Ups And Downs: Todos Os Caminho Levam Ao Mesmo Fim
1 There's a storm coming up, I gotta be prepared
POV’S EMY
Era nosso segundo ano em Stanford. Eu e minha amiga de infância, Lily ou Lils, como todos a chamavam, morávamos em um república da faculdade. Era uma república mista e não aquelas só de garotas ou só de garotos como todos estão acostumados. A escola queria aproximar seus alunos, e estava dando certo, mas tinham alguns que se aproximavam demais, como a Lily. Ela namora Nick, um de meus amigos mais próximos, assim como ela e Adam. Eles namoravam já havia algum tempo, se não me engano há um ano e pouco. Eu não tenho namorado. Ninguém gosta de mim... A propósito, meu nome é Emily, mas podem me chamar de Emy.
Eu curso direito em Stanford, assim como Lily; Nick cursa Engenharia Aérea; Adam, nosso loiro e melhor amigo, estuda Medicina. Vivíamos duvidando que o loiro fosse mesmo médico um dia, e ele ficava bravo com a gente:
– Eu que não deixo você colocar seus dedos em mim! – disse Nick que estava abraçado com Lily no sofá. Eles não se desgrudavam.
– Meu, você ainda vai implorar para eu te atender. – disse ele. – Você vai estar com câncer e eu vou ser o único médico a saber a cura!
– Nossa, agora ele faz milagre também! O que mais você vai descobrir? A cura da AIDS? – brincou Lily.
Ela ganhou como resposta uma almofadada na cara. Não preciso dizer que mais de uma almofada voou na sala. Não foi só a gente que começou a jogar, a república inteira entrou na brincadeira, que foi interrompida pela nossa inspetora, Sra. Rachel. A mulher já estava acostumada com guerras de almofada, comida, tênis, bola, água, bexiga e por aí vai. Não é muito simples conviver com doze adolescentes.
Ela mandou todo mundo para o quarto, certificando-se de que cada “namorado” e “namorada” havia ido de fato para seus respectivos quartos.
Já era tarde e amanhã tínhamos aula. Subi a escada, entrei no corredor à direita e passei pela última porta. Eu dividia o quarto com a Lils e a Fany, uma intercambista da Coréia do Sul.
– Emy, por que suas coisas estão na minha cama? – perguntou Lily, pegando uma calça jeans minha.
– Ah, não tinha lugar na minha.
Não tinha mesmo. Não dava nem para ver minha cama. Ela estava encoberta de livros, roupas e mais livros.
– Folgada pra... – Lily ia dizendo.
– Hey, calma, eu tiro. – eu disse infeliz. Ia ter que jogar minhas roupas no chão... Eu só me ferrava.
Não demoramos muito para dormir. Fany foi a primeira, ela tinha o sono muito pesado. Lils foi logo em seguida. Fiquei no computador até tarde. Não conseguia dormir, não tinha sono. Então desliguei o laptop e saí para o corredor. Desci a escada e fui para a cozinha que surpreendentemente estava com a luz acesa.
– Quem ta aí? – perguntei. Eu sei que pareceu uma daquelas frases de filme de terror, mas eu não pude evitar.
Fui em direção à geladeira, mas de repente:
– Ah! – uma coisa agarrou minha perna.
Olhei para baixo, quase desmaiando de susto. Era o Nick.
– Meu, você tem problema? – perguntei. – Vai tomar no cú!
Ele se matava de rir.
– Não tem graça. – eu disse. – O que você ta fazendo aqui?
– Não to conseguindo dormir. – respondeu ele, falando de um jeito infantilizado.
– Pesadelo? – perguntei. Ele pareceu uma criança falando aquilo.
– Não. – disse ele abrindo a geladeira. – E você? Sonhando com o bicho-papão?
– Cala a boca. – eu disse cruzando os braços. Eu ainda tava traumatizada pelo susto.
Olhamo-nos e começamos a rir. Parecíamos dois idiotas. Quando nos recuperamos, peguei dois copos. Ele colocou leite nos dois.
– Quente ou frio? – perguntou ele.
– Como se você não soubesse... Frio, né? – eu disse. Ele colocou no copo e brindamos.
Sentei no balcão, mas Nick, não satisfeito, começou a me perturbar:
– Vem cá, você não tem educação mesmo, né? Além de não ter me agradecido, ainda senta no balcão? — ele fingia estar indignado.
– Você é chato assim ou você ta se esforçando muito? — já estava rindo de seu desempenho.
– Eu sou bom nisso, né? — ele riu, me acompanhando.
– Além do mais, não fez mais que sua obrigação. – eu disse, logo depois tomando um gole de leite. Ele me respondeu com um leve tapa na cabeça, que me fez quase morrer engasgada. Filho da puta!
Nick costumava me encher muito o saco. Dizem que quando um garoto perturba muito uma garota, isso tem um significado. Comecei a achar que havia uma segunda intenção por trás disso... Não sei se era isso que ele está tentando fazer, até porque ele namora a minha melhor amiga. Enfim, depois de eu ter me recuperado da tentativa de homicídio do Sr. Nicholas, voltamos à conversar.
– Você tem prova amanhã, não tem? — perguntei.
– Tenho... — disse e em seguida virou o copo de leite na boca.
– Você não estudou, né? Não deveria estar dormindo pelo menos? Ao invés de judiar de uma pobre coitada como eu?
Acho que ele não me ouviu, estava muito ocupado tirando o "bigode” causado pelo leite, com a língua. Cara, nunca pensei que diria isso sobre essa cena, mas isso foi sexy!
– Ahn? — depois de se lamber, o lesado perguntou.
– O que? — eu ainda estava meio desnorteada.
– O que você perguntou, cabeção? – esse era o apelido carinhoso que Lily, Nick e Adam usavam para me chamar. Quanto amor!
– Eu perguntei alguma coisa? – da minha boca não saía coisa com coisa.
– Você ta muito estranha! — ele riu sozinho. — Deve estar na hora do bebê dormir.
Não pude nem ao menos rir. Afinal, ele tinha razão. Eu estava muito estranha, mas só com ele que isso aconteceu. Eu raramente ficava sem palavras com alguém, isso nunca acontecia. Achei melhor subir para meu quarto logo, não queria mais ficar na cozinha com o Nick.
Eu não era eu mesma.
Naquela noite, tive um sonho esquisito. A cena de Nick lambendo seu bigode se repetia inúmeras vezes em minha mente. Mas a imagem era intercalada com o rosto de Lily. Acordei de manhã com Nick lambendo seu bigode de leite fugindo da minha cabeça. O quarto estava vazio. Desci para a cozinha.
– Bom dia. – eu disse. Não dava para cumprimentar todo mundo, era muita gente.
Dezesseis vozes responderam, mas só pude ouvir a do Nick.
– O que tem de comida? — eu sei que é uma frase meio ogra, mas eu tava com fome, meu!
– Adivinha? – disse Adam, tomando um gole de seu suco de laranja.
– Pão. – respondeu Fany, uma das encarregadas do café naquele dia. – E bolo também.
Ela tinha um sotaque tão engraçado e meigo ao mesmo tempo. Esse era sempre o café da manhã quando ela era encarregada da cozinha.
– Mas você não para de comer. – disse Nick. – Já comeu ontem de madrugada.
– Você tá comendo. – respondi.
– Olha o meu tamanho e olha o seu. – disse ele mostrando seu braço.
Que braço forte. Jesus do Céu! (é nessas horas que eu viro cristã) Ele abaixou a manga, mas eu continuava a olhar pro lugar onde os bíceps estavam.
– Emy? – perguntou Lils. – Emily?
– Fala. – eu disse olhando para ela.
– Tá tudo bem aí?
– Claro, só fiquei com um pouco de inveja dos braços dele... Fiquei me imaginando como eu ficaria com eles. – menti.
– Acho que combina. – disse Adam. – Só precisa malhar um pouquinho.
Ele pegou no meu braço e o mediu.
– Nossa, que coisa fina!
– Quando somos magras, vocês garotos reclamam, quando somos gordas, também. Afinal o que vocês querem?
– Um pouco de carne. – disse Nick e mediu Lily com os olhos.
– Hey! — disse ela envergonhada, fechando a jaqueta até o pescoço.
Os dias se passaram e eu não sabia ainda o que tava acontecendo comigo. Meu problema com Nick piorava a cada dia. Era só ele fazer ou falar alguma coisa que eu simplesmente adorava. Eu adorava tudo o que ele fazia! Um simples “oi” dele era adorável. E eu apenas não sabia por quê.
Um dia, eu e Lily estávamos conversando na aula de Direito Criminal. Lembrávamos de quando estávamos no colegial.
– Nossa, você se lembra daquele garoto... – Ela parou para pensar — Harry, não é? – Ela questionou por fim.
– Ah, lembro sim! Ele era tão bonito...
– Lembro que tudo o que ele fazia você achava bonito e contava para mim. Era tão engraçado! Você era tão idiotinha. – ela dizia rindo.
– Hey!
Essa minha palavra foi resposta para duas coisas. Primeira: eu não era idiotinha, posso ser um pouco boba, mas idiota não. Segunda: eu gostava do Harry e tudo que ele fazia era bonito, a mesma coisa estava acontecendo com Nick. Significava que eu gostava dele?
–... Algumas vezes notamos algo que ninguém mais parece enxergar. – dizia o professor, essa frase me abriu os olhos.
Eu gostava de Nick!
Good Lord! Jesus Cristo! Isso era mau, feio, horrível, errado, terrível, péssimo... Não me veio outras palavras ruins para descrever.
Não conversei com Lils durante o resto da aula. Não conseguia encarar minha amiga, minha melhor amiga! Eu não podia fazer isso. Era o namorado dela, pelo amor de Deus! Fruto proibido.
Amigas primeiro, garotos depois. Frases assim vinham na minha cabeça e não saiam mais! “Ela é sua amiga” era uma das frases mais repetidas.
A semana inteira se passou e eu me afastei um pouco de meus amigos. Não podia olhar direito para Lily depois da descoberta do que eu sentia por Nick. Não conseguia olhar para Nick sem ter vontade de abraçá-lo e enchê-lo de beijos. A única pessoa com quem me sentia confortável de verdade era com Adam, meu melhor amigo desde que pisei na faculdade.
Era sexta-feira à noite. Nick e Lily saíram para passar um tempo juntos, o que eu dei graças a Deus, eu assistia televisão com o povo da república quando percebi que Adam não estava entre nós. Ele morreu? Não. Fui ver se ele estava lá em cima.
Subi a escada e, ao invés de virar a direita no corredor, virei à esquerda para o lado dos garotos, entrei na última porta. Lá estava o loiro, deitado na cama, com um controle de videogame na mão. Seu colega de quarto, Kevin, se olhava no espelho, arrumando o cabelo.
– Encontro, Kevin? – perguntei.
– Claro que sim. É a única coisa que faz esse aí tomar banho. – disse Adam pausando o jogo e olhando para mim.
– Bonita? – perguntei. Kevin respondeu que sim com a cabeça. – Loira? Morena? Ruiva?
– Loira. – respondeu com um sorrisinho.
– Por que os garotos preferem loiras?
– Não s... – respondia Adam.
– É porque você é loiro. – eu disse. – Você já sabe como é difícil ser geneticamente mais burro do que os outros.
– Você É loira! – disse ele.
– Ah é... – eu disse pegando uma mecha do meu cabelo e examinando-a por algum tempo. – Esqueci.
Kevin riu. Adam jogou seu travesseiro em mim.
– Pro seu governo, eu também gosto de loiras, mas não sei por quê.
– Ai, ai... Você não muda, Adam! Cuidado, Emy. Ah, e não quebre meu recorde, Doutor. – disse o garoto e saiu pela porta.
– Vai ficar parada na porta mesmo? – perguntou Adam, sentando-se na cama para me dar espaço.
Sentei-me.
– Quer jogar? – perguntou. Olhei para a tela da televisão. O jogo era aqueles de tiro, tinha que matar alguns zumbis. Não era boa nesses jogos. Olhei no fundo dos olhos dele. – O de sempre?
– Sim. – respondi abrindo um sorriso.
– Comprei uma nova versão. – ele disse e me entregou a guitarra.
– Rock Band! – comemorei. E pulei em cima dele, abraçando-o. Eu adorava aquele jogo!
Ele pegou o microfone. Começamos a jogar. Uma coisa que Adam realmente sabia fazer era cantar. A voz dele era envolvente e gostosa de ouvir. Quando ele pegava um violão... Qualquer garota que estivesse ao seu lado se apaixonava.
Notas finais
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