos pais ela quis dizer.
Vincent respirou fundo e então se virou na minha direção.
— Sinto muito Lucy. Isso significa mais proteção para você. — Meus ombros caíram e passei minha mão pelo rosto.
— Tudo bem. — Me virei para sair dali e só então me dei conta que minha mão estava conectada com a de Natsu, era algo tão natural que eu nem percebia.
— Aonde você vai? — Aquela mulher perguntou se direcionando á mim.
— Para qualquer lugar bem longe de você.
[...]
Olhei para as águas do lago á minha frente. O lago que encontrei Natsu pela primeira vez. Parece que faz décadas que aquele dia ocorreu.
— Admita que você queria me beijar quando caí por cima de você. — Ele riu. Olhei descrente em sua direção.
— Eu? Claro que não! — Ri alto de sua expressão de desgosto. Olhei para trás e notei duas presenças. Eram bem conhecidas por mim. — Lis. Erza.
— Como você está, Lucy? — A voz forte de Erza disse enquanto se aproximava ainda mais de nós. Como se exigisse uma resposta verdadeira de mim.
— Estou bem. Na medida do possível, claro. — Suspirei e sorri me levantando. — Agora, vou dar um mergulho. Quem vem comigo? — Lisanna quase correu na minha frente como se para apostar corrida, sorri enquanto retirava a camisa me pondo ao seu lado, joguei o pano em qualquer lugar.
— SAIAM DA FRENTE COM ESSAS BUNDAS LERDAS. — Nem tive tempo para raciocinar quando o furacão Erza pegou nós duas no colo correndo até a água, só dei por mim quando quase me afoguei.
Movi a cabeça em busca de ar tossindo e rindo.
— Porra, Erza. Quase morri aqui. — Natsu nos observava, movi minhas mãos em sinal para ele se juntar á nós. Mas sua cabeça negou e ele ficou lá olhando para a gente. — Cadê a Lisanna? — Olhei ao redor e notei que ela ainda não tinha subido para tomar ar e então vi um vulto albino pular em cima de Erza, fazendo ambas mergulharem e depois escutei gritos e eu ri ainda mais jogando água na cara de ambas.
Iniciou-se então uma guerra que espalhava água para todo lado. Tentei afogar Erza três vezes. Mas ela parecia mais forte que eu e me pegava no colo me jogando á alguns metros dentro da água e toda vez eu me levantava rindo e pegando um gás.
Na quarta vez Lisanna me olhou como se para combinar uma coisa e então nós duas pulamos em seus ombros fazendo então ela se desequilibrar e todas nós afundamos.
— Eu odeio vocês. — Erza resmungou quando se levantou. Ri sendo acompanhada de Lisanna.
— Odeia nada que eu sei. — Estávamos na parte mais rasa. Onde a água batia em nossos tornozelos e então olhei para Lisanna que erguia a mão em minha direção. Pus a mão na sua sentindo uma energia calma vindo até mim, como a minha própria. E então eu fui girada como num passo de dança mal ajeitado. Ri enquanto ela fazia uma reverência na minha direção e na de Erza.
E ela sorriu enquanto pulava e dançava. Num movimento completamente desordenado. Como se tivesse feliz por ter nossa presença ali. Erza se juntou e logo as duas estavam dançando loucamente e rindo. Hesitei um pouco e então ambas me puxaram e fui envolvida numa nuvem de felicidade e carinho que emanava das duas.
Eu consigo quase me sentir feliz.
[...]
Erza exigiu que eu dormisse na nossa cabana, Natsu resmungou um pouco e então Lisanna se intrometeu falando que ele estava me roubando de ambas e então ele não teve mais argumentos. De fato, eu estava um pouco afastada esses dias.
Notei que a nova cabana era idêntica a anterior e ficava bem do lado da mesma.
— Nós tiramos algumas roupas suas dos escombros. Estavam meio molhadas. Então a Erza pôs pra secar no varal. — Erza dona de casa. Ri ao imaginá-la de avental.
— Obrigada, meninas. — Sorri para ambas e segui para o quarto que agora era meu. Vi que quase todas as roupas estavam lá. E Maya deitada em minha cama. Quando me viu, riu alegre e pulou ficando do meu tamanho. Sorri enquanto passava a mão por seu pêlo. — Como você vai, meu amor? — Senti sua baba escorrer por meu rosto. — Obrigada pelo banho, Maya.
E então ela latiu como se fosse um “de nada”, rindo com esse pensamento separei a roupa e fui tomar o banho para assistir um filme com Lisanna e Erza.
[...]
— Ela é idiota? — Ri da empolgação de Erza. Estávamos assistindo um filme de terror que eu não faço a menor ideia do nome e a ruiva estava quase em pé no sofá.
Era um tipo de filme típico. A personagem principal estava apenas com uma blusa de flanela indo em direção á um porão com uma vela porque ouviu um barulho lá dentro.
— Olá? Tem alguém ai? — A voz da menina ecoou pelo porão.
— Ela é tapada, no mínimo. — Lisanna também riu enquanto comia um punhado de pipoca.
Assenti e vi a menina ser puxada por um bicho até as sombras enquanto gritava histérica.
— Tá ai! BEM FEITO! — Ouvi a risada maligna da Erza e meus ombros tremeram de tanto que eu ria. — MERECEU! TOMARA QUE SEJA DEVORADA.
— Poxa, Erza. O que a menina fez pra você? — Fiz com que minha voz saísse indignada e ela se virou rindo na minha direção.
— Eu sempre duvidei da inteligência das personagens dos filmes de terror. Qual o problema dela? Ligasse para a polícia, se escondesse, saísse correndo. Tem tantas opções. E ela faz o que? Isso mesmo, vai para o lugar de onde está saindo o som com roupas íntimas e com uma vela ainda por cima. Quais as chances de isso dar certo? — E então ela parou para tomar um ar, antes que eu e Lisanna pudéssemos responder. — isso mesmo, nenhuma. — Disse respondendo sua própria questão.
— Erza... É só um filme. Você sabe, não é? — Ela assentiu e colocou um monte de pipoca na boca.
— Sei, só fico indignada. — Balancei a cabeça negativamente e ri.
As letras subiram pela tela da televisão e eu acariciei Maya que tinha o focinho encostado em minha barriga. Estava tudo tão... Bom.
— Obrigada. — Disse na direção de ambas. As duas me olharam com interrogação. — Obrigada por tudo. Antes de vir para cá eu não fazia ideia do que eram amigas de verdade, e agora tenho duas irmãs. — Lisanna me encarou com um sorriso e me abraçou, sendo seguida por Erza. Sorri realmente feliz.
— Lucy! — A voz de Mira estava meio aflita na porta. Arqueei as sobrancelhas e abri a porta. Minhas amigas olharam para a albina assim como eu. — Temos um problema.
[...]
— Como isso aconteceu? — Eu seguia Mira até sua cabana.
— Ela burlou a segurança e flagrou Minerva tirando sangue de um campista. — Mira suspirou. — Ela surtou. Começou á chamar todos de demônios vindo do inferno. E você pode imaginar o que disse quando viu Vincent e Michelle. — Passei a mão pela face contendo um suspiro. — E então ela gritou que queria te tirar daqui, que exigia te tirar desse hospício.
— Meu Deus. — Vi que Laxus segurava a porta da cabana de Mira e que Sting estava sentado na escada. Ele estava molhado e Laxus tinha os olhos vermelhos e lacrimejantes. — O que houve?
— Sua mãe é forte, Lucy. — Sting disse enquanto tremia. — Laxus a segurou e eu não sei da onde ela tirou spray de pimenta e jogou na cara dele e quando fui segurá-la ela tacou um frasco com água em mim gritando: “Vai pro inferno demônio maldito” — Apesar da situação, pus a mão na boca contendo um riso vendo o frasco na mão de Sting. Ela havia jogado água benta nele? — Ela ficou bem chocada quando eu permaneci intacto.
Suspirei e ouvi os gritos e as batidas na porta.
— EU QUERO VER LUCY. O QUE VOCÊS FIZERAM COM MINHA FILHA? — Ela estava bem brava. Mas Laxus segurava a porta com uma única mão.
— Lucy. Eu juro que quase arranquei a cabeça dela quando me jogou aquela coisa. — Ele disse passando a mão pelos olhos que deveriam estar ardendo.
— Ainda bem que não fez. — Os barulhos pareceram cessar então escutei a voz aflita de minha mãe.
— Lucy, está tudo bem? — Fiz sinal para Laxus abrir a porta e ele assim fez.
Os olhos dela me avaliaram antes de me abraçar forte e então percebeu as outras presenças e ela me puxou pelo braço tentando me arrastar.
— Temos que sair daqui, Lucy. Essas pessoas são demônios. Tinha sangue e... — Permaneci no mesmo lugar segurando sua mão.
— Mãe, está tudo bem. — Sua cabeça negou efusivamente.
— Não, temos que sair daqui e... — Notei que Vincent trazia Michelle e então minha mãe me puxou ainda com mais força. Como se quisesse me proteger. — Lucy, vamos embora daqui, por favor. — Sua voz estava forte e decidida.
Segurei seu rosto com minhas ambas as mãos. — Mãe, está tudo bem.
Lembrei-me do que Vincent havia dito, Layla na realidade era uma prima minha, e que Michelle era prima dela. Eu conseguia imaginar a confusão de minha mãe ao ver sua prima e seu grande amor.
— O QUE VOCÊS FALARAM PARA ELA, SEUS MONSTROS? — Vi que sua voz alterada ia à direção de meus verdadeiros pais. Ela ia com unhas e dentes na direção de Michelle. Vi raiva estampar os olhos da loira que acabara de chegar e ela ia à direção da minha mãe.
Vincent agarrou a cintura dela com certa dificuldade e eu seguei Layla.
— Mãe! PARA. — Ela não parecia me ouvir. E me pus em sua frente quando Michelle avançou em sua direção envolvendo seus punhos numa luz dourada bem parecida com a minha. Ela me enxergou segundos antes de seu punho me atingir no estômago. Segurei meus pés no chão para não me movimentar, mas mesmo assim fui erguida á alguns metros de distância. Senti meu corpo protestar pelo golpe e meus olhos fecharam rapidamente antes de Layla se pôr na minha frente, como se para me proteger. Meus olhos se encheram de lágrimas pelo seu comportamento. Ela realmente esperava me proteger.
— Você é um monstro. — Ela cuspiu para Michelle que olhava para os punhos inconformada. Ela não queria me atingir.
Pela forma como Layla falava, senti algo á mais na sua voz.
Só então eu me toquei. Minha mãe não era descrente como eu imaginava. Ela sabia muito bem o que estava falando quando dizia que não tinha nada embaixo da minha cama porque ela tinha aqueles símbolos estranhos na porta. Porque ela me dava um beijo de boa noite e sussurrava palavras que eu não entendia ao meu ouvido. Ela sabia o que Michelle e o que Vincent era.
E quando olhei para Sting, ele estava no chão. Assim como Laxus. Não era água benta. Nem Spray de pimenta. Aquilo era material necessário para matar sobrenaturais.
— Mãe... — Ela, no entanto não virou em minha direção. Ela apenas continuava na minha frente e quando ergui seu vestido notei a adaga em sua perna. Ela sentiu meu movimento e me olhou assustada. Afastei-me dela rapidamente.
— Querida, eu vou tirar a gente daqui. — Neguei devagar e segui na direção de Sting que se encontrava no chão. Mira pareceu notar e correu para Laxus que se encontrava do mesmo jeito.
— O que você fez com eles? — Encostei a cabeça em seu peito e notei que o coração batia lentamente.
— Fiz o que esses monstros mereciam. — Sua voz parecia completamente mudada.
Eu entendi porque Vincent e Michelle me deixaram com ela para me proteger. Ela matava sobrenaturais.
Encarando seus olhos envolvi minha mão numa luz dourada e vi seus olhos mudarem para o terror enquanto tentava curar meu irmão.
Fechei os olhos sussurrando palavras em grego. Agora eu sabia a língua que falava. Notei sua respiração voltar ao normal e então seus olhos se abrirem. Suspirei em alívio. Uma mão estava no meu ombro e vi Natsu.
— Você demorou. — Ele sorriu brevemente para mim.
— Você estava cuidando de tudo. — Claro. Ele estava escutando meus pensamentos.
— Você também... — Layla deixou a voz morrer. Meu corpo protestou quando levantei, minha barriga doía devido ao soco do Michelle. Minha careta de dor deve ter preocupado Natsu porque ele me auxiliou á levantar.
— Estou bem, Natsu. — Ignorei a pontada e olhei para a mulher que parecia estar inconformada. — Sim, eu sou.
— Mas... Quem fez isso com você? — A raiva tomou novamente o corpo dela quando observava a mão de Natsu em meu ombro. — Foi ele? — Ela cuspiu.
— Eu nasci assim. — Ela assumiu descrença. — Sim, eu nasci assim. E eu quero conversar com você, se você não estiver disposta a matar á mim ou ao meu namorado.
[...]
Ela estava sentada no sofá de Mira. Observei todo aquele arsenal na mesa. Não é possível que eu nunca tivesse reparado em todas aquelas facas e adagas em casa.
— Imagino que você já saiba de tudo. — Assenti. — Você deve estar me achando uma péssima pessoa. — Sua risada saiu amarga. — Lucy. — Seus olhos me olharam. — Eu sempre soube o que Michelle era. Éramos grudadas, naturalmente eu vi quando ela se tornava um mons... — Sua voz parou e então ela ponderou. — um sobrenatural. Ela saiu pelo mundo e eu fiquei com minha mãe e meu pai. Eles faziam o mesmo que eu.
— Como você... Somos pessoas! — Eu estava de pé ao lado da porta.
— O que me espanta é você estar aqui e já se considerar parte disso. — Sua voz representava nojo. — Essas criaturas mataram seus avôs... Ou seus tios... — Pareceu se embolar na explicação. — Meus pais e meus tios. Toda minha família. E eu vi Michelle nem ligando, ela nem ao menos veio ao enterro de seus próprios pais. — Sua voz soou realmente magoada. — A vi ficando com o homem que eu amava. E então segui o caminho dos meus pais. Jurei matar todo e qualquer humano que exibia poderes.
Era bem difícil de acreditar naquela história. Mas permaneci ali, escutando.
—... Você deve imaginar meu espanto quando Vincent te trouxe até mim. — Pela primeira vez, seus lábios foram tomados por um sorriso doce. — Eu não posso ter filhos, sou estéril. Mas em você, eu vi a possibilidade de ter uma filha. Eu podia parecer longe, mas eu sempre lutei para te proteger, Lucy. — Seus olhos lacrimejaram. — Sua prima, que fugiu com seu namorado? Eu fui atrás dela. E a fiz sentir a mesma dor que você. — Arregalei os olhos. — Aquele... Maldito que fez aquilo com você. Não quis que contatasse a polícia e saí logo depois porque eu segui o rastro daquele infeliz e eu não me envergonho em dizer que o matei descendo a faca por seu pescoço. Ele era um monstro também. Um vampiro. — Pus a mão em minha face sentindo terror. — Soube de tudo que eles guardavam pra você. Do poder de Michelle em você, tudo me foi explicado. E eu te protegia. Todas as viagens. Eram pessoas más estavam tentando te machucar. Eu te deixei aqui, para Vincent e Michelle não encontrarem você, acreditei que eles não conseguiriam te transformar. Não fazia ideia que isso nascia em você.
Eu estava chocada. Não só chocada, mas aterrorizada. Por isso Zeref sumiu da vida de todo mundo. Eu nunca mais o vi ou se quer soube da existência dele. Ela havia aniquilado ele. E... Ele era um vampiro?
Fiquei sem ar e me sentei por um momento. Senti seu olhar sobre mim.
— Lucy. Eu nunca machucaria você. — Olhei sua direção. — Você pode ser parte das coisas que eu caço... Mas... Eu não teria coragem e nem força para te machucar, ou te bater. — Seus olhos me transmitiram toda sinceridade do mundo. — Isso pode ir contra tudo que eu acredito, mas... — Seus ombros caíram. — Me desculpa.
— Pelo o que?
— Por tudo que fiz você passar. Eu realmente não tinha essa intenção. Meu ódio era direcionado á sua mã... Michelle. — Ela se corrigiu á tempo. — Eu nunca tive a intenção de te magoar e nem parecer ausente. Eu te amo, Lucy. — E foi com isso que senti meu peito tremer e umas lágrimas caíram de meus olhos.
— Você deve saber que aquele namorado seu era um sobrenatural, não é mesmo? — Ela suspirou.
— Sim. — Ela anuiu em dúvida. — Eu não tinha certeza. Mas ele não era cauteloso. E nada do meu arsenal foi suficiente para ele, eu só tive certeza depois que saímos daqui. Por algum motivo, sua raiva explodiu e ele me contou parte dos seus planos e depois tentou apagar minhas memórias. — Sua risada ecoou pelo local e ela puxou o colar com um cruz. — Como se aquela magia funcionasse em mim. Foi só eu fingir que desmaiei e pronto.
— Ele veio até aqui. — Suas sobrancelhas arquearam. — E fez algo muito ruim á Lisanna. Minha amiga, lembra-se dela? — Eu não consegui conter essa informação.
— Pelo o que ele me disse, ele não ia vir até aqui no momento. Mas mesmo assim... — Seu olhar pareceu inconformado enquanto ela saiu correndo da cabana. Seguia-a de perto e notei as figuras do lado de fora, eles escutaram tudo. Claro.
Alguns me seguiram e vi Layla de frente ao portão principal. Com suas mãos ela cavou um pouco e eu vi umas coisas enterradas. Ela analisou aquilo.
— Isso era para mantê-lo longe. — Ela então notou algo. — Filho da puta. — Aparentemente eram pra haver dois. — Mantém todos que tem alma ruim longe. Um velho feitiço que aprendi. Mas ele desfez. Não sei como, mas ele desfez. — Sua voz sussurrou uma espécie de feitiço e aquilo brilhou, eu estava confusa. Como ela podia fazer aquilo?
— Ela tem sangue de bruxa. — A voz de Michelle me espantou. Erza e Lisanna estavam bem próximas dela e Natsu também estava ali. Arqueei as sobrancelhas e olhei para Layla que terminava de enterrar aquelas coisas.
— Eu uso minhas habilidades para aniquilar monstros como você. — Sua raiva toda recaiu sob Michelle que revirou os olhos e bufou.
— Me poupe. — Sua ironia era crescente. Eu me afastei um pouco.
— Vocês não vão se matar, não é? — Layla negou e Michelle apenas cruzou os braços de maneira turrona. — Vocês são primas. Não quero brigas, anda. Prometam que não vão se matar.
— Olha como fala. Sou sua mãe. — As duas disseram juntas. Apesar de toda tensão da situação eu ri suavemente. E vi as duas suspirando. — Tudo bem. — Novamente disseram juntas.
— Melhor assim. Mãe, porque você veio até aqui? — Layla me encarou e deu de ombros.
— Tive um sonho estranho com você. Queria checar como estava. — Ela veio em minha direção. — Eu sempre quero manter o seu bem.
— Eu estou bem, sério. — Ela suspirou.
— Eu vou embora, de qualquer maneira. Você está segura aqui. Mas vou voltar. Não admito que tenha um maldito atrás da minha menininha.
Ao fundo pude notar Natsu assentindo em satisfação. Arqueei minhas sobrancelhas para ele.
"Mais proteção para você, princesa." Escutei sua voz na minha cabeça.
Quase sorri com o princesa. Mas minha expressão se tornou emburrada e cruzei meus braços.
Porque todo mundo é tão preocupado com a minha segurança?
Continua
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