Unusual Couple 2.0

23 Vida após o amor


Notas iniciais
Como foi pedido por alguns leitores, os capítulos aumentaram. O que antes tinha uma média de 1500 ou 1600 palavras agora estão com 1700 ou 1800. É pouca coisa, eu sei, mas já é um aumento considerável. No mais, aproveitem o capítulo.

Uma coisa era certa, a vida de um jovem nunca era fácil. Todas aquelas transições, evoluções, mudanças de comportamento, a personalidade se formando, aprendizado de novos valores. Era tudo muito intenso e rápido, acontecia de uma vez só e era necessário acompanhar. A vida de Stiles não era diferente. Primeiro descobriu que existiam lobisomens pelo fato de seu melhor amigo ter se tornado um deles. Como se isso não bastasse, vários dos seus amigos morreram em batalhas com seres sobrenaturais ou contra eles mesmos. Além disso, ele estava crescendo, estava no ensino médio e morava numa cidade onde o sobrenatural era comum. Isso ainda era pouco comparado ao que veio depois: ele se apaixonou por Derek Hale, o cara que era conhecido por ser o mais ignorante dentre os moradores de Beacon Hills. Mesmo assim, Stiles seguiu em frente e conseguiu transformar aquela pedra em uma almofada. Se o relacionamento foi normal? Mais conturbado do que podia se imaginar. Até que aconteceu, Derek o deixou. Sem conversa, sem desculpas. Simplesmente sumiu após uma visita onde ambos mostraram seus sentimentos mais singelos, o que não adiantou muito, visto que Stiles ficara sozinho.

Aquele mês passou mais lento do que se imaginava. Stiles ainda estava lidando com a situação. Todos já sabiam o que havia acontecido e tentavam dar o máximo de suporte ao garoto, o que não fazia diferença nenhuma. Todas as noites o garoto tinha pesadelos, não havia um dia sequer em que ele não acordasse com lágrimas nos olhos no meio da noite, buscando sua segurança, mas ele não estava lá. Derek não estava lá, não estava em lugar nenhum.

O rendimento do garoto ia mal na escola, mas não tão ruim. O suficiente para se virar e aguentar. O serviço prestado na biblioteca não era mais necessário, o contato com Ethan diminuiu ao máximo, nem mesmo um simples ‘bom dia’ existia mais. Até Malia tinha pena do pobre Stiles.

– Filho? – o xerife entrou no quarto. A cena era sempre a mesma e o coração do xerife se partia em pedaços quando via.

Lá estava Stiles, deitado na cama olhando fixamente para o nada. Por mais que ele admitisse ter superado Derek, suas ações apontavam para o contrário.

– Filho? O Peter está aqui. – ele se aproximou do garoto e tentou um contato com ele.

– Ele pode subir, pai? – as tentativas de enganar qualquer um e dizer que estava tudo bem sempre falhavam, Stiles tinha mudado seu comportamento de maneira drástica. O único que lhe tirava alguns sorrisos vez ou outra era Peter. Talvez o cheiro dos Hale fosse igual, o calor de Peter fosse semelhante ao de Derek, o toque também.

– Claro! – o xerife respondeu com um sorriso no rosto. Desde que Derek se foi, Peter era o único Hale que entrava naquela casa e era bem vindo.

– Obrigado. – Stiles sentou na cama e esperou que ele entrasse.

O xerife foi até a porta e esperou que Peter entrasse para então fecha-la.

– Como você está hoje? – Peter já foi removendo seus sapatos e subindo na cama de Stiles. Eles já tinham intimidade quando Stiles ainda se relacionava com Derek, agora era uma relação fraternal. – Como foi na escola? – Peter encostou-se a cabeceira da cama.

O cheiro de Derek estava no quarto, Stiles sentiu-se relaxado e pôs-se a sorrir. – Eu estou bem. – o garoto se aproximou de Peter e encostou sua cabeça no peito dele, envolvendo sua cintura com os braços para se firmar ali. – A escola foi um saco. – Stiles evitava falar, cada palavra dita era um momento a menos em que podia sentir o cheiro de Derek.

– Você quer conversar sobre alguma coisa hoje? – Peter recebeu o garoto e o abraçou com força, mantendo-o bem próximo ao seu corpo.

– Ele contatou você? – perguntou Stiles. Sempre que Peter aparecia lá, Stiles perguntava por Derek.

– Não. Eu também não o encontrei da última vez que procurei. – quase todas as noites Peter ia a procura de Derek, mas nunca obtinha sucesso.

– Tudo bem. Ele vai voltar. – era sempre o mesmo diálogo. Stiles ainda acreditava na volta de Derek.

– E se ele não voltar? – Peter finalmente tomou coragem para perguntar aquilo.

Stiles abraçou o mais velho com mais força e suspirou profunda e lentamente, esfregando seu rosto no peito vestido de Peter. – Ele vai voltar. – aquela certeza ninguém tiraria de Stiles.

A saudade parecia dominar até o quarto, Peter conseguia sentir a tristeza de Stiles rodear o local. Ele até ficava calado às vezes para Stiles se sentir um pouco mais feliz imaginando que estava com Derek. – Você está com sono? – perguntou ele aos sussurros.

– Não. Não posso dormir. Quero aproveitar meu tempo com você até ter que ir embora de novo. – Aquele não era mais Peter na mente de Stiles, era uma versão de Derek que sempre ia e voltava, uma versão que Stiles não namorava, não podia visitar e nem podia olhar, apenas sentir e imaginar.

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Uma hora ou outra Stiles tinha que superar ou ao menos deixar aquilo de lado. Já era o início de um novo mês, com ele, vinha à lembrança que há dois meses Derek havia sumido do mapa. As provas estavam começando, todos precisavam dar o seu máximo, era o último ano da escola e ninguém queria ficar lá por mais um ano. O assunto Stiles e Derek tinha ficava para trás, menos para Stiles.

– Não é possível. Isso não pode cair na prova! Eu não entendi nada do assunto. – comentou Scott enquanto folheava seu livro de economia.

– Querido. Não é só porque você não entendeu o assunto explicado que ele não vai cair na prova. – respondeu Lydia com sua “simpatia” rotineira.

– Eu consegui entender um pouco, podemos estudar hoje na minha casa ou na de algum de vocês. – comentou Kira enquanto fazia anotações no caderno.

– Tudo bem então, é melhor pra fixarmos o assunto e ensinar pra alguns que não entenderam. – completou Lydia com o olhar fuzilando Scott.

– Nos encontramos lá à tarde então. Precisa de uma carona, Stiles? – Scott olhou para seu amigo que estava com o olhar perdido nos livros em cima da mesa do pátio. – Stiles? – ele tentou chamar a atenção do garoto que “acordou” imediatamente.

– Ah, não. Acho que não vou. Estou me sentindo um pouco mal. – respondeu com seu tom de voz normal.

– Mas você sabe do assunto? – perguntou Kira largando a caneta para fitar o garoto.

– O básico. Acho que consigo tirar uma nota razoável na prova. – respondeu sem mais delongas.

– Você não acha que já chega disso? – Lydia impôs a voz e chamou a atenção de todos os presentes.

– Como? – Stiles virou o rosto para ela que estava a sua frente.

– Lydia! – sibilou Scott como se pedisse para que ela maneirasse.

– Não! Chega! Isso já deu o que tinha que dar. – completou. – Vocês querem encarar isso como o fim do mundo e que ele nunca vai superar. Já se passaram dois meses. Ele voltou? Não! E não vai voltar. E você seguiu em frente? Mesmo sabendo que ele não vai voltar? Não! – Lydia fechou seu caderno e começou a arrumar seu material na bolsa. – Eu já passei por relacionamentos piores. Terminar com o Jackson e vê-lo ir foi o fim pra mim. Mas eu perdi a pose e a vontade de viver? Nunca! Imagina como foi perder minha melhor amiga? Vocês sabem muito bem como foi. Eu não encarei isso como meu fim, mas sim um recomeço, e vocês todos fizeram o mesmo, senão não estaríamos aqui, não teríamos nos divertido juntos nunca mais, como não fazemos há dois meses, exatos dois meses, tempo em que o Derek foi embora e acabou com a vida de todos nós. Stiles, você precisa crescer. Ele se foi e você tem que lidar com isso. – Lydia levantou do banco, todos na mesa olhavam para ela boquiabertos. – Eu não vou estudar com vocês hoje. Sei que vão apenas falar do que eu fiz, então prefiro ficar sozinha em casa e tirar uma boa nota na prova ao invés de recordar o que disse. Tchau. – ela se retirou e ninguém falou nada.

Stiles nunca tinha ouvido algo como aquilo depois de Derek ter o abandonado. Não precisava necessariamente ter sido dito daquela forma, mas foi um choque intenso de realidade. Ele finalmente conseguia visualizar o que ele estava se tornando, um submisso do amor de Derek que não conseguia superar nada sozinho. Mas nunca havia sido assim, nem quando perdera sua mãe ficou depressivo por tanto tempo. E o pior, seus amigos compartilhavam do mesmo sentimento, não ajudavam ou atrapalhavam, apenas se mantinham neutros como se aquilo fosse normal.

– Stiles? – Scott virou para o amigo que estava paralisado.

– Eu preciso ir. – ele levantou nas pressas, colocando a mochila nas costas.

– Não, Stiles. – Kira também levantou, seguida por Scott.

– Se vocês forem tentar me consolar, sentem-se! Eu não quero que ninguém venha atrás de mim. – o garoto saiu em passos pesados dali, deixando todos para trás sem uma despedida decente.

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Stiles chegou em casa com o emocional abalado e o humor nem um pouco agradável. Desde que Derek o havia deixado, seu pai agora passava mais tempo em casa, Parrish cobria seus turnos quando necessário por saber o que acontecia na casa do xerife. Aquele era um dos dias em que o xerife fora almoçar em casa, e Peter estava lá com ele.

– Ei filho! Peter está aqui. – ele sorriu assim que viu Stiles entrar em casa.

– Que vá embora então! – Stiles nem olhou os dois lá, apenas seguiu para as escadas e começou a subir com seus passos pesados.

– Stiles, o que aconteceu? – o xerife seguiu o filho, Peter foi logo atrás.

O garoto virou-se do topo da escada para fitar os dois alguns degraus abaixo. — Nada, nada aconteceu! Justamente por isso que estou assim. Nada aconteceu desde que Derek foi embora. Nenhuma ligação, nenhum contato, nem mesmo eu consegui superar isso. Pois é, nada aconteceu e eu finalmente me toquei que está tudo afundando, e é por minha causa. Vocês não precisam mais me apoiar, não precisam mais ficar do meu lado, nem precisam falar comigo se não quiserem. Não quero viver uma mentira. Ele não vai voltar. – novamente se virou e continuou o caminho até o quarto. Ao chegar lá, jogou sua mochila no chão e empurrou a porta com força, fechando-a.

– O que aconteceu com ele?! – o xerife estava perplexo. Seu filho nunca tinha feito algo do tipo e aquilo só o preocupava mais sobre a situação emocional do garoto. Ele começou a subir as escadas, mas teve seu ombro segurado por Peter e parou de caminhar.

– Não. A última coisa que ele quer é conversar agora. – comentou ele enquanto via o rosto do xerife preocupado se virar para ele.

– Mas ele está fora de si. – completou.

– Não, ele não está fora de si. Pelo contrário, ele se deu conta agora do que está realmente acontecendo. Não adianta mais tentar esconder, ele finalmente está seguindo em frente. – concluiu Peter num ato de convencimento ao xerife.