Upside Down
1 Como tudo começou.
Eu estava olhando fixamente para um porta retrato que continha uma foto minha com os meus pais e minha irmã, fora no início do verão na praia, parecíamos tão felizes naquele dia, você nunca diria que isto iria acontecer. Essa sou eu, me chamo Bell Abromovizt Rohden, moro em SP desde que nasci em uma casa pequena e meus pais, nessas ultimas semanas, resolveram fazer da minha vida uma loucura se separando, meu pai Alexandre estava sentado na minha cama meio decepcionado por que minha irmã decidiu que moraria com a minha mãe e não com ele.
– Filha, por favor, sua mãe concordou com que você ficasse comigo se eu deixasse a Annie com ela.
– Pai, você não entende, eu não quero sair de SP, não quero abandonar minha vida — falei jogando o quadro no chão, comecei a chorar.
– Qual o preço pra você viver comigo e não com a sua mãe?
– Que você não se meta na minha vida, deixe eu fazer o que eu quiser do meu jeito sem reclamar, e também quero que você deixe de ser tão estressado e curta a sua vida. E quero poder visitar meus amigos quando eu sentir vontade.
Ele me olhou com uma cara estranha mas acabou assentindo, ótimo, eu teria que fazer as malas quando eu chegasse em casa. Peguei minha bolsa e fui para a aula de dança. Não me importei que estava frio lá fora e fui correndo pra lá. Quando cheguei me abracei em Luke meu melhor amigo.
– Eu não quero me mudar — falei chorando, ele ficou me consolando até que tivemos que começar a aula, deixei a tristeza de lado e aproveitei uma das últimas vezes que eu dançaria com este grupo.
Passamos umas 4 músicas e paramos para um break de uns cinco minutos, peguei uma garrafinha de água e avistei meu pai sentado na arquibancada, sem pensar duas vezes fui em sua direção e comecei a falar:
– Por que você está aqui? Vai tirar meu ponto de paz de mim também?
– Você sabia que está linda hoje Bell? Eu não sabia que você dançava tão bem assim. Vim te avisar que nosso voo está marcado para amanhã bem cedo então você tem que fazer suas malas querida.
Todos presentes naquele ginásio nos olhavam atentos em silencio.
– Tanto faz, posso terminar a aula? Eu sei voltar para casa.
– Filha, o que eu estou querendo te dizer é que vamos nos mudar de país e ainda sim você só pensa nessa sua aula?
– Se vamos viajar amanhã me deixe ter pelo menos uma última vez aqui antes de arruinar tudo!
Saí dali e nós quebramos o clima tenso dançando uma última vez. Luke me pegou no colo e me girou.
– Promete que eu não vou ficar um dia sequer sem falar com você.
– Eu te prometo Luke, agora eu preciso ir, já está noite lá fora e eu tenho que arrumar as malas.
– Pegue meu casaco, quero que leve com você.
Me despedi de todos ali presentes e fui caminhando lentamente até chegar em casa. Meus pais conversavam sobre meu novo colégio na cozinha, fui para meu quarto e achei Annie ali.
– Quando eu vou ver cocê de novo?
– Só Deus sabe baixinha, agora vá dormir, antes de ir eu passo no seu quarto tá bem?
Annie se levantou e foi para seu quarto, engoli meu choro e pus um pijama confortável depois de tomar um banho quente. Esvaziei meu guarda roupa e guardei todos meus pertences dentro de uma mala. Não tinha muita coisa então não demorei muito. Fui para baixo dos cobertores e desliguei a luz mas todavia não consegui dormir.
5 horas da manhã de quinta feira
Escutei uma batida na porta.
– Bell, levante e venha tomar café, vamos sair daqui a pouco.
Pus minha pantufa e fui para a cozinha, peguei uma torrada já feita pelo meu pai que estava lendo o jornal.
– Posso pelo menos saber pra onde vamos?
– Não, só que vai estar calor, mas você vai adorar.
– Tá bom então — falei subindo as escadas.
– Esteja pronta em 10 minutos.
Depois que me arrumei fui no quarto de Annie me despedir. Ela estava acordada porém com muito sono.
– Eu volto pra te ver ok? — dei um beijo na sua testa e ela assentiu e logo após voltou a dormir, fui ao quarto da minha mãe, ela me abraçou e disse para mim cuidar de meu pai, desci com a minha mala, meu pai já estava dentro do taxi — e o início da minha merda de vida acabou de começar, sentei no banco e botei meus pés pra cima do mesmo, levamos uns 15 minutos pra chegar lá eu fui para o banheiro enquanto meu pai fazia o check-in. Só tinha umas garotas que pareciam putas, enjoei de ficar ali então fui em direção ao meu pai. Ele nos conduziu a uma sala fechada e uns 20 minutos depois entramos no avião, antes de decolar peguei meu celular e enviei uma mensagem para o Luke.
" Quando eu chegar na porra do lugar que eu estou indo te ligo, não vai se livrar de mim tão fácil. Xx"
Uma mulher começou a falar em inglês e eu nem prestei atenção, por que meu inglês não era assim tão bom, desliguei meu celular e fiquei olhando para a janela, meu pai falava com alguém, passou meia hora desde que decolamos e eu adormeci com aquele sol lá fora, só espero que a gente chegue logo.
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