Until the very great end
25 Kiss me hard before you go
Notas iniciais
Mais um dia começava na residência Clarke Sanchez. O café da manhã tinha sido carregado de panquecas com mel e enquanto o filho mais velho, Augus reclamava com o pai, a matriarca terminava de tomar seu banho para sair cedo para dar as últimas aulas antes de tirar férias por um mês.
— Pai, me deixa dirigir. Por favor, meus amigos já aprenderam!
— Não vou fazer isso Augus. Sua mãe mata nós dois. Fora da lei já basta esse seu cabelo de delinquente, nem sei como Belly te deixou fazer esse corte. Meu tempo de ser quem provoca deixei em NYC. Porque não se contenta com o kart?
Kart realmente tinha sido algo surpreendente quando Augusto mostrou interesse. Mas, apesar de ficar com medo de ser um pouco violento demais, Izabelly sabia que não podia prender o garoto dentro de casa para fazer as coisas que apesar de gostar, não tinha muito apreço. Tinha, porque era algo passado de seus pais. Mais seu coração queria outra cosia. E seu menino precisava fazer gostar das coisas que fazia. Como ela gostava da música, como ela sentia a música. e como Henrique também contribuía para essa melodia.
— Porque só faltam dois anos para eu fazer dezesseis e tirar carta — fez um bico emburrado. Henrique riu. Seu pequeno Panda agora já não era mais tão pequeno assim, mas as vezes, o comportamento era de cinco.
— Vamos fazer assim. —Augusto sorriu vitorioso. Seu pai sempre cedia. — Não cante vitória antes da hora, Panda. Deu sorte que moramos nos EUA, no Brasil, teria que esperar mais quatro anos.
— Vamos fazer como mesmo? — Augusto perguntou ignorando a informação de que no Brasil, só se podia tirar carteira de motorista com dezoito. Augus já estava careca de saber tudo sobre o país de origem. Ele até que estava dominando bem o português, melhor do que sua mãe.
— Vão fazer o quê? — Izabelly perguntou quando chegou na sala. Pelo que Henrique sabia, ela estava no quarto de música da casa.
— Nada! — Henrique e Augusto disseram em uníssono e Izabelly arqueou a sobrancelha, desconfiada.
— Vocês vão se atrasar pra sair, vão logo. E na volta, Rique, traga uma pizza. Louise está vindo ainda hoje com os pais e não temos tempo para prepara algo.
Os olhos de Augusto brilharam. Ele estava contando os dias para mostrar sua coleção para Louise de carros, coisa que ela gostava também. Os pais de Lou ficavam com os cabelos brancos toda vez que ela mencionava o kart.... Mas, Sean não podia fazer nada, uma vez que o culpado de apresentar o esporte para as duas crianças era o próprio marido, que era um hobbie que ele tinha desde criança. Mesmo longe, as duas famílias nunca haviam perdido o contato. Augusto tinha até inveja de quando Lou vinha, porque sua irmã mais nova, Catarina, ficava em cima da menina o tempo todo. E era óbvio que Lou dava mais atenção aquela coisa fofa e gorducha de quatro anos de idade. Catarina era a coisa mais emocionante que havia acontecido nos últimos anos.
— Sim senhora! — Henrique brincou. — Pizza de brócolis certo? E nada daquelas porcarias brasileiras? Tipo pizza de chocolate?
— Se mandem daqui Rique e falem baixo, Catarina está dormindo! — Belly brincou, mas não sem antes de grudar os lábios nos do marido.
— Cath está dormindo? — Henrique perguntou.
— Está, e eu te falei isso há duas horas, onde estava com a cabeça? Eu te falei isso três vezes — Izabelly perguntou, esperando que fosse apenas Henrique estar distraído. Era muito cedo para aquilo. Era cedo demais. Esse pensamento tortuoso fez apenas com que Belly beijasse o marido novamente, deixando-o confuso, ele tinha absoluta certeza de que Belly não havia dito nada a ele. O tatuado tinha uma noção do que era a preocupação da esposa, mas ele não seria o responsável para trazer esse assunto a tona. Sempre brigavam quando isso acontecia. Mas ele não se importou com a fuga do assunto. Era sempre bom ter os lábios da esposa nos seus.
Ela tinha essa coisa de querer beija-lo toda vez que ele saia de casa. Augusto brincava que era nojento e fechava os olhos e ia para um canto, deixando sua mãe ter um momento com seu pai. Porque, a gente não sabia quando seria a última vez que iríamos embora de casa. E isso tinha ficado ainda pior quando descobriram que Walter, junto da esposa, tinha vindo a falecer. Ele foi duas semanas depois da mulher. Não aguentou viver sozinho e morreu de solidão.
No entanto, para os Clarke Sanchez, solidão nunca foi uma opção. Especialmente, quando um ano depois, algo aconteceu. O mesmo algo que tinha acontecido cinco anos antes.
— Pequeno Príncipe, temos que conversar com você. — Henrique chegou perto do menino que estava concentrado na TV com algum jogo da corrida.
Henrique deu graças a Deus quando viu que o volume do jogo estava no silencioso para pelo menos colocar uma música clássica. Alguma coisa o menino havia aprendido. Augusto desligou o videogame na hora, e encarou os pais que estavam com Catarina no colo que recém havia completado 5 anos.
— Parece que só vai tirar a carteira de motorista com dezoito mesmo. — Belly negou com a cabeça. Era apenas Henrique sendo Henrique. — Rio de Janeiro, vamos nos mudar.
Os olhos de Augusto se arregalaram e ele mordeu os lábios.
— Uh, ele ficou chocado com essa notícia — Belly brincou um pouco, tentando cortar a tensão no clima — Eu disse para contarmos a outra antes.
— Que outra? — Augusto perguntou, rápido demais, quase que embolando com as duas palavras.
— Estou grávida. — Belly disse um sorriso maior do que o próprio rosto. Augusto abriu a boca, surpreso demais para pensar sobre que teria que adiar a carteira de motorista para mais dois anos.
— Eu achei que a fábrica havia parado quando Catarina nasceu — Augusto resmungou, brincando, mas ainda assim, com um sorriso dançando nos lábios. Izabelly suspirou aliviada. Henrique também. Catarina era a única que ainda achava que os bebês vinham da cegonha, mentira que Augusto contava o tempo todo, apenas para provocar a irmã e irritar a mãe. Coisa de irmãos? Sim, coisa de irmãos. E daqui nove meses mais um vinha para completar os quatro. E se dissessem que quatro anos depois, estariam vivendo aquela vida, Henrique mandaria a pessoa que disse isso ir se tratar.
— Cuidado com sua irmã, Augus!
— Eu tô tomando mãe! — É claro que estava, apesar de não parecer, sendo que a pequena Catarina, já não tão pequena assim, estava nas costas do irmão e ele estava cutucando e fazendo cocegas na mesma até ela admitir onde havia escondido o controle remoto do seu novo videogame.
—Ouve a mamãe, babaca. — Catarina disse quando Augusto colocou a mesma no chão. Augusto fez careta para o português perfeito da menina. Ele não tinha noção do que significava, mas tinha quase certeza que sua irmã havia acabado de xingá-lo. Seu português era bom, mas por falta de treino e falar apenas com Louise em inglês quase 24h por dia – isso se o fuso horário permitisse – não treinava muito a língua nativa. Inglês era milhões de vezes mais fácil, e a gramática não era tão assustadora, por isso quase havia repetido de ano duas vezes por causa dessa bendita matéria na escola.
— Eu vi seu controle remoto em algum lugar — Henrique disse, que passava pela sala, pronto para sair. Ele ia passar na padaria para comprar frios para jantar. — Eu vi sua mãe com ele.
— O que diabos mamãe estava fazendo com ele?
Rique deu de ombros, pegando uma maçã da fruteira e mordendo antes de sair.
— Não sei. Acho que ela se confundiu com o telefone, — Rique riu, mas Augus não achou a menor graça, o controle do seu videogame não tinha nada a ver com o telefone...
Augusto resmungou, pela pouca ajuda de seu pai e o observou sair pela porta. Fez uma nota mental de se lembrar de durante o jantar, lembrar que seu pai estava prometendo aquele carro de presente de dezenove anos e uma passagem só de ida para fazer a faculdade nos Estados Unidos e reencontrar Lou. Seu pai havia prometido falar sobre o assunto, mas o tatuado vivia se esquecendo e Augus tinha medo de ser inconivente, apesar de aquilo ser o que ele mais quisesse no momento.
— Devolve meu controle remoto, — Augus chiou — E eu te dou o número novo de Lou.
Louise havia trocado o celular e Augus só estava esperando o momento certo para usar isso contra a irmã e havia chego em forma de controle remoto. Augusto, como irmão mais velho, adorava saber que era um pouquinho privilegiado por isso. Agora batendo nos 18, Catarina nos 13 e sua irmã mais nova nos 8 anos que havia sido nomeada de Isabella, Augus tinha se tornado um menino confiante. Agora, depois da pequena briga dos dois, Catarina e Augus foram dar uma volta pela praia e a única coisa boa de morar no Rio de Janeiro para Augus era a maresia. Tanto quanto antes – ou até mais – Augusto implorava por um carro, mas a resposta era sempre a mesma. Por isso, decidiu esquecer esse assunto por enquanto e tentar pensar em outros e naquele momento a sua bisavó lhe parecia uma boa ideia de distração.
— Como a bisa era? — Augus perguntou de repente, para a avó, que os acompanhava no passeio enquanto Izabelly e Henrique estavam terminando uma reunião na escola de Isabella. Catarina prestou atenção na avó, ela também morria de curiosidade sobre o assunto, mas não tinha tanta coragem quanto Augusto para perguntar. Sabia que a bisa havia morrido de uma doença.
— Parecia seu avô em algo, mas me lembra de você também, menino. Para quê a pergunta?
Ah.
Para quê?
A curiosidade havia matado o gato. Beije-me com força antes de ir. Você pode nunca mais voltar. Era isso o que Augusto havia aprendido com a sua família e aprendia mais ainda, enquanto sua avô contava histórias sobre sua bisa.
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