Up, up, up

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Notas iniciais
Hey hey heyEntão gal... Eu estou tentando voltar a escrever fics. Juro. Estou tentando mesmo mesmo. Nem lembro mais por que parei, e de repente deu uma saudade!Principalmente de Tratie.Porque vamos concordar: Travie > vidaEssa daqui eu escrevi meio que como um exercíciozinho, mas acabei gostando. É o mesmo acontecimento da minha outra oneshot "Down, Down, Down", só que da narrativa do Travis.Enfim, aproveitem :)

–

– Stoll! Você é um idiota, estúpido, acéfalo, irresponsável!

Travis olhou para Katie, tendo que se controlar muito para não sorir. Os dois estavam mergulhados até o joelho no riacho que cortava o bosque. O cabelo dela, antes em um rabo alto, agora caía em mechas desordenadas, parcialmente preso. Sua armadura estava rachada, e a água respingava em seu rosto sujo de terra. Suas bochechas, vermelhas. E mesmo assim continuava linda.

– Katie. – ele chamou com voz calma. Katie não ouviu, ou não se importou. Ela estava entretida demais gritando com ele. Havia essa teoria muito bem aceita no acampamento de que gritar com Travis Stoll era o que Katie considerava mais divertido (apesar de que ninguém nunca lhe perguntara nada a respeito).

– Deuses, olha pra isso. Você é uma tragédia. Que ideia estúpida de ataque foi aquela afinal? Ah, claro. Nós tivemos sucesso total. Molhados no meio do riacho e a bandeira do time azul aproveitando a companhia dos filhos de Apolo. Sem falar da nossa bandeira, que eles também pegaram!

Era difícil dizer exatamente porque, mas Travis tinha certeza absoluta que ele não dava a mínima para qualquer bandeira naquele momento. Todas as bandeiras do mundo podiam subitamente desaparecer, e ele ainda não ligaria nem um pouquinho. Katie estava ali gritando com ele sobre caça a bandeira, com a água do riacho na altura dos seus joelhos. Katie estava furiosa. E a única coisa que conseguia pensar era-

– Katie. – tentou dizer, sem sucesso. Respirou fundo.

– Ah, eu devia te matar agora mesmo. Vai ver ninguém ia dar a falta de um idiota tão grande quanto você, mesmo. Arrgh, olha pra essa droga, Stoll! Não acredito que-

– Katie, eu te amo.

Era a primeira vez.

Quer dizer, a primeira vez que reunia a coragem, que pronunciava as três palavras de uma forma direta e explícita pra ela. Travis sorriu. Finalmente. Conseguiu.

Katie... Katie também nunca tinha dito. Ele sempre achou que ela tinha outros jeitos de dizer. Para ele, Katie dizia “eu te amo” quando sorria e balançava a cabeça, soltando um “idiota” no meio de uma risada baixa. Katie dizia “eu te amo” sempre que dizia semicerrava os olhos e soltava um “eu te odeio” num tom parte brincalhão, parte aterrorizante. Ela dizia “eu te amo” quanto gritava “Stoll!”. Ela dizia “eu te amo” toda vez que pegava são mão quando andavam lado a lado. Ela dizia “eu te amo” quando repousava a cabeça no ombro dele, distraída.

Eram só três palavras, por que Hades tinha que ser difícil assim pronunciá-las? Ele conseguia dizer qualquer mentira, e argumentar tão bem a respeito dessa que convenceria o mais crítico dos acadêmicos. Então, por que uma grande verdade era difícil de dizer? Eram só três palavras, mas Travis sentia como se tivesse tirado três mil quilos das suas costas.

Katie o encarou, perdida. Parecia que um milhão de palavras corriam pela sua mente, mas nenhuma delas fazia sentido. Seus olhos verdes faiscavam. Ele riu baixo, tomando os rosto entre suas mãos delicadamente e unindo seus lábios em um beijo.

Travis sentiu a familiar sensação eletrizante. Beijar Katie era agridoce. Era certo. Até então, a sensação mais certa que Travis já sentira. Era mais viciante do que qualquer droga. Era melhor do que qualquer sensação.

Mas sem aquele peso todo nas suas costas, Travis sentia leve.

Ele se sentia tão leve que temia ser levado pela correnteza. Tão leve que podia voar com a mais leve das brisas. Se não estivesse beijando Katie, era muito provável que isso acontecesse. Travis se imaginou subindo, subindo, subindo. Ele se imaginou acima da copa das árvores, ele se imaginou olhando para baixo e vendo Katie como um ponto minúsculo. Ainda não era alto o suficiente. Sentia-se tão leve que muito provável que saísse da atmosfera. Por um lado, era aterrorizante. Por outro, ele não se importaria de viver no meio das nuvens.

Separaram-se, abrindo os olhos lentamente. Travis sorriu de lado, aliviado.

– Eu-

Travis congelou. Ele tinha esquecido. Tinha esquecido completamente que ela também tinha que dizer. Ele tinha esquecido que o medo disso não acontecer era o que o impedia de ter dito antes. Como era que sua mãe dizia mesmo? Antes o benefício da dúvida do que a dura certeza. Agora que pensava a respeito, Travis gostava bem da dúvida. Ele não se importaria nem um pouquinho de viver com uma dúvida boa como essa.

– Também-

Ele se perguntou se ela lembrava. Se ela lembrava que eles se conheceram exatamente naquele lugar, naquela margem do riacho, no meio dos bosques, numa partida de caça a bandeira. Foi nesse dia que Travis percebeu que Katie tinha alguma coisa de diferente. Alguma coisa a mais. Naquela hora, ele ainda não sabia o que. Só sabia que valia a pena.

–Te-

Ah, deuses. Como ele era idiota. Katie odiava surpresas. Ela odiava ser derrubada, odiava se sentir desprotegida. Era o fato número um sobre Katie Gardner. Você não a derruba. Ponto. Ele estava bem certo que tinha surpreendido ela dessa vez. E estava mais certo ainda de que foi uma péssima escolha.

– Amo, Stoll.

Katie completou seu resmungo, como uma praga, meio a contra-gosto. Ela cerrou os punhos, parecendo extremamente irritada com a afirmação, saiu do riacho batendo os pés e desapareceu por entre as árvores.

O sorriso de Travis se alargou um pouco mais ao ver a filha de Demeter sumir, estranhamente sonhador. Sim. Ele havia muito certamente derrubado ela. Talvez Katie não soubesse, mas ele próprio sentia como se tivesse sido derrubado há muito tempo. De fato, Travis estava bem certo que tinha sido derrubado naquele primeiro encontro nessa margem de riacho no meio do bosque. Ele também não gostava nem um pouco de ser derrubado.

Mas, uma vez no chão, você só pode ir para cima. E subir, e subir, e subir.

Notas finais
E é isso!Curtíssima, eu sei. Mas é quase do mesmo tamanho que Down Down Down - achei adequado.Para novos(as) leitores(as): eu escrevi vááááárias ones de Tratie e uma short chamada Seven Days a Week (concluída) com uma continuação chamada Ticket to Ride (ainda escrevendo)Se algum(a) leitor(a) de TtoR veio se aventurar por essas bandas (apesar de que eu não sei se essas ainda existem): eu estou escrevendo um novo capítulo. Muito melhor que o último, prometo. Muito maior também. Agradeceria se vocês se manifestassem em reviews por que, né, vai que eu desisto.Bom, deixem reviews!Todo mundo sabe que é maldade não deixar reviews em ones.Como é que eu vou saber que alguém leu?Beijos, Jojo
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!