Untouchable

11 Capítulo 10


Notas iniciais
Eu sei que não costumo escrever nas notas iniciais, mas esse capítulo foi bem complicado de escrever, porque sempre que eu escrevia alguma coisa, eu apagava e escrevia outra. Eu queria fazer algo romântico, mas que não ficasse meloso. Eu reli ele umas dez vezes, mudei várias vezes até ter certeza de postar, então espero que tenha ficado bom :)

Luke abriu os olhos lentamente. Sua visão estava embaçada e ele sentia uma forte dor no lado esquerdo do seu tórax. Percebeu que estava na enfermaria, em um quarto particular, e viu uma menina de costas, olhando pela janela. Reconheceu Thalia pelo cabelo preto picotado e as roupas pretas.

– Thalia – ele disse num murmúrio baixo e que mesmo assim fez seu tórax doer.

Ela se virou surpresa.

– Deuses!, você acordou – ela exclamou e se sentou na cama de Luke, ao lado dele.

Luke ia abrir a boca para falar algo, mas ela o mandou ficar quieto, não queria que ele sentisse dor. Thalia apenas se sentou ao lado dele, fazendo-lhe companhia.

– Obrigada – ela disse depois de um tempo – Por ter me salvado.

Luke deu um sorriso fraco.

– Sorte que temos filhos de Apolo realmente bons em medicina – ela ergueu as sobrancelhas, como quem agradecia mentalmente a Apolo – O chifre no minotauro tinha pegado de raspão no seu rim esquerdo – ela suspirou – E aí eles tiveram que fazer uma cirurgia. Você dormiu por dois dias.

Luke assentiu, não aguentava mais ficar quieto.

– Uau – ele disse sentindo um pouco de dor – E você ficou aqui?

– É – ela corou levemente – Eu disse à Ártemis que era o mínimo que eu podia fazer para te agradecer e que era para ela confiar em mim.

Luke ergueu as sobrancelhas e assentiu em entendimento.

– Obrigado – Luke disse.

– Bom – Thalia se levantou da cama – Eu vou avisar ao Quíron que você acordou.

Antes que Luke tivesse tempo de protestar, Thalia já havia se apressado em sair do quarto.

***

Depois de um tempo sozinho, Quíron entrou no quarto em sua cadeira de rodas junto com um filho de Apolo.

– Como você está se sentindo? – Perguntou Quíron.

– Bem – Luke respondeu.

O filho de Apolo – que Luke descobriu se chamar Ryan – estava desfazendo o curativo que envolvia todo o tronco de Luke.

Luke evitou olhar, mas o pouco que viu estava realmente feio. Havia um furo bem largo e com algumas manchas roxas em volta. Viu também alguns pontos e Ryan estava limpando, o que doeu, mas Luke não demonstrou.

– Poucos semideuses sobreviveriam a isso – Quíron disse se aproximando e Luke pôde ouvir Quíron murmurar algo como “pelo visto Hermes o quer mesmo vivo”.

– Obrigado, eu acho – Luke respondeu incerto.

– Bem, infelizmente você vai ter que ficar cerca de quinze dias de repouso – Quíron continuou – Mas eu já conversei com a Amy e com o Ryan, e eles vão tomar conta de você.

Luke analisou o Ryan novamente. Ele sorriu para Luke. Luke lembrou que ele era o filho de Apolo que Amy estava encarando na quadra de vôlei.

– E onde está a Amy? – Luke perguntou.

– Deve estar vindo para cá agora – e Luke se espantou com a exatidão de Quíron, vendo Amy adentrar o quarto.

– Demorei? – Ela sorriu e depois olhou para Ryan, corando um pouco.

– Não – todos disseram em uníssono.

– Que bom – ela disse se aproximando de Luke – Você está bem?

Ela ajudou Luke com os travesseiros para que ele se sentasse encostado na cabeceira da cama enquanto Quíron se retirava, dizendo que tinha que resolver algumas coisas.

– Bem – ele respondeu – Eu acho.

– Eu acho? – Amy perguntou.

– É, é chato eu sentir dor toda vez que eu falo – Luke deu de ombros e Amy riu.

– Você já trocou o curativo do Luke? – Amy perguntou para Ryan.

– Ah, já sim – ele respondeu com um sorriso.

Amy se virou para Luke.

– O Quíron pediu para que nós o deixássemos sozinho um pouco – Amy suspirou e se voltou para o Ryan – É melhor nós irmos.

Ryan assentiu, indo até a porta e antes de sair, Amy se virou para Luke novamente.

– Não tente levantar – ela piscou e saiu.

Luke se ajeitou na cama. Não levantaria nem se quisesse, tanta era a dor que sentia a cada movimento. Mas valeu à pena, ele pensava. Para ele, nada era mais gratificante do que ter salvado a vida de Thalia, apesar de ainda não ter noção do que sente por ela.

Talvez sejamos amigos muito próximos, ele pensou, eu gosto da companhia dela, mesmo quando ela não diz nada.

Dez minutos depois, um sátiro entrou no quarto de Luke, lhe dando seu almoço. Luke agradeceu e tomou a sopa de legumes. Estava gostosa, apesar de querer comer um pedaço de pizza bem gordurento.

Quando Luke já estava ficando entediado, alguém bateu na porta e Luke pediu que a pessoa entrasse.

Thalia entrou com um rádio e um CD nas mãos.

– Consegui uma folga e... – ela esticou o rádio e o CD – eu trouxe um CD com as suas músicas favoritas.

Luke não podia ter se sentido melhor. Thalia ligou o rádio na tomada e colocou o CD, ajustando o volume. A primeira música foi Rockstar, do Nickelback. Thalia sorriu, se sentando ao lado de Luke e esticando as pernas na cama.

Luke queria cantarolar a música, mas pensou que seria melhor guardar a dor para conversar com Thalia.

– Como foi o seu dia? – ela perguntou, seus olhos elétricos o olhando.

Luke deu de ombros.

– Normal.

Thalia riu.

– Você sempre dá de ombros quando uma coisa foi chata, mas você não quer dizer – ela o olhou.

Luke e Thalia ficaram se olhando por um tempo. Era incrível como Thalia o conhecia mais que ele mesmo. Nesse momento, Luke se lembrou da foto, de como Thalia o olhava na foto. O olhava do mesmo modo que estava o olhando agora.

Luke teve o impulso de levantar uma de suas mãos e passar pelo rosto de Thalia, que por incrível que pareça, permitiu. Sua pele era macia, ele pensou. Mas logo ela olhou para baixo e depois para frente, se ajeitando na cama e fazendo com que Luke retirasse a mão.

Ele observou seu perfil. Thalia tinha traços delicados, acima de tudo. Seu cabelo preto estava para trás, de modo que as mechas azuis pousavam seu rosto. Luke percebeu que ela dublava a música, que agora já era uma do Green Day.

– Você me confunde, Thalia – Luke murmurou, mas tinha quase certeza de que ela tinha ouvido.

Notas finais
Vou deixar os comentários desse capítulo com vocês.