Upside Down

8 VIII — Destino ou castigo?


Notas iniciais
Olá! Bem, pessoal. Aposto que vocês estranharam o fato de ter adicionado uma co-autora à história, não? Bem, sou eu! Prazer, Annie Parker (Nojenta para a Kati :v - Mas só pra ela u.u). Enfim, estou aqui para fazer três coisas. A primeira, é falar sobre a verdadeira história de Upside Down... Na verdade, eu, Annie, sou a verdadeira cabeça dessa história. Tudo veio de mim, e a Kati sustentou os créditos até agora. Somos parceiras, então pedi à ela que fizesse isso por mim. Então Upside Down me pertence. Segundo. . . . . . A PRIMEIRA COISA É MENTIRA! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK ~le Annie morrendo de rir da cara de vocês! KKKKKK. Desculpem-me, mas não resisti fazer essa trolagem. Era uma necessidade sufocante! Eu ficaria louca se não fizesse! Quem me conhece, sabe como sou meio (completa) maluca :v EU AMO A NOJENTA DA KATI, APOSTO QUE ELA ESTÁ RELINCHANDO DE TANTO RIR AGORA! Mas olha, gente. Eu, de certa forma, tenho algum crédito, tá? u.u Sou a beta oficial de UD. Me amem e me odeiem, já que leio antes de vocês hauguabhsahiskASIJokLML. E a terceira coisa! Óbvio que fui adicionada aqui apenas para postar, já que a Kati (pobre) tá sem net no pc. E aqui vai, finalmente, as palavras dela à vocês: ~ Kati: Olá gente. Sei que vocês devem estar querendo arrancar meus órgãos para vender no mercado negro... Me desculpem, o capitulo foi betado à bastante tempo, mas minha internet ficou ruim, e eu não sei postar pelo celular. - nunca usem modem. É horrível. - E bem, minha internet ainda está ruim, peço desculpas pela demora e desculpas pela demora em responder alguns dos comentários, agora responderei à todos pelo celular. Por causa da minha internet, a Annie irá postar esse capitulo pra mim. Tenho que agradecer à minha maravilhosa recomendação, eu senti vontade de chorar de verdade. Foi perfeita... Muito obrigada, Lu, fiquei extasiada por cada palavra em sua perfeita recomendação, não tenho nem palavra para descrever minha gratidão, muito obrigada. Queria agradecer também ao numero de leitores que cresce à cada dia, e também pelo número de comentários, vocês são maravilhosos. Vamos ao capítulo, okay? Espero que gostem, e... Me desculpem pela demora. Boa leitura, até as notas finais S2. ~ Então é isso. Leiam esse capítulo divoso! E lembrem-se, sou eu que beto, então é mais divo ainda u-u. Edição: Ok.

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“Não se luta contra o destino; o melhor é deixar que nos pegue pelos cabelos e nos arraste até onde queira alçar-nos ou despenhar-nos.”—- Machado de Assis.

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VIII — Destino ou castigo?

Apertava meus dedos formando nós. Não estou confortável nesse sofá e muito menos com essa situação toda, onde diabos eu fui me meter?

— Fique calma, Lucy. Não é tão ruim quanto parece. — Mavis tentou me acalmar, mas um temor tomou conta do meu coração.

— Não é ruim? Mavis, se ele morrer... Eu morro. Eu não quero ficar com ele. — Balancei minha cabeça negativamente para dar ênfase. — Tem como tirar essa coisa?

— Não tem querida. Você nasceu assim... Não tem como tirar. É o destino. — Se fosse possível, meus olhos teriam colado em meu coro cabeludo, de tanto que os revirei.

— Quero que o destino exploda no inferno dançando tango nas labaredas infernais até cansar. — Pude ver Mavis rir. — Não é engraçado.

— É sim. Mas... É sério. — A encarei. — Por favor, tentem ficar juntos. — Quando ia interromper, ela ergueu a mão para que eu me calasse. — Se você resolver ficar com outro... Será destrutivo. Isso vai te corroer; ficar longe dele vai te desgastar, ainda mais que sua marca já foi ativada. Isso é perigoso, vocês podem morrer se ficarem longe um do outro.

— Mavis... Apenas tira isso de mim, por favor. Eu não quero, quero mais é acordar desse maldito pesadelo infernal e descobrir que, minha mãe não me dá atenção, mas a vida segue em frente. Não quero mais saber desse negócio de “sobrenatural”. Desde que isso entrou na minha vida, ela ficou completamente de pernas para o ar, um giro de 360º graus sem proteção alguma.

— Não tem outra solução, Lucy. A não ser que... Vocês fiquem amigos, muito próximos. Porque, só assim não ficarão fracos se ficarem longe. Mas, você não pode mostrar a marca para o Natsu.

— Por quê?

— Porque, ele procura a companheira dele há dois anos! Ele não vai querer ficar apenas seu amigo, Lucy. — Ela suspirou. — Esse é a única forma. A não ser que, claro, se vocês ficarem juntos.

Minha carranca deve estar cômica, mas no momento não tenho tempo para isso. Senti minha marca queimar e notei que as chamas estavam eliminando o laranja, estavam vermelho sangue.

— Hum. — Parei para pensar. — Vou arrumar um jeito. — Levantei-me com tudo do sofá. — Por favor, não fala com ninguém. Eu não quero que ninguém fique sabendo, porque, se você contar para a Mira, ela vai contar para Lisanna... E vai dar confusão.

Ela assentiu meio contrariada.

— Em tese, tenho que falar com Mira. Eu tenho que falar com ela. Mas prometo que vou pedir descrição, tudo bem?

— Certo, pode ser. Só garanta que ela não fale para a Lisanna, por favor.

[...]

Jogo-me na cama e Maya se deita ao meu lado.

Certo, vamos lá. Tudo está a maior confusão, até ontem achava que nada podia ficar pior, e olha só... Eu posso morrer e o Natsu também... E não sei porque, mas a morte dele faz com que tudo em meu interior se comprima em pânico. Deve ser essa maldita marca.

Tiro minha jaqueta e sinto-a novamente queimar e ficar ainda mais vermelha. Que ótimo.

— Maya, o que está fazendo? — Noto que ela lambe a marca e não é que... Parou de arder?! — Obrigada.

E então posso me concentrar numa tarefa mais... Importante.

Como eu irei me aproximar de Natsu a ponto de ficarmos amigos? Uma tarefa quase impossível, e há uma grande probabilidade de que eu morra carbonizada antes de concretizar minha missão... Mas é claro, eu irei morrer de qualquer jeito.

Estou considerando mesmo morrer?

Escuto alguém abrir a porta e deito rapidamente de bruços cobrindo a marca. Afundo minha cabeça no colchão, porque, fica quase impossível manter minha cara longe dele.

— Lucy, ficamos te esperando lá. — É a voz de Lisanna. Finjo que estou dormindo.

— Nem adianta fingir que está dormindo, estou escutando sua respiração acelerada, sua irresponsável. — Bufei contra a superfície fofa.

— Nem se pode mais fingir que está dormindo, cadê a droga na minha privacidade nessa casa? Sair invadindo o quarto dos outros, que educação. — Provavelmente ela não deve ter entendido nada já que estou falando com o rosto enfiado no colchão, mas se entendeu me ignorou e sentou ao meu lado.

— Tira a cabeça daí. Porque está assim? Tá escondendo alguma coisa?

— Claro que não!

Alerta: Estou mentindo muito mal, tanto que minha voz ficou mais fina.

— Estou escutando as batidas do seu coração, está acelerado. Pare de mentir. Lucy. — A voz dela está me dando muito medo.

— Não estou mentindo, agora, estou cansada. Podem sair, por favor?

— Lucy, o que Sting fez com você? — Elas perguntaram juntas. Meu susto foi tanto que quase me levantei sem pensar nas consequências.

— Ele não fez nada, que saco. Será que não se pode mais ter privacidade nem no meu quarto? — Minha voz estava raivosa. Acho que meu argumento foi convincente porque elas saíram devagar e aos poucos escutei a porta sendo fechada.

Por via dos casos olhei de canto de olho e confirmei que elas haviam saído. Levantei-me rapidamente e pus a jaqueta. Essa foi por pouco.

— Maya, o que eu faço? — Seus enormes olhos chocolates me encararam e depois ela pôs a língua para fora, me parece que não está sabendo muito dessa situação.

Esfrego as mãos em minhas coxas... Isso já virou mania.

Nunca mais vou duvidar do quanto as coisas podem ficar piores, porque eu já tive todas as comprovações que... Sim, elas sempre podem piorar até que você não aguente mais.

O pior de tudo, eu só trouxe algumas regatas e casacos, mas aqui faz muito calor... E bem, como irei andar sempre de casaco? Duvido muito que uma simples maquiagem cubra essa coisa... E realmente, não vai cobrir.

Levanto da cama vasculhando meu guarda-roupa. Achei três casacos e duas blusas de manga longa. Tem que servir, nem camisas de manga curta posso usar porque aparecem as asas dessa maldita fênix.

Parei minha linha de raciocínio quando Maya começou a arranhar a porta. Levantei-me e abri para que ela saísse como um furacão de dentro.

— Maya? — Ela saiu correndo pela porta que estava aberta, as meninas estavam sentadas no sofá. Ignorei-as e segui minha cadela que corria a toda velocidade. Empenhei meus pés o máximo que pude chegando bem próxima a ela. — Pare de correr, Maya!

Gritei quase que sem fôlego, ela corria muito rápido. Cheguei perto de uma cabana. Ela andou até a varanda e me joguei em seu tronco forçando-a a cair. Imobilizei suas patas e segurei sua coleira.

— O que houve, Maya?! — Ela apenas me encarou com seus olhos castanhos chocolates e forçou se soltar. — Nada disso.

— O que está fazendo aqui? — Me virei rapidamente e sem querer deixei Maya escapar. Ela estava quase latindo, mesmo que eu fizesse sinal, ela não iria parar. Estava sentindo isso.

O homem era um verdadeiro armário. Seu rosto era coberto por piercings de todos os tipos e tamanhos, seu cabelo era longo e seus olhos num puro vermelho sangue. Juro que quase tremi, mas eu disse quase.

— Não é da sua conta. — Língua maldita. — Maya venha aqui. — Fiz sinal, mas quem disse que ela me obedecia?

— Você é a loirinha que não controla a língua... — Aquilo era uma risada ou um soluço?

— Oh, grande maravilha. Agora todos sabem que eu sou? — O cinismo exalava a quilômetros de distância.

— Mais ou menos. — Deu nos ombros.

— Maya, venha! Onde você está indo... Volta aqui. — Cheguei perto, mas ela correu para perto do indivíduo. — Isso não é brincadeira, moça!

— Você está falando com um cachorro?

Suspirei pesadamente tentando planejar uma tática para pular em cima de Maya para impedir seu avanço.

— Ela me entende. Fique quieto, estou pensando. — Suspirei enquanto erguia meu dedo na direção à minha cadela. — Venha aqui, Maya. Onde você está indo?

Aos poucos ela se virou e entrou na cabana que o “armário” tinha acabado de sair. Ela entrou com tudo. E eu, sem pedir permissão, entrei atrás dela. Meu Deus, onde eu estou indo?

— Maya. — Ela se virou e olhou para mim com seus olhos grandes e castanhos, como se pedisse minha permissão para latir. Fiz que não com a cabeça enquanto notava que ela estava em frente a uma porta e o moreno estava atrás de mim olhando tudo com um pequeno sorriso. — Não faz isso... — Choraminguei. —... Por favor. — Já era. Ela tinha latido tão alto que forcei a colocar as mãos nos ouvidos.

— Loirinha, acho melhor você sair daí... — Não entendi ao certo. Ele estava sentado no sofá e rindo, quando ergui o olhar... Perfeito.

— O que está fazendo aqui?

Porque diabos eu tinha que ficar sem palavras...? Fala alguma coisa Lucy... Fala. Lá estava ele, apenas com uma calça de moletom e um físico de causar inveja em qualquer um.

Notei a marca em seu pescoço. Quase morri sem ar, ofeguei sem respiração quando vi uma fênix coberta por uma luz intensa amarelada. Era capaz de cegar apenas no olhar. Ela também era preta e parecia estar reagindo á mim, pois brilhou e eu senti uma incrível satisfação em vê-la ali, quase como prazer. Pensamentos de possessividade passaram por minha cabeça, eles não eram meus.

Era algo como um instinto que eu nem sabia que existia. Eu forcei minha cabeça até encarar os olhos dele, foi pior ainda.

— Estou... Estou... Hum... Tentando levar minha cadela para casa. — Notei que Maya estava de bom grado ao meu lado com a língua para fora. Eu ainda a mato.

— Lucy? — Ah, não é que Sting fica na mesma cabana que ele? Dessa eu não sabia. — O que está fazendo aqui?

Eu estava de pé no meio de um corredor. Segurando Maya pela cabeça e encarando os dois homens na minha frente enquanto tem um imbecil atrás de mim rindo feito uma hiena maldita.

— Inferno, maldição... — Mania infeliz de praguejar quando estou nervosa. Olhei para Maya que me encarava de um modo inocente. — Eu estava... Apenas... Correndo atrás da Maya.

— É, isso é verdade. — Dei graças aos Deuses pelo monte de lata ter confirmado.

— Por isso... Eu vou indo embora. — Puxei a coleira de Maya... — Vem. — Ela não queria vir. Virou um burro e se sentou com teimosia se coçando no meio do corredor. — Eu não acredito.

— O que deu nela? — Sting me perguntou. Quando notei que ele estava ao meu lado, como ele veio sem eu perceber?

— Não sei. — Pus a mão em sua cabeça. — Vem, Maya.

Que beleza, agora ela está rosnando para o Sting.

— O que você quer, Maya? — Ela apenas se levantou e lambeu meu rosto indo para o lado do... Natsu? — Acho que eu não entendi.

Estou confusa, ela não odiava ele? Ela não rosnou em sua direção desde o primeiro dia?

Ela cheirou os pés dele e por um momento encarou seu rosto se sentando ao seu lado e abanando o rabo. Só então eu liguei... Deve ter alguma coisa haver com essa maldita marca. Apenas suspirei.

— Quer ficar, Maya? — Ela nem seu moveu. — Uma hora ela volta, tentem expulsar ela.

Dei nos ombros e me virei em direção à saída.

— Essa cachorra me odeia! — Sting se pronunciou. Dei novamente nos ombros novamente.

— Agora ela é amiga do Natsu, não vai rosnar mais. — E então saí pela porta.

Eu estava tão desconfortável lá dentro que nem sei ao certo o que estava falando direito. Não queria deixá-la lá e sair, mas ela não vinha e eu estava muito... Desconfortável mesmo. Era como se eu sentisse um mar de sentimentos contraditórios de outra pessoa.

E tem outra coisa... A marca do Natsu. Não tinha uma certeza do que Mavis havia me dito, mas agora tenho completa e absoluta. Aquela porcaria é feita por mim, mesmo que inconscientemente.

Suspiro e encaro ao meu ao redor, estou ainda na entrada da cabana e não estou muito calma, mas tento pensar no caminho pacientemente como se soubesse para onde estou indo. Mas na realidade... Não sei.

— Lucy! — Ponho a mão no coração assim que Erza aparece na minha frente.

— Que susto!

— Está devendo? — Seu sorriso me deu nos nervos. — Ou está com medo?

— Nenhum dos dois, apenas estava concentrada em pensamentos, e estar desatenta é diferente do medo. — Dei nos ombros enquanto ela arqueava as sobrancelhas.

— O que está fazendo aqui? — Olhei para trás e notei que porta da cabana deles estava aberta e de alguma forma, pude ver todos prestando atenção na conversa. — Numa trilha das cabanas masculinas, em frente à cabana de três homens, hein?

Suspirei e passei as mãos pelas têmporas controlando meu gênio que a toda hora insistia em pôr-se para fora.

— Pelo amor de Deus, Erza!

— Mas que é verdade é. Essa aqui não é a cabana do Sting? — De repente uma sensação possessiva e completamente animalesca tomou conta dos meus poros e senti raiva só de ela pronunciar o nome do loiro. Engoli em seco quando senti vontade de apertar o pescoço dele até ter absoluta certeza que parou de respirar.

— Por favor... — Pedi num último fio de voz, tenho que sair daqui. Essas emoções estão perturbando meus pensamentos.

— Espera até ver o que Lisanna vai falar... — Ela balançou a cabeça negativamente em um ato de reprovação.

— Erza, me faz uma imensa satisfação? — Minha voz estava melosa e carinhosa.

— Claro. — Seu sorriso era meio macabro, como se ela já soubesse o que eu ia falar.

Vá à merda, por favor? — Inclinei a cabeça para o lado direito e a encarei por uns segundos antes de sair correndo pela trilha, mas antes pude sentir uma paz e satisfação maravilhosas. Estou em paz de espírito e isso só me ajuda a sorrir.

[...]

— Vamos Lucy, apenas... Respire. — Mexo minhas pernas que estão em posição de lótus e ajeito minhas mãos. Meus pensamentos estão conturbados, não consigo me concentrar. — Meditação é formada por concentração e foco.

— Não consigo. — Digo com os olhos ainda fechados. — Tem muitos pensamentos confusos.

Mexi-me desconfortável com a blusa de mangas que vesti depois do banho.

— Não pense em nada. Pense numa folha em branco e você está sem inspiração, limpe a mente. Você está num quarto que tem apenas paredes brancas.

E por um momento consegui focar nessa parede e me senti mais leve, num estado de dormência. Minha respiração e batimentos cardíacos normalizaram e me senti um tanto viva, quase que em conexão com tudo ao meu redor. Sentia as energia, como se pudesse purificá-las.

— Agora, quero que pense que milhares de pontinhos de luz estão te envolvendo. Está escutando? — Assenti e fiz o que me foi pedido. Em minha mente visualizei uma luz resplandecente branca me encobrindo. — Não está funcionando.

Ela estava meio frustrada. Abri meus olhos e vi que realmente não havia nada.

Meus pensamentos voaram e olhei para o campo atrás do refeitório, me senti estranhamente observada e percebi que Natsu estava me olhando, à espreita como um falcão olhando a caça.

Meus pensamentos se conturbaram e me lembrei da marca em seu pescoço, aquela luz amarelada e cheia de fagulhas em forma de fênix. E então senti minhas mãos e o restante do meu corpo pinicando.

— Mavis... — Minha voz saiu falhada. Minha pele ficou dormente e eu comecei a brilhar... Num tom extremamente amarelado, e esse brilho foi ficando mais forte.

— Meu Deus! — Ela exclamou assustada.

A luz foi me envolvendo e senti paz de espírito. De repente saiu de mim e ficou a minha frente, como se fizesse o que eu pedisse. Sentei-me sobre meus joelhos e pensei em muitas coisas, mas nada se formou.

E então uma fênix se fez presente. Arregalei meus olhos assustada e maravilhada. Brilhava tanto que meus olhos brilhavam junto.

— Que lindo... — E ela foi se aproximando de mim. Quando estiquei minha mão, uma sensação de paz me afligiu ainda mais, e a Fênix me rodeou, indo logo após na direção de Mavis e quase se colidindo com seu corpo. Ela se protegeu com um imenso escudo negro. E a fênix se retesou. Fechei meus olhos e a dormência voltou.

Quando os abri novamente ela tinha sumido, mas eu ainda estava brilhando um pouco.

— Fiquei impressionada, nossa. — A loira de olhos verdes se pronunciou. — Isso foi... Surpreendente para uma primeira vez, está cansada?

— Não. Mas, ela tentou te atacar?

— Sim, eu sou uma ameaça. — Arqueei minhas sobrancelhas em sinal de confusão. — Os de proteção e das sombras não são muito amigos por natureza.

— Oh. — A luz já havia desaparecido completamente. — Ela pareceu estar me protegendo. — Segui o olhar por todo o local e Natsu continuava sentado em uma mesa bem afastada de nós, seu olhar recaiu sobre mim e me senti confusa e orgulhosa, mas acima de tudo muito confusa.

— Sim, estava. Não foi muito bem você. — Ela olhou de canto de olho para Natsu, dizendo que ele estava mesmo ali. — Ligação, lembra? Então, mais ou menos isso.

— Ah, sim. — Assenti. — Acho que por hoje chega, não é? Tenho que ir até minha cabana, depois vou conversar com... Minha mãe.

— Boa sorte, querida. — Sua expressão se fez compreensiva.

— Eu não vou ligar, esperarei ela ligar para Mira e então a Mira vai me chamar, se ela não quiser falar comigo, pois bem, eu também não quero. — Dei nos ombros revirando os olhos. — A repulsa é compartilhada por ambos os lados.

— Lucy, sua mãe não sente repulsa de você.

— Imagina, apenas ódio, mas eu não entendo. Não só ódio, desprezo também... Para mim, desprezo e repulsa são a mesma coisa. É como ela sempre fala: “Não deixarei ninguém me abater”. E nesse momento, ela só tem o poder de me abater.

— Mas... Lucy... Ela deve ter algum motivo.

— Concordo. Mas sou compreensiva, não custava e não custa merda nenhuma vir conversar sobre isso comigo. Mas chega desse assunto. Vou para a cabana, até amanhã?

Ela me abraçou forte e eu sorri.

— Até, querida. Amanhã vamos aprender a voar, que tal? — Arregalei meus olhos de surpresa e uma animação me tomou.

— Que legal! Estou ansiosa. — Olhei novamente para a mesa que Natsu estava antes e... Ele não está mais, assim como os sentimentos confusos e emoções contraditórias além do orgulho, mas era para eu estar feliz... E não me sentindo sozinha e vazia.

[...]

— O que você estava fazendo lá, Lucy? — Lisanna me perguntou pela milionésima vez.

— Já disse e repito, estava correndo atrás de Maya e ela entrou na cabana deles, e depois eu saí, só isso. O que eu preciso fazer para você entender? Libras, código Morse, sinal de fumaça? — Revirei meus olhos conforme sentia o sarcasmo normal tomar meu corpo.

— Mas você não deve ter feito só isso. — Erza se intrometeu na conversa.

— Ah, cala boca. — Disse encarando seus olhos, de repente eles se tornaram vermelhos.

— Lucy, Lucy. Sou sua amiga, mas não me provoque.

— Ou vai fazer o que, hein? — Meus olhos ficaram miúdos e meus músculos formigaram, meu sangue correu a toda velocidade pelo meu corpo.

— Posso fazer muitas coisas. — Sua voz se tornou ameaçadora num pulo.

— Sério? — Um meio sorriso debochado escapou por meus lábios. — Humpf. Está bem, okay.

— Está duvidando, Lucy?

— Longe de mim.

Lisanna apenas olhava para nós de uma para a outra, como se fosse um jogo de futebol e ela estivesse olhando para a bola.

— Para mim, você está duvidando. — Ela se levantou. Minha sobrancelha arqueou-se num ato desafiador, eu não quero brigar com ela.

— Não sei, Erza. Talvez por você me ver em frente a uma simples cabana e sair dizendo por ai que eu estava transando com os três... Talvez. Certo que você falou apenas com Lisanna, mas mesmo assim... Fazendo especulações... É horrível, Erza. Ridículo, na verdade.

— Está me chamando de ridícula?

— Não, estou falando que a situação é ridícula... É diferente. — Dei nos ombros, ela quer me bater? — O que foi Erza?

E então um pouco contrariada se sentou novamente, bufando. Olhei para o vidro do armário e vi meus olhos meio prata.

— Seus olhos mudaram de cor. — Lisanna disse bebericando o suco como se nada tivesse acontecendo.

— Eu sei. — Suspirei e quase deitei na cadeira comendo mais um pedaço do sanduíche.

— Que bizarro. — Revirei os olhos assim que Erza falou.

— Muito. — Concordei. — Mas é uma coisa que não consigo controlar.

— Agora... Falando sério. — Lisanna me interrompeu. — Numa briga para valer, entre você e a Erza, quem ganha?

— Eu sei lá. — Dei nos ombros.

— Acho que eu. — Concordei com a fala da Erza.

— Espera, vamos avaliar. Você é vampira e tem uma força acima do normal. Certo? — Erza assentiu. — Hum, já fez judô, certo? — Ela assentiu devagar. — E você... Lucy?

— Não sei muito dos meus poderes, mas eu tenho alguma força. Fiz aulas de defesa pessoal no ano passado para me proteger... E segundo meu pai, eu era ótima em derrubá-lo numa luta, acho que isso é tudo. Mas com certeza, ela me venceria. — Suspirei. — Porque, Lisanna?

— Para eu escolher uma segurança. — Erza jogou o bolinho que estava comendo na cara de Lisanna e eu fiz o mesmo com o biscoito.

— Não trate de saber se defender para ver quem será sua segurança. — Erza disse emburrada. — Odeio quando pessoas ficam falando de mim pela minha força. Isso é horrível!

— Concordo. — Foi a única coisa que eu disse antes de começar a comer outro biscoito do pote.

— Vocês não existem, uma hora brigando e quase se embolando no chão como gato e rato, mas agora fica uma concordando com a outra... Não entendo.

— Temos personalidades parecidas. Então, é normal termos divergências... Mas nós concordamos na maioria das coisas. — Assenti com a sua fala incapaz de falar porque minha boca estava cheia de biscoito.

Erza bebericou o suco que estava em seu copo. Acho que é sangue, porque cada vez que ela retira o copo da boca lambe os lábios e seus olhos estão numa cor rubi perfeita.

— Eca, que nojo! — Lisanna se pronuncia e então percebo que ela estava encarando Erza assim como eu.

— O que, Lisanna? — A ruiva perguntou, seus olhos estava miúdos e divertidos.

— Sangue, eca! — Sua careta de nojo me fez cair na gargalhada.

— Erza, esse sangue é humano ou animal? — Ela me encarou por uns segundos.

— É humano, fiz uma aposta com uma menina fada, ela perdeu e doou um pouco de seu sangue para mim, sangue de fadas tem gosto de flor. — Lisanna empalideceu e eu ri ainda mais quando Erza, propositalmente, deixou uma gota de sangue escapar e lambeu seus lábios encarando Lisanna.

— Como vocês doam sangue? Tipo uma transfusão?

— Sim, e então do saco eu passo para um jarro. — Ela deu nos ombros.

Lisanna fez ânsia de vômito.

— Não é possível que você não sinta nojo, Lucy!

— Eu já disse, tenho sangue correndo em minhas veias, e se ela não tomar sangue... Pode morrer... Portanto, é normal... — Tomei um pouco do suco de maracujá em meu copo. — Já provou todos os tipos de sangue?

— Sangue humano tem gosto doce, parecido com amoras. De fadas parece flor, de lobisomem é nojento, tem gosto de ferro e testosterona. — Sua careta de nojo me fez rir. — Hum, bruxos e bruxas tem sangue com gosto de bala... E eu nunca provei sangue de nenhum tipo de descendente.

Pisquei meio aturdida e assenti enquanto ela fazia uma careta pensativa.

— Cadê a Maya? — Lisanna me perguntou.

— Está no quarto. Desde que chegou da cabana deles ela entrou lá e ficou. Estou um pouco zangada com ela... — As meninas riram da minha cara.

Levantei-me da cadeira olhando pela janela e vendo o por do sol. É, parece que amanhã teremos aulas.

— Então, está animada com seu primeiro dia, Lucy? Será que vamos ficar nas mesmas aulas?

— Vocês são do terceiro ano? — Ambas assentiram. — Tomara.

[...]

Encostei minha cabeça no corrimão da escada da varanda, observando o local tomar uma fina luz laranja que me fez sentir revigorada. Sorri vendo o sol se pondo por detrás das montanhas, isso é um tanto calmante.

Levantei-me da escada e vi Maya surgir com orelhas abaixadas, ela sabe que fez algo errado. Passei minha mão por sua cabeça e ela me lambeu. Suspirei e andei pela trilha sendo seguida por ela.

Estou suando, mas não posso tirar a blusa de mangas longas, prendi meu cabelo num coque para ver se aliviava um pouco do calor, até porque meu cabelo é enorme... Bate no fim das costas, mas parece que prender não vai adiantar. Quando dei por mim estava na clareira do riacho.

— Quer brincar Maya? — Será que se eu tirar minha blusa de frio alguém aparece por aqui? Esse lugar não parece receber muitos visitantes. Joguei um graveto longe e me sentei na grama vendo Maya correr atrás. Sorri.

Seu corpo grande trouxe o “brinquedo” novamente e eu o arremessei ainda mais longe, vendo-a ir buscar. Recolhi um pouco das mangas da blusa deixando-as até o cotovelo. Movi meu corpo até a borda do rio e coloquei meus pés dentro da água. Cerrei os olhos por um momento e sorri com a temperatura gelada.

O focinho de Maya pôs-se em meu braço e ela me entregou o graveto. O joguei novamente e ela foi buscar.

A paz que eu estava sentindo olhando para o pôr do sol evaporou no mesmo segundo que escutei:

— De novo aqui? — Sua voz me tirou do transe. E então senti meu sangue fluir mais facilmente pelas veias e comecei a sentir coisas estranhas, uma apreensão e talvez divertimento... Não sei ao certo.

— Que eu saiba, seu nome ainda não está cravado em nenhum lugar daqui. — Pus minha testa sob meus joelhos vendo Maya cheirar os pés dele e então me entregar o graveto novamente. Joguei-o ainda mais longe suspirando, eu não queria vê-lo hoje de novo, vai atrapalhar minha linha de raciocínio.

Tenho que me tornar amiga dele. É uma ótima oportunidade agora. Meu subconsciente martela em minha mente, talvez ele esteja certo.

— Está certa. — Arqueei minhas sobrancelhas e olhei para a direita, ele devia está a um metro de mim, e conforme se aproximava eu sentia todos os pêlos do meu corpo arrepiarem, meu couro cabeludo pinicando, e minha respiração foi ficando cada vez mais rarefeita. Engraçado, está um calor aqui de repente, não é?

E então se sentou ao meu lado com pelo menos sessenta centímetros de distância entre nossos corpos, eu agradeço muito á essa distância, não sei como eu ficaria se ele se aproximasse um pouco mais. Talvez meu autocontrole fosse para o espaço, ou eu fugisse, é difícil dizer... Sempre ajo da maneira mais estúpida possível.

— O que está fazendo aqui? — Fiquei pensativa por um instante quando ele perguntou. Mas por incrível que pareça senti dor de cabeça e parece que briguei com Deus e o mundo, meu corpo está esgotado e pesado. E conforme eu penso em alguma coisa, a linha de raciocínio muda para uma direção completamente oposta... Como se não fosse eu.

— Hum, no momento estou brincando com Maya. — Arremessei o graveto novamente. No momento, estou capacitada apenas para dar respostas lógicas.

— É sério? Se você não falasse... Nunca descobriria. — Olhei em sua direção soltando um risinho irônico. Pelo visto não sou a única a ser um poço de ironia, como minha mãe gosta sempre de salientar.

Estou muito esgotada para falar e retrucar alguma coisa. Não quero brigar. Principalmente com ele.

Pisco um tanto atordoada, qual é a desse “principalmente com ele”?

— Pois é. Estou olhando o pôr do sol. — Olhei novamente em direção as montanhas que estavam engolindo o sol. Sorri minimamente. — Aqui é lindo, se não fossem os fatos que me trouxeram até aqui... Eu diria que foi a melhor coisa da minha vida.

Não preciso ser gênio e muito menos ter terceiro olho para notar que ele está me olhando intensamente. E meu Deus, eu estou ficando envergonhada, mas eu sinto muitas coisas conturbadas e prefiro pensar que estou envergonhada por isso.

São sentimentos contraditórios. Eu quero desprezá-lo, mas pelo contrário, eu sinto desejo e uma empatia que não deveria estar aqui, tenho a sensação que já o conheço á anos. E isso sim me deixa confusa. A julgar que eu estou com minhas pernas e braços arrepiados e meu couro cabeludo está pinicando... Ele está me olhando mesmo e mais que isso, eu sinto o mesmo desejo vindo dele, e talvez por isso esteja tão atordoada.

— Posso te perguntar uma coisa? — Olhei em sua direção. Seus olhos verdes esmeralda me encaravam esperando por uma resposta. Passei minha mão pela testa na tentativa de parar com a dor incômoda que se instalou por ali, mas não adiantou.

— Acho que sim. — Respondi ainda de olhos fechados e minha voz saiu meio hesitante.

— Eu vi toda a confusão com a sua mãe, você não se dá bem com ela? — Essa pergunta foi inesperada. Abri os olhos em surpresa.

— Não sei que tipo de relação eu tenho com minha mãe, na verdade ela não gosta de mim. — Minha convicção chegou a me assustar.

— Acho meio difícil sua mãe te odiar, afinal de contas, ela te deu a luz. Como tem tanta certeza disso? — A voz dele penetrou meus pensamentos. Era enervante.

— Sinais. — Ele pareceu confuso. Tentei me sentar confortavelmente, uma coisa completamente falha, já que, fica meio impossível fazer isso sob seu olhar avaliador. — São sinais, basicamente, ela não olha em meus olhos, quando sorri é um sorriso falso, muito raramente fala palavras bonitas para mim e quando fala, é na frente dos outros. Quando ela consegue me encarar, vejo ódio, raiva e rancor. Só não sei o porquê. — Dei nos ombros. — Bom, se isso não é não gostar de uma pessoa, não sei quais são as atitudes de uma mãe que ama a filha.

Ele parou para refletir e só então notei que Maya estava deitada em minhas costas com o graveto na boca, sorri levemente e então me concentrei em minha mente. Eu posso jurar que era capaz de sentir coisas diferentes. Sentimentos que não eram para estarem ali, porque não eram meus.

Pisquei confusa, eu não estou sentindo isso.

— Minha mãe morreu quando eu era pequeno. — O encarei. — Eu devia ter oito ou nove anos, nem me lembro muito dela. Meu pai não entra em detalhes, talvez por ser uma lembrança rancorosa, e quando diz que eu me pareço com ela... Seu olhar se tornar odioso. — Só então entendi sua linha de raciocínio.

— Você acha que minha mãe é assim porque odeia meu pai? — Refleti. — É, pode ser. Julgando pela aparência sou bem parecida com a mamãe. Mas... Não acho que seja uma atitude de uma mãe agir assim com a filha.

E então ficamos calados, ficar em silêncio sempre foi um alívio para mim... Mas por agora, não quero ficar em silêncio... Isso deixa todos os sentimentos misturados e confusos em evidência. Isso faz minha mente entrar em pane e minha cabeça doer.

Ele parou de olhar para frente e começou a olhar para mim. Tudo fica mais intenso. Não preciso virar para o lado para percebê-lo me encarando, o mais estranho é que eu sinto isso...

— Você ficou amiga da Lisanna, não é? — Assenti meio desconfiada, foi uma mudança drástica de assunto.

— Sim, ficamos na mesma cabana. Por quê?

— Você me olha como se eu fosse te matar á qualquer hora. — Mudou de novo. Eu estava olhando para ele?

— Não fui eu que tentei te queimar, esqueceu? — Revirei os olhos. — Mas o que é quê tem eu falar com a Lis?

— Nós éramos amigos, mas... Eu me afastei. Ela sempre foi uma ótima amiga, não queria me afastar dela. — Seu olhar se tornou perdido. — Mas tenho coisas mais fortes para resolver, e por mais que a amizade dela tenha sido muito importante, tenho coisas que podem me matar.

— Eu sei, a marca, não é?

Burra, burra, burra... Chutei-me mentalmente tamanha minha língua grande. Cerrei os olhos com força. Agora pensa numa coisa, Lucy boca grande!

— Como você sabe da marca? — Suas sobrancelhas se contraíram numa linha junta. Senti surpresa e curiosidade, como eu sou idiota.

— Bom, sou... Sou descendente também, Mavis já conversou sobre isso comigo.

— Mas... Ela não tem permissão para falar isso com você até a marca aparecer... Meu pai só conversou comigo mais cedo porque queria que eu mesmo encontrasse, e agora essa marca apareceu. — Ele apontou para o pescoço e eu engoli em seco quando os dedos dele encostaram ali. Eu posso jurar que senti esse contato em minha pele.

Ironia. Quase ri na sua cara, se ele soubesse que fui eu a idiota a vir até o internato, mesmo inconscientemente, atrás dele.

— Então... A sua já apareceu? — Ele interrompeu meus pensamentos retirando a mão e interrompendo o contato. Eu quase senti vontade de protestar. Aquilo era confortável.

— Não. Ela apenas comentou comigo porque Lisanna falou algo por alto e eu fiquei curiosa, tudo isso é muito novo para mim. — Quase dancei de alegria, como pude contornar a situação desse jeito? Sem gaguejar... Mereço palmas.

— Hum. — Ele ainda me olhava meio desconfiado. — Certo.

— Estou falando sério. — Suspirei. — Você acha o que? Que a marca apareceu e eu estou escondendo de todo mundo? — Estalei a língua, soltei um risinho nervoso e desviei o olhar. Alerta de mentira: minha voz subiu três tons mais finos.

Eu tenho que ficar calada.

— Você está mentindo, eu sinto isso, mas eu vou ignorar... Pelo menos por enquanto. — Olhei para os seus olhos e apenas dei nos ombros. Um pensamento me tomou, será que ele sente todos esses pensamentos confusos?

Será que... Meu Deus, ele sente todo esse desejo e essas coisas que eu sinto também? Posso sentir meu rosto vermelho.

— No fim, não viemos a terra para agradar a todos. — Minha voz saiu rápida demais. Suspirei novamente e levantei-me, tenho que sair daqui e tentar colocar meus pensamentos em ordem e antes que fale alguma besteira que não deve ser dita.

— Aonde você vai? — Perguntou me encarando.

— Hum, eu vou dormir cedo hoje. Estou tendo uns sonhos estranhos, e quase sempre não me deixa dormir direito. — Ele se levantou também e eu dei um passinho para trás, para garantir ao máximo. Só que, olha que maravilha! Afundei meu pé numa lombada do rio e fechei meus olhos. Num ato de desespero agarrei a primeira coisa que estava a minha frente, que no caso, era o Natsu.

A água gelada molhou minha camisa e senti minhas costas estremecerem devido ao choque térmico, meu corpo inteiro ardia como se eu estivesse encoberta por chamas, ironicamente, aquilo era muito bom.

Maya latiu um pouco, mas depois parou. Senti um peso sobre meus seios e minhas pernas. Quando abri meus olhos num ato assustado, dei de cara com Natsu. Seus olhos verdes estavam me encarando tão intensamente que eu poderia jurar que ele, com certeza, via minha alma. Meu corpo ardia por inteiro, era uma sensação maravilhosa. Posso dizer que nunca havia me sentido assim antes.

Fiquei sem palavras para mandá-lo sair de cima de mim. Talvez por esse calor extremamente confortável e gostoso que toma conta do meu corpo... Mas, quando seu olhar contornou cada milímetro do meu rosto, me senti corando como um pimentão.

E então ele sorriu de lado, estava me encarando ainda apoiado nos cotovelos e me prendendo. Eu senti, muita, mas muita vontade de erguer meu corpo e unir nossos lábios... Senti um frio na barriga e minha mente entrou em colapso apagando completamente.

Meu coração batia num ritmo frenético, eu podia ouvi-lo em meus ouvidos. Senti desejo, tanto meu e se eu conseguisse me concentrar sentiria o de Natsu também.

Mesmo que eu me mexesse para sair dali, não daria. Isso não significa que eu queria sair de lá. Meus olhos desceram até seu sorriso e por um momento me perguntei novamente como seria encostar meus lábios nos seus, como seria passar a mão em seus cabelos que sem dúvidas são extremamente macios. Sem querer soltei um longo suspiro.

Ele fechou os olhos por um segundo e eu continuei encarando seu rosto sem pronunciar uma única palavra. Quando seus olhos abriram novamente, admirei a cor deles, nunca achei que a cor verde pudesse ser tão bonita e tão... Clara.

Não me importo mais com água gelada porcaria nenhuma, eu só quero senti-lo, e me dei conta que desde o primeiro contato que tive com ele, eu desejei esse momento.

Quando sua cabeça e seus lábios se aproximaram de mim, pareceu que uma luz se ascendesse em minha mente escura que estava em estado de frenesi devido ao senhor cabelo de iogurte de morango.

Empurrei-o com o resto das forças que tinha em meu corpo e ele caiu de costas do meu lado, meu rosto adquiriu uma alta temperatura.

— O que...? — Sua voz estava assustadora.

— “O que...” o que? Eu hein. Queria o que? — Levantei-me na velocidade da luz sentindo um arrepio na espinha, só não sei se pela água ou por esse momento. — Idiota. — Murmurei de modo débil enquanto tentava espremer parte da minha blusa encharcada.

— Como disse? — Só então notei que ele estava de pé.

— I-D-I-O-TA. — Eu disse pausadamente. — Entendeu? Ou quer que eu desenhe?

Sua expressão estava cômica, talvez ele estivesse confuso por minha súbita mudança de humor. Senti até minha testa vermelha. Coloquei ambas as mãos em meu rosto tampando meus olhos e sentei com tudo no rio. Não consigo mais controlar tudo isso em meu peito, é muita carga emocional. Isso está me desgastando.

— Você está bem? — Quando abri os olhos Maya estava em frente a mim, só que estava dentro da água. Ela odeia água... A mão de Natsu pousou em minhas costas e senti o local quase pegar fogo, podia jurar que ele estava tentando por fogo em mim como na última vez.

— Estou sim. Vou para casa, é só um mal estar. — Levantei e minha cabeça rodou um pouco e latejou, ignorando isso eu o encarei. — Até depois, okay? — Andei até a margem do rio e espremi um pouco da minha blusa e meu short. — Venha, Maya!

Ela latiu um pouco e quando olhei para trás Natsu estava fazendo carinho nela.

— Vou ter que te secar... Poxa, Maya. — Ela latiu em resposta. Sorri. — Venha. Você está encharcada!

Ela andou abanando o rabo e com a língua para fora.

— Posso te acompanhar até a trilha? — Anui negativamente.

— Não precisa. Posso ir sozinha, obrigada. — Ele se pôs ao meu lado. — Por que perguntou então? — Pronunciei enquanto revirava os olhos.

Ele novamente deu aquele sorriso de lado. Nunca tinha sentido minhas pernas bambearem, e posso garantir que é uma sensação muito intensa.

[...]

— Já voltou? — Lisanna perguntou assim que eu pus meus pés dentro da cabana.

— Não, esse é meu espírito, verificando se a casa está segura. — Ela me encarou por um tempo.

— Está de mau humor? Sua aura diz o contrario. Ela está muito rosa mesmo. Completamente rosa. — Suspirei cansada de argumentar e me sentei no sofá.

— Não vou nem falar sobre isso.

— Encontrou algum garoto. — Fiquei calada. — Quem foi, o Sting? Fala Lucy!

— Não encontrei nenhum garoto! — Minha voz ficou fina demais enquanto me jogava no sofá.

— Está mentindo. — Ela cruzou os braços em frente ao peito. — Eu senti uma energia diferente da sua ali fora, é familiar, mas não lembro agora de quem é.

Maya se balançou eliminando a água de seu corpo me lembrado que eu estava molhada e ela também.

— Porque estão molhadas? Estava no rio?

— Não, encontrei uma lhama no caminho e ela não foi muito com a minha cara. — Levantei-me e segui em direção á porta do quarto sendo seguida por Maya.

— Avisa á essa lhama que você sente alguma coisa por ela, porque, sim a sua energia está como a de uma pessoa apaixonada. — Escutei sua voz risonha e tive vontade de rir com ela. Inferno.

Desdenhei de costas e escutei suas gargalhadas. Entrei no quarto e me joguei na cama.

Eu não quero explicar sobre essa situação se nem eu mesma entendo.

Continua

Notas finais
AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE MANOOLOOOOOOOOOOOOOOOOOO. O BAGUI FICOU LOUCO. Pra quem não sabe, aqui é a Annie o/ Capítulo foda, né? Fui eu que betei u.u Enfim, eu que fiz a capa também, como a as imagens dos capítulos, que vou postar nos que não tem :v. Foi bom falar com vocês. Ainda vou perturbá-los um pouco mais. MHAUHAUAHAUAUHAUAUA COMO É ÓTIMO TER PODER NA FIC DOS OUTROS AHIABDGahxaMAL. Agora, com vocês, a Kati divosa, que sem mim não seria tão divosa assim u.u: ~Então, o que acharam? Espero que esteja perdoada. Enfim, não darei prazo para o próximo, vou tentar não demorar tanto quanto dessa vez. Bem, queria agradecer novamente à você Lu Dragneel (eu amei seu nick) suas palavras na recomendação foram bem mais que inspiradoras e me fizeram pular, chorar e ficar extasiada de tanta alegria, muito obrigada mesmo, você é um amor. Espero vocês nos comentários? Espero que sim, até o próximo, okay? Beijinhos; K.~ Até mais, povo. Exijo comentários, sim? Não sou boazinha como a Kati. QUERO É VER COMENTÁRIO NESSA BUDEGA BARAVILHOSA! Beijo pra vocês, e não olhem debaixo da cama OwO.