Up In Vegas

1 Capítulo 1 - Futuramente casada


Na maior parte das vezes acho tão ridículo escrever meu dia-a-dia em diários que acabo nem me abrindo aqui, mas desta vez foi diferente. Depois dessa viagem me sinto na pura necessidade de escrever cada detalhe que passei, ou melhor, que passei mas que não me lembro com tanta nitidez.

Las Vegas é um lugar maravilhoso, luzes brilhantes por toda parte (provavelmente fiquei cega depois disso), jogos de cassino, bares e tal.

Indo ao que interessa, estávamos lá eu, Shannon, Markus e Travie, com uma vontade louca de curtir o momento, entramos no primeiro cassino que nossos olhos puderam enxergar. Para melhor retratar, acho que foi tudo tão rápido que meus nervos mal mandaram estímulos para meu cérebro e eu já estava lá na porta do cassino.

Aquelas luzes, aquelas bebidas, aquelas comidas, aquelas pessoas, era tudo tão mágico! Juro que já não estávamos sóbrios nos primeiros 40 minutos de permanecência lá, nos ofereceram uma tal de flôr-de-lótus, eu já havia ouvido falar naquilo mas não me importei. Eu queria mesmo era me libertar, me sentir livre para festejar aquela noite. Jogamos nossas cartas, recolhemos nossas fichas. Aquilo realmente estava rendendo!

Depois de bebermos muito e jogarmos muito, não me lembro oque aconteceu. Ao menos sei que no dia seguinte estava deitada em minha cama, Shannon, estavámos praticamentes grudadas, abraçadas, com as pernas entrelaçadas. Provavelmente nos beijamos! Mas é claro que nos beijamos, estavámos de porre, Katheryn!

Markus estava deitado sobre a mesa, com a cabeça encostada no vaso do hotel. Afinal, aquilo que saía da boca dele era baba?!?

Eu estava totalmente tonta, começei a andar pelo hotel a procura de Travie, quando me deparei com o mesmo sofá umas 500 vezes. Eu estava andando em círculos, ainda não estava sóbria. Derepente me senti sem equilíbrio e tropecei em algo que provavelmente era meu próprio pé e esbarei na parede aonde se encontrava um espelho. Comecei a me olhar, eu estava vestida como Elvis Presley.

Na noite passada, provavelmente a situação perdeu o controle. Eu não conseguia destinguir meus sentimentos, não sabia se estava feliz ou triste, num momento estava alegre cantando Wanna Dance With Somebody, num outro momento estava triste e preocupada com Travie e cantando Someone Like You.

Fui para a cozinha e vi um homem desconhecido sobre a geladeira dormindo (sim, isso deve ser o auge da ressaca). Tentei acordá-lo e descobrir seu nome. Consegui "respostas":

– Meu no-no-me ser Ca-caca-guei, bo-li-li-li-nha, p-p-p-pre.

Provavelmente ele estava tentando dizer "Meu nome é caguei bolinha preta" mas de que importa?!

Estava ficando realmente preocupada, minhas unhas estavam todas roídas no momento. Procurei no hotel inteiro e nada, nem picadinha de Travie.

Voltei para sala onde Markus se encontrava sobre a mesa, reparei um pouco nele: ele estava com um terno rosa de glitter que não lhe pertencia e ainda mais, tinha marcas de lábios em seu rosto. Pareciam lábios de travesti. Comecei a rir para mim mesma. Derepente achei uma máquina fotográfica sobre a mesa ao lado de Markus, comecei a visualizar as fotos. Aquilo me deu nojo, medo e até, ânsia. Aqueles fotos relatavam realmente uma mánage, ou até pior, uma suruba! Havia fotos nossas abraçadas com mendingos, fazendo stripp em postes de rua, fotos de beijos lésbicos e tudo mais. Tive vontade de apagar, mas por um lado, não. Quem sabe num futuro bem próximo aquelas "provas do crime" não seriam motivo para muitas e muitas risadas.

Voltando ao objetivo, voltei ao local do cassino e lá estava Travie, também vestido como Elvis. E com uma aliança na mão, acho que provavelmente, nos casamos. Pelo menos casei com meu namorado, pensei.

Grande engano, eu estava registrada como esposa de Robert Ackroyd. Quem é Robert Ackroyd?