Untouchable
20 Capítulo 19
Notas iniciais
Luke abriu os olhos, incomodado com os raios de sol que adentravam a janela. Olhou para baixo, vendo uma Thalia calma dormindo em seu peito.
Sem pressa de se levantar, ele acariciou o rosto dela. Luke pensou que esse dia nunca fosse chegar. Demorou tanto, ele pensou. Luke queria logo sua memória, não sabia por que Zeus ainda não a tinha devolvido.
Por um lado, Luke tinha medo de ter sua memória de volta. E se o “outro Luke” não amasse a Thalia? E se o outro Luke tivesse outras prioridades, outros caminhos, outros problemas? Luke balançou a cabeça, tentando espantar esses pensamentos.
Luke lembrou que Thalia estaria com fome quando acordasse. Ele se levantou da cama com o máximo de cuidado que conseguiu e saiu da enfermaria, seguindo para o pavilhão, onde os campistas já estavam.
– Luke! – Gritou Amy – Deuses, onde você estava?
– Ah – Luke sentiu seu rosto enrubescer um pouco – Eu dormi com Thalia – Amy deu um sorriso malicioso – Não! Não, não nesse sentido!
– Eu não acredito que você está corado! – Amy riu.
Luke revirou os olhos.
– Tenho que levar alguma coisa para ela comer, viu o Ryan? Eu não sei se posso levar qualquer coisa...
– Ele está na mesa de Apolo – Amy apontou para Ryan, que conversava com Will Solace.
– Ok, obrigado.
Luke seguiu até a mesa de Apolo, onde Ryan logo o cumprimentou.
– Hey! Como está Thalia?
– Bem – Luke sorriu – O que eu posso levar para ela comer?
– Ah, eu já separei a comida dela, ia levar daqui a pouco – ele foi até o fundo do pavilhão e Luke o seguiu. Em cima de uma mesa, coberto por um pano, Ryan pegou um prato com sopa. – Estava esperando esfriar um pouco, as ninfas acabaram de preparar especialmente para Thalia. Elas usaram algumas ervas curativas e energéticas do Acampamento.
– Hmm, diga obrigado a elas – Luke pegou o prato e uma colher – E obrigado.
Ryan sorriu com uma careta, o que Luke não entendeu na hora, mas depois viu que Amy havia dado outro sorriso malicioso na direção de Luke. Luke olhou para Amy, sibilando um “você é uma idiota” e voltou para a enfermaria.
Ele ficou com certa dificuldade para abrir a porta com uma mão só, afinal, a porta era feita de bronze celestial e não era muito leve para quem carregava um prato de sopa na outra mão, mas Luke conseguiu abri-la sem fazer – muito – barulho.
Luke andou até a cama de Thalia e colocou o prato no criado mudo. Observou Thalia mais uma vez antes de sentar-se na cama e acordá-la.
– Thalia – ele chamou baixo enquanto passava a mão por seu cabelo.
Thalia se mexeu na cama, mas não havia acordado. Luke riu quando ela ficou de costas para ele.
– Ei, Thalia – ele chamou um pouco mais alto.
Dessa vez funcionou, porque ela se virou para ele novamente e abriu seus olhos elétricos.
– Bom dia – ela sorriu, tentando se sentar, mas apenas deitou novamente reclamando de dores.
– Está com fome?
– Muita – ela riu.
– Que bom, porque eu trouxe sopa! – Luke ergueu o prato como um prêmio, o que fez Thalia rir – Mas... eu vou te dar na boca.
Thalia o olhou incrédula.
– Você não está falando sério, está?
– É claro que estou!
Thalia olhou para o teto e respirou fundo, como quem pensa em aceitar uma proposta.
– Certo – ela disse por fim – Mas só se você passar o dia comigo.
– Eu já ia fazer isso de qualquer jeito – Luke deu de ombros.
Thalia lhe deu um tapa fraco no braço e Luke a ajudou a se sentar sem sentir muita dor. A cada colher de sopa que Luke colocava em sua boca, Thalia ou revirava os olhos, ou ficava levemente vermelha.
– Você comeu alguma coisa? – Thalia perguntou.
– Ah, não, mas tudo bem – Luke ia colocar outra colher de sopa em sua boca, mas Thalia não deixou.
– Você tem que comer, Luke.
– Eu como depois, sério. Agora quem tem que comer é você.
Thalia olhou para o prato, onde ainda havia metade da sopa.
– Coma – ela apontou para a sopa.
– O quê? Não! Você precisa comer, eu não.
– É claro que você também precisa! Nós dois precisamos, eu comi metade, agora você come a outra metade.
– Eu não vou comer, Thalia.
– Nem eu, Luke.
Os dois se encararam por alguns segundos antes de caírem na gargalhada.
– Eu não acredito que discutimos por causa de uma sopa – Luke ria.
– Sério, você tem que comer.
Luke suspirou.
– Tudo bem, eu como.
– Mas só com uma condição!
– Que condição?
– Que eu te dê na boca – Thalia sorriu vitoriosa.
– Ah, sério?
– Muito sério.
Luke respirou fundo enquanto Thalia lhe dava o resto da sopa na boca.
– Você está me sujando – Luke riu com a boca suja de sopa.
– Eu sei – Thalia riu junto.
Luke revirou os olhos, ainda rindo.
Depois de Thalia lhe dar a última colher de sopa, Luke colocou o prato novamente no criado mudo e limpou sua boca com alguns lenços umedecidos que havia na enfermaria.
– Posso te fazer uma pergunta que provavelmente vai fazer com que eu me odeie? – Luke a olhou.
– Não, eu não quero que você se odeie.
– Eu disse que provavelmente vai fazer com que eu me odeie, não que vai fazer com que eu me odeie.
– Tudo bem, pode.
– O que você sentiu na hora do ritual?
Thalia engoliu em seco e olhou para a frente, como quem se lembrava da cena.
– Doeu. Muito – Ela suspirou – Foi como se todos os meus ossos houvessem sido quebrados ao mesmo tempo. Mas foi só uma sensação, e bem real.
Luke apenas assentiu, desviando o olhar de seu rosto.
– Viu? Eu não deveria ter falado nada.
– Deveria sim! – Luke a olhou novamente – Eu pensei que você não fosse resistir, eu fiquei desesperado.
Thalia deu um sorriso fraco e o olhou, como se tentasse gravar cada traço do rosto de Luke. Thalia passou uma mão pelo seu rosto enquanto se aproximava. Luke envolveu sua cintura com seus braços e sentiu Thalia colar seus lábios num beijo calmo antes de Luke pedir passagem com a língua, que Thalia cedeu na hora.
Luke nunca se sentiu tão completo. Thalia estava com ele e isso era tudo o que mais importava naquele momento. Ele não queria que aquilo acabasse nunca e ele sentia que não acabaria.
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